Mostrando postagens com marcador isolados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador isolados. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cinco municípios atingidos pela cheia dos rios do Amazonas ganham hospitais flutuantes

O modelo de unidade fluvial de atendimento deve ser replicado nas próximas semanas para Caapiranga, Barreirinha, Anori e Careiro da Várzea

A medida é uma orientação do governador Omar Aziz para garantir os atendimentos na área de saúde no período de cheia
A medida é uma orientação do governador Omar Aziz para garantir os atendimentos na área de saúde no período de cheia (ROBERTO CARLOS-AGECOM)

O Governo do Amazonas vai instalar hospitais flutuantes em cinco municípios do interior que estão com as unidades de saúde locais isoladas por causa da cheia. O modelo de unidade fluvial de atendimento, já em funcionamento no município de Anamã, deve ser replicado nas próximas semanas para Caapiranga, Barreirinha, Anori e Careiro da Várzea.

Durante o fim de semana, uma comitiva da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) visitou os municípios de Anori e Anamã para avaliar o impacto da cheia nos serviços de saúde e acompanhar o plano emergencial que vai assegurar o atendimento nos próximos três meses. Em Anamã, a cheia deixou toda a cidade submersa. Cerca de 10 mil famílias enfrentam o isolamento e improvisam para se adaptar à vida sob as águas, segundo levantamento a prefeitura municipal.
Em Anori, no médio solimões, o nível do rio subiu tanto que metade da cidade está alagada. Na casa do agricultor José Castro, localizada na parte central da cidade, uma das mais altas, a invasão da água é uma ameaça iminente. Ele conta que ninguém estava preparado para uma cheia tão intensa. “Foi uma surpresa para nós porque no ano passado, em um tempo
desse, o rio tava muito mais baixo”, disse.

A água já está na porta do hospital do município e o acesso à unidade só é possível por meio de pontes de madeira improvisadas, o que põe em risco o atendimento a população. Na rua onde fica o posto de saúde mantido pelo Governo do Estado, a água também já começa a dar sinais.
Para fugir da água, a população improvisa suspendendo o piso das casas, mas o nível da água continua subindo, o que causa preocupação. “Aparecem muitos bichos, cobras, até aquele barbeiro eu já vi aqui dentro de casa. A gente fica nervosa em cima dessa água. Eu até disse para o meu marido para a gente ir embora para Manaus”, disse a dona de casa Laura de Souza.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Moradores de Anamã aguardam liberação de recursos do Governo do Amazonas

Sem acesso a serviços básicos, com 100% de ruas alagadas, as aulas das 33 escolas das redes municipal e estadual (zonas rural e urbana) foram suspensas

Segundo comissão de assistência integrada à enchente, criada em março, mil famílias necessitam de canoa própria, mas apenas 60 serão distribuídas via sorteio
Segundo comissão de assistência integrada à enchente, criada em março, mil famílias necessitam de canoa própria, mas apenas 60 serão distribuídas via sorteio (Alexandre Fonseca)

