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sexta-feira, 14 de março de 2014

Defesa Civil deve identificar famílias que receberão assistência de usinas

MP alerta que famílias devem procurar Defesa Civil para fazer cadastro.



Justiça determinou que usinas do Madeira prestem auxílio à atingidos(Foto: G1)



Os autores da ação civil pública que obriga as Usinas Hidrelétricas (UHE) Santo Antônio e Jirau a prestar assistência às famílias atingidas pela cheia do Rio Madeira alertam que os moradores da parte de cima das barragens (montante) devem procurar a Defesa Civil para fazer o cadastro de identificação. 

A ação, movida pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Defensorias Pública Estadual e da União, pedia todas as famílias atingidas pela cheia do Rio Madeira recebessem assistências e ainda que o estudo de impacto ambiental fosse refeito. A Justiça Federal atendeu parcialmente o pedido.

Os Ministérios Públicos Estadual e Federal explicaram que a ação civil não quer responsabilizar as duas usinas pela quantidade de chuvas, mas que o estudo de impacto ambiental seja refeito para se ter uma melhor dimensão dos efeitos causados pelas barragens e pela formação dos lagos no rio. 

A decisão contempla apenas as famílias que moraravam em áreas localizadas antes das barragens, como os Abunã, Jacy-Paraná, distritos de Porto Velho, e o assentamento Joana d´Arc. Muitas famílias que tem direito ao auxílio que inclui moradia, alimentação, saúde e educação, estão em abrigos, na casa de parentes ou mesmo resistindo nos locais alagados e precisam ser identificados.

Um levantamento feito por uma empresa de consultoria encomendado pelo Ministério Público já apontava que os impactos com os empreendimentos haviam sido subdimensionados nos estudos que subsidiaram o licenciamento dos consórcios. “Os marcos dos lagos que se formaram estão debaixo d'água. Isso significa que ultrapassou os limites previtos. 

Os estudos devem ser refeitos”, explica o procurador da República, Rafael Bevilaqua, que ressalta que não houve estudos de impacto ambiental abaixo das barragens e, por isso, devem ser refeitos em todo o curso do rio. "Não é possível que a gente continue vivendo com barragens sem saber o efeito".

A sentença judicial determinou, ainda, que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan), a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) estão obrigados a supervisionar o novo estudo.

De acordo com a justiça, um grupo de especialistas - engenheiros, agrônomos, geólogos, sociólogos e outros indicados pelas instituições - devem acompanhar os trabalhos que serão custeados pelos consórcios. O prazo máximo para as usinas comprovarem o andamento do reestudo é de 90 dias, sob pena de suspensão de suas licenças de operação.

A liminar ainda afirma que todo o patrimônio histórico danificado pela cheia deve ser revitalizado com recurso das hidrelétricas. As usinas também estão obrigadas a abrir rotas alternativas às vias interditadas nas proximidades de seus reservatórios. Ao Dnit, caberá fiscalizar. O descumprimento das determinações acarretará em multa de R$ 100 mil por dia, valor a ser pago por cada uma das usinas.


Fonte: G1


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cheia do Rio Madeira deixa Manicoré em estado de alerta

Famílias inteiras por causa do forte inverno amazônico 


Casa de um ribeirinho sendo engolida pela cheia do Madeira (Foto: Edy Lima)




Prefeito em Exercício de Manicoré Paulo Sérgio Barbosa esteve visitando na tarde de ontem (27), as comunidades de São João da Ponta Grossa e Sururu, ambas no médio madeira. Por causa da cheia do Rio Madeira o que se ver é uma cena triste. Plantações de mandioca, banana, cacau, macaxeira, milho, pimentões, cebolinha e cheiro verde, estão todos submersos.


Paulo Sérgio olhando o estrago que a água do madeira já fez com o milho( Foto: Edy Lima)




Prevendo o pior, muitos ribeirinhos já abandonaram suas casas.Famílias inteiras por causa do forte inverno amazônico foram obrigadas a procurar terra firme ou ir para casa de parentes na cidade de Manicoré. Mas alguns ainda resistem o fenômeno da natureza e teimam em deixar o pouco que ainda resta.



Casas da Comunidade de Sururu. Região do médio madeira (Foto: Edy Lima)



O que se ver são cenas de pura catástrofe, casas todas no fundo, troncos de madeiras sendo arrastados e, árvores inteiras sendo arrancadas pela raiz e sendo levada pela forte correnteza. Com tudo algumas famílias ribeirinhas não tendo muita opção aonde irem insistem em ficar mesmo correndo o risco de ter sua casa tomada pela água e ao mesmo tempo de ser invadida por cobras ou jacarés.

Edson Rodrigues é um desses ribeirinhos que ainda resiste à cheia do rio madeira. Junto com sua família eles dividem o pequeno espaço da casa que ainda não foi tomada pela água. Suas criações, ou seja, galinhas, patos, cachorros e porcos estão agasalhadas em uma maromba, espécie de assoalho improvisado feita de madeira e tábuas, que fica acima do nível do rio, podendo ser erguida a qualquer momento se assim for preciso.



Plantação de cocô sendo dizimada pela as águas turvas do madeira (Foto: Edy Lima)


Um dia antes da visita do prefeito a Comunidade de Sururu, dona Inês esposa de seu Edson, contou que estava lavando roupa na varanda de sua casa, quando de repente ela sem querer deu uma olhada em sua volta e avistou um enorme Jacaré que lhe observava, segundo ela, o animal estava uns quatro metros de distancia; “Tomei um baita susto, sem dúvida nenhuma, se eu não tivesse visto ele antes, teria me pegado”. Disse dona Inês que teme pela segurança de seus filhos e netos.



Plantação de Mandioca totalmente destruída pela enchente (Foto: Edy Lima)



Perguntado sobre a situação que essas famílias se encontram as margens do rio madeira, o prefeito em exercício Paulo Sérgio disse que, “O governo municipal está bastante sensibilizado, que nas próximas horas irá decretar estado de calamidade pública, não podemos deixar de forma alguma nossos irmãos a mercê da sorte”. Disse ainda, “Vamos buscar apoio através da Defesa Civil do Estado do Amazonas, junto ao Governador Omar Aziz e se possível a, Presidência da República, para minorar as perdas das famílias ribeirinhas”.




Edy Lima DRT/AM 1823