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domingo, 18 de outubro de 2015

Restos de alimentos são usados de forma eficaz no interior do AM

Os resíduos alimentares descartados na merenda escolar, em Lábrea, deram lugar para fabricação de sabão ecológico



O projeto dos alunos do ensino médio utiliza o reaproveitamento do óleo retirado da pele de frango da merenda escolar para fabricação de sabão em barra(Divulgação)



O acúmulo do desperdício de resíduos alimentícios dentro das escolas se tornou um dos grandes problemas ambientais da atualidade. Com isso, a reutilização de resíduos poluentes pode se tornar eficaz e atrativa, pois transforma o lixo em insumos, com diversas vantagens ambientais, podendo contribuir para a economia dos recursos naturais e bem estar da comunidade.
No município de Lábrea, distante a 702 km de Manaus, o projeto “Sabão sólido da gordura de frango: alternativa sustentável na Escola Estadual Balbina Mestrinho”, coordenado pela professora Marinês Galvão, com apoio técnico de Maria Antônia Barreiros e dos estudantes Adrielen Rodrigues, Nalbert da Silva, Lairton Nascimento, Jayve Souza e Raimunda de Paz, utiliza o reaproveitamento do óleo retirado da pele de frango da merenda escolar para fabricação de sabão em barra.
Durante a semana, na Escola Estadual Balbina Mestrinho, são utilizados cerca de 80 frangos nas refeições oferecidas, sendo recolhidos 15 kg de resíduos de pele de frango semanalmente, resultando na quantidade de cinco litros de óleo com gordura derretida, através do processo de evaporação pelas panelas de pressão da cozinha da escola.
Segundo a coordenadora do projeto, Marinês Galvão, o tema desenvolvido já era uma problemática existente nas escolas do município há bastante tempo. “Nós vimos que a base da fabricação do sabão era a gordura, então a reutilização destes resíduos tornou-se uma alternativa correta de educação sustentável para nossas escolas, além de que estamos motivando uma nova fonte de renda para estudantes ou seus pais e responsáveis” avalia.
Metodologia

No decorrer da execução do projeto, foram realizados levantamentos bibliográficos utilizando publicações a respeito da problemática do projeto; pesquisas de campo através de abordagens descritivas utilizando métodos qualitativos e quantitativos; coleta de dados com observações, questionários e entrevistas, envolvendo cerca de  dez professores e dez famílias de estudantes como amostra e, no final, exposições do reaproveitamento sustentável com palestras em parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria do Meio Ambiente do município.
Projeto reutiliza óleo de cozinha


O município de Nova Olinda do Norte,  a 132 km de Manaus, mantém, desde 2013, uma fábrica de sabão ecológico, utilizando, como matéria prima, o excedente do óleo de cozinha retirado dos restaurantes e das residências. O projeto foi idealizado e construído nos moldes de cooperativa e se assenta no programa institucional do município.

A Críttica.com

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A riqueza alimentar das Plantas Alimentícias Não Convencionais

Apesar de ainda pouco conhecidas no Brasil, estas plantas - chamadas de PANC -, possuem grande potencial nutricional e substituem com sabor, hortaliças e frutos tradicionais



Chanana ou Damiana (Turnera subulata), flor muito comum nas ruas e calçadas de Manaus. É estimulante e pode ter as flores consumidas em saladas, refogados, licores, geleias, sorvetes, sucos. As folhas podem ser aproveitadas em chás e para tempero
Chanana ou Damiana (Turnera subulata), flor muito comum nas ruas e calçadas de Manaus. É estimulante e pode ter as flores consumidas em saladas, refogados, licores, geleias, sorvetes, sucos. As folhas podem ser aproveitadas em chás e para tempero (Valdely Kinupp)
 

Quem anda pelas ruas de Manaus e de outras cidades do Brasil pode se surpreender ao descobrir que muitas plantas e flores que nascem espontaneamente em terrenos, jardins, calçadas e espaços públicos podem ir para a mesa não como peças de decoração, mas sim, como alimento.

