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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tráfico de aves corresponde a 80% das espécies de animais contrabandeados no Brasil

As aves são a maioria entre as espécies retiradas das florestas para abastecer o tráfico internacional de animais silvestres



O tráfico de animais silvestres movimenta em torno R$ 3 bilhões no Brasil, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas, e as aves estão entre os animais mais cobiçados pelas redes de contrabando (Divulgação)



As aves são o principal alvo do tráfico de animais silvestres no Brasil e correspondem a 80% das espécies contrabandeadas no “mercado negro”, que movimenta em torno R$ 3 bilhões, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas, revelou o delegado da Polícia Federal especialista em combates a crimes ambientais, Franco Perazzoni.
De acordo com ele, as aves têm a preferência dos traficantes e 90% deles são passeriformes, ou seja, os pássaros, muito procurados por sua beleza e pelo canto, o que coloca na “lista negra” espécies como o curió, canário da terra, coleiros e trinca-ferro. Os psitacídeos (maioria papagaios, seguido de jandaias, periquitos e araras) representam 6% das aves apreendidas e as demais ordens somam 4% das apreensões.
O pássaro-preto, o papagaio verdadeiro e o próprio curió, inclusive, estão na lista das espécies mais apreendidas pela Polícia Federal e pelos órgãos ambientais no País, informou Perazzoni.
Dependendo da espécie da ave o valor comercializado no mercado negro pode variar de R$ 10 - pago aos caçadores - a US$ 30 mil - valor pelo qual o animal acaba revendido, muitas vezes no exterior. Esse é o valor pago por aves utilizadas em competições de canto, exemplificou o delegado.
Outro destaque do comércio clandestino de animais silvestres é a arara-azul-de-lear, ave típica do Nordeste, em extinção, que pode chega a valer US$150 mil no mercado internacional.
De acordo com a Organização Não Governamental (ONG) Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o mercado consumidor desses animais é, principalmente o exterior, com ênfase para países europeus e asiáticos. Mas parte dessas espécies são comercializadas dentro do Brasil, seja para criação ilegal, consumo ou exploração da pele ou das penas.
Primatas e mamíferos
De acordo com o delegado Fanco Perazzoni, se os pássaros estão no topo da lista das espécies traficadas, os primatas são maioria entre as espécies apreendidas pela polícia e pelos órgãos ambientais, em todo o Brasil. Os mais comuns são: mico-estrela; macaco-prego, preguiça-de-três-dedos. Além deles, outros animais apreendidos com frequência são tamanduá-mirim, cascavel, jacaré, iguana e o cardeal, um peixe.
A busca por mamíferos atende, principalmente, o mercado de peles e couros, além das pesquisas científicas, que também utilizam aranhas e escorpiões, explicou Perazzon. As borboletas e os peixes ornamentais são outros alvos frequentes do tráfico.
Pobreza é uma base do negócio
A cadeia de contrabando internacional de animais silvestres no Amazonas tem a pobreza das populações tradicionais como uma de suas bases. A avaliação é do delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni, especialista nesse tipo de crime.
Isso porque, segundo ele, o tráfico organizado é composto por diferentes níveis hierárquicos e, na base, estão os “capturadores” de animais, normalmente ribeirinhos ou indígenas. “Nessas comunidades há um elevado grau de pobreza que, em ocas de estiagem, leva essa população a recorrer a outras formas de renda, como a venda de espécies da sua região”, explicou.
Além dos “capturadores”, o esquema de contrabando envolve desde transportadores, que são os donos de embarcações, veículos, tripulantes de aeronaves e criadouros autorizados (usados para legalizar os animais com documentos fraudulentos) até servidores públicos corruptos, lembrou Perazzoni.
Mal alimentado pelo consumo
“O tráfico existe porque tem demanda”. A frase é do superintendente substituto do Instituto brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) no Amazonas, Geandro Pantoja.
De acordo com ele, o contrabando de animais silvestres no Amazonas é estimulado pelo mercado consumidor, que não está restrito a outros Estados ou países. Aqui mesmo, no Amazonas, é grande a procura de moradores (principalmente das cidades maiores) e até restaurantes por espécies protegidas de quelônios, como tracajás e tartarugas, e peixes, como o pirarucu e a piracatinga. “Temos interceptado rotas com destino à Colômbia e à Europa, mas é preciso também que o cidadão daqui colabore”, disse.
Segundo ele, o tráfico de animais silvestres ainda é recorrente no Amazonas. “As espécies mais visadas são os quelônios, com maior intensidade nos municípios de Manacapuru e Manaus. Mas existem também as rotas internacionais de contrabando de borboletas, pássaros e peixes ornamentais”, lembrou.
Répteis

