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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Assembleia entrega comenda da Ordem do Mérito Legislativo do Amazonas a 24 personalidades, nesta quinta-feira

A Ordem do Mérito Legislativo foi instituída nos termos da Resolução Legislativa 

(Foto: Aleam) O Deputado Esdual Francisco Souza do PSC, também estará presente nas entregas das medalhas



A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realiza nesta quinta-feira (10), a partir das 17h, a cerimônia de entrega das comendas “Ordem do Mérito Legislativo”, na qual 24 personalidades da sociedade brasileira serão homenageadas por seus trabalhos e serviços oferecidos ao país.

A Ordem do Mérito Legislativo foi instituída nos termos da Resolução Legislativa nº 319, de 14 de agosto de 2002, e é concedida a chefes de Estado e de governo, políticos, magistrados, membros do Ministério Público, militares, diplomatas, professores, cientistas, escritores, servidores públicos, desportistas e outras personalidades pelos respectivos e relevantes serviços vinculados ao cumprimento do interesse público.

Cada deputado estadual indica um homenageado, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa mais e o Conselho da Ordem da Medalha, outro. Como dois deputados não apontaram nenhuma personalidade a ser homenageada, serão entregues 24 medalhas, nesta quinta, no auditório Belarmino Lins, na sede da Aleam.

Confira aqui a lista dos homenageados:


Homenageado
DEPUTADO
Secretária da AADES Ana Paula Machado de Aguiar
Francisco Souza
Procuradora de Justiça Antonina Couto do Vale
Wanderley Dallas
Ex-prefeito de Parintins
Benedito de Jesus Azedo
Serafim Corrêa
Padre Celestino Ceretta (N. Sra. Fátima)
José Ricardo
Cel. PM James Frota Lobato
Abdala Fraxe
Atleta de fisioculturismo Daniely de Souza Castilho
David Almeida
General Ex. Eduardo Villas Boas
Alessandra Campêlo
Cabo PM Erivam Garcia Reis
Sinésio Campos
Prefeito de Urucará Felipe Antônio
Belarmino Lins
Geólogo José Jacob Fanton
Sabá Reis
Médico Jefferson Martins Holanda
Josué Neto
Juiz Jomar Fernandes
Bosco Saraiva
Geólogo Laene Conceição Gadelha
Cabo Maciel
Major PM Raimundo Orleans Neves – Diretor de Segurança da Aleam
Mesa Diretora
Conselheiro do TCE Mário Mello
Conselho da Ordem
Pastor Rui Alves Souza Júnior
Carlos Alberto
Ouvidora geral Zanele Rocha Teixeira
Ricardo Nicolau
Ginecologista Zélia Campos
Luiz Castro

Pedro Florêncio Filho
Dr. Gomes
Dep. Federal Jair Bolsonaro
Platiny Soares
Raimundo Ferreira Conde – coordenador da SEduc/Manacapuru
Orlando Cidade
Empresária Ana Maria Melo (Tropical Multiloja)
Augusto Ferraz
Reitor UEA Cleinaldo de Almeida Costa
Adjuto Afonso
Artista plástico Jair Mendes
Bi Garcia


Com Informação da Assessoria 

domingo, 22 de novembro de 2015

Três parlamentares do Amazonas respondem a ações no STF

Políticos da bancada amazonense aguardam desdobramentos de ações que tramitam em desfavor deles no Supremo Tribunal Federal. Eles se dizem tranquilos quanto ao resultado das ações



Alfredo Nascimento, Silas Câmara e Vanessa Grazziotin (Divulgação e Arquivo AC)



