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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Governo anuncia medidas para beneficiar povos extrativistas da Amazônia

Estão previstos investimentos no fortalecimento social e econômico de organizações extrativistas, em 2014, totalizando R$ 123 milhões

 O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente
O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente (Reprodução/Sócio Ambiental)
O governo federal anunciou na sexta-feira (29) medidas para beneficiar os povos e comunidades extrativistas da região amazônica. Dentre os benefícios estão a destinação de R$ 223,2 milhões para a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e R$ 11,7 milhões para formação de extrativistas nos próximos dois anos. O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

Em 2014, a Ater deverá ser ampliada nos territórios beneficiados pelo Programa Bolsa Verde, com chamada pública no valor de R$ 48 milhões. Outra medida anunciada é a destinação, até 2016, de R$ 120 milhões para garantir preços mínimos aos produtos extrativistas com base na ampliação da Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) para as famílias extrativistas.

Também estão previstos investimentos no fortalecimento social e econômico de organizações extrativistas, em 2014, totalizando R$ 123 milhões. Para estimular a cidadania na floresta, foi determinado ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ministério das Cidades que adotem os instrumentos necessários para viabilizar o uso da madeira para a construção de moradias no Programa Minha Casa, Minha Vida, além do acesso efetivo das populações extrativistas ao programa, garantindo o direito à moradia digna. Também serão destinados R$ 14 milhões para  aquisição de transporte escolar adequado para beneficiar e estimular a educação entre os povos da floresta e das águas.

O anúncio ocorreu dentro da programação do 2º Chamado dos Povos das Florestas, encontro organizado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), entidade que representa, politicamente, o movimento social dos extrativistas do Brasil. O conselho foi criado em 1985, no 1º Encontro Nacional de Seringueiros, feito em Brasília. A entidade é resultado da articulação política do líder seringueiro Chico Mendes. Na ocasião, também foi lançada a publicação Brasil Sustentável - Políticas Públicas para os Povos da Floresta.

SABRINA CRAIDE/AGÊNCIA BRASIL

terça-feira, 5 de março de 2013

Criança indígena aparece ferida dentro de UTI

Bebê da etnia Matis há cinco meses está em tratamento em Manaus, devido uma pneumonia, mas ocorrências verificadas durante o tempo em que ele se encontra no Icam chamaram a atenção dos médicos  

Há cinco meses o bebê Matis foi trazido com pneumonia do Vale do Javari para a Casai Manaus
Há cinco meses o bebê Matis foi trazido com pneumonia do Vale do Javari para a Casai Manaus (Euzivaldo Queiroz - 28.02.2013)
O que seria apenas um tratamento de saúde em um bebê indígena do sexo masculino de seis meses de idade acometido de pneumonia ganhou outras proporções ao longo dos cinco meses em que a criança se encontra hospitalizada em Manaus.

O menino da etnia matis, nascido em uma aldeia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus), chegou à capital acompanhado dos pais em outubro de 2012, foi levado para a Casa de Apoio à Saúde do Índio (Casai) e encaminhado para tratamento no Pronto Socorro da Zona Oeste. Duas semanas depois, foi transferido para o Instituto da Criança do Amazonas (Icam), onde seu quadro se agravou.

Médicos que realizam o tratamento passaram a suspeitar que a mãe do garoto tenha contribuído para o agravamento da saúde do menino, segundo aponta trecho do relatório elaborado pela equipe do Icam. É que, durante o procedimento clínico, foi verificado que a cânula – tubo que auxilia na injeção de medicamentos no organismo – colocada na garganta da criança, por várias vezes esteve fora do lugar. Em seguida, durante uma traqueolaringoscopia, o embulo de uma seringa foi detectado na garganta do bebê.

A mãe foi afastada do filho e o hospital registrou um Boletim de Ocorrência em uma delegacia da Polícia Civil. O caso foi comunicado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que optou por encaminhar a ocorrência à Polícia Federal para investigações -  o superintendente da PF, Sérgio Fontes, foi procurado, mas não retornou às tentativas de contato telefônico para falar de uma investigação sobre o caso.

“Existem todos os indícios de que os procedimentos de agressão à criança foram feitos pela mãe. Mas falo ‘agressão’ do nosso ponto de vista. Por isso não estou culpando a mãe. Uma pessoa é considerada culpada quando ela transgride uma determinada norma. Mas, no caso de uma mãe indígena matis, será que do ponto de vista legal eu posso atribuir a ela uma culpa por uma coisa que não faz parte das leis que regem a organização dos matis?”, destacou o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, que não forneceu cópia do relatório à reportagem pois o documento tramita em “um processo restrito”.

