Os comunitários deverão
permanecer no abrigo improvisado por, pelo menos, dois meses, período
estimado para começar a vazante do rio Amazonas
| Nos próximos dois meses barracas montadas na balsa-abrigo serão a casa dos moradores da comunidade Marimba |
Os
desabrigados da comunidade do Marimba, às margens no rio Amazonas,
no município de Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus),
começaram a ser transferidos para a balsa-abrigo
instaladas na frente da comunidade. O município decretou estado de
calamidade pública e está com com mais de 22,9 mil pessoas em situação
de risco, das quais, pelo menos 12 mil moram nas comunidade rurais,
que foram tomadas pelas águas.
Os
comunitários deverão permanecer no abrigo improvisado por, pelo menos,
dois meses, período estimado para começar a vazante do rio Amazonas.
Nesta
quinta-feira (24), mesmo com a previsão de que só no final da tarde
seria realizada a transferência dos desabrigados, ao menos quatro
famílias já estavam ocupando as tendas da Defesa Civil, instaladas na
balsa do Marimba, que não tinham luz e nem alimentação.
Algumas
chegaram a levar até eletrodomésticos como geladeira e maquina de
lavar, bens que conseguiram salvar da fúria das aguas que, em alguns
casos, chegou a destruir as casas construídas nas margens do rio.
“Eu
passei três semanas debaixo d’água. Depois fiquei na casa do vizinho,
mas, lá já tava alagando tudo e eu vim para cá. Consegui salvar só a
geladeira. Gracas a Deus consegui uma barraquinha aqui”, disse a
pescadora Maria Silvania Costa do Nascimento.
Depois que as águas baixarem, a pescadora vai avaliar se a casa onde mora terá condições de ser reconstituída.
A
dona de casa Flávia Sandra Oliveira ainda não conseguiu ser instalada
numa das barracas-abrigo da Defesa Civil, mas decidiu permanecer de
plantão na balsa até conseguir um espaço para a família, que continua
vivendo no alagado.
“A situação na minha casa está feia mesmo. Estamos com água até na
cintura. Eu vivo lá com meus filhos, mas não tem mais condicoes porque a
gente pode até morrer afogado. Estou aqui esperando montar uma barraca
para a gente ficar. Até agora não recebi nenhuma ajuda, nem mesmo o
cartão do governo, que a gente está precisando muito, para pelo menos,
poder pegar madeira para levantar a casa”, disse.
Destruição em várias comunidades
Ao longo do caminho para a comunidade do Marimba, a uma hora da sede de Careiro da Várzea, o rio Amazonas deixa um rastro de destruição nas casas instaladas a margem dele. Na comunidade São Francisco, em certos trechos do rio, as casas mais antigas, construídas abaixo da cota de 2009, estão completamente cobertas pela água e oferecem, inclusive perigo para a navegação. Com a chuva as moradias estão prestes a serem levadas pela forte correnteza.
Mas
há quem, mesmo em meio ao caos, consegue conviver com a destruição. A
Igreja Evangélica do Marimba está servindo como abrigo para a família do
pastor Ivan Lima, que está com a casa debaixo d'agua.
“Nós estamos aqui enquanto o rio sobe, mas acho que ele parou de subir
porque fiz uma marca e hoje (ontem) ele não a ultrapassou”, disse o
pastor evangélico.
“Tinha mais gente aqui na igreja, mas eles já foram embora. Nessa
enchente, o rio passou mais de um metro da cheia de 2009. Nos vamos
ficar por aqui mesmo porque acredito que o rio tá parando de encher",
disse o pastor, que mora no local há três semanas e assiste os filhos
bricarem de pescar dentro da própria casa.
Destaque
O Governo do Amazonas realiza nesta sexta (25) em Careiro da Várzea, a entrega dos cartões Amazonas Solidário(R$ 400). A distribuição ocorrerá na sede da cidade e nas comunidades atingidas,facilitando o acesso das vítimas ao benefício.
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