sábado, 5 de maio de 2012

Amazonas registra mais de 100 vítimas de animais peçonhentos em 2012

Cheia dos rios aumenta os ataques de cobras. A que mais ataca ainda é a jararaca, seguida em número pelas ocorrências surucucu.



Surucucu. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

MANAUS – Além dos inúmeros problemas ocasionados com a inundação, a cheia dos rios da Amazônia traz também animais peçonhentos, que atacam principalmente famílias que moram próximo às calhas dos rios e igarapés. Com a falta de médicos no interior do Amazonas, o quadro tende a piorar. Em todo o ano passado, 167 vítimas de picadas de cobras, aranhas e escorpiões foram notificadas no Estado. Com a enchente deste ano, que já se aproxima de uma cheia histórica, os registros chegam a 109 ocorrências apenas nos primeiros quatro meses do ano. De acordo com o chefe do departamento da Fundação de Medicina Tropical (FMT), Antônio Magela, o crescimento dos acidentes com animais peçonhentos acontece devido à cheia. As vítimas, em sua maioria, moram nas áreas agrícolas. Os acidentes na Amazônia apresentam uma particularidade. Quando acontece a cheia, as águas dos rios se misturam a esgotos e igarapés. Os entulhos atraem ratos, que por sua vez, atraem as cobras. “Com a cheia, as águas acabam invadindo as casas. Cerca de 95% desses acidentes são ocasionados por cobras. A serpente jararaca ainda é a que mais ataca, seguida pela surucucu”, explicou o infectologista. O veneno da jararaca tem ação local. Além de provocar hemorragia, possui ação coagulante e proteolítica, que leva à necrose. Após a picada, aparecem sintomas como: edema, inchaço e sangramento local ou na gengiva e olhos. Em 2009, ano da maior cheia do rio Negro, 214 pessoas foram vítimas das serpentes. No ano seguinte, 118 pacientes foram diagnosticados e, em 2011, o número total chegou a 167, o que demonstra o aumento das ocorrências em época de enchente.

Medidas preventivas

Os animais, levados pelas águas, além de gostarem de se esconder nos entulhos, também estão em busca de abrigo e alimento. O especialista ensina como se prevenir.

“A jararaca gosta de ficar dentro das casas, por isso é preciso procurar com cautela em armários, guardarroupas e por baixo das camas. As pessoas do interior colocam toalhas ou lençóis na parte debaixo da porta. Há muitas casas com brechas no assoalho e nas paredes. Para quem vai fazer limpeza de quintais, a dica é só tocar nos entulhos com luvas, para minimizar os riscos”, explicou.

Saiba o que fazer quando acontece o acidente:


Alguns cuidados podem ajudar no tratamento de pessoas picadas por cobras. Procedimentos caseiros como sugar o veneno, colocar substâncias no local – como café -, ingerir bebidas alcoólicas, fazer cortes ou amarrar a área são desaconselhados. O que deve ser feito é lavar o local da picada com água e sabão, e manter a vítima imóvel.

A pessoa que sofreu a picada não deve perder tempo e procurar imediatamente atendimento médico. Caso o animal tenha sido capturado, levá-lo ao hospital pode ajudar no tratamento mais rápido para o caso específico, já que os médicos poderão reconhecer a espécie da cobra.

“Quando a vítima chega para o atendimento, o profissional de saúde dá um analgésico e espera pela reação. Se houver muita dor, além de outros sintomas como inchaço, a pessoa é removida ao FMT, pois o soro só é aplicado em ambiente hospitalar, devido ao problema de reação alérgica”, finalizou Magela.

Juçara Menezes

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