Mostrando postagens com marcador Dsei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dsei. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de março de 2013

Cimi denuncia morte de indígena no Vale do Javari

Indígena doente não teria sido removido em tempo hábil por falta de embarcação; Dsei/Vale do Javari rebate a denúncia

Mortes foram confirmadas pela nova chefe do Dsei/Vale do Javari, que ressaltou não terem ocorrido em apenas um mês
Mortes foram confirmadas pela nova chefe do Dsei/Vale do Javari (Foto: Ney Mendes - 19/04/2008)

Um indígena da etnia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) morreu nesta segunda-feira (25) por falta de atendimento, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e do presidente da Organização Geral dos Mayoruna (OGM), Vítor Mayoruna.El


Sebastião Mayoruna, cuja idade foi estimada em 60 anos (embora haja a versão de que ele teria mais de 70) morava na aldeia Fruta Pão. Nesta terça-feira (26), a assessoria de imprensa do CIMI em Manaus divulgou a morte, afirmando que o caso“o estado precário em que vive o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Atalaia do Norte".

De acordo com divulgações do CIMI, moradores da aldeia Fruta Pão chegaram a pedir a remoção do indígena doente, mas uma enfermeira identificada como Rose teria dito que o Dsei de Atalaia do Norte estava sem combustível para a embarcação.

“Na última sexta-feira, 22/02, o técnico de enfermagem que estava na aldeia Fruta Pão entrou em contato com o Dsei em Atalaia do Norte por radiofonia e solicitou a remoção do indígena. A resposta dada pela funcionária responsável, naquela ocasião, foi de que ele deveria permanecer em tratamento na aldeia porque os barcos estavam quebrados e não havia combustível”, diz trecho do relato enviado pela assessoria do CIMI.

Segundo o CIMI, com base em relato de Vítor Mayoruna, dentre o que ficaram sem atendimento estava o filho do cacique Chico Preto, da Aldeia Lago Grande. A criança apresentava vômito e diarréia e estava bastante debilitada.

A reportagem do portal acrítica.com ligou para Vítor Mayoruna, que confirmou a informação do CIMI. Segundo Vítor, a notícia da doença de Sebastião foi divulgada na semana passada por meio de radiofonia. Conforme Vitor, a remoção não ocorreu com a alegação de que não havia barco para o deslocamento do doente. Ele relatou também o caso de uma criança que “estava doente” que não recebeu atendimento por falta de atendimento.

Procurado pelo portal, o coordenador do Dsei do Vale do Javari, Heródoto Jean Sales, confirmou a morte mas negou que o pedido de remoção tenha ocorrido.

Sales disse que foi informado nesta terça-feira que o indígena tinha “mais de 70 anos” e que este morreu de falência múltipla dos órgãos. “O enfermeiro de lá disse que não foi pedida remoção alguma”, disse.

Indagado se o Dsei/Vale do Javari tinha problemas nas estruturas, como falta de combustível ou barco quebrado, ele também negou. “Nesses seis meses que estou no distrito esse é o segundo indígena que morre. Não sei por que o pessoal está fazendo confusão. Não sei por que a vigilância no Vale do Javari. Morre índios em outros Dsei e ninguém fala nada”, afirmou. Conforme Sales, “todos os índios que pedem remoção” são atendidos pelo Dsei/Vale do Javari.

ELAÍZE FARIAS 

terça-feira, 5 de março de 2013

Criança indígena aparece ferida dentro de UTI

Bebê da etnia Matis há cinco meses está em tratamento em Manaus, devido uma pneumonia, mas ocorrências verificadas durante o tempo em que ele se encontra no Icam chamaram a atenção dos médicos  

Há cinco meses o bebê Matis foi trazido com pneumonia do Vale do Javari para a Casai Manaus
Há cinco meses o bebê Matis foi trazido com pneumonia do Vale do Javari para a Casai Manaus (Euzivaldo Queiroz - 28.02.2013)
O que seria apenas um tratamento de saúde em um bebê indígena do sexo masculino de seis meses de idade acometido de pneumonia ganhou outras proporções ao longo dos cinco meses em que a criança se encontra hospitalizada em Manaus.

O menino da etnia matis, nascido em uma aldeia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus), chegou à capital acompanhado dos pais em outubro de 2012, foi levado para a Casa de Apoio à Saúde do Índio (Casai) e encaminhado para tratamento no Pronto Socorro da Zona Oeste. Duas semanas depois, foi transferido para o Instituto da Criança do Amazonas (Icam), onde seu quadro se agravou.

