O quarto CD da cantora foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas de Música, em um show que fez lembrar a Techno Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de Parintins
| Eclética, Márcia Siqueira canta estilos variados e se consagrou como uma das únicas mulheres cantoras de boi-bumbá, no Amazonas |
A
união de composições inspiradas no folclore caboclo e no lendário
indígena, o emprego de metais, instrumentos de percussão e corda,
arranjos cheios de melodia e uma voz privilegiada fizeram do CD “Ritual”
– da regionalmente consagrada cantora amazonense Márcia Siqueira – um
trabalho novo e cheio de qualidade. Interpretações que merecem ganhar o
Brasil, pois em nada devem (e em muito superam) toadas que fizeram
sucesso e expuseram o “exótico amazônico” mundo a fora, como: Vermelho,
Tic Tic Tac e Bumba Bumbum Bumbá.
“Ritual”
foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas
de Música, nessa sexta-feira (28), em um show que fez lembrar a Techno
Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de
Parintins. A apresentação
contou com um staff de aproximadamente 50 profissionais, entre músicos,
dançarinos e produtores, e mesmo com um orçamento disponível apertado
conseguiu emocionar. Cerca de 500 turistas, fãs da cantora e pessoas que
não conheciam sua música fizeram parte da plateia, aplaudiram de pé e
dançaram durante o evento.
Há
cantores que mostram todo o seu talento em produções gravadas,
conseguem produzir CDs de extrema qualidade, mas deixam a desejar quando
se apresentam ao vivo. Esse, definitivamente, não é o caso de Márcia
Siqueira. Quem ouve e o CD e assiste ao show tem certeza de que se trata
de uma intérprete legítima, merecedora dos títulos adquiridos nos
vários festivais que já venceu.
| Segundo a própria cantora, “Ritual” é uma homenagem justa aos compositores amazonenses. Entre eles: Rui Machado, Sidney Rezende, Pereira, Emerson Maia, Paulinho Dú Sagrado. |
O
CD reúne romantismo, caboclitude e folclore de modo harmônico, sem
tornar a música exótica, ou comercial em demasia. Com propriedade,
Márcia interpreta – com os traços físicos, gestual e indumentária
indígena estilizada – a legitima música amazônica e o próprio boi-bumbá
de Parintins. Movimento esse que, mesmo após cerca de 10 anos de
contribuição ativa, não dá o merecido valor para essa artista ímpar, que
tecnicamente supera muitos dos cantores de toada regionais.
Biografia
Márcia
Siqueira ganhou destaque ao vencer o prêmio Canta Nordeste, realizado
pela Rede Globo em 1995. Ela já realizou apresentações na Alemanha
(durante a Expo 2000, em Hannover, e na Mostra do Cinema Brasileiro, em
Munique); participou do projeto Pixinguinha; venceu como melhor
interprete vários festivais no Brasil. Márcia foi também a primeira
mulher a cantar no Festival Folclórico de Parintins. Eclética, a intérprete canta vários estilos,
entre eles: MPB, toadas de boi-bumbá, blues, samba rock e pop. Já
lançou os CDs: “Canto de Caminho”, “Márcia Siqueira”, “Nada a declarar” e
“Ritual”. Em março de 2011 chegou a ser vítima de censura e impedida de subir ao palco por não apresentar a carteira da ordem dos músicos.
Escute a música “Povo de alma vermelha” (Paulinho Dú Sagrado) e “Eterno Amor” (Kleber Paiva)
Nenhum comentário:
Postar um comentário