Nomes apresentados por oposicionistas venceram a chapa governista por 272 votos a 199. Caberá ao colegiado dar parecer sobre pedido acolhido por Cunha
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Sessão para votação dos integrantes da comissão especial destinada a dar parecer sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff(Antonio Augusto/Câmara dos Deputados) |
A
eleição da comissão que analisará o pedido de impeachment contra a presidente
Dilma Rousseff representou nesta terça-feira mais uma dura derrota da petista
no Congresso - e deu mais uma inequívoca mostra da fraqueza da base governista:
por 272 votos a 199, a chapa protocolada pela oposição foi eleita para analisar
o documento acolhido na semana passada pelo presidente da Câmara, Eduardo
Cunha. Caberá à comissão dar o parecer prévio sobre o pedido de impeachment. A
questão será, então, levada a plenário - se a Casa optar por instaurar o
processo, Dilma será julgada pelo Senado.
Governistas chegaram a
impedir que parlamentares votassem pouco depois de aberta a sessão. Isso porque
Cunha determinou que a votação fosse fechada, ao contrário do que prefere o Planalto:
afinal, o voto aberto facilita o mapeamento das traições. Houve tumulto e
bate-boca até que finalmente a votação começasse. Outro sinal preocupante para
o governo está no fato de que a chapa 1 teve 199 votos, apenas 27 a mais do que
o governo precisa para barrar a instauração do processo de impeachment em
plenário - uma margem arriscada para uma presidente com dificuldades históricas
de negociar com o Congresso.
Após o resultado, o
líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), convocou uma
reunião de emergência com aliados em seu gabinete. Em pronunciamento no
plenário, o petista atacou o presidente Eduardo Cunha e o acusou de cometer
ilegalidades na sessão ao impedir o encaminhamento dos votos das bancadas e o
discurso dos líderes. "Você não pode atuar a partir das conveniências
políticas. Em qualquer processo tem que ter regras claras e procedimento",
disse Guimarães.
Petistas e parlamentares
da base tentaram minimizar a derrota por 73 votos. Eles apostam agora que o
Supremo Tribunal Federal consiga anular a sessão, por ter sido realizada em uma
tumultuada votação secreta. O PCdoB ingressou com medidas cautelares na ação de
descumprimento de preceito fundamental (ADPF) protocolada na semana passada,
quando Cunha despachou favoravelmente à abertura do processo. "Esse
resultado não reflete a realidade do plenário, reflete as manobras feitas, mas
acredito que o Supremo vai restabelecer ordem", disse Guimarães.
"Mesmo ganhando com as manobras regimentais do Cunha eles não tem os votos
que acham que tem."
Relator do recurso para
barrar o impeachment no STF, o ministro Edson Fachin pautou para o dia 16 de
dezembro a apreciação em plenário da ADPF, segundo o deputado Rubens Pereira
Junior (PCdoB-MA), autor do texto. A base governista não deve entrar com outro
recurso antes de uma decisão. "O processo está todo comprometido e
viciado. Temos que barrar essa situação. Isso aqui não é um jogo, um Fla x
Flu", disse o líder do PT, Sibá Machado (AC).
Também da tribuna da
Câmara, o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), comemorou o resultado da
votação. "Essa foi uma demonstração inequívoca da fragilidade do governo.
Senhoras e senhores do PT, esse governo chegou ao fim. A presidente Dilma não
tem o apoio da população, perdeu o apoio do vice-presidente e hoje demonstra a
sua fragilidade absoluta ao perder essa votação. Hoje somos mais de 270
deputados a demonstrar a indignação para com esse governo corrupto e
mentiroso".
Partidos de oposição e
deputados que se classificam como independentes protocolaram às 13h50 desta
terça-feira uma chapa rival à orientação do Palácio do Planalto com 39 nomes de
13 partidos. Para que fosse formalizada, eram necessários no mínimo 33 nomes.
Como a comissão tem de ter 65 nomes, os demais ainda precisarão ser eleitos em votação
suplementar, agendada para esta quarta-feira.
Depois de uma manobra
dos oposicionistas, que se rebelaram contra a possibilidade de serem
escolhidos, dentro do PMDB, apenas integrantes alinhados ao Palácio do
Planalto, a indicação e escolha da chapa com os 65 deputados que vão integrar a
comissão especial foram adiadas da noite desta segunda-feira para as 14 horas
de hoje. O adiamento ocorreu no mesmo dia em que a presidente Dilma anunciou
querer que o Congresso vote o impeachment "o mais rápido possível".
O primeiro racha na
composição da comissão especial que analisará o impeachment foi na bancada do
PMDB. O líder Leonardo Picciani (RJ), defensor declarado de Dilma, sinalizou
que não reservaria vagas para deputados pró-impeachment, deixando de lado peemedebistas
que defendem a deposição da petista. Irritados, eles articularam agora a
derrubada de Picciani da liderança do partido. "Tenho certeza que a
bancada do PMDB apoiou a chapa indicada pelo partido. Infelizmente o
procedimento adotado está em desacordo com a lei. É lamentável que num tema tão
importante para o paí os parlamentares tenham se escondido atrás do voto
secreto", disse Picciani após a derrota.
Fonte: Veja.com

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