Médicos que realizam o tratamento passaram a suspeitar que a mãe do garoto tenha contribuído para o agravamento da saúde do menino, segundo aponta trecho do relatório elaborado pela equipe do Icam. É que, durante o procedimento clínico, foi verificado que a cânula – tubo que auxilia na injeção de medicamentos no organismo – colocada na garganta da criança, por várias vezes esteve fora do lugar. Em seguida, durante uma traqueolaringoscopia, o embulo de uma seringa foi detectado na garganta do bebê.

A mãe foi afastada do filho e o hospital registrou um Boletim de Ocorrência em uma delegacia da Polícia Civil. O caso foi comunicado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que optou por encaminhar a ocorrência à Polícia Federal para investigações -  o superintendente da PF, Sérgio Fontes, foi procurado, mas não retornou às tentativas de contato telefônico para falar de uma investigação sobre o caso.

“Existem todos os indícios de que os procedimentos de agressão à criança foram feitos pela mãe. Mas falo ‘agressão’ do nosso ponto de vista. Por isso não estou culpando a mãe. Uma pessoa é considerada culpada quando ela transgride uma determinada norma. Mas, no caso de uma mãe indígena matis, será que do ponto de vista legal eu posso atribuir a ela uma culpa por uma coisa que não faz parte das leis que regem a organização dos matis?”, destacou o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, que não forneceu cópia do relatório à reportagem pois o documento tramita em “um processo restrito”.

Conforme Alecrim, o caso foi comunicado aos responsáveis pela saúde indígena, que ficou responsável por repassar o caso aos órgãos competentes federais. Sobre o boletim de ocorrência, ele disse que isto ocorreu (sem o seu conhecimento) tão logo as lesões na criança foram identicadas, mas ele não soube informar se a polícia vai investigar.

Conversa

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM), que possui um Ofício para atuar exclusivamente junto aos povos indígenas, não foi procurado nem pela Sesai nem pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam).

Somente na última sexta-feira (1º) é que o órgão ficou sabendo, por meio do portal acritica.com, quando este o procurou para obter mais informações. Naquele mesmo dia, um representante do MPF/AM foi ao Icam para obter mais informações sobre a criança Matis.

O MPF/AM também solicitou ao Dsei/Vale do Javari uma cópia do relatório do Icam.

Nessa segunda-feira (4), o MPF/AM enviou nota informando que no sábado (2) o representante do órgão foi até a Casai e conversou na língua matis com os pais do menino.
Conforme o MPF, eles não souberam informar como surgiram os ferimentos na criança e demonstraram preocupação com o estado de saúde do menino e com o fato de não poderem, no momento, acompanhar o filho no hospital. O MPF também destacou que a mãe demonstrou compreender um pouco a língua portuguesa, mas com “enorme dificuldade de se expressar nela”.

Na mesma nota enviada nessa segunda-feira, o MPF/AM conta que continuará acompanhando o caso, buscando contato com a Polícia Civil do Amazonas para que informe sobre o andamento das investigações que apuram a origem dos ferimentos da criança. A assistência prestada pelo hospital e pela Casai ao menino e aos pais também será acompanhada pelo MPF/AM.

Suspeita

A reportagem obteve informações do relatório por meio do conselheiro distrital de saúde do Vale do Javari, Jorge Marubo, que, sem condições de enviar a cópia, fez a leitura por telefone, de Atalaia do Norte. No relatório consta que desde o início de fevereiro o paciente apresentou sangramento nos dois ouvidos e na boca.

A criança sofreu uma parada cardíaca e passou a apresentar uma aparência debilitada. O relatório relata que foi detectado embolo de seringa nas vias da sonda e verificou-se que o paciente teve a perda da visão.

Segundo o relatório, a cada alteração na saúde do filho a mãe “apresentava preocupação” e comunicava a situação ao médico. No entanto, uma avaliação psicológica chegou a considerar a mãe da criança “dissimulada”. Conforme o relatório, a criança não tem condições de sair do hospital e “definitivamente permanecerá hospitalizada”. Ainda de acordo com o documento, a mãe foi afastada porque é “suspeita de tentar o infanticídio”.

Polêmica

Funcionários do Dsei/Manaus foram procurados para falar sobre o assunto, mas eles orientaram a reportagem a entrar em contato com a assessoria de imprensa da Sesai, que se limitou a dar informações detalhadas anteriormente pelo secretário Wilson Alecrim.

A controvérsia em torno da possibilidade da mãe ter atentado contra a integridade física do filho também foi levantada durante as tentativas de entrevistas, mas os funcionários preferiram não se manifestar. Apenas um indigenista, morador de Atalaia do Norte, comentou que os matis não têm prática do “infanticídio e que, caso ocorra, isto acontece “na aldeia” e não quando o tratamento já foi iniciado.