Os répteis também são alvo dos traficantes de animais silvestres. Para se ter uma ideia do valor atribuído às espécies no mercado negro, um grama de veneno de alguns tipos de cobra pode custar até cinco vezes mais que um grama de ouro, crime que se encaixa na biopirataria. Valiosos Segundo a Polícia Federal, os répteis também são procurados para criação doméstica, mercado alimentício e ainda pelo mercado de fabricação de calçados, bolsas, malas, pulseiras e outros artigos em couro.

Joana Queiroz

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Peixes-boi reabilitados no AM serão devolvidos à natureza

Seis animais chegaram à RDS Amamã com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Peixes-boi receberam atendimento e foram reabilitados


Soltura acontecerá no Lago Arati, em frente à comunidade Vila Nova do Amanã, setor Paranã do Amanã (Divulgação)

Seis peixes-boi amazônicos que estão em reabilitação serão devolvidos à natureza. Os animais estão sob os cuidados da equipe do Instituto Mamirauá e de moradores de comunidades ribeirinhas, no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, o "Centrinho", na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã (AM).
Todos os animais chegaram ao Centrinho com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Esse será o terceiro evento de soltura de peixes-boi amazônicos reabilitados, realizado pelo Instituto Mamirauá.
A soltura acontece no Lago Arati, em frente à comunidade Vila Nova do Amanã, setor Paranã do Amanã, no dia 11 de janeiro. Durante o dia estão programadas atividades nas comunidades Vila Nova do Amanã e Boa Esperança, com participação dos moradores dessas e outras comunidades da Reserva.
Os animais foram acompanhados por uma equipe formada por veterinários, oceanógrafos, educadores ambientais e técnicos, além dos comunitários que também participam e contribuem para os cuidados. Desde a chegada no Centrinho, é acompanhado o estado clínico dos animais e verificada a necessidade de cuidados especiais, no caso de ferimentos, desidratação ou doenças.



"Ao chegar no Centrinho, nossa primeira preocupação é hidratar o animal, verificar se ele está bem, avaliar o estado clínico, e oferecer a alimentação. Acompanhamos com a biometria periódica, monitorando o desenvolvimento do filhote", afirmou Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá.
Os seis espécimes, dois machos e quatro fêmeas, serão soltos na natureza por terem apresentado desenvolvimento adequado ao longo do tempo em que permaneceram no Centrinho. Após a soltura, os animais continuam sendo monitorados pelos pesquisadores em ambiente natural. É adaptado à cauda um cinto equipado com transmissor de sinais de rádio.
"Cada cinto tem uma frequência única, então conseguimos acompanhar esses animais individualmente. É o momento de verificar se eles estão se adaptando bem ou não. Saber se estão fazendo a rota migratória, se estão em local rico em alimentação, se estão juntos ou não, se estão se deslocando ou se permaneceram parados em algum local", reforça Miriam.
O último evento de soltura dos animais reabilitados pelo Instituto Mamirauá aconteceu em agosto de 2012. Na época, cinco peixes-boi foram devolvidos à natureza, sendo que quatro deles foram adaptados com cintos com radiotransmissores. Foram acompanhados durante cinco meses, até a perda de sinal do último peixe-boi monitorado. 




Piti foi o primeiro peixe-boi a chegar no Centrinho e participou da primeira soltura. No entanto, não se adaptou ao ambiente natural e precisou ser recapturado, para impedir a contínua perda de peso observada na época pelos pesquisadores. Nessa nova soltura, espera-se que ele esteja mais adaptado ao ambiente e se desenvolva bem.
O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária foi criado pelo Instituto Mamirauá em 2008, e é um criatório conservacionista autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). Há 15 anos, antes da criação do Centrinho, o Instituto Mamirauá realizou a primeira soltura de um peixe-boi reabilitado da Amazônia.
Com informações da assessoria de imprensa

 
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Onças-pintadas serão monitoradas no Amazonas

Para capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram utilizadas, espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de passagem de onças

Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado
Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado (Brandi Jo Petronio/ Instituto Mamirauá )
O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, conclui a campanha de captura de onças na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas. A campanha teve início em novembro de 2012 e se estendeu até fevereiro. Cinco onças-pintadas foram capturadas, dois machos e três fêmeas. Os animais serão monitorados por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a cada dois dias, a posição do animal.

