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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PSB anuncia apoio a José Melo no 2º turno das eleições no AM; Marcelo Ramos não se envolve

Serafim Corrêa, presidente do PSB no Amazonas, declarou apoio à José Melo no 2º turno das eleições. Candidato derrotado do PSB ao cargo de governador, Marcelo Ramos, não compareceu à reunião 

Anúncio contou com membros do partido PSB (J. Renato Queiroz)



Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (8), os dirigentes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) declararam apoio à candidatura de José Melo (Pros) para cargo de governador no 2º turno das eleições do Amazonas. Marcelo Ramos, candidato do PSB ao Governo derrotado no 1º turno, não compareceu à reunião, o que confirma o não envolvimento dele no pleito.

Conforme adiantado na coluna SIM & NÃO do jornal A CRÍTICA desta terça (8), a cúpula o PSB Amazonas confirmou apoio à coligação “Fazendo Mais por Nossa Gente”, de Melo e Omar Aziz (PSD), após conversas com interlocutores tanto de Melo quanto do também candidato ao 2º turno, Eduardo Braga (PMDB). A decisão de se opor a Braga veio do presidente do PSB, Serafim Corrêa.
Conforme socialistas ouvidos pela coluna SIM & NÃO, o apoio a Melo teve como peso principal o fato de Eduardo Braga ter atacado Serafim e a gestão dele a frente da Prefeitura de Manaus durante dois debates eleitorais em emissoras de TV. Além disso, segundo membros do PSB, há mágoa quanto ao péssimo tratamento que Braga, na época governador, deu à gestão de Serafim.

O anúncio de apoio do PSB no 2º turno, na manhã desta quarta (8), contou com a presença de Serafim Corrêa e José Melo, além de Omar Aziz, do vereador do PSB Elias Emanuel e do candidato derrotado ao Senado pelo PSB, Marcelo Serafim. A ausência de Marcelo Ramos confirmou a promessa dele de não se envolver no 2º turno das eleições.
Em nota oficial divulgada terça (7), Ramos descartou qualquer apoio dele a Melo ou a Braga. “Não farei campanha e não irei às ruas”, disse, afirmando que não subirá em palanque e que será oposição à quem for eleito governador. “Não terei cargos e não me interessam alianças com o próximo governo, quem quer que seja”, disse o deputado estadual.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cheia dos rios no AM é usada como palanque eleitoral

Sofrimento de moradores de bairros como Raiz e Glória - atingidos pela cheia em Manaus - é prato cheio para políticos

A chuva não afasta parlamentares de seus eleitores. Na foto, deputados federais Carlos Souza e Silas Câmara, e os estaduais: Ricardo Nicolau e Belarmino Lins
A chuva não afasta parlamentares de seus eleitores. Na foto, deputados federais Carlos Souza e Silas Câmara, e os estaduais: Ricardo Nicolau e Belarmino Lins ( Ney Mendes)

O governador Omar Aziz (PSD), durante visita às áreas alagadas em Manaus, adiantou-se em defender que a ação não deveria ser vista como eleitoreira. Mas o que se viu durante e depois do “ato de solidariedade” foi um show de exploração da desgraça alheia por parte dos políticos que integravam a comitiva.
Na manhã seguinte à visita do último dia 3, pipocavam nos sites pessoais dos políticos e nos dos poderes Executivo e Legislativo, do Estado e do Município de Manaus, fotos e textos publicitários explorando, prioritariamente, a presença dos integrantes da comitiva nas áreas alagadas. E com a versão da desgraça que mais lhes promovia.
A visita aos alagados de Manaus foi organizada pelo governador Omar Aziz (PSD). Mas quem acessou no dia 4 o site da Câmara Municipal de Manaus (CMM) - www.cmm.am.gov.br - teve a impressão que foi o presidente da Casa, vereador Isaac Tayah (PSD), que levou o governador para as áreas alagadas.

Governador Omar Aziz conversa com populares (Foto: Ney Mendes)

A principal notícia do endereço garantia: “Tayah comanda campanha para ajudar vítimas da enchente”. As fotos mostravam Omar Aziz em segundo plano. Em uma das cinco imagens que ilustravam a matéria, o governador caminha de cabeça baixa, como se ouvisse orientações do presidente da Câmara Municipal de Manaus.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Ricardo Nicolau (PSD), também “tirou uma casquinha” da visita. No dia 3, a matéria de destaque no site da Casa (www.aleam.gov.br) era: “Legislativo garante apoio a medidas do Estado a vítimas da cheia em Manaus”. No dia seguinte: “Parlamentares retomam visitas a áreas alagadas de Manaus e reafirmam apoio”.
Mas, ao contrário do presidente da CMM, Ricardo Nicolau até aceitou aparecer nas fotos em segundo plano. Porém, na imagem que ilustrava o site da ALE-AM, o parlamentar se esforça, no mínimo, para ser flagrado fazendo os mesmos gestos do governador.
 O líder da maioria do governo na ALE-AM, deputado Chico Preto (PSD), também aproveitou sua aparição na visita às vítimas da cheia em Manaus para turbinar seu site pessoal. No dia 2, a página destacava: “Chico Preto visita áreas afetadas pela cheia em Manaus”. E no dia 3: “Chico Preto acompanha governador durante visita a áreas atingidas pela cheia em Manaus”.

Sabino Castelo Branco também comandou as visitas (Foto: Ney Mendes)

 Com o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Sabino Castelo Branco (PTB) foi o integrante da comitiva que mais chamou atenção. Enquanto todos os políticos acompanhavam o governador pelas pontes, o deputado cassado levantou a calça até o joelho, desgrudou-se de Omar e se exibiu caminhando na água.
Após visita, só o nível das águas mudou
Na manhã do último sábado, a única coisa que tinha mudado nas áreas alagadas, após a visita dos políticos, foi o nível do rio Negro, que continua subindo.  Nos bairros Raiz (zona Centro-Sul) e Glória (zona Oeste), parte dos moradores aguardava os kits de madeira prometidos pelo governador Omar Aziz (PSD).
Na Raiz, enquanto os moradores esperavam com uma pulga atrás da orelha o cumprimento das promessas dos dias anteriores (ver ‘Voz das ruas’), equipes da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado esbarravam umas nas outras atualizando e fazendo novos cadastros sociais.
Durante as visitas, o discurso dos políticos era de que estavam diante de uma tragédia impossível de prever. O argumento irrita quem mora há décadas em áreas atingidas pela cheia anualmente. “Não é a primeira e nem vai ser a última enchente. Para isso eles têm parâmetros e previsão do tempo. Por que deixam chegar a esse ponto?”, indaga Francinilson da Silva, 47, morador da Glória.


LÚCIO PINHEIRO