Conforme Alecrim, o caso foi comunicado aos responsáveis pela saúde indígena, que ficou responsável por repassar o caso aos órgãos competentes federais. Sobre o boletim de ocorrência, ele disse que isto ocorreu (sem o seu conhecimento) tão logo as lesões na criança foram identicadas, mas ele não soube informar se a polícia vai investigar.

Conversa

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM), que possui um Ofício para atuar exclusivamente junto aos povos indígenas, não foi procurado nem pela Sesai nem pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam).

Somente na última sexta-feira (1º) é que o órgão ficou sabendo, por meio do portal acritica.com, quando este o procurou para obter mais informações. Naquele mesmo dia, um representante do MPF/AM foi ao Icam para obter mais informações sobre a criança Matis.

O MPF/AM também solicitou ao Dsei/Vale do Javari uma cópia do relatório do Icam.

Nessa segunda-feira (4), o MPF/AM enviou nota informando que no sábado (2) o representante do órgão foi até a Casai e conversou na língua matis com os pais do menino.
Conforme o MPF, eles não souberam informar como surgiram os ferimentos na criança e demonstraram preocupação com o estado de saúde do menino e com o fato de não poderem, no momento, acompanhar o filho no hospital. O MPF também destacou que a mãe demonstrou compreender um pouco a língua portuguesa, mas com “enorme dificuldade de se expressar nela”.

Na mesma nota enviada nessa segunda-feira, o MPF/AM conta que continuará acompanhando o caso, buscando contato com a Polícia Civil do Amazonas para que informe sobre o andamento das investigações que apuram a origem dos ferimentos da criança. A assistência prestada pelo hospital e pela Casai ao menino e aos pais também será acompanhada pelo MPF/AM.

Suspeita

A reportagem obteve informações do relatório por meio do conselheiro distrital de saúde do Vale do Javari, Jorge Marubo, que, sem condições de enviar a cópia, fez a leitura por telefone, de Atalaia do Norte. No relatório consta que desde o início de fevereiro o paciente apresentou sangramento nos dois ouvidos e na boca.

A criança sofreu uma parada cardíaca e passou a apresentar uma aparência debilitada. O relatório relata que foi detectado embolo de seringa nas vias da sonda e verificou-se que o paciente teve a perda da visão.

Segundo o relatório, a cada alteração na saúde do filho a mãe “apresentava preocupação” e comunicava a situação ao médico. No entanto, uma avaliação psicológica chegou a considerar a mãe da criança “dissimulada”. Conforme o relatório, a criança não tem condições de sair do hospital e “definitivamente permanecerá hospitalizada”. Ainda de acordo com o documento, a mãe foi afastada porque é “suspeita de tentar o infanticídio”.

Polêmica

Funcionários do Dsei/Manaus foram procurados para falar sobre o assunto, mas eles orientaram a reportagem a entrar em contato com a assessoria de imprensa da Sesai, que se limitou a dar informações detalhadas anteriormente pelo secretário Wilson Alecrim.

A controvérsia em torno da possibilidade da mãe ter atentado contra a integridade física do filho também foi levantada durante as tentativas de entrevistas, mas os funcionários preferiram não se manifestar. Apenas um indigenista, morador de Atalaia do Norte, comentou que os matis não têm prática do “infanticídio e que, caso ocorra, isto acontece “na aldeia” e não quando o tratamento já foi iniciado.

Sequelas

O secretário Wilson Alecrim informou que o bebê deu entrada com um quadro de insuficiência respiratória (septicemia), o que fez com que ele fosse internado imediatamente na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Instituto.

“O quadro de saúde da criança se agravou na UTI, havendo a necessidade de se fazer uma traqueostomia no paciente. Em virtude da insuficiência respiratória a criança ficou com sequelas neurológicas”, explicou Alecrim.

Transferido da UTI para uma unidade de tratamento semi-intensiva, o bebê estava sendo acompanhado pela mãe, desde que deu entrada no Icam. Conforme Alecrim, alguns acontecimentos verificados com a criança após a transferência dela para o semi-intensivo contribuiram para que a indígena matis fosse afastada do acompanhamento do filho.

Dias depois a criança sofreu uma parada respiratória. Mesmo com a reanimação, a criança não voltava a respirar. O paciente foi submetido  a uma traqueolaringoscopia, ocasião em que os médico encontraram o embulo de uma seringa na garganta da criança.

Na primeira semana de fevereiro, a equipe que acompanhava o bebê verificou que o mesmo apresentava sangramentos nos ouvidos e nos olhos, e após examina-lo constataram que os mesmos haviam sido perfurados.

