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terça-feira, 1 de maio de 2012

Cheia diminui tempo de viagem entre municípios do AM

Enchente reduz o tempo de viagem entre diversos municípios

Viagens de barco no Amazonas estão mais rápidas devido aos furos, atalhos naturais, que surgem durante enchente
Viagens de barco no Amazonas estão mais rápidas devido aos furos, atalhos naturais, que surgem durante enchente (Bruno Kelly)

Enquanto a enchente dos rios da Amazônia castiga mais de 24 municípios do Estado e desabrigou aproximadamente 30 mil pessoas gerando prejuízos para a população ribeirinha, para a navegação a subida das águas é sinônimo de facilidade. Comandantes de embarcações contam que durante a cheia o tempo de viagem de Manaus para a maioria dos municípios do interior do Estado é reduzido em até cinco horas.
A rapidez na viagem se reflete também na economia de combustível e de dinheiro o que, segundo os donos de embarcações, faz com que o passageiro prefira viajar no período da cheia. A redução do tempo de viagem corresponde a uma economia de 400 litros de combustível que totaliza um gasto de menos
R$ 800 aos proprietários de embarcação.
Outro ponto considerado positivo pela navegação é o surgimento dos furos (atalhos) que só podem ser usados na época da cheia. Os canais que ficam secos na metade do ano, durante a cheia são inundados e possibilitam a entrada de embarcações reduzindo a distância da viagem entre os municípios. Um dos mais conhecidos é o Furo do Paracuúba que interliga o rio Negro ao Solimões na cheia. Na seca, as embarcações precisam contornar o Encontro das Águas ou encarar um furo mais longo, o do Xiborena. Segundo o conferente de embarcação, Junior Guimarães, 17, o Paracuúba reduz em 40 minutos o trajeto entre os rios.
Já entre os Municípios de Itapiranga e São Sebastião o canal conhecido como Furo do Unicórnio reduz em duas horas a duração da viagem para a Manaus. “Hoje até navio entra no Paracuuba e no Furo do Unicórnio”, disse Junior Guimarães.
O barco onde Junior trabalhar faz uma viagem por semana para os Municípios de Benjamin Constant, Urucará, São Sebastião, Itapiranga, Humaitá e Itacoatiara transportando 50 passageiros e 130 toneladas de carga. Na seca o peso transportado é menor para reduzir risco de acidentes. “A diferença de transportar na cheia é grande porque tem os atalhos e é menos perigo. Quando o rio está seco aparecem muitos obstáculos, pedras, praias e bancos de areia. Já na cheia qualquer pessoas leva o barco porque é quase garantia que não haverá nenhum obstáculo.
Para o comandante da embarcação PP 2001, Clodoaldo Monteiro, a época é a melhor para navegar. Há 13 anos ele faz transporte para o Município de Autazes (a 113 quilômetros de Manaus) e afirma que a cheia gera uma economia de 30% para a navegação. “Sem dúvida fica mais fácil para todos. Diminui a despesa e viagem fica mais rápida. Quando o rio está seco a viagem para Autazes saindo da Manaus Moderna dura 12 horas. Quando o rio está cheio o tempo cai para sete horas", disse.
Aposentado destaca o contraste da situação
Para o aposentado João Figueira Batista, 74, a cheia corresponde a um contraste entre os transtornos que ela causa a população, principalmente ribeirinha, e a rapidez que ela proporciona à navegação. Ele tem casas nos Municípios de Urucará, onde passa mais tempo e em Parintins e vem à capital para visitar familiares e tratar de assuntos particulares.
O aposentado conta que vive viajando apenas por meio de transporte fluvial e que a época da cheia é a que ele mais gosta de viajar. “Claro que a cheia é ruim para o ribeirinho que fica debaixo da água, mas é a melhor época para viajar. Mesmo quem está acostumado a viajar de barco acho desconfortável viajar na seca porque demora mais e é diferente. Agora na cheia tudo é facilitado e o percurso fica até mais tranquilo”, disse.
O único problema para navegação é que aumenta o número de troncos que descem o rio.
Água invadiu comércio no Centro
Alternativa dos lojistas é levantar marombas para acondicionar mercadorias e fazer pontes para o uso dos clientes Comerciantes do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e Feira da Banana instalavam, ontem, suportes de madeiras e marombas no interior das lojas. A água do rio Negro já invadiu depósitos dos estabelecimentos e parte da rua dos Barés e da Barão de São Domingos, Centro. De domingo para ontem, o rio subiu quatro centímetros, alcançando a cota de 29,20. No mesmo dia, em 2009, era de 28,68.
Em muitas lojas de material de pesca e de varejo, funcionários penduram mercadorias e usam botas de borracha. “A água entrou na loja, o movimento caiu, mas nós precisamos continuar trabalhando porque não temos outro ponto comercial e com ou sem água temos de pagar o aluguel”, disse a gerente Dôra Gomes, 37.
Ainda segundo a comerciante, os banheiros foram interditados . “Falaram que a Defesa Civil ia instalar banheiros químicos na rua. Estamos esperando porque os das lojas você não pode usar mais”.
Na rua dos Barés, entre as ruas Joaquim Nabuco e Pedro Botelho, perto da Feira da Banana, o nível da água nas calçadas alcançou os 30 centímetros e sete comércios foram afetados. “Alguns estabelecimentos fecharam e outros mudaram de local devido à cheia que se aproxima. O meu depósito já está alagado e semana que vem, vou me mudar”, contou o microempresário Jônatas Silva, 52.
Conforme os comerciantes, a rua começou a ficar alagada desde a semana passada. Colaborou: Milton de Oliveira

FLORÊNCIO MESQUITA