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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pesquisa mostra que 56% dos homens já foram agressivos com a companheira

Além disso, estudo revela que a mulher ainda é vista como responsável pelo trabalho doméstico, já que 89% dos homens não aceitam que a esposa não mantenha a casa em ordem

Cerca de 35% dos homens desconhecem parcialmente ou totalmente sobre a Lei Maria da Penha
Cerca de 35% dos homens desconhecem parcialmente ou totalmente sobre a Lei Maria da Penha (ACRITICA/AC)
Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (29) elaborada pelo Data Popular a pedido do Instituto Avon revelou que 56% dos homens já tiveram atitudes que caracterizam violência doméstica contra suas parceiras. Para fazer a pesquisa foram entrevistados 995 homens e 505 mulheres a partir de 16 anos em 50 municípios das cinco regiões do país.

A pesquisa mostrou ainda que 16% dos entrevistados admitem já ter sido agressivos com a companheira. Mas quando listada uma série de atitudes consideradas violentas, é que se chega ao resultado de 56% deles admitindo terem sido agressivos. Entre os itens apontados estão: xingou, empurrou, ameaçou com palavras, deu um tapa, um soco, impediu de sair de casa, arremessou algum tipo de objeto, humilhou em público,obrigou a fazer sexo sem vontade e ameaçou com arma.

Segundo o estudo 53% dos homens entram no casamento com expectativa de felicidade, mas a mesma porcentagem atribui à mulher a responsabilidade pelo sucesso da união. Ainda dentro das expectativas 85% acham inaceitável a mulher ficar alcoolizada 69% não concordam que ela saia com amigos sem sua companhia e 46% consideram inaceitável o uso de roupas justas e decotadas.

O estudo indicou também que a mulher ainda é vista como responsável pelo trabalho doméstico, já que 89% não aceitam que a mulher não mantenha a casa em ordem. Em outro aspecto a pesquisa constatou que 29% dos entrevistados acreditam que o homem só bate porque a mulher provoca e 23% batem porque só assim a mulher "cala a boca", além de que 12% acha que têm razão em bater na mulher caso ela os traia.

De acordo com o estudo o ambiente na infância pode ser o fator influente no comportamento do homem adulto 67% dos agressores presenciaram discussões dos pais quando crianças, enquanto entre os não agressores esse número cai para 47%. Entre os agressores 21% viram violência física e entre os não agressores esse índice cai para 9%.

Quando questionados sobre a Lei Maria da Penha 92% dos homens se disseram favoráveis, mas 35% afirmaram que a desconhecem parcial ou totalmente. A maioria dos homens não entende que a lei atua para diminuir a desigualdade de gênero. Para  37%  as mulheres desrespeitam mais os homens por causa da lei e 81% defendem que os homens também deveriam ser protegidos pela lei.

O presidente da Avon, David Legher observou que a pesquisa mostrou que a sociedade ainda está muito longe de poder dizer que a violência doméstica não existe. Segundo ele a ideia de ouvir homens nesta edição da pesquisa que é feita desde 2009, veio para sentir as impressões do gênero sobre o tema e o resultado impressionou.

"No Brasil a cada quatro minutos uma mulher é vítima de violência doméstica e a cada minuto uma morre em função disso. Temos que erradicar esse comportamento da sociedade. A pesquisa mostra que a mulher acha normal que isto aconteça. O primeiro passo é a mulher acordar desta situação. Tem que perceber e contar esta história para alguém", ressaltou.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, destacou que o poder público não tem condições de enfrentar esta realidade sozinho e para acabar com a violência contra as mulheres é necessário que os movimentos sociais e empresas participem.

“As parcerias com empresas e movimentos sociais são uma determinação do Governo Federal. Temos que aproveitar e transformar isto em políticas pública, porque neste momento se  reconhece a existência do fenômeno. E estas políticas públicas devem reverter de fato estes dados”.
O fato de muitas atitudes violentas serem consideradas normais pelos homens e nem serem lembradas por eles é cultural e patriarcal, como se fizesse parte do contrato do casamento. Eleonora lembrou que até dez anos atrás as feministas ficavam isoladas sem conseguir mostrar essa realidade.