População

Os índios matis são falantes da língua Pano e de contato relativamente recente.  Nos anos 70, a população era estimada em várias centenas. A partir deste período, os matis caíram vítimas de várias epidemias que afetou principalmente idosos e crianças. Nos últimos anos, a população têm crescido.

Atualmente, segundo dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) reproduzidos no site do Instituto Socioambiental (ISA), sua população é de 320 pessoas (2010).  

“Contudo, ainda persiste o choque demográfico e psicológico decorrente de um contato mal empreendido e desnecessariamente mortífero. Atualmente, os Matis não vivem mais em uma única aldeia e assim retomam de modo tímido o antigo padrão de ocupação territorial”, diz trecho da população dos Povos Indígenas dos Brasil do ISA.

sábado, 2 de março de 2013

Detran em programa de CNH gratuita

Desde 2008, o Detran/AM mantém o Programa de Incentivo à Primeira Habilitação, criado para atender a condutores do 61 municípios do interior

Atualmente, o custo para emissão da CNH pode ultrapassar R$ 1 mil(Divulgação/Detran-Am)
Requerimento do deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) encaminhado ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran/AM) solicita que a nova gestão do órgão amplie as atividades e a cobertura do programa, que concede gratuidade na emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para pessoas de baixa renda.

Para o parlamentar, o acesso do documento a custo zero pode facilitar o ingresso no mercado de trabalho. “A CNH abre portas para o mercado de trabalho, uma vez que é exigida em vagas de emprego para manobristas, serviços de entrega em domicílio, mototaxistas, motoristas de táxi e transporte coletivo”, pontua.

Desde 2008, o Detran/AM mantém o Programa de Incentivo à Primeira Habilitação, criado para atender a condutores do 61 municípios do interior. Ricardo Nicolau defende que a iniciativa passe a contemplar, também, os cidadãos com baixo poder aquisitivo, que vivem em Manaus.

Atualmente, o custo para emissão da CNH pode ultrapassar R$ 1 mil. A quantia inclui o pagamento de serviços e taxas relativas aos exames de aptidão física e mental, avaliação psicológica, licença de aprendizagem de direção veicular, custos na confecção da CNH e cursos teóricos e práticos de direção.

Com Informação da Assessoria


 

domingo, 27 de janeiro de 2013

A jornada dos peixes-bois no Solimões

Cinco animais que foram reintroduzidos à natureza há dois meses continuam sendo monitorados

Há dois meses acompanhei, a convite da Petrobras Ambiental e do Instituto de Pesquisa Mamirauá, a soltura de cinco peixes-bois que viveram quase toda a sua vida em cativeiro. Resgatados em diferentes circunstâncias (leia a história aqui) e condições dramáticas, os animais tiveram uma nova chance de viver a partir dos esforços dos moradores das comunidades ribeirinhas localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e dos pesquisadores do Instituto Mamirauá.

Fiquei três dias hospedada em um barco de linha à beira do Lago Amanã, afluente do rio Solimões, na divisa dos municípios de Tefé e Maraã. Foi a oportunidade que tive para conversar com os moradores das comunidades e com os cientistas e profissionais que eram verdadeiros “pais e mães” dos peixes-bois.

Havia dois grupos de peixes-bois. Em um deles estavam os cinco animais prestes a seguir na nova jornada pelas águas que ficavam em um curralzinho no meio da água (tem foto neste texto). Desta forma, eles iam se acostumando com o habitat natural.
Outros dois peixes-bois, mais ou menos filhotes, diria adolescentes (Japurá e Helena), permaneciam na piscina artificial, se alimentando de vegetação aquática e leite com vitaminas. O momento da mamada era uma ternurinha só. Até eu, não muito dada a tatibitatis e guti-gutis, fiquei enternecida. 

O pessoal do Mamirauá desenvolveu uma mamadeira própria que permite o animal beber o leite dentro d´água. Um invento muito apropriado porque, desta forma, a  se assemelha à mamada natural no seio da mãe.


Lágrimas
 
Agora eu vou falar. Me deu vontade de chorar enquanto testemunhava os preparativos da soltura. Ficava enchendo o saco dos moradores das comunidades que colaboravam com os pesquisadores. “Mas e se eles se perderem? Se eles não quiserem ser soltos? E se ele não se acostumarem com a nova vida? Se eles forem mortos”? Fiz essas perguntas meios tola até para a Míriam Marmontel, projeto de Conservação de Vertebrados Aquáticos (Aquavert) do Instituto Mamirauá.

Eu não tive muitas respostas para essas perguntas emocionadas e um tanto piegas. Na verdade, eu sabia que ninguém me responderia mesmo. Nem os cientistas. Todos estavam muito concentrados, preocupados para que tudo desse certo. 