Segundo o biólogo Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, que estuda a ecologia da onça-pintada nas florestas inundáveis de várzea da Amazônia, o principal objetivo do estudo é entender como as onças-pintadas se comportam e usam o habitat da região quando o nível da água sobe e alaga esse tipo de floresta. "Acreditamos que parte da população de onças fica nas florestas inundáveis e vive, durante um período do ano, no alto das árvores e nadando por períodos que podem ultrapassar um mês, todos os anos", afirmou o pesquisador. 

Para capturar as onças-pintadas, trinta armadilhas de laço foram utilizadas, espalhadas em sete trilhas identificadas como locais de passagem de onças. Durante a campanha, a equipe percorria, diariamente, as trilhas para verificar as armadilhas e se algum animal havia sido capturado. Ao mesmo tempo, a equipe avaliava os vestígios da presença de onças-pintadas na área, para aproximar as armadilhas dos locais onde as onças estavam andando durante a campanha.

"Os primeiros dias, antes da primeira captura, foram os mais tensos, porque algumas onças desarmaram as armadilhas sem serem capturadas, outras pularam os laços evitando a armadilha. No entanto, a primeira captura ocorreu no décimo dia de campanha, à noite", relatou o pesquisador, acrescentando que dois membros da equipe avistaram a onça no laço, em uma das trilhas mais distantes. 

Imediatamente, eles retornaram ao alojamento de pesquisa e avisaram ao restante da equipe, que se dirigiu ao local. Chegando próximo à armadilha, os pesquisadores avaliaram as condições do animal. Foi estimado seu peso para determinar a quantidade de anestésico que deveria ser administrado para conter o animal e permitir a instalação do colar. A captura desta primeira onça-pintada foi acompanhada por um pesquisador do Instituto Piagaçu-Purus, com o objetivo replicar a técnica utilizada na Reserva Mamirauá. 

O estudo desenvolvido pelo Projeto Iauaretê, também busca descrever o estado de saúde das onças-pintadas da Reserva Mamirauá por meio da coleta e análise do sangue dos animais capturados.

*Com informações da assessoria de imprensa

sábado, 2 de março de 2013

ALEAM aprova projeto de controle da população de cães no Amazonas

A garantia da vida dos animais consta nas Constituições Federal e Estadual e na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98

Os cães considerados "comunitários" também são protegidos pelo projeto de lei(Gettyimages)

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) aprovou no dia (27), projeto de lei (PL) de autoria do deputado Luiz Castro (PPS), que prevê o controle da população de cães e gatos no Amazonas. O objetivo é evitar o sacrifício indiscriminado de cães e gatos saudáveis e regulamentar a eutanásia (prática pela qual se provoca a morte de um doente incurável), em casos específicos, desde que justificada por laudo técnico.

O projeto apresentado pelo deputado Luiz Castro se harmoniza com a política nacional de controle da natalidade de animais errantes por meio de esterilização, que veta definitivamente a prática da execução de animais saudáveis em Centros de Zoonoses.

A garantia da vida dos animais consta nas Constituições Federal e Estadual e na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98. A legislação brasileira, além de garantir a vida, pune quem submete os animais à crueldade, com pena de detenção de até um ano e multa elevada quando ocorre a morte do animal.

Também está previsto o incentivo à adoção e a realização de campanhas de conscientização e orientação técnica aos adotantes para uma tutela responsável dos animais.

Com Paixão

A proposta do deputado recebeu o apoio do grupo de voluntários reunidos na ONG Com Paixão Animal (CPA), que adota a estratégia de resgatar, reabilitar e disponibilizar os animais para adoção. "É preciso critério. Não podemos permitir e nos conformar com a solução mais fácil para o Poder Público, mas cruel para os animais", argumenta Luiz Castro.

A necessidade do projeto de lei foi reforçada depois de várias visitas do deputado Luiz Castro ao Centro de Controle Zoonoses de Manaus, juntamente com voluntário da CPA, em que constataram a ausência de um programa de controle populacional e a adoção da eutanásia, quando o número de cães recolhidos ultrapassa a capacidade de acolhimento do Centro.

