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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Foco da Lava Jato em 2016 será contas no exterior e empresas estrangeiras

Coordenador da força-tarefa da operação pretende ampliar no próximo ano parcerias com órgãos internacionais de investigação e triplicar o número de acusações formais contra os personagens do petrolão


Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato(Vagner Rosario/VEJA)



O Ministério Público Federal estabeleceu que, em 2016, os principais objetivos da Operação Lava Jato serão identificar mais contas no exterior usadas no esquema de corrupção na Petrobrás, fechar o cerco contra empresas estrangeiras envolvidas e triplicar o número de acusações formais contra personagens sob investigação pela força-tarefa. Até o momento, foram repatriados 659 milhões de reais de contas no exterior, segundo o mais recente balanço da operação.

O coordenador da força-tarefa, o procurador da República Deltan Dallagnol, afirmou que os valores ainda são baixos. "Podemos dizer que um número muito pequeno de contas mantidas ilegalmente no exterior por corruptos e corruptores veio ao Brasil", disse. "Tem muita coisa por vir ainda." A estratégia, segundo a procuradoria, será ampliar parcerias com órgãos internacionais de investigações. Dallagnol citou como exemplo a bem-sucedida troca de informações com o Ministério Público da Suíça, que encontrou quatro contas no exterior do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A Lava Jato realizou 86 pedidos de cooperação internacional em 36 países. Desse total, há 77 pedidos de cooperação com 28 nações em vigor. Essas parcerias permitem, por exemplo, o bloqueio de bens dos envolvidos no esquema de corrupção na estatal. No caso de Cunha, foram congelados 2,4 milhões de dólares na Suíça.

Além de mirar contas usadas por corruptos e corruptores, o Ministério Público Federal decidiu aprofundar as investigações contra empresas estrangeiras que foram beneficiadas pelo esquema na Petrobrás, como a holandesa SBM. "Vamos para cima das empresas estrangeiras também", comentou Dallagnol.

Veja.com



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Bumlai, o amigo de Lula, agora é réu na Lava Jato

Segundo os investigadores, o empresário integrou um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras


Pecuarista José Carlos Bumlai em depoimento em CPI do Congresso Nacional(Ueslei Marcelino/Reuters)


O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta terça-feira denúncia contra o pecuarista José Carlos Bumlai e outras 10 pessoas, transformando o grupo em réu por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e gestão fraudulenta. Segundo os investigadores, o empresário e amigo do ex-presidente Lula integrou um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10000 e a concessão de um empréstimo fictício para lavar propina que seria encaminhada ao PT.

A transação envolvendo o navio sonda só ocorreu após o pagamento de propina a dirigentes da Petrobras e ao PT. A exemplo do escândalo do mensalão, o pagamento de dinheiro sujo foi camuflado a partir da simulação de um empréstimo no valor de 12,17 milhões de reais do Banco Schahin, com a contratação indevida da Schahin pela Petrobras para operar o Vitoria 10000 e na simulação do pagamento do suposto empréstimo com a entrega inexistente de embriões de gado.

Em janeiro de 2005, quando venceu a primeira parcela do empréstimo, o débito continuou sem ser pago porque, na avaliação do ex-presidente do Banco Schahin Sandro Tordin, "muito embora a Schahin tivesse conseguido contratos com a Petrobras para operar sondas de águas rasas, os valores ainda não compensariam o empréstimo concedido". "O empréstimo teria como destinatário real o Partido dos Trabalhadores, tendo José Carlos Bumlai sido utilizado somente como pessoa interposta", disse o juiz Sergio Moro ao aceitar hoje a denúncia contra Bumlai.

Segundo o magistrado, existem indícios suficientes de participação do pecuarista no esquema. Além dele se tornaram réus hoje a nora do empresário Cristiane Dodero Bumlai e o filho dele Maurício Bumlai, o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, o lobista Fernando Baiano, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os ex-diretores da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada e Nestor Cerveró e os executivos do Grupo Schahin Fernando Schahin, Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin.

Em depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira, pela primeira vez José Carlos Bumlai admitiu que tomou o empréstimo para repassar os valores ao PT e detalhou que o dinheiro foi pedido pelo ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, que alegou que "se tratava de uma questão emergencial e que o dinheiro seria devolvido rapidamente". Na transação, o também ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto atuou diretamente, acompanhando a contratação do navio sonda usado para camuflar o repasse de dinheiro ao partido.