Claro que todos sabiam que, ao longo de quatro anos, os trabalhos para ajudar os animais na reabilitação foram extremamente sérios e realizados com modelos científicos avançados. Os esforços para elaborar uma tecnologia de monitoramento foram brilhantemente executados.
Mas volto a afirmar. Me deu dó. Quando entrevistei uma das moradores da comunidade fiquei novamente com os olhos lacrimejantes. Ela estava feliz, mas com o coração apertado (foi a expressão que usou), pelo medo de ter feito “um trabalho em vão”. “Sabe, eu preferia que eles continuassem aqui com a gente”, comentou ela, pedindo para que essa declaração não fosse publicada na matéria que fiz para o Jornal A Crítica na época.

No momento da soltura, num sol à pino de agosto, uma hora da tarde, aquela expectativa. Quase uma hora no cercado de contenção para uma última adaptação. 

Lembro que comentei com a Tatiane, assessora de imprensa da Petrobrás Ambiental (que patrocina o projeto do Instituto Mamirauá): “E se eles não quiserem sair?”. Por isso não foi muita surpresa para mim quando, realmente, a gente esperou, esperou, aguardou e nada.
Os animais continuaram circulando no cercadinho. Horas, muitas horas depois eles começaram a fazer o reconhecimento. Descobriram que poderiam navegar mais longe, explorar outras áreas.

Finalmente, no início da noite, o último dos cinco peixes-bois se atreveu a sair do cercado, para a felicidade (e, acredito eu, para a tristeza também) de quem durante todos esses anos trabalharam para que estes animais soubessem o que é viver em liberdade


Notícias
 
De vez em quando eu pergunto do Augusto Rodrigues, assessor de imprensa do Aquavert, cuja sede é em Tefé, as últimas notícias dos peixes-bois.

No final de agosto, logo após a soltura, o Augusto me enviou o seguinte email:
“A última informação que tive sobre a telemetria dos peixes-boi é que eles ainda estão no igarapé do Juá Grande, mas não estão nadando juntos. O Alagoilton é mais difícil de saber, já que não dá pra vê-lo debaixo d'água”. 

No final de setembro, recebi este outro email, mais detalhado:

“Eles continuam sendo monitorados por duas equipes, nos turnos da manhã e da tarde. As equipes estão conseguindo localizar os bichos. Em alguns dias, os animais estão todos juntos, noutros ficam dispersos. Benguela, a única fêmea, costuma nadar ao lado de Negão (eles já foram localizados no lago Amanã, bem perto do Centrinho). Os animais estão se movimentando bastante, mas ainda não percorreram uma grande área. A expectativa é que eles passem o período da seca na área do lago Amanã e que, na cheia, acompanhem a migração natural dos peixes-boi para a região de Mamirauá”.

Nesta semana, o Augusto me falou que o Instituto Mamirauá fará um sobrevoo para tentar localizar o Jovenal. São essas as notícias. Vamos torcer para que o futuro de Piti, Negão, Alagoilton, Jovenal e Benguela  seja de liberdade nas águas amazônicas.

* As fotos aqui publicadas são da veterinária Carolina Oliveira. Na primeira foto, o charme de Benguela. A segunda mostra o Centro de Reabilitação de Peixes-Bois Amazônicos, o Centrinho, localizado no meio do Lago Amanã, afluente do rio Solimões. 

Blog Elaize Farias

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mortalidade infantil entre povos indígenas aumenta, aponta relatório do Cimi

A precária situação a que estão submetidos os povos indígenas, teria se agravado com o processo de transição da Funasa para a Sesai

Em 2003, os waimiri-atroari festejaram o nascimento do milésimo bebê, Iawyraky, que hoje está com oito anos. Na ocasião foi realizado o ‘Maryba’
Relatório dá conta de que as mortes ocorreram em função de doenças e problemas "facilmente tratáveis" (Euzivaldo Queiroz )

Um total de 126 crianças indígenas com idades entre 0 e 5 anos de idade morreram em 2011, em decorrência da falta de assistência médica, de acordo com o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado neta terça-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização indigenista ligada à Igreja Católica.
Em 2010 apenas 92 casos foram identificados pelo Cimi.
O dado é um dos indicadores que demonstram que, embora o número de assassinatos (51) seja menor que o registrado nos cinco anos anteriores, o quadro geral da violência contra os povos indígenas se agravou, com a consequente deterioração do conceito de "bem viver" buscado pelos índios.
Segundo o Cimi, as mortes ocorreram em função de doenças e problemas "facilmente tratáveis".
"Cento e vinte e seis crianças morreram por mera negligência (das autoridades públicas) e falta de assistência, de causas que poderiam ser facilmente tratadas. Não podemos fechar os olhos e cruzar os braços diante da agressão, da omissão e da negligência que tem levado à morte as criancinhas indígenas do nosso país", disse o presidente do Cimi e bispo da Prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler.
O relatório mostra que, segundo os próprios índios ouvidos, a precária situação a que estão submetidos se agravou com o processo de transição da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Quadro “desesperador”
 