A diretoria do CCZ não informou quantos animais são recolhidos e nem quantos são sacrificados, mas sabe-se que são muitos, uma vez que o processo reprodutivo animal se dá em escala geométrica. De apenas uma cadela são gerados, em seis anos, mais de 64 mil animais, através de seus descendentes diretos e indiretos.

Cães comunitários

Os cães considerados "comunitários" também são protegidos pelo projeto de lei. Comunitários são considerados aqueles cães que estabelecem com a comunidade em que vivem laços de dependência e de alguns cuidados, mesmo não possuindo responsável, único e definido.

Neste aspecto, é  preciso observar a proposta como uma estratégia de saúde pública, com respeito ao meio ambiente, uma vez que o controle da natalidade animal ajuda a diminuir problemas, como os decorrentes das lixeiras reviradas pelos animais famintos e das fezes espalhadas pelas ruas.

Pelo projeto, esses animais "comunitários" deverão ser recolhidos para esterilização e depois devolvidos à comunidade de origem, desde que seja identificado o cuidador principal do cão, que precisa assinar um termo de compromisso.

A assinatura de convênios do Poder Público com entidades de proteção e outras instituições para a implementação das metas previstas também consta no projeto de lei, como forma de descentralizar as atividades necessárias.


 Com informação da Assessoria

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Falta de abrigos força Amazonas a ‘exportar’ animais

Sem conseguir dar abrigo aos silvestres resgatados aqui, órgãos ambientais precisam encontrar locais fora do Estado

A onça pintada, espécie ameaçada de extinção, é uma das que mais sofrem com falta de espaço, por pesar até 130 kg. Um exemplar está sendo levado para o Mato Grosso
A onça pintada, espécie ameaçada de extinção, é uma das que mais sofrem com falta de espaço, por pesar até 130 kg. Um exemplar está sendo levado para o Mato Grosso (Antonio Menezes)
 
O Amazonas, apesar de estar localizado no meio da maior biodiversidade do mundo, não possui abrigos suficientes para os mais de 800 animais silvestres que, anualmente, passam pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), provenientes de apreensões, entregas voluntárias e, em número menor, resgates. O jeito é tentar mandá-los para outros Estados brasileiros, uma tarefa nada fácil que se repete mensalmente.

Em 2012 foram 888, pertencentes a mais de 80 espécies diferentes. Os principais grupos estão entre as aves, primatas (macacos), felinos e quelônios. Alguns, são devolvidos ao seu habitat, dependendo de aspectos como o estado de saúde e o tempo em cativeiro.
Mas a maioria precisa ser transferida a criadouros controlados, como zoológicos, instituições de pesquisa, mantenedores de fauna silvestre e até voluntários, mas tudo de outros Estados. Os disponíveis em Manaus estão lotados.

(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa).


NELSON BRILHANTE

sábado, 6 de outubro de 2012

Filhote de peixe-boi morre após ser resgatado no Amazonas

Filhote tinha ferimentos de arpão no corpo; uma necropsia será feia para apontar o que teria motivado a morte do mamífero

O veterinário Anselmo D’Affonseca mostra os ferimentos encontrados no corpo do peixe-boi resgatado na terça-feira
O veterinário Anselmo D’Affonseca mostra os ferimentos encontrados no corpo do peixe-boi resgatado na terça-feira (Ney Mendes)

O filhote de peixe-boi de aproximadamente um metro de comprimento, resgatado na quarta-feira (03),pelo Batalhão de Policiamento Ambiental do Amazonas (BPAMB), no Município de Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus), chegou sem vida ao Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA-Inpa), no Bosque da Ciência, Zona Sul. Somente este ano, sete mamíferos foram resgatados pela instituição.

De acordo com o veterinário responsável do LMA-Inpa, Anselmo D’Affonseca, o peixe-boi é alvo do comércio ilegal de carnes de mamíferos no Amazonas. O veterinário suspeita de que o filhote tenha sido morto devido aos ferimentos oriundos de arpão de pescadores.

Ainda conforme o veterinário, a carne é muito apreciada pela população do interior e também da capital, e pode ser encontrada, de forma clandestina, em feiras de vários municípios do Estado. Na capital, ela chega, normalmente, por encomenda. “A morte do filhote é um caso atípico porque, geralmente, os caçadores não matam a cria, que é o principal motivo de atração de outros mamíferos”, disse.

