Debate deverá resultar em uma lei estadual para disciplinar a comercialização, bem como os produtos ofercidos aos alunos das redes pública e privada
| Audiência Pública vai discutir qualidade da merenda escolar no AM |
A
audiência pública que discutiu na manhã desta segunda-feira (7), a
merenda escolar comercializada nas escolas públicas e privadas deverá
resultar em uma lei estadual de alcance amplo para disciplinar a
comercialização de alimentos nas cantinas escolares.
Realizada
na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) a partir das discussões
com todos os segmentos envolvidos, a audiência foi proposta pelo
deputado estadual Antônio Chico Presto (PSD), e reuniu representantes do
Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), do Conselho de
Alimentação Escolar (CAE), da Fundação de Vigilância em Saúde do Estado
do Amazonas (FVS) e representantes da Secretaria de Estado da Educação e
Qualidade de Ensino (Seduc).
Para o
deputado, a questão da merenda escolar precisa de uma discussão mais
ampla. Por isso, um relatório do que foi tratado nas duas audiências
públicas realizadas será encaminhado à Comissão de Educação da ALEAM
para que dê continuidade aos encaminhamentos em relação ao assunto,
próprio da comissão.
Secretária-geral
do Consea, Leila Bressane, apresentou, na ocasião, dados de que apenas
15 escolas municipais, 16 escolas estaduais e uma federal possuem
cantinas escolares e que na lista dos Estados brasileiros com
alimentação saudável constam estados como Santa Catarina, Rio Grande do
Sul, Rio de Janeiro, entre outros. Ela propôs a criação de um grupo de
trabalho ampliado para discutir o assunto e subsidiar o Projeto de Lei.
O
presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), Marck
Arthur Storck, disse que o Estado do Amazonas está entre os quatros
Estados brasileiros que não assinaram o termo de adesão ao Sistema
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
“Isso
acarreta uma perda de R$ 250 milhões todos os anos”, disse, observando
que a política pública afirmativa nessa área não contempla os indígenas e
os quilombolas, deixando de ser implantada. “Essas populações ficam
marginalizadas gerando um ciclo vicioso. Não tendo acesso as ações da
agricultura familiar, aos alimentos e, principalmente a crédito e insumo
para plantação”, exemplificou.
De
acordo com Marck, o que falta efetivamente para que o Estado participe
do Sistema Nacional de Segurança Alimentar é que o governo assine a
adesão ao programa em curto tempo e consiga convênios junto ao Governo
Federal, bem como os repasses financeiros para diversas secretarias
executem políticas públicas, minimizando o problema de logística.
Médico
veterinário, Augusto Kluczkovski Júnior, da Fundação de Vigilância em
Saúde (FVS) argumentou que hoje 22% da merenda escolar em escolas
estaduais são impróprias para o consumo, até pela manipulação
inadequada.
“Falta higienização”, disse ele.
Presidente
do CAE, Raimundo Torres, também falou de uma série de irregularidades
quanto à merenda escolar. Segundo ele, muitos problemas ocorrerem por
causa da gestão das escolas.
“Se a
merenda da cantina não tem qualidade, porque aceita?”, questionou ele,
acrescentando que existe legislação que proíbe cantinas nas escolas
públicas e nas escolas particulares, haverá uma regulamentação pública.
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