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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mangueira da Rampa do Porto

Todos os dias ali se encontravam pessoas de todas as classes

Na beira do barranco do porto principal da cidade, havia uma velha mangueira (Foto:Arquivo)



Na beira do barranco do porto principal da cidade, havia uma velha mangueira, sua enorme copa servia de abrigo aos viajantes e as pessoas que iam esperar parentes ou amigos que chegavam de barcos, ali também era ponto de encontro dos comunitários, lá se ouvia histórias e estórias, fuxicos, notícias diversas, este local era como o jornal da cidade.

Todos os dias ali se encontravam pessoas de todas as classes, pescadores, lavradores, estivadores, funcionários, analfabetos e intelectuais, inclusive sobe a sombra dessa velha mangueira esteve o visitante mais ilustre de Manicoré, o Eminente Presidente da República, Doutor Getúlio Dornelles Vargas, que ao passar por Manicoré com destino a cidade de Porto Velho em outubro de 1940, esteve sob a sombra da aludida mangueira, ocasião em que conversou com o povo, porém dando mais atenção aos lavradores, inclusive na oportunidade, ganhou de presente um ouriço de castanha da Amazônia, oferecido pela lavradora Sebastiana Gomes (Sabá Gomes), o que o Presidente agradeceu-lhe beijando-lhe as mãos, dizendo: “Orgulhu-me de beijar estas mãos calosas, produtoras de alimentos de um povo progressista e feliz”.

O que foi efusivamente aplaudido pela multidão que ali se encontrava. Algum tempo depois, sob a sobra dessa mesma mangueira o estivador José Felipe, instalou uma banca de cafezinho, dando o nome de Café Mangueira, o mesmo tornou-se tradicional e ponto de reunião de pessoas de todas as idade e classes.   

Fonte: Histórias do Nosso Chão

Edy Lima DRT-AM 1823 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Projeto aplicado no Sul do Amazonas incentiva produtores a lucrar com a preservação

O projeto que vai atender aos Municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã, incentiva produtores a produzir de forma sustentável 

Segundo a secretária da SDS, Nádia Ferreira, a região do Sul do Amazonas é a que mais preocupa quanto ao desmatamento
Segundo a secretária da SDS, Nádia Ferreira, a região do Sul do Amazonas é a que mais preocupa quanto ao desmatamento (Euzivaldo Queiroz)
Um projeto pioneiro de reflorestamento das áreas de desmatamento no Sul do Estado do Amazonas com espécies de valor comercial para geração de renda começa a mostrar os resultados dos primeiros passos. Após a identificação de mil propriedades a serem contempladas com ações de reflorestamento de 1450 hectares por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), anuncia a realização de cursos de capacitação para os produtores rurais, a partir da segunda quinzena de fevereiro.

Com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), usando recursos do Fundo Amazônia, no total de R$ 20 milhões, o projeto vai atender aos Municípios de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus), Lábrea (a 703 quilômetros), Apuí (a 476 quilômetros) e Novo Aripuanã (a 228 quilômetros), famosos pelos altos índices de desmatamento. Estão também no projeto o Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Segundo a titular da SDS, Nádia Ferreira, projeto foi assinado no final de 2010 e, dada a complexidade, está ainda na fase de identificação das áreas. Mas em 238 propriedades devidamente identificadas já foi iniciado o processo de mecanização agrícola com a impeza e preparação das áreas de plantio, ação que deve ser concluída até julho deste ano para, no mês de agosto, iniciar-se a adubação e abertura de covas para o plantio. “Cada propriedade foi visitada e avaliada, tendo o produtor aderido ao projeto”, explicou a secretária.

ESPÉCIES

As espécies escolhidas pelos produtores são a castanha, andiroba, cedro rosa, paricá, ipê, cumaru, guaraná, cupuaçu, açaí, banana, café, cacau, jatobá, piquiá, jenipapo, cedrinho e angelim. “Serão reflorestadas 1000 propriedades rurais, das quais 350 estarão no Município de Apuí, 250 no Município de Boca do Acre, 250 no Município de Lábrea e 150 no Município de Novo Aripuanã”, revelou Nádia.

O processo de produção das mudas foi iniciado em janeiro deste ano pela empresa Campos da Amazônia Biotecnologia Consultoria e Comércio Ltda, contratada por R$ 6,7 milhões para a produção de aproximadamente 1,4 mil mudas em quatro viveiros construídos na sede dos municípios. De acordo com o calendário agrícola, as mudas serão distribuídas nas propriedades rurais a partir de setembro para que os produtores iniciem o plantio com orientação técnica do Idam, explicou a secretária.

Objetivo é mudar processos

De acordo com a coordenação do projeto, como incentivo à mudança do processo produtivo atual para uma produção de característica mais sustentável, estão sendo implantados nos municípios de abrangência do projeto 12 modelos de produção para ampla escolha dos contemplados.

Entre os cursos estão os de educação ambiental voltada à agricultura familiar, agroecologia, cadastro ambiental rural, coleta de sementes florestais, sistemas agroflorestais, integração lavoura, pecuária e floresta, e pastejo rotacionado. Para agregar renda às famílias, o Idam distribui sementes de espécies de ciclo curto, tais como  milho, arroz e feijão para serem plantadas nas áreas onde já foi realizada a mecanização agrícola.
O investimento do projeto em cada produtor ao final será em torno de R$ 16 mil. Com a produção de médios e longos ciclos, a expectativa é que eles percebam que estão fazendo uma espécie de “poupança verde”, que se bem cuidada, terá frutos a curto, médio e longo prazo, finaliza Nádia Ferreira.

ANA CELIA OSSAME