Para
capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram
utilizadas, espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de
passagem de onças
| Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado |
O
Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação, conclui a campanha de captura de onças na Reserva
de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas. A campanha
teve início em novembro de 2012 e se estendeu até fevereiro. Cinco
onças-pintadas foram capturadas, dois machos e três fêmeas. Os animais
serão monitorados por meio de colares de telemetria, que informam via
satélite, a cada dois dias, a posição do animal.
Segundo
o biólogo Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê,
que estuda a ecologia da onça-pintada nas florestas inundáveis de várzea
da Amazônia, o principal objetivo do estudo é entender como as
onças-pintadas se comportam e usam o habitat da região quando o nível da
água sobe e alaga esse tipo de floresta. "Acreditamos que parte da
população de onças fica nas florestas inundáveis e vive, durante um
período do ano, no alto das árvores e nadando por períodos que podem
ultrapassar um mês, todos os anos", afirmou o pesquisador.
Para
capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram utilizadas,
espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de passagem de
onças. Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas
para verificar
as armadilhas e se algum animal havia sido capturado. Ao mesmo tempo, a
equipe avaliava os vestígios da presença de onças-pintadas na área,
para aproximar as armadilhas dos locais onde as onças estavam andando
durante a campanha.
"Os
primeiros dias, antes da primeira captura, foram os mais tensos, porque
algumas onças desarmaram as armadilhas sem serem capturadas, outras
pularam os laços evitando a armadilha. No entanto, a primeira captura
ocorreu no décimo dia de campanha, à noite", relatou o pesquisador,
acrescentando que dois membros da equipe avistaram a onça no laço, em
uma das trilhas mais distantes.
Imediatamente,
eles retornaram ao alojamento de pesquisa e avisaram ao restante da
equipe, que se dirigiu ao local. Chegando próximo à armadilha, os
pesquisadores avaliaram as condições do animal. Foi estimado seu peso
para determinar a quantidade de anestésico que deveria ser administrado
para conter o animal e permitir a instalação do colar. A captura desta
primeira onça-pintada foi acompanhada por um pesquisador do Instituto
Piagaçu-Purus, com o objetivo replicar a técnica utilizada na Reserva
Mamirauá.
O estudo desenvolvido pelo Projeto Iauaretê, também busca descrever o estado de saúde das onças-pintadas da Reserva Mamirauá por meio da coleta e análise do sangue dos animais capturados.