Olhares mais atentos aliados ao conhecimento descobrem como estas plantas podem marcar uma verdadeira revolução alimentar e por que não, econômica, além de também derrubar tabus em relação às chamadas plantas alimentícias não convencionais.

O professor doutor Valdely Ferreira Kinupp é um estudioso apaixonado pelas chamadas PANC ( Plantas Alimentícias Não Convencionais) e defensor ferrenho de um melhor aproveitamento delas no nosso dia a dia. Confira aqui algumas espécies e forma de consumo e uso. 

Em sua tese de doutorado, Kinupp nos leva a refletir sobre as influências que recebemos sobre nossos hábitos alimentares e como um certo ‘conservadorismo’ acaba barrando a oportunidade de experimentações gastronômicas.“Essas plantas geralmente são chamadas de ‘daninhas’, ‘nocivas’ e vários outros nomes preconceituosos, pejorativos e que refletem um ponto de vista.  Você come quase a mesma coisa o ano inteiro. Vai à feira, seja orgânica ou convencional, mas não ousa experimentar uma coisa diferente”, exemplifica o professor.

O desconhecimento destas espécies ainda é grande não só no Amazonas, mas também em outras partes do Brasil, porém, aos poucos, as pessoas começam a ter contato com estas plantas e descobrem como elas podem representar alternativas para uma alimentação diferente, saudável e rentável.

Hortaliças e frutos como vitória-amazônica, caruru, orelha-de-macaco, também conhecida como espinafre regional, cariru, ora-pro-nóbis , entre outras, podem trazer ousadia de sabores à mesa.

Kinupp explica que no Amazonas existem algumas poucas espécies tidas como hortaliças como o cubiu, ária, feijão-de-asa e o quiabo-de-metro e também frutas como sorva, pajurá e abricó, por exemplo. As frutas ainda são cultivadas em pequenos plantios ou em áreas de manejo e geralmente de extrativismo.  Mas, a grande maioria das PANC ainda não é cultivada e é desconhecida da população atual.

E esta riqueza alimentar , via de regra, não exige grandes adaptações ou técnicas para cultivo. As espécies de PANC são de fácil plantio e propagação e são adaptadas às condições de cada região. A maioria possui sementes, galhos, estacas que podem ser usados na propagação sem que o agricultor tenha de comprar sementes comerciais. São plantas que estão adaptadas às condições de solo e clima da região onde ocorrem e podem ser cultivadas de forma agroecológica, ou seja, sem agrotóxicos e adubação sintética.

O especialista cita alguns experimentos que fez substituindo ingredientes tradicionais por hortaliças e frutos como: vitória-amazônica, que utilizou fazendo pipoca, além das flores que são comestíveis; o caruru, rico em ferro e vitamina A, que poderia ser utilizado na pizza ou na fabricação de pão; e a orelha-de-macaco, conhecida como espinafre regional, que pode enriquecer o arroz e o feijão.

Ele estima que existam no Brasil, centenas ou milhares de espécies e exemplifica: “Em média de 10 a 20% da diversidade de espécies vegetais têm potencial alimentício, isto é, se temos 40 mil espécies no país temos de 4 mil a 8 mil espécies de PANC, pois a maioria não faz parte do nosso dia a dia. No Amazonas se estima (muito por baixo) em 8 mil espécies, daí teríamos de 800 a 1600 espécies potencialmente alimentícias.

Com tanta riqueza na natureza ainda desconhecida, Kinupp convida as pessoas a refletirem sobre o que sabem a respeito destas plantas. Quantas conhece, quantas já experimentou, se elas são vistas nos cardápios de restaurantes ou nos programas de gastronomia. “É uma reflexão que nós e poder público deveria fazer antes de tagarelar e propalar a todos os cantos nossa megafitodiversidade. Comemos muito da biodiversidade de outros países e continentes. Somos xenófilos à mesa!!!”, declara.

Bem longe dos holofotes, algumas destas plantas já tiveram seus momentos de fama em pratos de chefs renomados, despertando não só a curiosidade mas também, admiração e surpresa: como não experimentei isso antes? O assunto inclusive será tema de um encontro no dia 26 de agosto, em São Paulo, dentro do projeto "Entre estantes e panelas".