Esclarecimentos - No despacho em que recebeu a denúncia contra Bumlai, o juiz Sergio Moro pediu esclarecimentos ao Ministério Público sobre a situação do ex-presidente do banco Schahin Sandro Tordin, que não foi denunciado embora, segundo o magistrado, "tenha, aparentemente, participado objetivamente dos fatos delitivos".

Veja.com


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Conselho de Ética instala processo de cassação de Eduardo Cunha

Zé Geraldo (PT-PA), Fausto Pinato (PRB-SP) ou Vinicius Gurgel (PR-AP) será relator do caso


Conselho de Ética da Câmara já tem os três nomes que pode coordenar processo de cassação de Eduardo Cunha (foto)



O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou nesta terça-feira (3) o processo que pode levar à cassação do mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foram sorteados três parlamentares integrantes do colegiado para que o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), escolha um deles para ser o relator do processo.

Os nomes sorteados foram os dos conselheiros Zé Geraldo (PT-PA), Fausto Pinato (PRB-SP) e Vinicius Gurgel (PR-AP). O presidente afirmou que fará a escolha até o final desta semana. Ele vai conversar separadamente com cada um dos sorteados antes de tomar uma decisão.
Quando escolhido, o relator terá 10 dias para apresentar um parecer prévio e um prazo total de 90 dias para analisar o processo.
Araújo disse que a principal prerrogativa para a escolha será a isenção e o “desejo de fazer justiça”. Ele afirmou que o fato de os três parlamentares pertencerem a partidos da base governista não causará nenhum problema no tramite do processo.
O presidente do Conselho ressaltou que o caso tem grande repercussão e que o Conselho de Ética precisa dar uma “resposta ao Brasil”.
— Eu tenho certeza que todos os três têm condições de ser relator. Não tenho a menor dúvida disso. Mas eu vou escolher dentro daquele que eu entender que está mais preparado ao meu ver para desempenhar essa função.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) decidiu não participar do sorteio por ter disputado a Presidência da Câmara com Cunha em fevereiro deste ano. Os deputados Mauro Lopes (PMDB-MG) e Washington Washington Reis (PMDB-RJ) também foram excluídos do sorteio por serem do mesmo partido de Cunha. 
No dia 13 de outubro, o PSOL e a Rede Sustentabilidade protocolaram pedido de cassação do mandato de Cunha argumentando que ele mentiu durante depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras ao afirmar que não mantinha contas bancárias no exterior.
No entanto, a PGR confirmou a existência de ativos na Suíça em nome do deputado e de familiares dele. O valor total seria perto de US$ 5 milhões (pouco mais de R$ 20 milhões segundo a cotação atual do dólar).
Em agosto, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou pedido de abertura de inquérito contra Cunha no STF (Supremo Tribunal Federal) por lavagem de dinheiro e corrupção passiva por suposto envolvimento nos crimes investigados pela Operação Lava Jato.
Em julho, o lobista Júlio Camargo afirmou que que Cunha recebeu US$ 5 milhões por contratos de aluguel de navios-sonda da Petrobras. O valor foi confirmado em setembro durante delação premiada por Fernando Baiano, operador do PMDB (partido de Cunha) no esquema investigado na Operação Lava Jato.
O parlamentar nega todas as acusações e diz estar sendo vítima de perseguição pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Polêmica
O Conselho também irá analisar duas representações contra os deputados Alberto Fraga (DEM-DF) e Roberto Freire (PPS-SP). Em maio deste ano, durante um bate-boca no plenário envolvendo Freire, Orlando Silva (PCdoB-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Fraga usou o microfone da Casa para dizer que "mulher que participa da política e bate como homem tem que apanhar como homem também".
No pedido de cassação do mandato de Fraga, os deputados sorteados para serem eventuais relatores foram Whashington Reis (PMDB-RJ), Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS). No caso, de Freire os parlamentares que poderão ser relatores são Paulo Azi (DEM-BA), Vinicius Gurgel (PR-AP) e Léo de Brito (PT-AC).


R7. Com