Hoje, segundo o veterinário Anselmo D´Affonseca, o espaço do animal está limitado. “Nesse período, o problema maior é a seca, que limita o espaço para o mamífero, criando uma situação de locais restritos e desfavoráveis a ele”, disse.

Segundo o Inpa, o mamífero passará por necropsia para identificar as causas da morte e será colocado à disposição da coleção de mamíferos aquáticos do instituto para estudo. Segundo ele, o peixe-boi está na lista dos mamíferos que correm o risco de extinção.

Proximidade

Segundo a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), os caçadores de mamíferos podem morar próximos às comunidades que fazem a denúncia. “O peixe-boi é um animal dócil, carismático e tem a carne bastante procurada. Então, há suspeitas de que os matadores morem perto das comunidades que ajudam a resgatar o filhote”, disse a bióloga Isabel Reis.


MILTON DE OLIVEIRA

domingo, 8 de julho de 2012

Cães sofrem maus tratos em casa abandonada no Amazonas

Vizinhos denunciam proprietário de casa abandonada no bairro Dom Pedro I de Manaus, que possui quatro cães no local vivendo sem acesso diário a água ou comida , em meio a sujeira de urina e fezes. Vizinhos reclamam dos maus tratos aos cães e do mau cheiro que a casa exala.

Três dos quatro cães que estão sendo vítimas de maus tratos, o quarto que não aparece na foto vive acorrentado.
Três dos quatro cães que estão sendo vítimas de maus tratos, o quarto que não aparece na foto vive acorrentado. (divulgação)

Vizinhos de uma casa abandonada, localizada na rua Wenceslau Braz, no bairro Dom Pedro I, Zona Centro-Oeste de Manaus, denunciam o proprietário por manter quatro cães em condições precárias no local.
Eles dizem que o dono dos cães vai até a casa somente aos sábados para dar ração e água para os animais, e que durante toda a semana eles ficam ao relento, sem alimento, debaixo de sol e chuva e com o chão repleto de urina e fezes, exalando um forte odor ao redor da casa. Um dos três cães vive acorrentado o tempo todo, sem chance de se locomover pela área disponível
Segundo a ativista pelo direito dos animais, Erika Schloemp, o proprietário dos animais já responde a três processos por crimes ambientais: "Sempre que é denunciado, ele vai até a casa, limpa toda a área e dá fim nos cadáveres dos animais. Foi assim que aconteceu com o cão anterior, que era uma mistura de pitbull com sharpei. Os vizinhos têm que se acostumar com o cheiro putrefato de cadáver de cachorro. A casa é um verdadeiro depósito de lixo e está completamente destruída. Infelizmente os processos contra ele não avançam, não chegam a passar a vara do meio ambiente", denuncia.
Ao saber da denúncia, a reportagem do Portal acritica.com entrou em contato com o Batalhão Ambiental da Polícia Militar que informou que deslocaria uma viatura de patrulhamento para verificar a situação no local.
Os entrevistados não tinham o contato do proprietário da residência. 

BRUNO STRAHM

sábado, 5 de maio de 2012

Amazonas registra mais de 100 vítimas de animais peçonhentos em 2012

Cheia dos rios aumenta os ataques de cobras. A que mais ataca ainda é a jararaca, seguida em número pelas ocorrências surucucu.



Surucucu. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

MANAUS – Além dos inúmeros problemas ocasionados com a inundação, a cheia dos rios da Amazônia traz também animais peçonhentos, que atacam principalmente famílias que moram próximo às calhas dos rios e igarapés. Com a falta de médicos no interior do Amazonas, o quadro tende a piorar. Em todo o ano passado, 167 vítimas de picadas de cobras, aranhas e escorpiões foram notificadas no Estado. Com a enchente deste ano, que já se aproxima de uma cheia histórica, os registros chegam a 109 ocorrências apenas nos primeiros quatro meses do ano. De acordo com o chefe do departamento da Fundação de Medicina Tropical (FMT), Antônio Magela, o crescimento dos acidentes com animais peçonhentos acontece devido à cheia. As vítimas, em sua maioria, moram nas áreas agrícolas. Os acidentes na Amazônia apresentam uma particularidade. Quando acontece a cheia, as águas dos rios se misturam a esgotos e igarapés. Os entulhos atraem ratos, que por sua vez, atraem as cobras. “Com a cheia, as águas acabam invadindo as casas. Cerca de 95% desses acidentes são ocasionados por cobras. A serpente jararaca ainda é a que mais ataca, seguida pela surucucu”, explicou o infectologista. O veneno da jararaca tem ação local. Além de provocar hemorragia, possui ação coagulante e proteolítica, que leva à necrose. Após a picada, aparecem sintomas como: edema, inchaço e sangramento local ou na gengiva e olhos. Em 2009, ano da maior cheia do rio Negro, 214 pessoas foram vítimas das serpentes. No ano seguinte, 118 pacientes foram diagnosticados e, em 2011, o número total chegou a 167, o que demonstra o aumento das ocorrências em época de enchente.