Em Manaus, algumas destas PANC podem ser garimpadas em feiras, mas sempre é necessário que o consumidor treine o olhar e cobre dos feirantes mais ofertas destas plantas. Kinupp cita a feira do Coroado onde é possível encontrar ariá(batatinha da Amazônia), feijão-de-asa, jilosão, espinafre-da-Amazônia, entre outras. Outros locais como os feirões da Sepror e na Feira de Orgânicos no Ministério da Agricultura(MAPA) também oferecem alguns tipos de PANC.

Descobrir estas plantas diferentes e saborosas pode significar não só ousar na busca de sabores ainda desconhecidos, mas aliar esta viagem gastronômica à saúde e à valorização dos produtos regionais.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

ALEAM sedia reunião de Comissão do Senado para tratar sobre clima e biodiversidade


A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMM) do Senado, irá realizar nas Assembléias Legislativas 


Ou se vai continuar vivenciando mudanças bruscas que ocasionam problemas( Divulgação)


Dando continuidade à meta anunciada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado estadual Josué Neto (PSD), de abrir os auditórios da Casa para o uso da população e autoridades, o plenário Ruy Araújo sediou na manhã desta segunda-feira (22) a primeira reunião de uma série, que a Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMM) do Senado, irá realizar nas Assembléias Legislativas brasileiras para tratar sobre “Mudanças Climáticas e Biodiversidade: PSA e outros instrumentos econômicos”.

A reunião foi presidida pela presidente da Comissão, deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Também estiveram presentes, o vice-presidente da comissão deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) e o deputado Sarney Filho (PV-NA), o relator dos trabalhos.

A intenção da CMM é fazer um relatório a ser divulgado no fim do ano em seminário. 

“O governo brasileiro abraçou essa causa com muita força por entender que: Ou se muda a forma de interagir com a natureza.

Ou se vai continuar vivenciando mudanças bruscas que ocasionam problemas graves à população”, disse Grazziotin.

O plano de trabalho da CMM para 2013 envolve duas ações importantes: A primeira é fazer com que os projetos que tramitam sobre Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) sejam aprovados.

De acordo com Vanessa Grazziotin o Amazonas vai ganhar muito com isso. Outro assunto é a realização de um Seminário com as Assembleias Legislativas de todos os Estados, cujo objetivo será a harmonização da Legislação Brasileira de Mudanças Climáticas.

O deputado Sarney Filho elogiou o nível dos debates realizados na ALEAM, na reunião que teve como foco o Pagamento por Serviços Ambientais, inclusive o tema tratado pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Feanside, que questionou a forma como será feito o pagamento dos serviços ambientais e de onde virá o dinheiro.

Também estiveram presentes os representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Social (SDS), João Talocchi e da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), João Batista Pezza Neto, o consultor da Fieam, Alexandre Kadopa e o presidente da Faea, Muni Lourenço.

Orçamento reduzido

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALEAM, deputado estadual Luiz Castro (PPS) denunciou o orçamento reduzido para a área ambiental do Amazonas, informando que apenas 0,15% do recurso estadual é voltado para tratar de questões técnica, logística e operacional.

“Ainda é um desafio acompanhar as ações que envolvem o meio ambiente neste Estado”, lamentou.



Com Informação da Assessoria

sexta-feira, 1 de março de 2013

Projeto de residência agrária que beneficiará cerca de 85 mil pessoas

Cerca de 17 mil famílias que trabalham com a agricultura vão receber assistência técnica de 170 agentes recém-formados de nível médio e superior e dez coordenadores especialistas

O governador Omar Aziz afirmou que grande parte do mundo se preocupa em manter a nossa floresta em pé(Divulgação)

As comunidades do interior do Estado serão beneficiadas pelo Projeto Residência Agrária, viabilizado por meio do Programa Estratégico de Transferência de Tecnologias para o Setor Rural (Pró-Rural), anunciado na manhã de terça-feira (26) pelo governador Omar Aziz (PSD).
 Estiveram presentes no palácio do governo, o vice-governador José Melo, o presidente da ALEAM, deputado Josué Neto (PSD), a secretaria de governo, Rebecca Garcia (PP), o secretário de produção, Eron Bezerra, além de deputados estaduais e profissionais ligados à Sepror.