O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizou, esta semana, a abertura de inquérito (3.700) contra o deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM) que já responde ao Inquérito nº 3.694 e à Ação Cível Originária nº 1286, todas relacionados ao período que o parlamentar exerceu o cargo de Ministro dos Transportes (2004-2011). Ele também é réu na Ação Penal nº 960 sobre suposto crime eleitoral.
Mas, não é somente o deputado Alfredo Nascimento, do Amazonas, que enfrenta processo no STF. Além dele, o deputado Silas Câmara (PSD-AM) é réu nas Ações Penais 579 e 864 e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)  é investigada no Inquérito 3.368 por crimes eleitorais.
Empresas fantasmas
O Inquérito 3.700, contra Alfredo, apura a contratação das empresas Alvorada Comercial e Serviços e TechMix apontadas como fantasmas. Elas teriam contratos com Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec (estatal federal que cuida de ferrovias). O Inquérito 3.694 investiga supostas irregularidades envolvendo a empresa SC Transportes e Navegação, cujo sócio, Marcílio Carvalho, é casado com Maria Auxiliadora Dias Carvalho, na época superintendente do Dnit no Amazonas. Segundo a PGR, a empresa recebeu grandes quantias do Fundo da Marinha Mercante, por isso, pediu a instauração do inquérito para apurar o envolvimento de Alfredo Nascimento que teria liberado a verba quando Ministro dos Transportes.  
Na Ação Cível Originária (ACO) nº 1.286, ele é investigado juntamente à União, ao Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e ao Estado do Rio Grande do Sul por problemas nas obras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (Uri) – campus de Santiago. A ação tramita no STF deste novembro de 2008.
A Ação Penal 960 apura a acusação de falsidade ideológica por Alfredo Nascimento não ter prestado contas de despesas recebidas na campanha eleitoral de 2006, quando se elegeu senador. A defesa rebateu as acusações em embargo de declaração, mas foi negado pelos ministros do STF. 
Outro lado
O parlamentar diz que o resultado final dessa ação penal será o mesmo que teve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) onde foi absolvido por 6x1. “Estou muito feliz que o Supremo Tribunal Federal tenha aberto investigação e esteja apurando todas essas questões de casos até quando não estava mais no Ministério dos Transportes. Reitero o que já tenho dito: não tenho nada com essas supostas irregularidades.
Ao final de todas as investigações e diligências, os ministros do STF vão verificar que não tive nenhuma participação em qualquer mal feito que se tenha cometido. Estou muito tranquilo com relação a essas investigações”, declarou o deputado Alfredo Nascimento.
Silas responde ação por falsidade ideológica
Na Ação Penal 864, o deputado Silas Câmara está sendo processado por crime de peculato. O STF investiga suposto desvio de recursos públicos por parte do parlamentar, acusado de receber parte ou a totalidade dos salários dos assessores de seu gabinete entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001.
Ele mantinha em seu gabinete dois servidores que também trabalhavam na Assembléia Legislativa do Estado (ALE-AM) e ainda teria nomeado como secretários parlamentares, naquele período, três empregados de sua casa: a cozinheira, o motorista e o jardineiro. Foi quebrado o sigilo bancário do deputado e de 34 funcionários dele. Os depósitos totalizaram R$ 78.414.
A conta de Silas Câmara também recebeu depósito, em dinheiro, no valor de R$ 52.934,93. “Assim agindo, Silas Câmara praticou peculato à medida que se valeu do cargo de deputado federal para desviar, em proveito próprio, recursos públicos da Câmara dos Deputados”, disse o ministro-relator Joaquim Barbosa, em seu voto pela abertura da ação penal em março de 2010.
Na AP 579, o STF apura denúncia em relação à falsidade ideológica e ao uso de documento falso. No parecer do Ministério Público disse que a carteira de identidade apontada como falsa, da qual Silas Câmara era portador, foi usada para fazer procuração e alterar contrato social de uma empresa.
Com a aposentadoria de Joaquim Barbosa, a relatoria das duas ações penais está com ministro Luís Roberto Barroso. O deputado disse ontem estar tranquilo com relação ao julgamento das ações porque é inocente.
A defesa dele tem usado todos os mecanismos para descaracterizar as denúncias, mas, os ministros do STF têm rejeitado os embargos de Silas Câmara.
Apreensão de dinheiro na campanha de Vanessa
O Inquérito 3.368, que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) responde no STF, apura crimes eleitorais. Durante a campanha para o Senado, em 2010, R$ 88 mil foram apreendidos em poder do presidente da Câmara Municipal de Amaturá.
Junto com o dinheiro, havia material de campanha de Vanessa. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, há indícios de que a verba seria usada para compra de votos. A defesa da senadora alegou que o Ministério Público Eleitoral não verificou a autoria de qualquer delito por parte da então candidata.
O MP recorreu da decisão do juiz eleitoral de enviar o processo ao STF, pois a simples apreensão de material em seu comitê seria insuficiente para responsabilizá-la criminalmente.
A assessoria de Vanessa Grazziotin explicou, em nota, que o inquérito 3.368 se refere à autuação de materiais de campanha em um comitê nas eleições de 2010. O morador do local, afirmou que ali também funcionava um comitê de campanha, apesar de nunca ter funcionado ou ter sido reconhecido como tal.
A justiça eleitoral do Amazonas entendeu que o foro adequado para este tema é o STF, devido ao foro privilegiado de senadora. O procurador-geral resolveu solicitar ao Supremo a realização de diligências, pois a denúncia carece de elementos para abertura de inquérito.
“A motivação ideológica da denúncia é clara, pois ela foi emulada pelo ex-senador que perdeu o pleito (Artur Virgílio Neto) e se recusou a aceitar o resultado das urnas. Nós temos tranquilidade que o inquérito irá corroborar os fatos vistos e acompanhados pelo povo e pela imprensa amazonense”, diz a nota da assessoria da senadora Vanessa Grazziotin.
Nomes no sistema
Embora nada tenham contra si no âmbito do STF - porque os inquéritos, ações penais, recursos, petições, mandados de segurança e habeas corpus foram arquivados por julgamento ou preclusão - os nomes dos deputados Átila Lins, Hissa Abrahão, Pauderney Avelino e dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga (licenciado) ainda constam do sistema de consultas do STF. As exceções são os deputados federais Arthur Bisneto (PSDB-AM), Conceição Sampaio (PP-AM), Marcos Rotta (PMDB-AM) e a senadora Sandra Braga (PMDB-AM) que não aparecem nos registros do Supremo.

