Filhote tinha ferimentos de arpão no corpo; uma necropsia será feia para apontar o que teria motivado a morte do mamífero
| O veterinário Anselmo D’Affonseca mostra os ferimentos encontrados no corpo do peixe-boi resgatado na terça-feira |
O
filhote de peixe-boi de aproximadamente um metro de comprimento,
resgatado na quarta-feira (03),pelo Batalhão de Policiamento Ambiental
do Amazonas (BPAMB), no Município de Manaquiri (a 65 quilômetros de
Manaus), chegou sem vida ao Laboratório de Mamíferos Aquáticos do
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA-Inpa), no Bosque da
Ciência, Zona Sul. Somente este ano, sete mamíferos foram resgatados
pela instituição.
De acordo com o
veterinário responsável do LMA-Inpa, Anselmo D’Affonseca, o peixe-boi é
alvo do comércio ilegal de carnes de mamíferos no Amazonas. O
veterinário suspeita de que o filhote tenha sido morto devido aos
ferimentos oriundos de arpão de pescadores.
Ainda
conforme o veterinário, a carne é muito apreciada pela população do
interior e também da capital, e pode ser encontrada, de forma
clandestina, em feiras de vários municípios do Estado. Na capital, ela
chega, normalmente, por encomenda. “A morte do filhote é um caso atípico
porque, geralmente, os caçadores não matam a cria, que é o principal
motivo de atração de outros mamíferos”, disse.
Hoje,
segundo o veterinário Anselmo D´Affonseca, o espaço do animal está
limitado. “Nesse período, o problema maior é a seca, que limita o espaço
para o mamífero, criando uma situação de locais restritos e
desfavoráveis a ele”, disse.
Segundo o
Inpa, o mamífero passará por necropsia para identificar as causas da
morte e será colocado à disposição da coleção de mamíferos aquáticos do
instituto para estudo. Segundo ele, o peixe-boi está na lista dos
mamíferos que correm o risco de extinção.
Proximidade
Segundo
a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), os caçadores de mamíferos
podem morar próximos às comunidades que fazem a denúncia. “O peixe-boi é
um animal dócil, carismático e tem a carne bastante procurada. Então,
há suspeitas de que os matadores morem perto das comunidades que ajudam a
resgatar o filhote”, disse a bióloga Isabel Reis.
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