Cerca de 17 mil famílias que trabalham com a agricultura vão receber assistência técnica de 170 agentes recém-formados de nível médio e superior e dez coordenadores especialistas, que irão acompanhar, de forma didática, o manuseio das novas ferramentas de tecnologia que ajudarão na produção e melhoria da qualidade dos produtos.

O governador Omar Aziz afirmou que grande parte do mundo se preocupa em manter a nossa floresta em pé, mas esquecem que nessas localidades também moram famílias que precisam trabalhar, estudar, comer e cuidar da saúde. “A burocracia do governo que tem que se ajustar a realidade do caboclo. Se ele tiver mão calejada, essa é a garantia pra obtenção de crédito”.

Para o presidente da ALEAM, Josué Neto, o projeto Residência Agrária tem o objetivo de ajudar o homem do campo, que precisa de apoio intelectual para produzir dentro da legalidade. “A produção rural hoje no Amazonas, através desse programa apresentado, vai ter ajuda principalmente no que diz respeito à tecnologia, com assistência técnica e qualificação dos produtos.

Hoje, com a lei ambiental cada vez mais rígida, os produtores precisam desse apoio do Estado, para que possam desempenhar o seu trabalho e abastecer tanto as suas casas como as comunidades vizinhas”, afirmou Neto.

 Programa

O Pró-Rural abrange culturas alimentares, juta e malva, pecuária sustentável, piscicultura, manejo madeireiro, avicultura, borracha, fruticultura, e horticultura. Os agentes serão treinados no Pró-Rural para disseminar o conhecimento das tecnologias entre os produtores, reduzindo o impacto ambiental das atividades produtivas.

Com Informação da Assessoria

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Em breve mural de fotos

Breve o portal estará com o mural de fotos que é uma página de entretenimento para que os usuários do Portal EdyLimaRadialista

Fotos de pontos turísticos, de pessoas, paisagem, animais, pássaros, natureza, rios(Arquivo Portal Edy Lima)

Caros amigos em breve o portal estará com o mural de fotos que é uma página de entretenimento para que os usuários do Portal EdyLimaRadialista.com possam ver as mais variadas fotos tiradas pelo Edy Lima e demais colegas, Fotos de turistas que visitaram a cidade ou dos moradores.


Fotos de pontos turísticos, de pessoas, paisagem, animais, pássaros, natureza, rios, igarapés, festas, carnaval, aniversário, festa da melancia em Manicoré, das ruas, do porto, da Cidade de Manaus, dos barcos, festas no interior, concursos, desfile e muito mais.

Por enquanto estamos trabalhando afinco para deixarmos o mural numa perfeição na quais vocês amigos internautas filhos de Manicoré e do Amazonas merecem e desejam tanto ver as fotos da cidade a qual para muitos serviu de berço, ou seja, muitos nasceram no Município de Manicoré e hoje se encontram distantes por muitas vezes por falta de opção na área de trabalho, é obvio e natural que sentem saudades de sua terra querida.

Pensando nisso e a pedido de várias pessoas resolvemos fazer um mural de fotos pra lá de especial, espero que vocês curtam bastante.

Aguardem!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

'Planeta Verde' revela maturidade do cinema brasileiro

Filme 3D rodado no Amzonas vai apresentar ao mundo nossa biodiversidade pelos olhos de um macaco prego
O filme conta as aventuras de um macaco prego
O filme conta as aventuras de um macaco prego (Divulgação)
Desde quando era apenas um roteiro, o filme “Amazônia – Planeta Verde” tinha tudo para entrar no rol das produções brasileiras mais ambiciosas. Prestes a entrar na fase de pós-produção, o longa já é cheio de predicativos: rodado em formato 3D, ele foi vendido para 22 países e é o filme em produção com o maior orçamento no País – os investimentos ultrapassam a marca dos 10 milhões de euros.
“É o trabalho mais difícil que a Gullane já fez, mas as dificuldades são proporcionais ao tamanho da satisfação que ele nos tem dado”, admitiu Fabiano, um dos sócios da produtora que leva seu sobrenome e o do irmão, Caio.

