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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Risco de dengue cresce por mudanças no clima e urbanização, revela pesquisa

Pesquisa da Universidade das Nações Unidas descobriu que a dengue, transmitida pela picada de mosquitos e que pode levar à morte, está se movimentando


Os novos mapas ilustram a expansão e a contração da vulnerabilidade à dengue durante o ano (Arquivo AC)




Grandes partes da Europa, do oeste e do centro da África e da América do Sul enfrentam a ameaça de surtos de dengue devido a mudanças climáticas e maior urbanização, de acordo com os primeiros mapas da vulnerabilidade à doença divulgados nesta terça-feira.

Pesquisa da Universidade das Nações Unidas descobriu que a dengue, transmitida pela picada de mosquitos e que pode levar à morte, está se movimentando, e os mapas que indicam as áreas vulneráveis são uma ferramenta para ajudar a prevenir surtos.
"Mudanças no clima podem resultar num aumento da exposição e representar uma ameaça grave a áreas que não sofrem com a dengue endêmica no momento”, disse o relatório.
Os pesquisadores afirmaram que, à medida que o planeta aquece, a dengue pode alcançar grandes porções da Europa e regiões montanhosas da América do Sul, áreas hoje muito frias para abrigar os mosquitos durante o ano inteiro.
A previsão é que a doença também pode se espalhar nas regiões central e ocidental do continente africano, onde o saneamento básico e o serviço de saúde são insuficientes.
Os novos mapas ilustram a expansão e a contração da vulnerabilidade à dengue durante o ano, mostrando os locais críticos e onde o vírus pode se tornar perigoso. Assim, os países poderiam fazer o monitoramento.
"Vimos em relação ao Ebola que neste mundo globalizado em que vivemos doenças infecciosas podem viajar”, disse Corinne Schuster-Wallace, pesquisadora da Universidade das Nações Unidas, à Thomson Reuters Foundation, por telefone, do Canadá.
"As condições dessas doenças são dinâmicas, e, uma vez que estamos mudando o nosso padrão social e ambiental, a distribuição global de doenças como a dengue vai mudar.”
Embora os mapas não tenham sido feitos para prevenir surtos, ela disse que se os mosquitos e o vírus chegam em áreas vulneráveis, a dengue pode se tornar endêmica nesse lugar.
Não há vacina para a dengue, doença que mata um número estimado de 20 mil pessoas por ano e infecta até cem milhões, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
No entanto, alguns especialistas afirmam que o número de pessoas infectadas por ano pode ser mais de três vezes a estimativa da OMS.
O atual método para combater a dengue é a fumigação dos locais de reprodução dos mosquitos.
REUTERS

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lente de contato exige cuidados redobrados

Tempo em Manaus, muito seco e quente, demanda uma maior atenção por parte de quem usa esse recurso visual

As lentes ficam em contato direto com a mucosa ocular e, por isso, há necessidade de lubrificação ao longo do dia
As lentes ficam em contato direto com a mucosa ocular e, por isso, há necessidade de lubrificação ao longo do dia (JUCA QUEIROZ)

A baixa umidade relativa do ar registrada no Amazonas nos últimos dias, com níveis entre 20% a 30%, quando o ideal é de 70%, traz um alerta também para as pessoas que usam lentes de contato. O problema, já conhecido em regiões onde essa temperatura é comum, como em Brasília, vem sendo registrado em Manaus.

De acordo com o oftalmologista Arnaldo Russo, do Centro de Diagnóstico Of talmológico do Amazonas (Cedoa), os usuários de lentes têm que ter um cuidado adicional, intensificando o uso de colírios lubrificantes. 

Cuidado que um usuário de lentes, o servidor público Carlos Fábio Oliveira, 30, diz estar sendo obrigado a ter por conta da alteração climática. “Arde mais a vista porque ela fica mais colada ao olho, o que me faz usar mais colírio”, afirmou.

O médico Arnaldo Russo observa que, com a temperatura nessas condições indicadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o uso desse medicamento é importante para lubrificar a visão, que sofre com a baixa umidade relativa do ar. A aplicação deve ser feita de três a quatro vezes por dia ou de acordo com a recomendação. Ele lembra, no entanto, que os colírios são substâncias desenvolvidas especialmente para doenças dos olhos, por isso devem ser sempre os prescritos pelos médicos.

Arnaldo Russo observa ainda que nem todas as pessoas podem  usar lentes de contato, pois existem condições para a indicação desse tipo de equipamento. Pessoas com ressecamento ocular, carne crescida e alguma alteração na córnea diagnosticados não têm indicação de uso de lentes. Isso é importante, segundo o médico, porque o mau uso pode trazer desde lesões leves até problemas irreversíveis ao olho, daí a importância da prescrição e acompanhamento profissional. “O normal para o usuário de lente é a pessoa não sentir nada”, argumenta o médico. Ele complementa dizendo ser importante verificar o menor sinal de desconforto com o uso da lente para evitar que a falta de lubrificação provoque qualquer agressão aos olhos.

Volta aos óculos

Durante o processo de adaptação às lentes de contato, oftalmologistas alertam os pacientes para seguirem as instruções fornecidas sobre limpeza, conservação e troca das mesmas. Além de fornecer as orientações necessárias, o profissional deve se certificar se o paciente compreendeu todas as indicações e está seguindo-as, afirmam.

Usuário de lente de contato há pouco mais de cinco anos, o servidor Carlos Fábio disse ter usado lentes compradas em lojas não indicadas e que com essas sofreu mais num ano em que foi registrada a baixa umidade, como ocorre agora. Por isso, ele optou por voltar a usar óculos, já que sofreu um grande mal estar com o ressecamento dos olhos. “Fui ao médico e ele disse para trocar as lentes pelos óculos e assim permitir um descanso para a córnea se recuperar do incômodo causado pela falta de oxigenação”, argumentou.

Risco de doenças respiratórias

A alteração na temperatura da cidade é um indicativo para outros serviços de saúde, pois baixa umidade relativa do ar nos índices registrdos em Manaus provoca o ressecamento das mucosas e com isso uma maior probabilidade de infecções respiratórias, informa o médico Bernardino Albuquerque, diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS). Como prevenção, ele recomenda a ingestão maior de líquidos, especialmente água, além da colocação de vasilhames como bacias ou baldes com água nos ambientes, sejam com ar-condicionados ou não, para buscar aumentar a umidade.

Como essa mudança climática não  repercutiu ainda no aumento do índice de doenças respiratórias e renais nas unidades de saúde, o médico recomenda medidas preventivas para reduzir os impactos, principalmente para a saúde de crianças e idosos. “Prevenir é o ideal, por isso é importante beber bastante água”, explicou ele, recomendando evitar-se refrigerantes e chás, que são bebidas estimulantes de diurese, o que contribui para o estímulo ao funcionamento dos rins. O uso de soro fisiológico para hidratar o nariz também é recomendado.

O uso de protetor solar para quem se expõe ao sol é um item importante, cita Bernardino, recomendando ainda às pessoas que costumam praticar atividades físicas para evitarem o horário compreendido entre às 12h até às 17h, pois nesse período a umidade costuma ficar mais baixa e fazer mal a saúde.


ANA CELIA OSSAME