Segundo o Idam, as perdas devem superar os R$ 50 milhões da cheia de 2009. Preços dos produtos devem subir 20%
| Em Anamã, enchente já atinge casa de farinha. Culturas como mandioca, banana, malva e juta são as mais afetadas |
As
perdas da produção agrícola do Amazonas devido à cheia da bacia
amazônica neste ano ultrapassarão as registradas em 2009, ano da maior
enchente em cem anos, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam). Há
três anos, os prejuízos foram de R$ 50 milhões. Levantamento parcial do
Idam aponta perdas no valor de R$ 30,6 milhões. Mais de 7 mil famílias
de produtores rurais estão sendo afetadas.
O presidente do Idam, Edimar Vizzoli, acredita que estas cifras serão ultrapassadas, pois o período da enchente
vai se estender até o meio do ano. Ele alerta que as perdas incidirão
diretamente no valor dos produtos nas prateleiras dos comércios e das
feiras. Há uma previsão de aumento de 20% nos preços.
A
produção de mandioca está sendo uma das mais prejudicadas. Até o
momento, há registro de um prejuízo de R$ 12 milhões. Outra cultura que
já está comprometida é a de banana cujo prejuízo parcial está orçado em
R$ 5 milhões.
O impacto desta cheia
de grande porte atingiu também a produção da fibra de juta e malva. A
presidente da Cooperativa Mista de Produtores de Fibra de Juta e Malva
do Amazonas, Eliana Medeiros do Carmo, disse que foram perdidos 70% da
safra de 2012.
“A
nossa perspectiva para este ano era de 14 mil toneladas de malva.
Agora, estamos lutando para chegarmos a 4 mil. Ninguém esperava que as
teríamos essas perdas. Nossos produtores estão extremamente
prejudicados. Há financiamento para ser quitado e não sei como vamos
fazer para pagar”, disse Eliana.
Para
reduzir o impacto das perdas, o Governo do Estado, segundo Vizzoli, já
iniciou ações de atendimento aos produtos. Uma das ações é a
distribuição de um cartão que dá direito ao produtor ter acesso a R$ 400
– o repasse ainda não tem data definida.
“A
gente também vai fazer ação de fomento, com entrega de sementes e de
mudas. Já começamos a entregar no interior. Depois, vamos recorrer ao
Basa e à Afeam para que as duas instituições atendam com crédito rural”,
disse Vizzoli.
Conforme
o presidente do Idam, a produção de 2012 registra prejuízos de grandes
dimensões também em função de seu crescimento. “Em 2009, tínhamos uma
produção menor de banana, por exemplo. Agora, ela aumentou.
Antecipada
O
ciclo hidrológico pegou de surpresa os produtores de fibra e malva.
Segundo Eliana, a colheita ocorre sempre em dezembro, mas neste mês o rio já havia começado a subir com maior velocidade.
“Tudo
depende do fator natureza. A gente começa a semear em agosto e setembro
para começar a colheita em janeiro. Mas, decidimos fazer isso já em
dezembro. Só que neste mês o rio já estava subindo”, disse Eliana.
Os
principais produtores de juta e malva são Manacapuru, seguidos de
Anamã, Beruri e Codajás, banhados pelo rio Solimões. A cooperativa tem
mais de 5 mil produtores associados.
“Fizemos
uma solicitação do Banco do Brasil e da Afeam. Muitos estão endividados
e queremos recuperar a linha de financiamento”, disse.
Conforme
levantamento do Idam, em 30 municípios do Amazonas, 7.374 famílias de
produtores rurais estão sendo prejudicadas pela cheia. O levantamento
abrange 34 produtos e atividades, incluindo as fibras de juta.
Culturas
de mandioca, banana e pastagem foram as mais prejudicadas. O Idam prevê
também consequências diretas no valor do produto no mercado, com um
aumento de 20%.
O rio Negro, em Manaus, chegou nesta quarta-feira à cota de 29,30m. A cota máxima, registrada em 2009, foi de 29,77.
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