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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tucumã causa morte de uma adolescente em Parintins

Autoridades da Embrapa e da Vigilância em Saúde do AM descartam que composto tenha matado adolescente em Parintins

Nas ruas e feiras de Manaus a manipulação inadequada de tucumã é cena banalizada, mas arriscada à população
Nas ruas e feiras de Manaus a manipulação inadequada de tucumã é cena banalizada, mas arriscada à população (Ney Mendes)
Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), acreditam que a falta de higiene no processamento e armazenamento do tucumã tenha sido a causa da morte da adolescente de 17 anos no município de Parintins distante 325 quilômetros de Manaus e não o composto químico carbureto.

As causas da morte da adolescente continuam sendo apuradas. A Secretaria de Saúde de Parintins (Semsa), enviou amostras de tucumã e do sangue da adolescente para serem analisadas por um laboratório em Manaus.

O diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, informou que uma equipe formada por técnicos da Vigilância Sanitária e epidemiológica da FVS, se deslocaram até o município para fazer análises e identificar as causas da contaminação.

Ainda de acordo com Bernardino, o óbito pode não ter relação com produto químico carbureto e sim com a falta de higiene ao manusear os alimentos. “Os indícios de falta de higienização com o tucumã específicamente são fortes. Nós temos que fazer um trabalho mais apurado no sentido de investigar melhor a situação. A primeira hipótese levantada é de que tenha sido o tucumã, mas pode ter sido um queijo ou outro produto, contaminado com uma bactéria ou mesmo um agrotóxico”, explicou Bernardino.

O agrônomo da Embrapa Jeferson Macedo descarta a possibilidade de o uso do carbureto ter intoxicado o fruto. Para ele, o mais provável é que a falta de higiene no processamento e armazenamento da fruta seja a causa da intoxicação.

“A polpa do tucumã é muito rica em gorduras e é uma fonte extraordinária para a proliferação de fungos e bactérias. Pelas características, tudo leva a crer que foi uma contaminação biológica, e não pelo carbureto”, disse o pesquisador.

O resultado das análises deve ser concluído até a metade da próxima semana, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), até lá a comercialização de tucumã está suspensa.

A Prefeitura de Parintins recolheu os tucumãs vendidos nas feiras do Itaúna, do Centro e Zezito Assayag, onde teria sido comprado o fruto suspeito de ter causado a morte da adolescente e mal-estar de outras 17 pessoas. A secretaria também está monitorando a venda de tucumã nos comércios dos bairros do município. Pelo menos, 15 pessoas deram entrada no Hospital Padre Colombo, no último domingo (25), com sintomas de vômito, diarreia e dores abdominais.

Reação que transforma
 
O carbureto é um composto químico: CaC2 e quando reage com a água, forma um combustível, chamado de acetileno e também gera oxigênio.

De acordo com o químico e professor, Pedro Campelo Jr., os frutos realizam essa transfomação naturalmente no processo de maturação. “Quando as pessoas querem que uma fruta amadureça mais rápido elas envolvem o fruto com algum pano ou papel para abafar o fruto, esse procedimento gera o acetileno e acelera a maturação”, explicou.

De acordo com Campelo, não existem problemas em utilizar o composto. No entanto ele ressalta que a utilização do carbureto em grandes quantidades, misturado à água, podem trazer prejuízos.

“Na química temos uma reação onde semelhante absorve semelhante, na prática, se uma fruta que possui substâncias orgânicas, recebe grande quantidade de acetileno que é um gás orgânico, a fruta acaba absorvendo e quem ingere a fruta também, resultando em problemas de saúde”, ressaltou.

Prática
 
Não é apenas no tucumã que se usa o cabureto para acelerar o processo de amadurecimento. No interior do Estado, o composto é bastante aplicado para amarelar banana. Na capital, a prática ainda é muito desconhecida.

Facilidade que pode prejudicar
 
A diretora da Dvisa (Departamento de Vigilância Sanitária), Eunice Alves, disse que em Manaus as ações de fiscalização serão intensificadas. “Nós percebemos que quase não há opções na cidade para quem deseja adquirir o fruto, a maioria dos vendedores já oferecem o tucumã descascado e dentro de sacolas plásticas”, destacou Eunice.

Apesar de ser mais trabalhoso, descascar o tucumã, ainda é a forma mais segura de saber a procedência de quem manuseou aquele fruto, ressaltou a diretora do órgão.

