O presidente também deixou claro que a Casa Legislativa sempre estará
A manifestação dos feirantes em frente à Câmara Municipal de Manaus (Foto: Robervaldo Rocha) |
A manifestação dos feirantes em frente à Câmara Municipal
de Manaus (CMM), contra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), realizada na
manhã desta quarta-feira (6), e que segundo eles, vai
privatizar as feiras da cidade de Manaus, foi considerada como um ato político
pelos vereadores da base governista na Casa Legislativa municipal.
O presidente da Câmara, vereador Bosco Saraiva (PSDB)
procurou tranquilizar os feirantes, quando, ao conduzir os trabalhos
legislativos, afirmou que não existe essa possibilidade de privatização das
feiras na cidade de Manaus. Segundo ele, no ano passado a Câmara aprovou a Lei
nº 344, de 18 de setembro, alterando a Lei nº 1.580, de 31 de agosto de 2011,
que modifica a área de abrangência e as finalidades da Operação Urbana, objeto
da Lei nº 1.388, de 11 de novembro de 2009.
O Projeto de Lei, de autoria do vereador Mário Frota
(PSDB), como garante o presidente, resguarda as feiras e mercados do alcance da
lei. “Portanto, não há possibilidade de privatizar parte ou setor de feiras e
mercados na cidade de Manaus. Isso é campanha política”, garantiu Saraiva.
O presidente também deixou claro que a Casa Legislativa
sempre estará aberta para todos os seguimentos da sociedade, pois é a Casa do
Povo, e que estava receptivo para atender a comissão dos feirantes, que não foi
conversar com os vereadores.
Líder do prefeito na CMM, vereador Wilker Barreto (PHS),
disse que a postura do município quanto à questão é de total tranquilidade. Ele
justifica que o TAC foi assinado entre a Prefeitura Municipal e o Ministério
Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) em 22.10.2013, portanto, ano passado, e
só agora o Sindicato dos Feirantes faz o movimento contrário. “A Casa
Legislativa nunca se furtou a mediar um acordo”, disse.
O vereador, da tribuna, afirmou também que os vereadores
aguardavam a formação de uma comissão dos feirantes para conversar, mas a
iniciativa não foi tomada por parte dos feirantes. “Temos um histórico a nosso
favor. Negociamos e intermediamos a regulamentação dos mototaxistas, dos
micro-ônibus Alternativos e Executivo, da Guarda Municipal e mais recentemente
do Festival Folclórico do Amazonas”, afirmou ele, argumentando que esperava que
a Casa pudesse contribuir, mas a atitude do Sindicato dos Feirantes causou
surpresa. “Há um ano esse TAC foi assinado e agora o presidente do Sindicato
(Davi Lima) diz que ele é nocivo?”, questiona.
Segundo ele, é possível lapidar alguns pontos do documento.
“Defendo a hereditariedade da permissão aos feirantes, como ocorreu com os
taxistas, mas não concordo o permissionário possuir dez bancas”, afirmou o
líder do prefeito assegurando que a CMM e a Prefeitura de Manaus estão sempre
de portas abertas para discutir os temas de interesse da cidade.
Reivindicações
Presidente do Sindicato dos Feirantes e representante da
Comissão Gestora da Manaus Moderna, Davi Lima, explicou, durante a
manifestação, que chegaram a propor várias mudanças no TAC, que termina o prazo
no dia 31 de outubro para ser colocado em prática, mas não foi aceito pelo
Ministério Público. Segundo ele, o item de maior impacto e que fere de morte os
feirantes é a licitação, que segundo ele será aberta para todo o Brasil. “Vão
vir pessoas de outros Estados. Licitação existe para pessoa jurídica. Os
feirantes não têm empresas, eles não podem concorrer à licitação”, disse.
Davi Lima diz que os feirantes não se recusam a pagar os
tributos, água e luz, e querem administrar as feiras. “Por que a Prefeitura não
faz com os feirantes como fizeram com os camelôs”, disse, assegurando que o
movimento não tem cunho político. “Queremos negociar com o prefeito”,
argumentou.
O presidente do Sindicato também disse que a Associação dos
Feirantes também não tem legitimidade para negociar com as autoridades em nome
dos feirantes. Segundo ele, o presidente da entidade, Deusdete Alves, tem
envolvimento político com grupo que é de oposição ao atual governador (José
Melo).
Davi Lima garantiu, ainda, que os feirantes estão
programando o fechamento das feiras, em protesto, a partir do dia 15. A ideia,
segundo ele, é a de desabastecer a cidade com produtos oriundos da zona rural.
“Vamos fechar as feiras da Compensa, Manaus Moderna, e a do Produtor, na Zona
Leste”, garantiu, ao assegurar que todo o abastecimento da cidade chega às
feiras pelas mãos dos feirantes.
O sindicalista estima que mais de 20 mil feirantes
sobrevivam das feiras municipais e comunitárias. De acordo com ele, o Sindicato
conseguiu mobilizar cerca de 1,5 mil feirantes na manifestação, que teve
concentração na Feira do Santo Antônio desde às 8h e seguiu, em passeata, por
volta das 9h30 em direção à Prefeitura de Manaus, no bairro Compensa, Zona
Oeste.
Com informação da Assessoria
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