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segunda-feira, 9 de março de 2015

Pescadores denunciam Sepror de não pagar dívida de R$ 933 mil da venda de carne de pirarucu

Secretaria de Estado de Produção Rural teria deixado de pagar a pescadores de Maraã (AM), desde ano passado, valor referente à venda de 150 toneladas de pirarucu  

Alguns pescadores estão na cidade estão trabalhando como carregador na Manaus Moderna para custear despesas (Erica Melo)




Aproximadamente 30 pescadores do município de Maraã (distante 634 quilômetros de Manaus) estão na capital reivindicando o pagamento da venda de mais 150 toneladas de carne de pirarucu à Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), referente a despesca do ano passado. De acordo com eles, a dívida do Estado com os pescadores é de R$ 933 mil há quase quatro meses. 
Ao todo, 584 pescadores que atuam no “Lago Preto”, dentro da Reserva Mamirauá, estão prejudicados com a falta do pagamento. Para sustentar a família, eles compram mantimentos “fiado” com um comerciante da cidade. Somando as contas de todos os pescadores, a dívida no comércio chega a R$ 227 mil com juros. 
“Os pescadores são cobrados e pressionados todos os dias por causa da conta com o comerciante da cidade. Além disso, estamos com uma dívida de R$ 30 mil com o único posto de gasolina que fornece combustível fiado para que os pescadores possam pescar em suas rabetas”, comentou o presidente da Colônia de Pescadores de Maraã, Raimundo Torres. 
Os pescadores chegaram em Manaus na segunda-feira passada e estão abrigados em uma embarcação regional. Alguns estão trabalhando como carregadores de carga no porto da Manaus Moderna para garantir o alimento e a passagem de volta ao município.
“Estive várias vezes na Sepror e não há nenhuma resposta. Eles também fizeram um empréstimo com o banco, em nome dos pescadores, para pagar o nosso próprio produto. Compraram o pescado com o dinheiro do pescador e depois não pagaram o empréstimo. Agora os pescadores estão negativados”, disse o presidente do Sindicato dos Pescadores de Maraã, Manoel Nascimento.
No ano passado foram 13 dias de manejo do pirarucus. A parceria existe há cinco anos, mas os pescadores não estão satisfeitos. “Não vamos vender mais uma escama de peixe se não nos pagarem adiantado. Quando se falava na industria do ‘bacalhau da Amazônia’ em Maraã, diziam que era para melhorar a vida do pescador, mas foi o contrário. Teve pescador que morreu endividado”, complementou Raimundo.
O pescador Raimundo Nonato da Silva, 51, também veio para Manaus para cobrar o pagamento. “Estou trabalhando como vigia da embarcação onde estamos alojados porque não tenho mais dinheiro. Nossa situação está muito difícil. Só queremos receber pelo pescado que vendemos”, finalizou. 
Secretaria afirma não haver atraso
A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) informou que “não reconhece atraso no pagamento da produção referente ao pirarucu de manejo de Maraã em 2014”. Segundo a pasta, foi firmado convênio entre a Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) e a Colônia de Pescadores, em que foi adiantado R$ 124 mil referente à produção de 2014.
O restante do valor deve ser pago até abril de 2015, ainda segundo a Sepror. A pasta afirmou, ainda, que não fez empréstimo em nome dos pescadores junto ao banco, “embora tenha conhecimento do problema enfrentado pela colônia por um processo conduzido pela Associação dos Amigos do Inpa (Assai), que, antes da atual gestão tomar posse, era a responsável por gerir os recursos do Estado relacionados ao manejo de Maraã”.
A saída da Assai e o repasse da condução do processo para a ADS, segundo a pasta, foram uma das primeiras ações da atual gestão para reorganizar o setor, segundo a Sepror.
Luana Carvalho

quinta-feira, 14 de março de 2013

Onças-pintadas serão monitoradas no Amazonas

Para capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram utilizadas, espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de passagem de onças

Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado
Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado (Brandi Jo Petronio/ Instituto Mamirauá )
O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, conclui a campanha de captura de onças na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas. A campanha teve início em novembro de 2012 e se estendeu até fevereiro. Cinco onças-pintadas foram capturadas, dois machos e três fêmeas. Os animais serão monitorados por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a cada dois dias, a posição do animal.

Segundo o biólogo Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, que estuda a ecologia da onça-pintada nas florestas inundáveis de várzea da Amazônia, o principal objetivo do estudo é entender como as onças-pintadas se comportam e usam o habitat da região quando o nível da água sobe e alaga esse tipo de floresta. "Acreditamos que parte da população de onças fica nas florestas inundáveis e vive, durante um período do ano, no alto das árvores e nadando por períodos que podem ultrapassar um mês, todos os anos", afirmou o pesquisador. 

Para capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram utilizadas, espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de passagem de onças. Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado. Ao mesmo tempo, a equipe avaliava os vestígios da presença de onças-pintadas na área, para aproximar as armadilhas dos locais onde as onças estavam andando durante a campanha.

"Os primeiros dias, antes da primeira captura, foram os mais tensos, porque algumas onças desarmaram as armadilhas sem serem capturadas, outras pularam os laços evitando a armadilha. No entanto, a primeira captura ocorreu no décimo dia de campanha, à noite", relatou o pesquisador, acrescentando que dois membros da equipe avistaram a onça no laço, em uma das trilhas mais distantes. 

Imediatamente, eles retornaram ao alojamento de pesquisa e avisaram ao restante da equipe, que se dirigiu ao local. Chegando próximo à armadilha, os pesquisadores avaliaram as condições do animal. Foi estimado seu peso para determinar a quantidade de anestésico que deveria ser administrado para conter o animal e permitir a instalação do colar. A captura desta primeira onça-pintada foi acompanhada por um pesquisador do Instituto Piagaçu-Purus, com o objetivo replicar a técnica utilizada na Reserva Mamirauá. 

O estudo desenvolvido pelo Projeto Iauaretê, também busca descrever o estado de saúde das onças-pintadas da Reserva Mamirauá por meio da coleta e análise do sangue dos animais capturados.

*Com informações da assessoria de imprensa