Medidas preventivas

Os animais, levados pelas águas, além de gostarem de se esconder nos entulhos, também estão em busca de abrigo e alimento. O especialista ensina como se prevenir.

“A jararaca gosta de ficar dentro das casas, por isso é preciso procurar com cautela em armários, guardarroupas e por baixo das camas. As pessoas do interior colocam toalhas ou lençóis na parte debaixo da porta. Há muitas casas com brechas no assoalho e nas paredes. Para quem vai fazer limpeza de quintais, a dica é só tocar nos entulhos com luvas, para minimizar os riscos”, explicou.

Saiba o que fazer quando acontece o acidente:


Alguns cuidados podem ajudar no tratamento de pessoas picadas por cobras. Procedimentos caseiros como sugar o veneno, colocar substâncias no local – como café -, ingerir bebidas alcoólicas, fazer cortes ou amarrar a área são desaconselhados. O que deve ser feito é lavar o local da picada com água e sabão, e manter a vítima imóvel.

A pessoa que sofreu a picada não deve perder tempo e procurar imediatamente atendimento médico. Caso o animal tenha sido capturado, levá-lo ao hospital pode ajudar no tratamento mais rápido para o caso específico, já que os médicos poderão reconhecer a espécie da cobra.

“Quando a vítima chega para o atendimento, o profissional de saúde dá um analgésico e espera pela reação. Se houver muita dor, além de outros sintomas como inchaço, a pessoa é removida ao FMT, pois o soro só é aplicado em ambiente hospitalar, devido ao problema de reação alérgica”, finalizou Magela.

Juçara Menezes

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Projeto 'Páscoa é Vida' doa mais de 400kg de ração para animais abandonados

Acadêmicos do primeiro período de Medicina Veterinário da Esbam mobilizam sociedade e arrecadam doações para ONG em Manaus


Os alunos do primeiro período, turmas A e B, garantem que está é a primeira ação de muitas que ainda estão por vir
Os alunos do primeiro período, turmas A e B, garantem que está é a primeira ação de muitas que ainda estão por vir (Divulgação)

O início do mês de maio foi marcado pela entrega das doações do projeto “Páscoa é Vida”, uma iniciativa dos alunos do primeiro período do curso de Medicina Veterinária da Escola Superior Batista do Amazonas (Esbam), que arrecadou cerca de 400 kg de rações e diversos utensílios, medicamentos e produtos de higiene para pets. A ação sensibilizou acadêmicos da própria instituição, a comunidade, empresas e a população em geral da capital amazonense.
Em um evento realizado na sede da Esbam nesta quarta-feira (2) os universitários representados pela professora coordenadora do projeto, Raquel Lisboa, entregaram todas as doações para a presidente da ONG Compaixão Animal, Jaqueline Canizo.
“Esse é uma iniciativa inédita em Manaus, os alunos da Esbam saíram na frente na luta pela defesa dos animais. A gente sempre vê campanhas para crianças e idosos, mas os animais ficam sempre deixados de lado. Espero que essa seja a primeira de muitas ações. Hoje foi um dia de muitas emoções”, disse Canizo.
Para a acadêmica Pâmela Oliveira o resultado final do projeto foi maravilhoso e merece continuar todos os anos, entra. “Não esperava que a gente fosse conseguir tanta coisa, eu não tinha ideia. Teve muita gente se movendo e nós vimos que pode dar certo sempre, pois várias pessoas estão dispostas a ajudar”, contou.
Os alunos do primeiro período, turmas A e B, garantem que está é a primeira ação de muitas que ainda estão por vir, em prol dos animais abandonados. E convidam a população para participar da terceira edição da Feira de Adoção de Cães e Gatos dos Amigos da CliniVet/ Esbam, que será realizada no próximo dia 26 de março. Na sede da CliniVet  localizada na rua Rio Madeira, Nº 386 – Adrianópolis.


