Segundo o Sindpetro dentro de três dias, a população deve sentir as consequências, principalmente na distribuição de gás
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Distribuidores de combustíveis já pensam em alternativas para evitar desabastecimento de gasolina nos postos, caso a greve se estenda por muito tempo |
A greve
dos Petroleiros deve causar desabastecimento de gás e de gasolina em Manaus nos
próximos dias. A informação é do presidente do Sindicato dos Petroleiros
(Sindpetro do PA, AM, MA, AP) Silvio Claudio. Segundo o sindicalista, a base de
Urucu, no município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus), que operava com
apenas 25% da produção, encerrará suas atividades hoje e, dentro de três dias,
a população deve sentir as consequências, principalmente na distribuição de
gás.
Isso pode causar problemas no fornecimento de
energia em Manaus. “Isso porque a maioria das usinas termelétricas operam com
essa fonte”, destaca Silvio Claudio. Problemas no abastecimento de gasolina
será sentido pelo consumidor um pouco mais tarde, variando de acordo com a
reserva dos distribuidores.
Na segunda-feira (2), os funcionários que
estavam em greve na base de Urucu informaram a direção da Petrobras que estavam
entregando a unidade, que a maior produtora de gás natural em terra firme no
País.
Para Luiz Felipe de Moura Pinto, presidente do
Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Amazonas (Sindcam-AM), a
situação ainda não foi sentida nos postos porque os comerciantes estão “na
ponta da cadeia. “Dependemos de informações vindo das refinarias, dos
distribuidores”, disse. O empresário afirmou que tem conhecimento da greve e de
sua extensão, mas até o momento, nenhuma informação formal foi passada ao
sindicato.
Opção é importar
Representantes de empresas de distribuição de
combustíveis informaram em nota que a situação do abastecimento, por enquanto,
está normal, mas não descartam a possibilidade de desabastecimento nos próximos
dias e já trabalham a hipótese de importar combustíveis . “Trabalhamos com uma
reserva, que geralmente não é muito alta, mas conseguimos cobrir por cinco
dias, aproximadamente, a população, se caso algo der errado. Se percebermos que
há alguma situação mais complexa, a equipe trabalha para que essa reserva seja
maior”, explicou um dos representantes que preferiu não se identificar.
Segundo ele, a situação pode ficar um pouco
mais complexa porque ainda não foram informados pela Petrobras sobre a situação
atual.
“Não há como tomar qualquer atitude se não
sabemos a realidade dos fatos. Ficamos sabendo da greve quando os funcionários
da empresa fecharam a rua onde se encontram as distribuidoras. Podemos afirmar
que os agravantes da situação são a falta de informação que estamos tendo por
parte da Petrobras e mais a situação da greve, que é sempre imprevisível”,
afirma. O gerente informou que medidas devem ser tomadas para evitar que a
falte combustível para a população. Entre as medidas está o aumento da reserva
e a importação de gasolina de países como Estados Unidos e Venezuela.
Fornecimento está normal, diz Cigás
Sobre os eventuais impactos da greve e o risco
de desabastecimento em Manaus, a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), afirmou,
por meio de nota, que, atualmente, o abastecimento de gás está ocorrendo
normalmente, sem nenhuma interferência.
Quando questionada sobre a situação dos
grevistas e a falta de mão de obra nas bases de exploração de gás e petróleo da
Petrobras - estatal fornecedora da Cigás -, a empresa informou que “aguarda ser
notificada pela Petrobras para dimensionar qualquer eventual impacto na
distribuição e comercialização de gás natural no Amazonas”.
Atualmente, a Cigás é uma empresa mista que
atende 66 empresas - 50 delas consumidoras da fonte. A Petrobrás é a
fornecedora da empresa. Os setores de termoelétricas, industriais, veicular e
comercial são as que a Cigás atualmente atende, com o volume de 3,9 milhões de
metros cúbicos fornecidos por dia.
A maior consequência estaria no abastecimento
das termoelétricas, que “sem essa fonte de energia, seriam obrigadas a parar o
funcionamento e fechar as portas”, destacou Silvio Claudio, presidente da
Sindipetro.
Blog: Silvio Claudio, Presidente do Sindicato dos Petroleiros
“Tivemos duas circunstâncias que agravaram a
legitimidade da luta e a permanência dos grevistas que estavam em Urucu. A
Petrobras ameaçou com segurança armada os servidores. Prometendo, ainda, uma
intervenção da guarda civil”, explicou Silvio Claudio sobre o abandono dos
funcionários que atuavam na base localizada no município de Coari.
Segundo ele,
o sindicato vai denunciar o fato ao Ministério Público (MP), junto com outra ação
relatando suposto vazamento de gás ocorrido na segunda-feira (2). “O Instituto
de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também receberão o
documento”, destacou o presidente do Sindpetro. A Equipe do Jornal A CRÍTICA
buscou informações com a assessoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e
Petrobras sobre as denúncias do sindicato. A ANP informou que “No momento, não
há risco de desabastecimento. Caso haja, a agência tomará as medidas cabíveis”.
Até o fechamento da edição, a assessoria da Petrobras não havia se manifestado
sobre os questionamentos.
Jornal Acrítica.Com

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