Município do Amazonas mais impactado pela enchente de 2012 da bacia amazônica, Anamã é reflexo da desolação. Todas as ruas estão inundadas, sem exceção. O que se vê são famílias presas em suas residências (muitas delas com novos assoalhos erguidos, pois as casas foram alagadas), muitas casas abandonadas, animais perdidos e muitos serviços básicos paralisados.
Para se deslocar, apenas em canoas. Às 19h, não se vê mais viv’alma nas ruas alagadas. As únicas que se divertem são as crianças, que aproveitam para pular n´água, brincar até tarde e contribuir para o aumento de casos de virose, diarreia e vômito.
As aulas das 33 escolas das redes municipal e estadual (zonas rural e urbana) foram suspensas. Elas retornam quando as águas baixarem, o que pode ocorrer somente no meio do ano. Um cronograma letivo já vem sendo elaborado.
Apenas o hospital municipal, um dos poucos imóveis ainda não atingidos pela água, continua funcionando. A previsão, contudo, é que em menos de 15 dias o prédio seja desativado, já que o nível do rio continua subindo. A prefeitura aguarda para esta semana ainda a chegada de uma balsa hospitalar enviada pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam), para onde os atendimentos serão transferidos.
Várzea
Localizado na confluência dos rios Solimões e Purus, em uma área de várzea, Anamã tem como característica a sua topografia alagadiça. É o município que mais sofre com as cheias de grande magnitude no Estado do Amazonas. Em 2009, ano da maior cheia em 100 anos, ficou debaixo d´água, isolado e, assim com em 2012, teve toda sua economia prejudicada.
Relatos de agricultores ouvidos pela reportagem – confirmados pelos gestores públicos do município – apontam a perda de toda a produção agrícola. Plantações de mandioca, melancia, macaxeira, banana foi destruída pela chegada “inesperada” (segundo os moradores). Muitos produtores de juta e malva também perderam sua produção. Também há relatos de que os animais (sobretudo pequenos rebanhos) estão morrendo porque as marombas onde ficam durante este período não estão suportando.
Na zona rural, a cheia atingiu 28 comunidades. Mais de 100 casas estão inundadas. As famílias, aguardando auxilio. Na zona urbana, 100% das residências estão atingidas. Um barco com capacidade para receber 50 famílias já está alojando oito. Dois ginásios cobertos estão preparados para abrigar outras famílias.
Segundo o coordenador geral da comissão integrada de assistência à enchente de 2012, criada em março, José Luiz Batista da Costa, até o momento a prefeitura já distribuiu 500 dúzias de tábuas para aproximadamente 250 famílias construírem seus assoalhos.
Uma das maiores queixas das famílias ouvidas pela reportagem é o isolamento e falta de transporte para o deslocamento – na maioria dos casos, canoas que podem transitar nas ruas. Segundo Costa, aproximadamente mil famílias da sede do município necessitam de canoa própria, mas a prefeitura pode disponibilizar apenas 60.
A distribuição deverá ocorrer nos próximos dias por meio de sorteio.
Ajuda
A principal expectativa da prefeitura é a liberação prometida pelo governo do Estado do cartão SOS Enchente, cujo valor é estimado em R$ 400. O levantamento parcial indica que 4 mil famílias precisarão ser atendidas com este cartão. A lista dos necessitados ainda será repassada ao governo, mas a prefeitura já aguarda a confirmação dos recursos, segundo Laércio de Souza Bitencourt, vice-presidente da defesa civil do município.
“O tamanho dessa cheia de 2012 que estamos vivendo em abril veio somente em maio em 2009. A gente não estava esperando tão cedo. Soubemos até que ela pode ultrapassar a daquele ano”, disse Laércio.
Presos
A enchente em Anamã provoca cenas inusitadas. Uma delas foi identificada na delegacia do município, onde 13 presos dividem duas celas. A delegacia, que é de alvenaria, recebeu três andares de novos assoalhos de madeira para que os detentos não sejam afetados. O município não tem como fazer a transferência dos presos.
Nesta quarta-feira, a reportagem presenciou dois presos já julgados tomando conta da delegacia enquanto os policiais faziam a ronda pelas ruas (de barco) pelas ruas e entorno do município. Um deles, Antônio Caetano de Souza Filho, 57, disse que a vigilância é feita de forma alternada. A reportagem não teve acesso às celas com outros presos porque elas estavam trancadas. Ele afirmou que não tinha a pretensão de fugir porque não tem para onde ir e sua família mora em Anamã.
Mudança
A cheia de grande magnitude como promete ser a de 2012 causou surpresa até mesmo em que já está acostumado com o ciclo hidrológico do Amazonas. O agricultor Ovídio Cordeiro Souza, 79, falou que não esperava uma segunda grande cheia em apenas três anos.
“Estamos atravessando uma época diferente. Tudo está mudado. Aí para fora as coisas estão mudando. Ou o sol está muito baixo ou a terra está muito alta. Eu nunca tinha atravessado uma época como essa”, comentou.
Adaptação
Elevado à categoria de município há 30 anos, Anamã é fruto de famílias que migraram de diferentes áreas do Estado do Amazonas. Muitas pessoas entrevistadas se disseram provenientes das calhas do Juruá ou do Purus. Curiosamente, sua localidade não foi uma das melhores escolhas, embora o motivo não se sabe ao certo.
O superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, conta que Anamã foi fundada nesta região porque deveria ou deve haver alguma vantagem. Seja por causa de algum recurso natural ou pela localização estratégica.
Diante da perspectiva de novos eventos climáticos extremos na região, ele recomenda que o município e sua população se adaptem. Para ele, a cidade deveria dispor de uma infra-estrutura urbana adaptada às condições de cheias e vazantes, como a instalação de poços tubulares que não sejam submersos no período da enchente, nem sequem ou tenha água fora dos padrões de potabilidade.
“Os equipamentos públicos como escolas, postos de saúde, entre outros, também devem ser construídos em palafitas que não alaguem nas cheias. Moradias que flutuem mas permaneçam ancoradas no mesmo local também podem ser alternativas. Penso que uma mudança de sede só mesmo em casos sem solução”, comentou.
Localidade
A transferência da sede para outra localidade já vem sendo sinalizada pelo prefeito Gecimar Pinheiro. Ele conta que, em 2009, quando era vereador (ele assumiu o cargo recentemente, após o prefeito anterior ser cassado), sugeriu essa possibilidade, aparentemente impraticável, em uma audiência pública.
Pinheiro sugere a expansão e a transferência paulatina para uma área localizada a três quilômetros da atua sede do município. “Fica do outro lado onde tem um paraná, que facilitaria o acesso. Poderíamos reconstruir a parte administrativa e depois a transferência ia acontecendo. Se continuar onde está a cidade vai continuar recebendo esse impacto sempre”, comentou.
Picadas
Com a subida do rio, o número de pessoas picadas por cobra e arraia atendidas no hospital aumentou, segundo a diretora da unidade de saúde, Silvane de Aguiar. No entanto, os casos mais comuns ainda não são virose e diarreia.

