TV Em Tempo foi punida por propaganda eleitoral negativa no programa apresentado pelo deputado federal Sabino Castelo Branco
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| Sabino Castelo Branco usou programa de televisão para atacar um candidato a prefeito na eleição suplementar de Tefé |
A juíza de Direito do
município de Tefé – situado a 525 quilômetros de Manaus-, Suzi Granja
da Silva, multou a TV Em Tempo em R$ 45,4 mil por propaganda eleitoral
negativa feita pelo deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB) no
programa “Voz da Esperança”.
Na
decisão, publicada no último dia sexta-feira (27), no Diário Eletrônico
da Justiça Eleitoral, a magistrada cita o fato do deputado ter sido
cassado por uso abusivo dos meios de comunicação. Apesar de só ter sido
oficializada na sexta-feira, a sentença de Suzi da Silva refere-se à
irregularidade praticada por Sabino Castelo Branco em janeiro de 2011.
Nesse
período, Tefé realizou eleição suplementar para escolha de prefeito. O
deputado foi acusado de usar o programa “A Voz da Esperança” para atacar
o candidato da coligação do Bem, Wiseman Celani (PR). Na decisão, a
juíza lamenta o fato da multa só poder ser aplicada à emissora, e não
atingir o deputado-apresentador.
“Não
é demais mencionar que o segundo representado (Sabino) foi cassado pelo
TRE-AM justamente por fazer uso eleitoreiro do programa Voz da
Esperança”, diz um trecho da sentença.
Sabino foi cassado em 27 de fevereiro deste ano e está recorrendo da decisão no TSE.
Na
representação, a coligação do Bem pediu que fosse aplicada multa de R$
106,4 mil. Alegou que Sabino divulgou, em seu programa na TV Em Tempo,
que o candidato Wiseman Celani respondia a ações judiciais. A juíza
conta que assistiu ao vídeo do programa e constatou tratamento
depreciativo.
“É
bastante curioso que o segundo representado tenha se interessado pela
conduta e vida pregressa do candidato da coligação do Bem às vésperas de
um pleito suplementar na cidade de Tefé, tão longínqua da capital.
Curioso
também que não tenha se preocupado em verificar se o candidato da
coligação oponente também possuia, à época, ações em seu desfavor”,
afirma a decisão.
Participaram
da eleição suplementar, além Wiseman Celani, que era apoiado pelo
prefeito cassado Sidônio Gonçalves (PHS), Jucimar Veloso (PMDB), que
contava com o apoio de Sabino e do senador Eduardo Braga, e o
ex-vice-prefeito (PSOL). Jucimar Veloso foi o vencedor.
Em
sua defesa, a TV Em Tempo disse que o processo deveria ser arquivado em
respeito à liberdade de manifestação e de acesso à informação. Disse
também que a denúncia tinha a intenção de silenciar a imprensa.
“A
imprensa escrita e falada tem o papel importantíssimo de esclarecer a
população. O que não se pode permitir é que seja utilizada com a
finalidade de mostrar apenas a informação desejada por um grupo
político. Era público e notório que um dos representados apoiava o
candidato da coligação contrária. Houve direcionamento da informação”,
disse a juíza. Da decisão cabe recurso.
Quatro mandatos consecutivos
A eleição suplementar em Tefé ocorreu no dia 23 de janeiro de 2011 porque o prefeito eleito em 2008, Sidônio Gonçalves (PHS), teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) em maio de 2009. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somente em novembro de 2011.
A eleição suplementar em Tefé ocorreu no dia 23 de janeiro de 2011 porque o prefeito eleito em 2008, Sidônio Gonçalves (PHS), teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) em maio de 2009. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somente em novembro de 2011.
O
motivo da cassação foi o exercício de quatro mandatos seguidos de
prefeito. Antes de ser eleito e depois reeleito, em Tefé, ele
administrou Alvarães por dois anos.

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