Antônio Paulo 


quinta-feira, 7 de março de 2013

Comitê da Verdade do AM pressiona investigação de crimes contra waimiri-atroari

Segundo relatório do CVMJ enviado para a Comissão Nacional da Verdade, aproximadamente dois mil indígenas no Amazonas foram mortos durante ditadura militar



Desde o início de 2011, Schwade passou a divulgar uma série de artigos em seu blog http://urubui.blogspot.com.br sobre os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari
Desde o início de 2011, Schwade passou a divulgar uma série de artigos em seu blog http://urubui.blogspot.com.br sobre os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari


Preocupada com as dificuldades que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) vem encontrando para iniciar as investigações de crimes praticados contra os índios waimiri-atroari durante a ditadura militar, o Comitê da Verdade, Memória e Justiça (CVMJ) do Amazonas vai marcar uma ampla reunião em Brasília para discutir o assunto. A decisão foi tomada na semana passada pelo Comitê. A data da reunião ainda não foi marcada.
Um documento expondo as razões da decisão foi enviado no último final de semana a Maria Rita Kehl, membro do CNV designada para investigar as violações contra os povos indígenas durante a ditadura militar. Uma cópia também foi encaminhada para o portal acrítica.com. A proposta do CVMJ é que as lideranças waimiriaAtroari, Mário Paruwe Atroari e Viana Wome Atroari, sejam convidados e participem da reunião. Uma lista composta por indigenistas e pesquisas que já atuaram junto aos waimiri-atroari participem da reunião.

Os membros do comitê também propõem a realização de uma segunda reunião dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari para informá-los sobre a existência e o papel da Comissão Nacional da Verdade e do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas bem como do direito que eles têm de que a verdade sobre sua história seja contada.
“Estamos deveras preocupados com o andamento do trabalho da CNV com respeito ao caso waimiri-atroari. O relatório do Comitê da VMJ do Amazonas foi o primeiro Relatório Coletivo que a Comissão recebeu, conforme declaração do representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, na oportunidade da entrega na sede da OAB-Amazonas, no dia 17 de outubro de 2012, portanto, há quase meio ano. Até o momento não recebemos nenhuma informação sobre o andamento desse trabalho em especial ao necessário aprofundamento das investigações a não ser a acusação de recebimento e de que o mesmo estava sendo lido atentamente”, diz trecho do documento.
Adiamento
Conforme apurações feitas pela reportagem do portal, Maria Rita Hehl, até o momento, ainda não conseguiu confirmar junto ao Programa Waimiri-Atroari, responsável pela gestão das atividades junto a este povo, a data da visita. Inicialmente, a visita estava marcada para fevereiro, mas o coordenador do PWA, Porfírio Carvalho, apresentou as dificuldades que os indígenas teriam para organizar a vista em um prazo tão curto, segundo justificativas dadas à Maria Rita.

