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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Amazonas é um dos estados onde número de mulheres assassinadas mais cresce no Brasil

Número de mulheres vítimas de homicídio aumentou 174,3% em dez anos: foram 727 casos entre 2003 e 2013, um dos maiores índices do País e o 2º maior da região Norte

 

O município amazonense de Barcelos é que teve mais mulheres assassinadas em todo o País, em dez anos (Marcio Melo)


O Amazonas está entre os Estados brasileiros onde há mais assassinatos de mulheres no Brasil, segundo o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) com o apoio da ONU Mulheres.
A pesquisa, divulgada na manhã desta segunda-feira (9), aponta que em dez anos, no período de 2003 a 2013, houve um aumento de 174,3% em homicídios de mulheres no Amazonas, um total de 727 mulheres mortas no período.
O município de Barcelos encabeça a lista dos 100 municípios brasileiros com mais de 10 mil habitantes do sexo feminino com as maiores taxas médias de homicídio de mulheres. Com uma população de 11.958 mil mulheres, foram registrados 45,2 homicídios por dez mil mulheres em quatro anos (2009 a 2013).
A região Norte foi a que mais apresentou registro de assassinatos de mulheres, com um aumento de 112,12%  no decênio. O Nordeste ficou em 2º lugar, com uma taxa de 93,7% no aumento de mulheres mortas violentamente em dez anos. O Sudeste foi a única região que reduziu o número de mulheres assassinadas, em -22,5%. O Centro-Oeste apresentou aumento de 43,2%, enquanto o número de mulheres assassinadas no Sul do Brasil aumentou 25,8%.  
Ranking
Os números deixam o Amazonas em 2º lugar no ranking de mortes de mulheres na região Norte, perdendo apenas para Roraima, que apresentou um aumento de 500%. O Pará ocupa a 3º posição, com aumento registrado de 147,3%. O Acre registrou aumento de 113% e o Tocantins de 81,8%. No Amapá, o número de mulheres assassinadas cresceu 26,7%, deixando o Estado em 7º lugar no ranking. Tocantins foi o único que conseguiu reduzir, em -2%, o número de mulheres mortas.
O estudo revelou, ainda, que 50,3% dos assassinatos de mulheres no País em 2013 foram praticados por familiares, sendo 33,2% dos casos cometidos pelo próprio parceiro ou ex-parceiro. O Mapa da Violência 2015 mostra que o Brasil só está atrás de Rússia (4º), Guatemala (3º), Colômbia (2º) e El Salvador (1º) no ranking internacional de violência contra a mulher.

Luana Carvalho


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Igreja "mata" 75 jovens no Amazonas

Coordenação da Campanha da Fraternidade decidiu aumentar o número real de jovens assassinados para causar mais impacto.



Empunhando cruzes centenas de jovens participaram da caminhada de abertura da Campanha da Fraternidade 2013, em Manaus
Empunhando cruzes centenas de jovens participaram da caminhada de abertura da Campanha da Fraternidade 2013, em Manaus (Euzivaldo Queiroz)
A Campanha da Fraternidade do Amazonas resolveu aumentar “para causar impacto”, o número de jovens assassinados em Manaus, capital do Amazonas. Ao lançar a campanha “Fraternidade e Juventude”, ontem, quarta-feira (13), a Igreja Católica divulgou a quantidade de mil jovens como vítimas de assassinatos no Amazonas em 2012. No entanto, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), ocorreram 925 homicídios. 

Pelos cálculos, a igreja aumentou 75 casos. O número de mil jovens assassinados, utilizados pela coordenação da Campanha da Fraternidade local, foi arredondado para causar impacto, conforme explicações do assessor arquidiocesano da Pastoral da Juventude, Edney Mendonça,33. “Arredondamos para mil como número simbólico, para chamar a atenção, porque qualquer número é preocupante”, justificou o coordenador da Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de Manaus, Edney Santos Mendonça, 33, ao reconhecer que os dados não são oficiais. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) ocorreram 925 homicídios em Manaus. Em meio à polêmica, a SSP anuncia para os próximos dias os números oficiais visando esclarecer definitivamente a questão.

Justificando ainda os números lançados na campanha, Edney Mendonça disse que “mesmo esse número (925) não sendo diretamente relacionado aos jovens, eles são de pessoas da faixa etária de 18 a 39 anos, que podem ser consideradas jovens também”.

Segundo a SSP-AM, os 925 casos são referentes ao ano de 2011 e ocorreram apenas na capital. As 925 vítimas em questão apresentam faixas etárias diversas. O número total de assassinatos ocorridos no Amazonas, segundo a assessoria da SSP, deverá ser divulgado a partir do próximo dia 18.

Campanha

De acordo com Edney Mendonça, independente dos números a Campanha da Fraternidade 2013 quer chamar a atenção para a criação de políticas públicas voltadas para os jovens, uma vez que eles são as principais vítimas de crimes violentos conforme os dados do Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça.

A publicação registra uma tendência de crescimento dos índices de crimes violentos entre a população com idade entre 15 e 24 anos - o equivalente a 18,6% da população brasileira. Em 2010, foram mortas 201 mil pessoas nessa faixa etária.

A taxa de homicídios entre jovens é o dobro das taxas relativas a outras faixas etárias. Na década, aumentaram em 11,1% os homicídios de jovens.

Estatística

Sem querer contestar, de imediato, os números da campanha, o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Paulo Roberto Vital de Menezes, prometeu anunciar os números oficiais de mortes por assassinato de pessoas na faixa etária abordada pela campanha. 

Ao afirmar ser importante saber se esses mil jovens foram todos assassinados ou morreram em acidentes e outras situações, ele revelou estar fazendo um levantamento sobre o  assunto para ser encaminhado à Câmara Federal. Vital acentuou a importância da campanha em discutir esse tema, mas afirmou ser necessário trabalhar com dados reais.

Para ele, a igreja está no caminho certo ao discutir esse tema pelas causas e consequências. “Cada vez mais nossa juventude está se envolvendo na prática de crimes”, afirmou.

ACRITICA