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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cinema ao ar livre e oficinas marcam a itinerancia do Festival em São Gabriel da Cachoeira

Nossa intenção é a de levar cinema de qualidade para as populações

Com um telão inflável de 10x8 metros, realizou-se a exibição em São Gabriel da Cachoeira  (Foto: Pachamama)

As águas escuras do Rio Negro, no Amazonas, levaram a equipe do Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira, no mês de abril, até as cidades de São Gabriel da Cachoeira, divisa com Colômbia e Venezuela, e Barcelos, conhecida pela exportação de peixes ornamentais e a pesca esportiva, onde realizou-se oficinas de audiovisual com jovens locais e Mostras de filmes latino americanos e indígenas.

Em cada cidade, a equipe ficou por volta de uma semana, e, como explica o diretor do projeto, Sérgio de Carvalho, a proposta, além de oferecer a mostra de cinema e a oficina, é a de criar pontes, promover o intercâmbio cultural entre fazedores de cultura da Amazônia, estabelecer parcerias e ir de encontro a missão do Festival de criar uma rede na região.

São Gabriel da Cachoeira, distante 4 dias de barco de Manaus, a primeira cidade beneficiada pelo projeto, foi escolhida por ser a mais indígena do Brasil e por ser cidade fronteiriça, tendo tudo a ver com a proposta do evento. Ainda de acordo com Carvalho: “ Nossa intenção é a de levar cinema de qualidade para as populações que não tem acesso, promovendo a fruição de nossos filmes. Sobretudo, buscamos provocar a reflexão sobre o tema da identidade, principalmente, amazônica, indígena e andina. Nos interessa a questão indígena e amazônica. A Mostra Itinerante, mais que um evento, tem a proposta de um grande encontro, é quando o nosso conceito enquanto Festival realiza-se na prática”.

Com um telão inflável de 10x8 metros, realizou-se a exibição em São Gabriel da Cachoeira na orla da praia, na véspera do dia do índio, nas margens do rio Negro, para um público de aproximadamente 500 pessoas. No repertório, contou-se com a projeção de curtas metragens latinos, acreanos e produções realizadas por diretores de São Gabriel, como “Declaração Cabocla”, filme de um minuto de Paulo Rodrigues, que foi ovacionado durante a Mostra, com direito a bis.

Ainda no município de São Gabriel da Cachoeira, o Festival realizou uma Mostra na comunidade indígena de Tapajós, composta por 11 etnias diferentes, como Baniwas, Barés e Tukanos.

Além das exibições cinematográficas, o Festival Pachamama – Cinema de Fronteira, promoveu rodas de conversas sobre cultura com alunos das escolas públicas da cidade e realizou vídeos para sua web série Pachamama Itinerante.

O Festival Pachamama  - Cinema de Fronteira itinerante é uma realização do Ministério da Cultura, por meio do Fundo Nacional de Cultura, contemplado pelo Edital Amazônia Cultural e conta com o apoio cultural do Coletivo Difusão, Ponto de Cultura Indígena do Rio Negro, Prefeitura Municipal e Secretaria de Cultura e Turismo de Barcelos, Prefeitura Municipal e Secretaria de Cultura de Iranduba, FOIRN, Espaço Cacuri, Cine alto Rio Negro, RENAJOC, Galeria Puxirum e Fundação de Cultura Elias Mansour.


Com Informações da Assessoria


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música em vários estados

A divulgação dos resultados das demais áreas do Petrobras Cultural está prevista para o mês de abril



Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música em vários estados
Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música em vários estados (Divulgação)



Rio de Janeiro - O Programa Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música, que ocorrerão entre abril deste ano e março de 2014. A relação dos projetos contemplados na edição 2012 do programa foi divulgada hoje (22) e já está disponível no site da empresa.

Na área de festivais de cinema foram inscritos 109 projetos. Entre os 20 selecionados, estão festivais de tradição no calendário de eventos cinematográficos do país, como os de Brasília, Gramado (RS), o Cine PE, de Pernambuco, a Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) e o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, do Rio de Janeiro. Ao todo, foram contemplados eventos de 14 estados.