“No governo de Luiz Inácio Lula da Silva as políticas ficaram mais sérias e punitivas. O machismo existe e temos que mudar essa sociedade sexista. Nas novas gerações já há mudanças de comportamento”.

A ministra disse não ver muitas mudanças entre os homens adultos. “Depende do meio em que vive, a cultura em que está envolvido, mas acredito que estamos no caminho certo porque a sociedade está inteiramente mobilizada. Esta mudança de mentalidade é para mim os maiores desafios. Devem ser feitas campanhas acesso maior das mulheres à informação, acolhimento maior e julgamentos exemplares”, explicou.

AGÊNCIA BRASIL

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Igreja "mata" 75 jovens no Amazonas

Coordenação da Campanha da Fraternidade decidiu aumentar o número real de jovens assassinados para causar mais impacto.



Empunhando cruzes centenas de jovens participaram da caminhada de abertura da Campanha da Fraternidade 2013, em Manaus
Empunhando cruzes centenas de jovens participaram da caminhada de abertura da Campanha da Fraternidade 2013, em Manaus (Euzivaldo Queiroz)
A Campanha da Fraternidade do Amazonas resolveu aumentar “para causar impacto”, o número de jovens assassinados em Manaus, capital do Amazonas. Ao lançar a campanha “Fraternidade e Juventude”, ontem, quarta-feira (13), a Igreja Católica divulgou a quantidade de mil jovens como vítimas de assassinatos no Amazonas em 2012. No entanto, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), ocorreram 925 homicídios. 

Pelos cálculos, a igreja aumentou 75 casos. O número de mil jovens assassinados, utilizados pela coordenação da Campanha da Fraternidade local, foi arredondado para causar impacto, conforme explicações do assessor arquidiocesano da Pastoral da Juventude, Edney Mendonça,33. “Arredondamos para mil como número simbólico, para chamar a atenção, porque qualquer número é preocupante”, justificou o coordenador da Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de Manaus, Edney Santos Mendonça, 33, ao reconhecer que os dados não são oficiais. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) ocorreram 925 homicídios em Manaus. Em meio à polêmica, a SSP anuncia para os próximos dias os números oficiais visando esclarecer definitivamente a questão.

Justificando ainda os números lançados na campanha, Edney Mendonça disse que “mesmo esse número (925) não sendo diretamente relacionado aos jovens, eles são de pessoas da faixa etária de 18 a 39 anos, que podem ser consideradas jovens também”.

Segundo a SSP-AM, os 925 casos são referentes ao ano de 2011 e ocorreram apenas na capital. As 925 vítimas em questão apresentam faixas etárias diversas. O número total de assassinatos ocorridos no Amazonas, segundo a assessoria da SSP, deverá ser divulgado a partir do próximo dia 18.

Campanha

De acordo com Edney Mendonça, independente dos números a Campanha da Fraternidade 2013 quer chamar a atenção para a criação de políticas públicas voltadas para os jovens, uma vez que eles são as principais vítimas de crimes violentos conforme os dados do Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça.

A publicação registra uma tendência de crescimento dos índices de crimes violentos entre a população com idade entre 15 e 24 anos - o equivalente a 18,6% da população brasileira. Em 2010, foram mortas 201 mil pessoas nessa faixa etária.

A taxa de homicídios entre jovens é o dobro das taxas relativas a outras faixas etárias. Na década, aumentaram em 11,1% os homicídios de jovens.

Estatística

Sem querer contestar, de imediato, os números da campanha, o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Paulo Roberto Vital de Menezes, prometeu anunciar os números oficiais de mortes por assassinato de pessoas na faixa etária abordada pela campanha. 

Ao afirmar ser importante saber se esses mil jovens foram todos assassinados ou morreram em acidentes e outras situações, ele revelou estar fazendo um levantamento sobre o  assunto para ser encaminhado à Câmara Federal. Vital acentuou a importância da campanha em discutir esse tema, mas afirmou ser necessário trabalhar com dados reais.

Para ele, a igreja está no caminho certo ao discutir esse tema pelas causas e consequências. “Cada vez mais nossa juventude está se envolvendo na prática de crimes”, afirmou.

ACRITICA