Os casos de mortalidade infantil foram identificados em várias unidades da Federação, mas, de acordo com o relatório, Mato Grosso lidera a estatística, com 89 vítimas.
No estado, o Cimi classifica como "desesperadora" a situação do povo Xavante.
"Apesar de todas as denúncias feitas em 2010, quando foram registrados 60 óbitos de crianças xavantes, o quadro só se agravou", esclarece o relatório, que atribui à Sesai a informação de que, em 2011, morreram 56 crianças xavantes com menos de 1 ano e 33 com até 4 anos na Terra Indígena Parabubure, de Campinápolis (MT).
Segundo o Cimi, ao serem internadas, todas apresentavam quadro de desnutrição e morreram de diarreia e pneumonia.
O governo de Mato Grosso chegou a decretar estado de emergência em Campinópolis devido à situação.
Na sequência de Mato Grosso vêm os estados do Amazonas, com 11 casos; Acre (10); Amapá (7); Roraima e do Tocantins (ambos com 3); do Rio Grande do Sul (2) e  Rondônia (1).


*Com informações da Agência Brasil

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Alfabetização em Língua Tikuna é tema de seminário no Amazonas

Evento promovido pela UEA discutirá entre outras coisas as peculiaridades dos alunos indígenas que chegam à universidade e muitas vezes desistem dos cursos, por não conseguirem acompanhar o trabalho em sala de aula  

Propostas didático-pedagógicas de alfabetização em língua tikuna no Amazonas serão tema do 1º Seminário de Alfabetização em Língua Tikuna, nesta sexta-feira (25), no município de Tabatinga – localizado a 1.105 quilômetros de Manaus.
O evento será promovido pelo Centro de Estudos Superiores de Tabatinga (Cestb), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e de acordo com o diretor da entidade, professor Antônio Sanches, a universidade recebe alunos de diversas etnias e, às vezes, esses alunos não conseguem acompanhar o trabalho dentro da sala de aula.
“Observamos que é necessário preparar o nosso corpo docente para atender às necessidades da comunidade acadêmica indígena, que possuem um perfil diferenciado e não podem ficar de fora do processo de ensino-aprendizagem. Queremos promover essa interação entre o ensino “normal” e o indígena”, explica Sanches.
Para a coordenadora do seminário, professora Ana Letícia Carvalho, o evento pretende reunir docentes e acadêmicos da UEA de Tabatinga, além dos profissionais que lidam com a educação indígena no município e cidades próximas, inclusive na Colômbia, país que faz fronteira com o Brasil.
“Essa é uma realidade vivida em outras unidades da UEA, essa diversidade linguística e cultural possibilita o desenvolvimento da ciência linguística”, explica.
Ela salienta que essa iniciativa do curso de Letras com habilitação em Língua Portuguesa, da UEA, justifica-se pela possibilidade de se discutir propostas fundamentadas de ensino da língua tikuna, por ser a língua indígena de maior uso na região.
“A UEA recebe um número acentuado de alunos indígenas tikuna e quem sabe, a partir desse evento, não saiam propostas para a produção de material didático-pedagógico para o ensino dessa língua indígena”, observa.
A programação conta com a participação do Diretor do Museu da Amazônia, professor Ennio Candotti, com o tema “Educação e Cultura Indígena”, professor de Língua Tikuna de Benjamin Constant, Bernabé Serra, que ministrará a palestra “O Ensino da Língua Tikuna”, professor de Língua Tikuna da Universidade de Letícia (Colômbia), Abel Santos, com “Noções de Educação Tikuna, Etnoeducação e Pensamento Tikuna e Culturais”.
O evento também contará com uma mesa-redonda que reunirá diversos profissionais da tríplice fronteira (Peru-Brasil-Colômbia) e onde se discutirá as propostas de ensino da língua tikuna.
O Cestb oferece os cursos de Ciências Biológicas, Ciências Econômicas, Educação Física, Geografia, Pedagogia, Letras com habilitação em Língua Portuguesa e suas Literaturas, Matemática, Pedagogia Intercultural Indígena e Tecnologia em Gestão de Turismo.


ACRITICA