A área de festivais de música recebeu um número maior de inscrições (195), das quais 12 foram selecionadas. Pernambuco e Bahia tiveram dois projetos entre os escolhidos. Amapá, Pará, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná receberão o patrocínio para um evento, cada.

De acordo com a Petrobras, as comissões de análise técnica da seleção pública são formadas por profissionais que atuam diretamente nos setores da cultura contemplados pelo programa. “A composição das comissões, renovada a cada ano, busca atender à maior diversidade possível de perfis para o julgamento dos projetos, que são selecionados por seu mérito qualitativo”, diz a nota da empresa sobre o resultado da seleção.

A edição 2012 do Programa Petrobras Cultural destinou R$ 67 milhões à seleção pública de projetos de todo o país, em 11 áreas, dentro das linhas preservação e memória, produção e difusão. A verba foi a maior de todas as edições do programa, que desde sua criação, em 2003, já investiu R$ 313 milhões em 1.319 projetos culturais.

A divulgação dos resultados das demais áreas do Petrobras Cultural está prevista para o mês de abril.

PAULO VIRGILIO/AGÊNCIA BRASIL

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

'Planeta Verde' revela maturidade do cinema brasileiro

Filme 3D rodado no Amzonas vai apresentar ao mundo nossa biodiversidade pelos olhos de um macaco prego
O filme conta as aventuras de um macaco prego
O filme conta as aventuras de um macaco prego (Divulgação)
Desde quando era apenas um roteiro, o filme “Amazônia – Planeta Verde” tinha tudo para entrar no rol das produções brasileiras mais ambiciosas. Prestes a entrar na fase de pós-produção, o longa já é cheio de predicativos: rodado em formato 3D, ele foi vendido para 22 países e é o filme em produção com o maior orçamento no País – os investimentos ultrapassam a marca dos 10 milhões de euros.
“É o trabalho mais difícil que a Gullane já fez, mas as dificuldades são proporcionais ao tamanho da satisfação que ele nos tem dado”, admitiu Fabiano, um dos sócios da produtora que leva seu sobrenome e o do irmão, Caio.

Dirigido pelo francês Thierry Ragobert, o mesmo de “Planeta Branco”, o docudrama “Planeta Verde” é uma coprodução França/Brasil (Biloba/Gullane) e levou três anos para ser filmado.
Presidente Figueiredo, Rio Negro e Alta Floresta (MT) serviram de locação para o filme, que conta as aventuras de um macaco prego, único sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia. Na telona, nada de seres humanos ou diálogos - a natureza e a interação entre os animais se encarregam do desenvolvimento da história.

‘Nosso Fitzcarraldo’

Para financiar um projeto tão vultoso, a Gullane recorreu ao sistema de audiovisual brasileiro, capitaneado pela Ancine e pelas leis de incentivo. Aqui no Amazonas, a equipe de mais de 100 pessoas contou com o apoio da Secretaria de Cultura, do Ibama e das Forças Armadas.
“O maior desafio foi fazer imagens de uma Amazônia intocada e dos animais de uma forma muito realista, enfrentando o risco da malária e as barreiras logísticas. Brincamos que essa experiência foi o nosso ‘Fitzcarraldo’. São histórias que vamos contar por aí”, pontuou Fabiano.

Os planos das produtoras incluem circular com o longa por festivais no Brasil e no exterior antes de colocá-lo em cartaz nas salas de cinema. A previsão é que “Planeta Verde” chegue às telonas, incluindo as de Manaus, no primeiro semestre de 2014.

‘Maturidade’

Para Fabiano Gullane, o filme transcende a sala de cinema e toca em um assunto importante, que é a preservação da biodiversidade. “Fala-se muito na Amazônia, mas poucos a conheceram de perto, então esse filme pode ser um convite a essa experiência. Também esperamos que a história do nosso macaquinho herói consiga despertar carinho e amor pela floresta”.
O produtor concorda que essa coprodução coloca o Brasil numa posição importante no cenário internacional. “Ao mesmo tempo em que revela a maturidade da indústria de cinema brasileiro, demonstra nossa ousadia em participar de projetos grandes e complexos”.