O coordenador da CVMJ, Egydio Schwade, disse ao portal que a reunião é uma forma de agilizar a realização da investigação das mortes dos waimiri-atroari nos anos 70. Schwade é o principal responsável pela divulgação de um massacre que teria ocorrido durante a construção da BR-174 (Manaus-Boa Vista). A rodovia atravessou o território waimiri-atroari. Ao mesmo tempo, a pressão contra os waimiri-atroari também foi causada por empreendimentos de exploração minerária.
Contatada pela reportagem, Maria Rita Kehl respondeu nesta terça-feira (06), por email, que ainda aguarda respostas do coordenador do PWA, Porfírio Carvalho a respeito de uma possível reunião inicialmente prevista para este mês. Por enquanto, segundo ela, ainda não há data para a vinda da CNV a Manaus.
“A agenda das viagens e pesquisas da CN não pode ficar atrelada aos prazos e datas dos pesquisadores das diversas regiões, “por mais que tenhamos respeito por ele, disse a psicanalista.
A ação indigenista junto aos waimiri-atroari difere de todas as outras do gênero no país. Por um acordo feito nos anos 80 com a Eletronorte durante o processo de construção da Hidrelétrica de Balbina, empreendimento que causou grandes impactos na terra dos indígenas, não é a Fundação Nacional do Índio (Funai) e sim a concessionára, por meio do PWA, a responsável pelos programas realizados junto a esta população indígena.

