Construções seguem nível de segurança de 29 m; rio chegará a 30m. Shoppings, feiras e praças em regiões mais afastadas dos rios devem ser atingidas pelas águas
| Em 2009, igarapé do Mindú, que passa pelo Parque dos Bilhares, chegou a transbordar em função da cheia |
A
cota máxima de 30,13 metros do Rio Negro, prevista pela
Superintendência Regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) para
este ano, deverá atingir Manaus muito além das fronteiras da beira dos
igarapés e da orla da cidade, chegando a shoppings, feiras e praças em
regiões mais afastadas. Os cálculos feitos pela Defesa Civil Municipal,
contabilizam que cerca de 3,6 mil famílias sofrerão com a subida do
nível da água do Rio Negro. Pelo menos onze bairros terão áreas alagadas
somando cerca de 18,3 mil pessoas prejudicadas.
De
acordo com o engenheiro civil Waltair Machado, edificações como o
estacionamento do shopping Millennium, feira da Manaus Moderna, Parque
dos Bilhares, Praça dos Remédios e várias ruas do Centro podem ficar embaixo d‘água.
“Existe uma cota de segurança para construções em Manaus, que é seguida
na maioria das edificações da capital e, se de fato a enchente
ultrapassar essa margem, muitas pessoas devem ficar no prejuízo”,
afirmou.
A
cota para edificações que está em vigor, segundo o Plano Diretor
vigente, de 2002, é de 29 metros. Na revisão do documento, que foi
encaminhado para Câmara Municipal de Manaus (CMM) no último dia 27,
consta a alteração para 30 metros. A maioria das edificações foram
feitas com base na metragem de 29 metros acima do nível do mar.
Conforme
o engenheiro Waltair Machado, o sistema viário, incluindo a Ponte Sobre
o Rio Negro não deve sofrer com a cheia. “Ela foi construída com a cota
de segurança de 31,5 metros em relação ao nível do mar”, explicou.
Caso chegue a atingir a cota máxima, a cheia irá superar em 39 centímetros a maior enchente registrada em 2009, quando o rio alcançou a cota de 29,77 m.
Mesmo
diante dos números divulgados, A Prefeitura de Manaus confirmou, por
meio de assessoria, que não há plano de emergência para prédios na
capital, e sim, assistência apenas para áreas ribeirinhas e ruas do
Centro.
Segundo
o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), a cota é
estipulada pela Capitania dos Portos e a Prefeitura se vale desta para
estipular um nível de previsão mínima.
Os
bairros que poderão ter maior espaço invadido pela água são Glória (720
residências na iminência de serem alagadas), Presidente Vargas (595
residências) e São Raimundo (495 residências). Ainda somam-se casas em
áreas do São Geraldo, São Jorge, Educandos, Aparecida, Betânia, Raiz,
Morro da Liberdade e algumas ruas do Centro. O total estimado de casas
alagadas é de 3.468.
O Plano Emergencial da Defesa Civil do municipio prevê ações
como construção de pontes de madeira, ações básicas de saúde, com a
distribuição de medicamentos e cartilhas, e a concessão do “Cartão
Enchente”, no valor estimado de R$ 400, para as pessoas cadastradas e
comprovadamente prejudicadas pela cheia.
De
acordo com o plano, as ações começaram no final de abril, quando o
Serviço Geológico do Brasil deu o primeiro alerta de cheia. O Governo do
Estado também informou que vai auxiliar com medidas emergenciais como a
construção de passarelas, marombas, entrega de madeira, retirada de
lixo, distribuição de hipoclorito de sódio, além da retirada das
famílias pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus
(Prosamim), prevista para iniciar no final do ano. A ação emergencial
está sendo coordenada pela Defesa Civil do Estado em conjunto com várias
secretarias.
Famílias
dos bairros Glória e Presidente Vargas, na Zona Centro-Oeste, e a
comunidade da Sharp, na Zona Leste, foram as primeiras a receber a ajuda
humanitária e apoio para diminuir os impactos da cheia.
Equipes do Governo do Estado que trabalham na construção de passarelas,
na entrega de madeiras para erguer marombas, retirada de lixo e
distribuição de hipoclorito de sódio.
Interdição
O
Manaustrans sinalizou o fechamento do cruzamento da rua dos Barés com
Joaquim Nabuco desde segunda-feira, 30, com cones, por causa do
alagamento. A interdição deste trecho permanece.
A
assessoria do Manaustrans informou, por meio de nota, que no Centro, os
agentes de trânsito estão orientando os motoristas a utilizarem as ruas
Miranda Leão e Andradas para acessar a Lourenço da Silva Braga (Manaus
Moderna).
Além
da rua dos Barés, o Manaustrans está monitorando outras vias que podem
ser alagadas. O trabalho consiste em sinalizar as áreas afetadas e
orientar condutores a utilizar desvios.
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