ACRITICA.COM

terça-feira, 17 de abril de 2012

Construção de hidrelétricas no Amazonas é repetição de “erros cometidos” durante o regime militar, diz cientista

O atual diretor do Museu da Amazônia, Ennio Candotti alerta para o perigo que as hidrelétricas representa ao patrimônio amazônico

Cachoeira no rio Aripuanã poderá virar uma usina Hidrelétrica conforme estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética que está para ser aprovado na Agência Nacional de Energia Elétrica. Serão sete novas usinas nessa bacia
Cachoeira no rio Aripuanã poderá virar uma usina Hidrelétrica conforme estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética que está para ser aprovado na Agência Nacional de Energia Elétrica. Serão sete novas usinas nessa bacia



A construção de hidrelétricas na bacia do rio Aripuanã, que compreende os Estados do Amazonas e Mato Grosso, é a repetição do governo federal dos “erros cometidos durante o regime militar”. Esta é a avaliação do diretor geral do Museu da Amazônia (Musa), Ennio Candotti, um dos mais conceituados cientistas do país.
“O governo está considerando a Amazônia um grande reservatório de energia e mineral. Mas esquece que o grande patrimônio amazônico é o da biodiversidade, de suas florestas e águas. Também desconhece a dimensão humana, pois estas regiões são ocupadas por comunidades e terras indígenas”, disse Candotti.
Os estudos do potencial energético da bacia e que resultaram na proposta de construção de sete usinas hidrelétricas no Amazonas e Mato Grosso estão há quase em avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Aneel já aprovou o estudo, embora ainda não tenha divulgado a medida oficialmente. No Amazonas, serão construídas quatro usinas para serem incorporadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A geração de energia não atenderá o Estado nem os Municípios onde as usinas serão localizadas (Novo Aripuanã e Apuí).
Desafios
Ennio Candotti descreveu como “tecnocratas” os estudos realizados sobre o potencial da Amazônia. Para ele, são observados apenas os parâmetros de ocupação e de extensão de um território, sem levar em consideração os significados simbólicos e de preservação ambiental.
“Precisamos parar com essa mania de encontrar soluções superficiais para as questões da Amazônia. Não é assim que se tomam as decisões importantes. Precisamos definir um plano de estudos e pesquisa à altura dos desafios amazônicos. Se isto não for feito, resultado em confusões e conflitos”, alertou.
Engano
O coordenador da Fundação Vitória Amazônia (FAV), Carlos Durigan, disse que vê com bastante preocupação a construção das hidrelétricas. Ele alertou para a ausência de discussão e o desconhecimento da sociedade acerca do projeto. “Os órgãos precisam promover debates, esclarecer a sociedade quando o projeto está sendo idealizado”, disse.
Durigan lembrou que, muitas vezes, o poder público recorre a uma “publicidade enganosa”, dizendo que os empreendimentos vão melhorar a vida da população. “Na verdade, não é isso. Os empregos gerados são transitórios e nem sempre são para a população local”, comentou.
Alerta
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), deputado estadual Luiz Castro (PPS)  criticou a “visão desenvolvimentista do governo Dilma” em relação ao modelo energético. Ele afirmou que após ler a publicação da notícia no jornal A CRÍTICA decidiu alertar a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional e iniciar uma série de questionamentos junto aos órgãos federais, como é o caso do Ministério de Minas e Energia.
“O planejamento energético para a Amazônia e para o Amazonas só traz passivo ambiental. O Estado não vai receber benefícios. A construção dessas usinas não faz sentido para a nossa região, pois elas destrói a região, mas a geração de energia é para o Sul e Sudeste. É um erro ambiental e uma grande injustiça o Amazonas”, comentou.
A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), por meio da assessoria de imprensa, mas esta não retornou até a conclusão desta matéria.
Estudos
A assessoria de imprensa da Aneel informou, por email, que o órgão é responsável apenas pela análise técnica. Segundo a assessoria, a sociedade civil, Ongs e associações tiveram conhecimento do assunto.
Disse também que a Aneel não abre esse tipo de processo para contribuições em audiências e consultas públicas. Conforme a assessoria, o processo está no início que “ainda tem muita coisa para acontecer”, como estudos de viabilidade, além da licença ambiental do Ibama.