Sequelas

O secretário Wilson Alecrim informou que o bebê deu entrada com um quadro de insuficiência respiratória (septicemia), o que fez com que ele fosse internado imediatamente na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Instituto.

“O quadro de saúde da criança se agravou na UTI, havendo a necessidade de se fazer uma traqueostomia no paciente. Em virtude da insuficiência respiratória a criança ficou com sequelas neurológicas”, explicou Alecrim.

Transferido da UTI para uma unidade de tratamento semi-intensiva, o bebê estava sendo acompanhado pela mãe, desde que deu entrada no Icam. Conforme Alecrim, alguns acontecimentos verificados com a criança após a transferência dela para o semi-intensivo contribuiram para que a indígena matis fosse afastada do acompanhamento do filho.

Dias depois a criança sofreu uma parada respiratória. Mesmo com a reanimação, a criança não voltava a respirar. O paciente foi submetido  a uma traqueolaringoscopia, ocasião em que os médico encontraram o embulo de uma seringa na garganta da criança.

Na primeira semana de fevereiro, a equipe que acompanhava o bebê verificou que o mesmo apresentava sangramentos nos ouvidos e nos olhos, e após examina-lo constataram que os mesmos haviam sido perfurados.

População

Os índios matis são falantes da língua Pano e de contato relativamente recente.  Nos anos 70, a população era estimada em várias centenas. A partir deste período, os matis caíram vítimas de várias epidemias que afetou principalmente idosos e crianças. Nos últimos anos, a população têm crescido.

Atualmente, segundo dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) reproduzidos no site do Instituto Socioambiental (ISA), sua população é de 320 pessoas (2010).  

“Contudo, ainda persiste o choque demográfico e psicológico decorrente de um contato mal empreendido e desnecessariamente mortífero. Atualmente, os Matis não vivem mais em uma única aldeia e assim retomam de modo tímido o antigo padrão de ocupação territorial”, diz trecho da população dos Povos Indígenas dos Brasil do ISA.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mortalidade infantil entre povos indígenas aumenta, aponta relatório do Cimi

A precária situação a que estão submetidos os povos indígenas, teria se agravado com o processo de transição da Funasa para a Sesai

Em 2003, os waimiri-atroari festejaram o nascimento do milésimo bebê, Iawyraky, que hoje está com oito anos. Na ocasião foi realizado o ‘Maryba’
Relatório dá conta de que as mortes ocorreram em função de doenças e problemas "facilmente tratáveis" (Euzivaldo Queiroz )

Um total de 126 crianças indígenas com idades entre 0 e 5 anos de idade morreram em 2011, em decorrência da falta de assistência médica, de acordo com o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado neta terça-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização indigenista ligada à Igreja Católica.
Em 2010 apenas 92 casos foram identificados pelo Cimi.
O dado é um dos indicadores que demonstram que, embora o número de assassinatos (51) seja menor que o registrado nos cinco anos anteriores, o quadro geral da violência contra os povos indígenas se agravou, com a consequente deterioração do conceito de "bem viver" buscado pelos índios.
Segundo o Cimi, as mortes ocorreram em função de doenças e problemas "facilmente tratáveis".
"Cento e vinte e seis crianças morreram por mera negligência (das autoridades públicas) e falta de assistência, de causas que poderiam ser facilmente tratadas. Não podemos fechar os olhos e cruzar os braços diante da agressão, da omissão e da negligência que tem levado à morte as criancinhas indígenas do nosso país", disse o presidente do Cimi e bispo da Prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler.
O relatório mostra que, segundo os próprios índios ouvidos, a precária situação a que estão submetidos se agravou com o processo de transição da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Quadro “desesperador”
 
Os casos de mortalidade infantil foram identificados em várias unidades da Federação, mas, de acordo com o relatório, Mato Grosso lidera a estatística, com 89 vítimas.
No estado, o Cimi classifica como "desesperadora" a situação do povo Xavante.
"Apesar de todas as denúncias feitas em 2010, quando foram registrados 60 óbitos de crianças xavantes, o quadro só se agravou", esclarece o relatório, que atribui à Sesai a informação de que, em 2011, morreram 56 crianças xavantes com menos de 1 ano e 33 com até 4 anos na Terra Indígena Parabubure, de Campinápolis (MT).
Segundo o Cimi, ao serem internadas, todas apresentavam quadro de desnutrição e morreram de diarreia e pneumonia.
O governo de Mato Grosso chegou a decretar estado de emergência em Campinópolis devido à situação.
Na sequência de Mato Grosso vêm os estados do Amazonas, com 11 casos; Acre (10); Amapá (7); Roraima e do Tocantins (ambos com 3); do Rio Grande do Sul (2) e  Rondônia (1).


*Com informações da Agência Brasil