ROSIEL MENDONÇA

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ator amazonense faz sucesso em produções cinematográficas na China

E é assim que a carreira de Ítalo Castro deslancha – sob os olhares de admiração do povo chinês e, claro, com muitas histórias na bagagem

Ator amazonense faz sucesso em produções cinematográficas na China
Ator amazonense faz sucesso em produções cinematográficas na China (Reprodução/Facebook)

Quando o talento é nato, nada nem ninguém pode impedir uma carreira que tem tudo para dar certo. Ainda mais quando a vontade de ser bem sucedido se junta à coragem de desbravar uma cultura completamente diferente da qual se está acostumado. E é assim que a carreira do destemido ator amazonense Ítalo Castro deslancha – sob os olhares de admiração do povo chinês e, claro, com muitas histórias na bagagem.

No dia 1º de janeiro de 2012, o amazonense Ítalo Castro deu início a uma viagem que muita gente sonha em fazer, mas nunca teve coragem: um dia após seu aniversário, embarcou para Hong Kong, na China, para dar continuidade ao seu sonho de ser ator. “Faço aniversário dia 31 de dezembro, e no dia seguinte viajei. Depois de um tempo batalhando no Rio de Janeiro, decidi desbravar o mercado asiático, depois de ouvir meus amigos modelos comentando como os brasileiros são queridos por aqui”, contou.

E, como quem não tem medo algum, decidiu viajar para um dos lugares mais populosos do mundo e tentar conquistar seu lugar ao Sol. “É impressionante a quantidade de gente que tem aqui. Isso foi o que mais impactou quando cheguei. Parece um formigueiro!”, disse. Mas ele não se deixou abalar pela distância, pela saudade, pelo idioma totalmente diferente.

Paixão

“Lembro de ver um clipe do Michael Jackson e ficar impressionado com os curta-metragens que ele fazia. Tinha uns 10 anos. Depois que vi, passava o dia de jaqueta de couro dançando ‘Beat it’, e ainda fazia meus amigos dançarem comigo”, lembrou o ator, provando que o desejo de atuar vem desde muito cedo.

Como muitos pais receosos, os de Ítalo temiam pelo futuro do filho. “Então tive que fazer uma faculdade ‘normal’. Escolhi Design justamente por me manter em contato com a arte, que é como me expresso. Cheguei até a atuar no meio, mas assim que juntei dinheiro suficiente, me mandei para o Rio de Janeiro”, disse. Lá, sob a tutela do diretor Ramiro Montalvão, da companhia teatral Terra Brasil, ele se apresentou em diversas produções, como “A paixão de Cristo”.

Cinema

No Brasil, ele atua em cinema desde os tempos que morava em Manaus. Em “Liquidação”, de 2010, atuou como protagonista para o curta dos alunos do Uninorte. No ano seguinte, quando já morava no Rio de Janeiro, pôde voltar à terrinha durante dois meses, enquanto filmava “A floresta de Jonathas”. Este ano, emplacou pappéis de destaque nos filmes bilíngues “The Sham” e “The Far Flung Star”.

“Queria muito poder participar da estreia do filme, mas só vou poder voltar ao Brasil em dezembro. Até lá, continuo lutando e acumulando saudades da minha terra”, finalizou.

MELLANIE HASIMOTO

sexta-feira, 6 de abril de 2012

‘Xingu’ estreia nos cinemas do Brasil em missão de resgate

De acordo com dados do portal Filme B, nenhuma produção brasileira fez mais de 1 milhão de espectadores em 2012.




