O
estudo foi divulgado pelo MEC, reconhecendo que isso pode gerar um
descompasso entre idade e aprendizagem e comprometer toda a vida escolar
do estudante
| Salas de aulas lotadas, sem espaço para brincadeiras e metodologias desenvolvidas em outras regiões são alguns dos problemas para alfabetizar as crianças |
Da
forma como está organizado o trabalho nas escolas, com salas
superlotadas, falta de espaço para brincadeiras, falta de bibliotecas e
metodologias elaboradas sem levar em conta as diferenças regionais, é
impossível as crianças aprenderem. A afirmação é da professora doutora
Arminda Mourão, diretora da Faculdade de Educação (Faced) da
Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao comentar o dado de que pelo
menos 15,2% das crianças brasileiras chegam aos oito anos de idade sem
estar alfabetizadas.
O estudo foi
divulgado pelo MEC, reconhecendo que isso pode gerar um descompasso
entre idade e aprendizagem e comprometer toda a vida escolar do
estudante. Para combater o problema, foi proposto o “Pacto Nacional pela
Alfabetização na Idade Certa”, sugerindo medidas como capacitar e
valorizar os 315 mil professores alfabetizadores do País e premiar os
melhores, produzir material diversificado e adequado e avaliar a
habilidade de alunos de 7 ou 8 anos na leitura, escrita e nas primeiras
contas.
Estudo revelador
Para
a doutora Arminda Mourão, não é com pactos que se vai chegar à raiz
deste problema grave. No livro que se prepara para lançar a respeito do
tema, a diretora da Faced diz que o Ministério da Educação (MEC) é
“surdo” a propostas sérias que podem alterar essa realidade.
A primeira conclusão da sua pesquisa é de que o financiamento da
educação pública é insuficiente para a manutenção do ensino de
qualidade. Outro problema detectado é organização do trabalho nas
escolas.
“Há uma monotonia que torna
impossível a criança se manter interessada no aprendizado porque as
salas superlotadas e a maioria das escolas não tem lugar para
brincadeiras e nem tem bibliotecas”, explicou.
Outros
fatores que apontam para o fracasso das medidas anunciadas é que as
políticas são elaboradas em Brasília sem ouvir os professores e sem
levar em consideração as diversidades regionais. E as secretarias
aceitam as imposições sem fazer qualquer questionamento. “Os pactos
nacionais só servem para exibições na mídia, sem efeito prático”, diz,
afirmando não acreditar em pactos federais.
“Nós sugerimos o ensino em ciclos. Vários estudos apontam para a
eficiência dessa metodologia, mas o MEC não ouve o que falamos”,
acrescentou a professora, citando que o lúdico é fundamental para o
aprendizado das crianças nessa idade, mas sem espaços para isso, as
escolas de educação infantil são tristes e num ambiente de tristeza não
há condições para se ter um aprendizado adequado.
No Norte situação é mais grave
O
levantamento revela que a Amazônia brasileira tem um dos piores
indicadores do País em educação. A taxa de analfabetismo no Acre é o
dobro da brasileira, contabilizando quase 17 iletrados no universo de
cem pessoas. Segundo a análise, todos os Estados da região encontram-se
abaixo da nota média do País no Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb), da primeira etapa do ensino fundamental (da 1ª a 4ª
série).
Em Matemática, de cada cem
estudantes da 8ª série na região Norte, menos de dez têm desempenho
adequado (14,8 na média nacional). Já a Língua Portuguesa é dominada bem
por menos de 15% dos alunos, quase metade da média nacional, que é de
26,3%.
Taxa de analfabetismo é de 7%
Na
Região Norte, segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo é de 7% em
pessoas com idade entre 10 a 14 anos e 11,2 em pessoas com 15 anos ou
mais. No Amazonas, é de 8,2% em pessoas com idade de 10 a 14 anos e 9,9%
em pessoas com 15 anos ou mais.
Sem
assegurar a alfabetização na idade certa, o Brasil não conseguirá
evoluir nas outras etapas do ensino, dizem os responsáveis pelo
Movimento Todos pela Educação. Eles afirmam que colocar o foco na
alfabetização organiza o trabalho de todo mundo. O movimento critica
ainda a existência de muitos planos no Ministério da Educação, mas
poucos saem do gabinete e são realizados com excelência.
10%
dos recursos do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública é a
reivindicação dos educadores brasileiros. A proposta deve ser incluída
no Plano Nacional de Educação (PNE) em votação no Congresso, mas o
Governo Federal poderá vetá-la.
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