ELAÍZE FARIAS

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Município de Itacoatiara (AM) pode ficar isolado por conta da cheia dos rios no Amazonas

Itacoatiara corre o risco de perder comunicação com Manaus devido à terreno que começa a ceder e compromete ponte

Festa com atrações nacionais em comemoração ao aniversário da cidade foi cancelada, por conta das ruas alagadas
Festa com atrações nacionais em comemoração ao aniversário da cidade foi cancelada, por conta das ruas alagadas (Euzivaldo Queiroz)

A um dia de comemorar 138 anos, o Município de Itacoatiara (a 170 quilômetros da capital em linha reta) corre o risco de ficar isolado. Um terreno localizado na cabeceira da ponte da Poranga, situada no km 265 da rodovia AM-010, está cedendo devido ao aumento do volume das cheias e à forte correnteza do rio Amazonas. Para piorar a situação, uma chuva de duas horas, na manhã dessa segunda-feira (23), provocou mais inundações na cidade. A festa com atrações nacionais foi cancelada.
Moradores disseram que o problema da cabeceira da ponte é antigo. “Na cheia do ano passado aconteceu algo parecido, a prefeitura começou a aterrar, mas não resolveu nada”, disse a dona de casa Karla Viana. Ainda conforme eles, o local em que foi construída a ponte era uma área de charco e foi aterrada.
O prefeito Antônio Peixoto (PT) afirmou que “não há prefeitura no mundo que consiga atender a contento” à população. “Estamos trabalhando no limite para atender todas as demandas. Nenhuma família foi abrigada até o momento, porque elas preferiram ir a casas de familiares, mas temos locais de abrigo”. Ainda conforme Peixoto, uma equipe da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) fará, nesta terça (24), um levantamento no local da ponte da Poranga.
De acordo com a Comissão de Defesa Civil do Município de Itacoatiara, existem aproximadamente 15 pontos de alagação na cidade e aproximadamente 5 mil famílias afetadas. “Já foram construídas pontes, passarelas. Mas, desde a última sexta-feira, as águas estão subindo muito rápido”, disse o coordenador Joaquim Martins. Ele contou também que um possível isolamento do município, pressupõe um efeito negativo para outras cidades. “Itacoatiara é uma rota bastante utilizada para municípios do Baixo e Médio Amazonas, e de outros Estados, como Santarém e Macapá, porque você economiza tempo no transporte de pessoas e cargas. Então, os prejuízos seriam incalculáveis”, destacou.
Conforme o radialista Rui Costa, que reside no município, a população liga para os programas pedindo ajuda da prefeitura e não é atendida. “Não apenas o meu programa recebe reclamações, mas toda a rádio. A população reclama de buracos, da falta de água e iluminação pública, e da falta de pontes de madeiras nos bairros afetados”, contou.
De acordo com o prefeito Antônio Peixoto (PT), o feriado de Tiradentes, que caiu no sábado, 21, atrasou o fornecimento de madeiras para a construção de pontes no município, conforme reivindicação da população. “Eu contratei mais de 15 homens em regime de emergência para acelerar os trabalhos das pontes”, explicou.
Segundo o Porto de Itacoatiara, faltam apenas 0,65 centímetros para que o nível da água alcance a máxima de 2009, que foi de 15,02 metros. “Hoje (ontem), a cota do rio alcançou o nível de 14,37 metros. Em 2009, neste mesmo dia, foi de 14,36 metros”, destacou o controlador de carga do porto, Fernando Nelson.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Município de Itacoatiara (AM) pode ficar isolado por conta da cheia dos rios no Amazonas