Para ela os locais onde geralmente os frutos ficam expostos influenciam no processo de contaminação. “É muito comum nós observarmos os tucumãs descascados e jogados sobre um tabuleiro e sem nenhuma proteção do alimento contra moscas ou outras sujeiras. No caso das ‘banquinhas’ de café regional, os alimentos já vêm contaminados dos fornecedores e a contaminação é agravada por serem guardados em vasilhas plásticas mal lavadas”, finalizou.

Lascas
 
Em 2011, um trabalho desenvolvido pelo curso de Biotecnologia da Fundação Centro de Análise e Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) constatou a presença de coliformes fecais em 100% das amostras de lascas de tucumã coletadas em feiras livres situadas em várias zonas de Manaus.

Embora o estudo tenha sido direcionado para constatar a contaminação das lascas do fruto comercializadas em vários pontos de Manaus, a avaliação aponta a falta das boas práticas de manipulação do alimento como o principal motivo para que ele esteja contaminado. 

“Os feirantes costumam manipular o tucumã e o dinheiro ao mesmo tempo e isso vai contaminando as mãos que, quando mal lavadas, ao descascar o fruto passam a contaminação”, destacou a coordenadora da pesquisa professora Danielle Cordeiro, mestre em Biotecnologia.

JAÍZE ALENCAR

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Alimentos Amazônicos são aliados da saúde

Na região Amazônica existem inúmeros alimentos com potencial nutritivo e funcional que trazem efeitos benéficos ao organismo humano, como prevenção de doenças e manutenção da saúde.

De acordo com Alessandra Lopes, o café de tucumã está em fase experimental e ainda não é produzido comercialmente
O tucumã e o buriti podem ser uma alternativa no combate de hipovitaminose (Ney Mendes)

O peixe e a farinha são alimentos indispensáveis na mesa de grande parte dos amazonenses. Mas especialista aponta que qualquer alimento ingerido em excesso faz mal e a farinha que faz parte das dietas regionais, em especial, pode virar uma grande vilã da saúde. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, através da Pesquisa de Orçamentos Familiares, o número de pessoas com excesso de peso e obesidade aumentou nos últimos 20 anos.

Entre os homens, o excesso de peso quase triplicou passando de 18,5%, no início de 1970, para 50,1%, no final dos anos 2000. Entre as mulheres, o aumento foi menor: de 28,7% para 48%. Já a obesidade cresceu mais de quatro vezes entre os homens, de 2,8% para 12,4% e mais de duas vezes entre as mulheres, de 8% para 16,9%.

O excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, a partir de 5 anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Já o déficit de altura nos primeiros anos de vida (um importante indicador da desnutrição infantil) está concentrado em famílias com menor renda e, do ponto de vista geográfico, na Região Norte.

Alimentos amazônicos

Na avaliação da coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Literatus, Flávia Amaro Gonçalves, a farinha e o peixe fazem parte da cultura do povo amazonense e podem ser consumidos tranquilamente desde que nas quantidades recomendadas. Temos a farinha como um vilão, mas segundo Flávia, o que faz engordar não é o consumo do produto em si, mas a quantidade e a frequência com que ingere o alimento e ainda as combinações de farinha com arroz, com macarrão ou ainda com macaxeira.

Na região Amazônica existem inúmeros alimentos com potencial nutritivo e funcional que trazem efeitos benéficos ao organismo humano, como prevenção de doenças e manutenção da saúde. “Destaco quatro destes: tucumã, pupunha, camu-camu e buriti”, disse a nutricionista.

Flávia explica que o tucumã, pupunha e buriti são ricos em vitamina A. O tucumã e o buriti podem ser uma alternativa no combate de hipovitaminose A. A pupunha tem alto valor energético e pode ser ingerida sem estar cozida ou pode ser moída para produção de farinha. O camu-camu é o fruto mais rico em vitamina C do mundo e pode ser consumido de diversas formas: in natura, refresco, picolé, geleia, além de acrescentar sabor e cor a diferentes tipos de tortas e sobremesas.

Para a profissional o mais importante é que a população Amazônica valorize os alimentos regionais por meio do resgate dos costumes típicos da região. “Assim garantiremos uma vida saudável e com uma alimentação balanceada”, destacou.

ACRITICA