Rio de Janeiro - A missão de "Xingu", que estreia hoje em 200 salas de cinema do Brasil, é quase tão dura quanto a expedição que os irmãos Villas Bôas lideraram pelo Centro-Oeste brasileiro há sete décadas. O filme é a esperança de recuperação para um mercado que vem amargando resultados bem abaixo do esperado em 2012, com uma queda de 71% neste primeiro trimestre, em relação ao ano passado.
"Xingu" é uma obra de aventura com uma trama de conteúdo histórico. Ela narra a história de Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo Villas Bôas (Caio Blat), o trio que desbravou matas virgens brasileiras a partir da década de 1940 e que estabeleceu contato com tribos indígenas que viviam isoladas. Foi pelas ações dos irmãos que a reserva do Parque do Xingu pôde ser criada, em 1961.
O filme, dirigido por Cao Hamburger, o primeiro depois do sucesso de "O ano em que meus pais saíram de férias" (2006), tem recebido elogios da crítica e foi eleito pelo público do último Festival de Berlim, em fevereiro, como o terceiro melhor longa-metragem de sua concorrida mostra Panorama. Mas o desafio que ele passa a enfrentar hoje é o do mercado.
De acordo com dados do portal Filme B, nenhuma produção brasileira fez mais de 1 milhão de espectadores em 2012. Entre 1 de janeiro e 31 de março deste ano, 54 filmes nacionais foram exibidos no país, totalizando 1,8 milhão de espectadores. No mesmo período do ano passado, os 36 filmes brasileiros que estiveram em cartaz foram vistos por 6,2 milhões.
— A gente precisa dobrar o número de filmes competitivos feitos no Brasil. Hoje, a indústria brasileira finge que produz 90 filmes por ano. Mas, na verdade, fazemos 90 produtos audiovisuais. Filmes para disputar o mercado são só uns oito. Enquanto isso, toda semana estreia um novo possível blockbuster estrangeiro. É um jogo desigual. É como se entrássemos em campo com menos jogadores do que o outro time — afirma Bruno Wainer, da Downtown, a distribuidora de "Xingu".
— O problema é que, quando algum lançamento grande não vinga, o cinema brasileiro vai para o buraco. E a culpa não é dos produtores. Existe um problema crônico, estrutural, com o cinema brasileiro, que são os atuais mecanismos de estímulo do governo. Por serem limitados e cheios de burocracia, eles não conseguem financiar mais de oito filmes competitivos num ano.
A estratégia de lançamento de "Xingu", segundo Wainer, trabalha num panorama de um "filme grande, mas com cautela". Para superar o que parece estar sendo uma resistência do espectador nacional aos maiores lançamentos do ano, o distribuidor tem feito ações em escolas para mostrar que o longa-metragem trata de meio ambiente, um tema sempre em voga, de maneira atraente.
No último ano, a Downtown liderou o ranking de filmes nacionais com os 3,1 milhões de espectadores de "De pernas pro ar" (contando o público de 2010, a comédia foi vista por 3,5 milhões de pessoas e chegou a estar em cartaz em 345 salas). Em 2012, a empresa também está na frente, porém com um filme que teve um resultado aquém do almejado: "As aventuras de Agamenon, o repórter" estreou em 242 salas, mas atraiu "apenas" 920 mil pessoas aos cinemas. Nem "Agamenon" nem qualquer outro longa-metragem brasileiro conseguiu até aqui o que sete fizeram em 2011: entrar para o clube do milhão.
— Mesmo que o resto do ano seja melhor, certamente teremos um desempenho pior do que o de 2011 — afirma Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B.
— A questão é nossa carência em mecanismos de produção. As principais estatais, como Petrobras e BNDES, que historicamente financiam o cinema brasileiro, não lançaram editais durante 2011. Isso prejudica a grade de lançamentos, sobretudo a do primeiro semestre. Mas é importante dizer que não acho que tenhamos tido grande surpresas até aqui. Se alguém esperava mais dos filmes já lançados, estava equivocado.
Hoje, o ranking brasileiro se mantém com "Agamenon" na frente, seguido por "2 coelhos" (334 mil espectadores), "Billi Pig" (247 mil) e "Reis e ratos" (126 mil). Em quinto colocado, aparece o documentário "A música segundo Tom Jobim" (71 mil), talvez um dos poucos filmes do ano que possa bater no peito para dizer que se tratou de um sucesso para suas pretensões.
Agora, "Xingu" vai tentar dar a volta por cima. Depois dele, outros filmes com potencial virão, como "E aí, comeu?" e "Gonzaga — De pai para filho".
— O ano não tem sido bom, mas vamos ver se a gente quebra este ciclo de 2012 e inaugura um novo ciclo — afirma Cao Hamburger.