Itacoatiara corre o risco de perder comunicação com Manaus devido à terreno que começa a ceder e compromete ponte

Festa com atrações nacionais em comemoração ao aniversário da cidade foi cancelada, por conta das ruas alagadas
Festa com atrações nacionais em comemoração ao aniversário da cidade foi cancelada, por conta das ruas alagadas (Euzivaldo Queiroz)

A um dia de comemorar 138 anos, o Município de Itacoatiara (a 170 quilômetros da capital em linha reta) corre o risco de ficar isolado. Um terreno localizado na cabeceira da ponte da Poranga, situada no km 265 da rodovia AM-010, está cedendo devido ao aumento do volume das cheias e à forte correnteza do rio Amazonas. Para piorar a situação, uma chuva de duas horas, na manhã dessa segunda-feira (23), provocou mais inundações na cidade. A festa com atrações nacionais foi cancelada.
Moradores disseram que o problema da cabeceira da ponte é antigo. “Na cheia do ano passado aconteceu algo parecido, a prefeitura começou a aterrar, mas não resolveu nada”, disse a dona de casa Karla Viana. Ainda conforme eles, o local em que foi construída a ponte era uma área de charco e foi aterrada.
O prefeito Antônio Peixoto (PT) afirmou que “não há prefeitura no mundo que consiga atender a contento” à população. “Estamos trabalhando no limite para atender todas as demandas. Nenhuma família foi abrigada até o momento, porque elas preferiram ir a casas de familiares, mas temos locais de abrigo”. Ainda conforme Peixoto, uma equipe da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) fará, nesta terça (24), um levantamento no local da ponte da Poranga.
De acordo com a Comissão de Defesa Civil do Município de Itacoatiara, existem aproximadamente 15 pontos de alagação na cidade e aproximadamente 5 mil famílias afetadas. “Já foram construídas pontes, passarelas. Mas, desde a última sexta-feira, as águas estão subindo muito rápido”, disse o coordenador Joaquim Martins. Ele contou também que um possível isolamento do município, pressupõe um efeito negativo para outras cidades. “Itacoatiara é uma rota bastante utilizada para municípios do Baixo e Médio Amazonas, e de outros Estados, como Santarém e Macapá, porque você economiza tempo no transporte de pessoas e cargas. Então, os prejuízos seriam incalculáveis”, destacou.
Conforme o radialista Rui Costa, que reside no município, a população liga para os programas pedindo ajuda da prefeitura e não é atendida. “Não apenas o meu programa recebe reclamações, mas toda a rádio. A população reclama de buracos, da falta de água e iluminação pública, e da falta de pontes de madeiras nos bairros afetados”, contou.
De acordo com o prefeito Antônio Peixoto (PT), o feriado de Tiradentes, que caiu no sábado, 21, atrasou o fornecimento de madeiras para a construção de pontes no município, conforme reivindicação da população. “Eu contratei mais de 15 homens em regime de emergência para acelerar os trabalhos das pontes”, explicou.
Segundo o Porto de Itacoatiara, faltam apenas 0,65 centímetros para que o nível da água alcance a máxima de 2009, que foi de 15,02 metros. “Hoje (ontem), a cota do rio alcançou o nível de 14,37 metros. Em 2009, neste mesmo dia, foi de 14,36 metros”, destacou o controlador de carga do porto, Fernando Nelson.

MILTON DE OLIVEIRA