No mês passado, Porfírio Carvalho foi procurado pela reportagem para responder a questionamentos feitos em um artigo publicado na seção Blog deste portal. Conforme Porfírio, as notícias publicados em um jornal local sobre a visita à aldeia Yawara não eram do conhecimento das lideranças indígenas.
Conforme Porfírio, ao ser procurado por ele, as lideranças disseram que a data inicialmente marcada (8 de fevereiro) não era possível porque os indígenas estavam  “em plena atividade cultural (iniciação de 16 crianças). Nesta atividade, a maioria estava retornando às suas aldeias em caminhadas dentro da floresta com as crianças.
Como a caminhada compreendia 500 quilômetros a previsão de chegada nas aldeias era de 30 dias, aproximadamente.
Porfírio disse que explicou para Maria Rita, atendendo a um pedido de informações solicitadas por ela, que “para tratar de assunto tão relevante para os waimiri-atroari, as lideranças de todas as 30 aldeias existentes, querem participar da reunião”. Conforme Porfício, a melhor data seria no final de março, em um “local central” da TI Waimiri-Atroari, localizada na margem direita do rio Alalaú.
Leia o documento do CVMJ na íntegra:
“Proposta para o aprofundamento das investigações sobre o Genocídio dos Waimiri-Atroari
Em sua última reunião ordinária, realizada no dia 25 de fevereiro, 2ª-feira, na Sede do Sindicato dos Jornalistas em Manaus, presentes representantes de 12 entidades, o Comitê da VMJ do Amazonas, preocupado com a lentidão do andamento das investigações sobre o caso Waimiri-Atroari, formulou o seguinte documento:
No início de 1985 quando se vislumbrava novos tempos para o país, com a queda da Ditadura Militar, o então presidente da FUNAI, Gerson da Silva Alves, atendendo a reivindicação de diversos grupos (funcionários da FUNAI, acadêmicos, professores de universidades, advogados, pessoas ligadas aos movimentos populares e conhecedores da dolorosa situação a que os Waimiri-Atroari foram relegados durante a Ditadura), criou um Grupo de Estudos e de Trabalho – GT (ver anexo) que serviu em seguida de base para um grupo de ação que iniciou uma nova postura e relacionamento com este povo. Durante os dois primeiros anos, após a ditadura, esse grupo atuou com bastante liberdade na área Waimiri-Atroari. Apesar de não ser o foco do grupo pesquisar a história daquele povo indígena, foi graças a ele que se conseguiram os poucos depoimentos dos próprios Waimiri-Atroari sobre os massacres cometidos pelo governo militar. Entretanto, esse trabalho não agradou às empresas invasoras do território indígena, em especial, a Mineração Paranapanema e a Eletronorte. Certamente por preção política destas empresas, dirigentes da FUNAI e Posteriormente o Programa Waimiri-Atroari (PWA) expulsaram os atores do novo processo iniciado e que denunciavam a violência cometida contra os Waimiri-Atroari. 
Com a repercussão internacional das denúncias dos crimes que continuavam sendo cometidos contra os Waimiri-Atroari, o Banco Mundial (que financiava a construção da Hidrelétrica de Balbina) obrigou a Eletronorte a criar um plano de compensações por danos ambientais ao território indígena. O resultado foi a criação do Programa Waimiri-Atroari, que durante os últimos 25 anos (de indigenismo empresarial) atuou como único interlocutor do povo Waimiri-Atroari. Obviamente, nada mais avançou no processo de revelação dos crimes da ditadura militar e o depoimento dos índios foi interrompido. No ano passado, em nota, a Eletrobrás afirmou desconhecer os crimes cometidos contra os Waimiri-Atroari durante a ditadura, ao mesmo tempo, vem alegando que os mesmos não desejavam mais se referir a aquele tempo de sofrimento.
Agora ao findar o PWA (previsto para maio próximo), o Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas propõe: 
1º.    Realização de uma reunião em Brasília, a ser imediatamente marcada, para avaliar as causas da dificuldade de levantar os dados sobre os crimes cometidos contra os Waimiri-Atroari e pensar estratégias para que se garanta o direito a Verdade a este povo. Para esta reunião devem ser convidados os integrantes do GT de 1985, ou seja, as lideranças Waimiri-Atroari, Mário Paruwe Atroari e Viana Wome Atroari, o ex-funcionário da FUNAI, José Porfírio de Carvalho (atualmente indigenista assessor da Eletronorte), o então delegado da 1ª.DR da FUNAI, Sebastião Amâncio, @s então funcionári@s da FUNAI Egypson Nunes Correia e Ana Lange, o advogado do CIMI, Felisberto Damasceno (atualmente assessor na Câmara Federal), o indigenista do CIMI, Egydio Schwade (atualmente coordenador do Comitê pela Verdade Memória e Justiça do Amazonas e da Casa da Cultura do Urubuí) e o pesquisador do Museu Emílio Goeldi, Stephen Baines (atualmente professor da UNB). São as pessoas ainda vivas e que integraram o Grupo de Trabalho que reencaminhou a política indigenista Waimiri-Atroari em 1985, quando da queda da Ditadura. Todos, menos José Porfírio de Carvalho e Sebastião Amâncio, foram afastados da área quando da criação do Convênio FUNAI-Eletronorte que redundou no PWA, comandado desde então por José Porfírio de Carvalho. 
Além dessas pessoas sugerimos a participação de Marta Azevedo (Presidente da FUNAI), Maria Rita Kehl (CNV), Paulo Maldus (Secretaria dos Movimentos Sociais da Presidência da República), Luiza Erundina (Secretária da Comissão VMJ da Câmara Federal), Gilney Viana (Secretaria de Direitos Humanos da Pres. da República), Cleber Busatto (Secretário Executivo do CIMI), Dr. Julio José Araujo Junior, (procurador do MPF do Amazonas encarregado das questões envolvendo direitos indígenas), Gerson da Silva Alves (1º presidente da FUNAI após a ditadura militar) e outras pessoas que eventualmente fossem sugeridas. Pelo Comitê do Amazonas, participariam, além das pessoas já referidas, Wilson Reis (coordenador do Comitê da VMJ do Amazonas e presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas), Osvaldo Coelho (Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas), Francisco Loebens (do CIMI-Norte I), o Dep. Estadual José Ricardo (PT-AM). E outros que forem sugeridos.
2º.    Numa segunda etapa uma reunião igualmente ampla a ser realizada dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari para informá-los sobre a existência e o papel da Comissão Nacional da Verdade e do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas bem como do direito que eles têm de que a verdade sobre sua história seja contada.
Por fim, estamos deveras preocupados com o andamento do trabalho da CNV com respeito ao caso Waimiri-Atroari. O relatório do Comitê da VMJ do Amazonas foi o primeiro Relatório Coletivo que a Comissão recebeu, conforme declaração do representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, na oportunidade da entrega na sede da OAB-Amazonas, no dia 17 de outubro de 2012, portanto, há quase meio ano. Até o momento não recebemos nenhuma informação sobre o andamento desse trabalho em especial ao necessário aprofundamento das investigações a não ser a acusação de recebimento e de que o mesmo estava sendo lido atentamente”.


