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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Famílias afetadas pela cheia no município do Careiro da Várzea (AM) já estão nas balsas-abrigos

Os comunitários deverão permanecer no abrigo improvisado por, pelo menos, dois meses, período estimado para começar  a vazante do rio Amazonas

Nos próximos dois meses barracas montadas na balsa-abrigo serão a casa dos moradores da comunidade Marimba
Nos próximos dois meses barracas montadas na balsa-abrigo serão a casa dos moradores da comunidade Marimba (Antônio Lima)

Os desabrigados   da comunidade do Marimba, às margens  no rio Amazonas, no município de Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus), começaram a ser transferidos para a balsa-abrigo instaladas na frente da comunidade. O município decretou estado de calamidade pública e está com com mais de 22,9 mil pessoas em situação de risco, das quais, pelo menos 12 mil moram  nas comunidade  rurais, que foram tomadas pelas águas.  
Os comunitários deverão permanecer no abrigo improvisado por, pelo menos, dois meses, período estimado para começar  a vazante do rio Amazonas.
Nesta quinta-feira (24), mesmo com a  previsão de que só no final da tarde seria realizada a transferência dos desabrigados, ao menos quatro famílias já estavam ocupando as tendas da Defesa Civil, instaladas na balsa do Marimba, que não tinham  luz e nem alimentação.
Algumas chegaram a levar até eletrodomésticos como geladeira e maquina de lavar, bens que conseguiram salvar da fúria das aguas  que, em alguns casos, chegou a destruir as casas construídas nas margens do rio.
“Eu passei três semanas debaixo d’água. Depois fiquei na casa do vizinho, mas, lá já  tava alagando tudo e eu vim para cá. Consegui salvar só a geladeira. Gracas a Deus consegui uma barraquinha aqui”, disse a pescadora Maria Silvania Costa do Nascimento.
Depois que as águas baixarem, a pescadora  vai avaliar se a casa onde mora terá condições de ser reconstituída.
A dona de casa Flávia Sandra Oliveira ainda não conseguiu ser instalada numa das barracas-abrigo da Defesa Civil, mas decidiu permanecer de plantão na balsa  até conseguir um espaço para a família, que continua vivendo no alagado. 
“A situação na minha casa está feia mesmo. Estamos com água até na cintura. Eu vivo lá com meus filhos, mas não tem mais condicoes porque a gente pode até morrer afogado. Estou  aqui esperando montar uma barraca para a gente ficar. Até agora não recebi nenhuma ajuda, nem mesmo o cartão do governo, que a gente está precisando muito, para pelo menos,  poder pegar madeira para levantar a casa”, disse.

Destruição em várias comunidades

Ao longo do caminho para a comunidade do Marimba, a uma hora da sede de Careiro da Várzea, o rio Amazonas deixa um rastro de destruição nas casas instaladas a  margem dele. Na comunidade São Francisco, em certos trechos do rio, as casas mais antigas, construídas abaixo da cota de 2009,  estão completamente cobertas pela água e oferecem, inclusive perigo para a navegação. Com a chuva as moradias estão prestes a serem levadas pela  forte correnteza.
Mas há quem, mesmo em meio ao caos, consegue conviver com a destruição. A Igreja Evangélica do Marimba está servindo como abrigo para a família do pastor Ivan Lima,  que está com a casa debaixo d'agua.
“Nós estamos aqui enquanto o rio sobe, mas acho que ele  parou de subir porque fiz uma marca e hoje (ontem) ele não a ultrapassou”, disse o pastor evangélico.
“Tinha mais gente aqui na igreja, mas eles já foram embora. Nessa enchente, o rio passou mais de um metro da cheia de 2009. Nos vamos ficar por aqui mesmo porque acredito que o rio tá parando de encher", disse o pastor,  que mora no local há três semanas e assiste os filhos bricarem de pescar dentro da própria casa.

Destaque

O Governo do Amazonas realiza nesta sexta (25) em Careiro da Várzea, a entrega dos cartões Amazonas Solidário(R$ 400). A distribuição  ocorrerá na sede da cidade e nas comunidades atingidas,facilitando o acesso das vítimas ao benefício.

MARIA DERZI

terça-feira, 22 de maio de 2012

Rio Negro, no Amazonas, atinge a cota de 29,90 metros nesta terça-feira

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, 77.661 é o número de famílias afetadas pela cheia. Em Manaus, mais de seis mil famílias afetadas já foram cadastradas pela prefeitura

O rio Negro atingiu cota máxima na última quarta-feira (16) registrando 29,78 metros
O rio Negro atingiu nesta terça-feira (22) a cota de 29,90 metros (Ney Mendes)

O nível do rio Negro registrado nesta terça-feira (22) atingiu a cota de 29,90 metros. De acordo com Valderino Pereira, funcionário do Porto de Manaus e responsável pela medição, o nível do rio subiu três centímetros desta segunda (21) para terça (22). Esta é a maior cheia registrada no estado e que já afeta mais de 77 mil famílias em todo o Amazonas.
Em Manaus, mais de seis mil famílias afetadas já foram cadastradas pela prefeitura. Na cidade, a operação S.O.S enchente fez intervenção em 21 pontos, incluindo os bairros Educandos, Matinha, São Raimundo, Bariri, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Glória, Centro, Aparecida, São Jorge, São Geraldo e Comunidade da Sharp.
Várias ruas do Centro de Manaus já foram interditadas por conta da cheia. Muitas estão completamente alagadas, o que impede a passagem de carros de passeio pelas vias. A subida das águas virou atração turística no centro da cidade.
No último boletim hidrológico repassado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o nível do rio Negro continua subindo uma média de dois a três centímetros por dia.
“No município de Tabatinga que fica na bacia do Solimões, o nível da água já vem baixando”, destacou o Marco Antônio Oliveira, superintendente do órgão.
Na manhã desta terça (22) a Defesa Civil lançou o Plano de Ação Emergencial de limpeza, que vai contar com o trabalho de 500 homens. O objetivo é desobstruir e limpar as áreas afetadas diretamente com o acúmulo de resíduos sólidos urbanos.
De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, 77.661 é o número de famílias afetadas pela cheia, 50 municípios estão em situação de emergência e três decretaram estado de calamidade pública, devido à falta de condições das realizações dos serviços básicos.

ACRITICA