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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cinco peixes-boi retornarão à natureza no interior do AM

Os cinco animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária, que o Instituto mantém na Reserva Amanã.

No interior do Amazonas, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi.
No interior do Amazonas, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. (Carolina Oliveira / Instituto Mamirauá)

O Instituto Mamirauá prepara para o dia 11 de agosto a devolução à natureza de cinco peixes-boi amazônicos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os cinco animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária, que o Instituto mantém na Reserva Amanã. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.
No interior do Amazonas, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado - como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida - dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

"Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo", diz a pesquisadora.

Cuidados especiais

De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus e Belém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.
As atividades do Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico recebem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

ACRITICA.COM*

*com informações de assessoria

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estudo preliminar identifica presença de sítios arqueológicos nas margens do lago Tefé (AM)

A pesquisa é desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Organização Social e Manejo Participativo do Instituto Mamirauá. Uma avaliação inicial indica que os grandes sítios do lago Tefé apresentam semelhanças com aqueles do encontro Negro/Solimões.

Material aflorando no solo, localidade Vila Bastos
Material aflorando no solo, localidade Vila Bastos (Jaqueline Belletti / Divulgação)

O Instituto Mamirauá inicia nesta quarta (11), o 9º Seminário Anual de Pesquisa (SAP). Nesta edição, pesquisas arqueológicas serão apresentadas e uma delas destaca os resultados preliminares do estudo que identificou a presença de 22 sítios arqueológicos nas margens do lago Tefé, que fica nos municípios de Alvarães e Tefé (muncípios a 531 e 525 quilômetros de Manaus, respectivamente).

A pesquisa é desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Organização Social e Manejo Participativo do Instituto Mamirauá. De acordo com a cientista social Jaqueline Gomes, uma das pesquisadoras do estudo, foram realizadas duas etapas de campo. Uma avaliação inicial indica que os grandes sítios do lago Tefé apresentam semelhanças com aqueles do encontro Negro/Solimões.

“Essas semelhanças dizem respeito à densidade de material cerâmico, ao tamanho dos sítios e à presença de terra preta. Essa hipótese precisa ainda ser testada através de escavações sistemáticas e análise do material cerâmico”, disse Jaqueline, que também é autora de outros trabalhos que serão apresentados no SAP, de estudos arqueológicos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

Nesta reserva, foi identificado o sítio cerâmico Cacoal do Amanã, localizado na margem direita do lago Amanã. Sua área total foi estimada em 5,8 hectares e as escavações realizadas em uma área de 4x1m no local de maior densidade cerâmica. O pacote arqueológico atingiu a profundidade de 1,80m e nesta área foram evidenciadas diversas estruturas com formas e tamanhos variados, mas geralmente compostas por cerâmica, bolotas e muitos carvões.