ELAÍZE FARIAS

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cheia dos rios no AM é usada como palanque eleitoral

Sofrimento de moradores de bairros como Raiz e Glória - atingidos pela cheia em Manaus - é prato cheio para políticos

A chuva não afasta parlamentares de seus eleitores. Na foto, deputados federais Carlos Souza e Silas Câmara, e os estaduais: Ricardo Nicolau e Belarmino Lins
A chuva não afasta parlamentares de seus eleitores. Na foto, deputados federais Carlos Souza e Silas Câmara, e os estaduais: Ricardo Nicolau e Belarmino Lins ( Ney Mendes)

O governador Omar Aziz (PSD), durante visita às áreas alagadas em Manaus, adiantou-se em defender que a ação não deveria ser vista como eleitoreira. Mas o que se viu durante e depois do “ato de solidariedade” foi um show de exploração da desgraça alheia por parte dos políticos que integravam a comitiva.
Na manhã seguinte à visita do último dia 3, pipocavam nos sites pessoais dos políticos e nos dos poderes Executivo e Legislativo, do Estado e do Município de Manaus, fotos e textos publicitários explorando, prioritariamente, a presença dos integrantes da comitiva nas áreas alagadas. E com a versão da desgraça que mais lhes promovia.
A visita aos alagados de Manaus foi organizada pelo governador Omar Aziz (PSD). Mas quem acessou no dia 4 o site da Câmara Municipal de Manaus (CMM) - www.cmm.am.gov.br - teve a impressão que foi o presidente da Casa, vereador Isaac Tayah (PSD), que levou o governador para as áreas alagadas.

Governador Omar Aziz conversa com populares (Foto: Ney Mendes)

A principal notícia do endereço garantia: “Tayah comanda campanha para ajudar vítimas da enchente”. As fotos mostravam Omar Aziz em segundo plano. Em uma das cinco imagens que ilustravam a matéria, o governador caminha de cabeça baixa, como se ouvisse orientações do presidente da Câmara Municipal de Manaus.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Ricardo Nicolau (PSD), também “tirou uma casquinha” da visita. No dia 3, a matéria de destaque no site da Casa (www.aleam.gov.br) era: “Legislativo garante apoio a medidas do Estado a vítimas da cheia em Manaus”. No dia seguinte: “Parlamentares retomam visitas a áreas alagadas de Manaus e reafirmam apoio”.
Mas, ao contrário do presidente da CMM, Ricardo Nicolau até aceitou aparecer nas fotos em segundo plano. Porém, na imagem que ilustrava o site da ALE-AM, o parlamentar se esforça, no mínimo, para ser flagrado fazendo os mesmos gestos do governador.
 O líder da maioria do governo na ALE-AM, deputado Chico Preto (PSD), também aproveitou sua aparição na visita às vítimas da cheia em Manaus para turbinar seu site pessoal. No dia 2, a página destacava: “Chico Preto visita áreas afetadas pela cheia em Manaus”. E no dia 3: “Chico Preto acompanha governador durante visita a áreas atingidas pela cheia em Manaus”.

Sabino Castelo Branco também comandou as visitas (Foto: Ney Mendes)

 Com o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Sabino Castelo Branco (PTB) foi o integrante da comitiva que mais chamou atenção. Enquanto todos os políticos acompanhavam o governador pelas pontes, o deputado cassado levantou a calça até o joelho, desgrudou-se de Omar e se exibiu caminhando na água.
Após visita, só o nível das águas mudou
Na manhã do último sábado, a única coisa que tinha mudado nas áreas alagadas, após a visita dos políticos, foi o nível do rio Negro, que continua subindo.  Nos bairros Raiz (zona Centro-Sul) e Glória (zona Oeste), parte dos moradores aguardava os kits de madeira prometidos pelo governador Omar Aziz (PSD).
Na Raiz, enquanto os moradores esperavam com uma pulga atrás da orelha o cumprimento das promessas dos dias anteriores (ver ‘Voz das ruas’), equipes da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado esbarravam umas nas outras atualizando e fazendo novos cadastros sociais.
Durante as visitas, o discurso dos políticos era de que estavam diante de uma tragédia impossível de prever. O argumento irrita quem mora há décadas em áreas atingidas pela cheia anualmente. “Não é a primeira e nem vai ser a última enchente. Para isso eles têm parâmetros e previsão do tempo. Por que deixam chegar a esse ponto?”, indaga Francinilson da Silva, 47, morador da Glória.


LÚCIO PINHEIRO