Dirigido pelo francês Thierry Ragobert, o mesmo de “Planeta Branco”, o docudrama “Planeta Verde” é uma coprodução França/Brasil (Biloba/Gullane) e levou três anos para ser filmado.
Presidente Figueiredo, Rio Negro e Alta Floresta (MT) serviram de locação para o filme, que conta as aventuras de um macaco prego, único sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia. Na telona, nada de seres humanos ou diálogos - a natureza e a interação entre os animais se encarregam do desenvolvimento da história.

‘Nosso Fitzcarraldo’

Para financiar um projeto tão vultoso, a Gullane recorreu ao sistema de audiovisual brasileiro, capitaneado pela Ancine e pelas leis de incentivo. Aqui no Amazonas, a equipe de mais de 100 pessoas contou com o apoio da Secretaria de Cultura, do Ibama e das Forças Armadas.
“O maior desafio foi fazer imagens de uma Amazônia intocada e dos animais de uma forma muito realista, enfrentando o risco da malária e as barreiras logísticas. Brincamos que essa experiência foi o nosso ‘Fitzcarraldo’. São histórias que vamos contar por aí”, pontuou Fabiano.

Os planos das produtoras incluem circular com o longa por festivais no Brasil e no exterior antes de colocá-lo em cartaz nas salas de cinema. A previsão é que “Planeta Verde” chegue às telonas, incluindo as de Manaus, no primeiro semestre de 2014.

‘Maturidade’

Para Fabiano Gullane, o filme transcende a sala de cinema e toca em um assunto importante, que é a preservação da biodiversidade. “Fala-se muito na Amazônia, mas poucos a conheceram de perto, então esse filme pode ser um convite a essa experiência. Também esperamos que a história do nosso macaquinho herói consiga despertar carinho e amor pela floresta”.
O produtor concorda que essa coprodução coloca o Brasil numa posição importante no cenário internacional. “Ao mesmo tempo em que revela a maturidade da indústria de cinema brasileiro, demonstra nossa ousadia em participar de projetos grandes e complexos”.

ROSIEL MENDONÇA

domingo, 27 de janeiro de 2013

A jornada dos peixes-bois no Solimões

Cinco animais que foram reintroduzidos à natureza há dois meses continuam sendo monitorados

Há dois meses acompanhei, a convite da Petrobras Ambiental e do Instituto de Pesquisa Mamirauá, a soltura de cinco peixes-bois que viveram quase toda a sua vida em cativeiro. Resgatados em diferentes circunstâncias (leia a história aqui) e condições dramáticas, os animais tiveram uma nova chance de viver a partir dos esforços dos moradores das comunidades ribeirinhas localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e dos pesquisadores do Instituto Mamirauá.

Fiquei três dias hospedada em um barco de linha à beira do Lago Amanã, afluente do rio Solimões, na divisa dos municípios de Tefé e Maraã. Foi a oportunidade que tive para conversar com os moradores das comunidades e com os cientistas e profissionais que eram verdadeiros “pais e mães” dos peixes-bois.

Havia dois grupos de peixes-bois. Em um deles estavam os cinco animais prestes a seguir na nova jornada pelas águas que ficavam em um curralzinho no meio da água (tem foto neste texto). Desta forma, eles iam se acostumando com o habitat natural.
Outros dois peixes-bois, mais ou menos filhotes, diria adolescentes (Japurá e Helena), permaneciam na piscina artificial, se alimentando de vegetação aquática e leite com vitaminas. O momento da mamada era uma ternurinha só. Até eu, não muito dada a tatibitatis e guti-gutis, fiquei enternecida. 

O pessoal do Mamirauá desenvolveu uma mamadeira própria que permite o animal beber o leite dentro d´água. Um invento muito apropriado porque, desta forma, a  se assemelha à mamada natural no seio da mãe.


Lágrimas
 
Agora eu vou falar. Me deu vontade de chorar enquanto testemunhava os preparativos da soltura. Ficava enchendo o saco dos moradores das comunidades que colaboravam com os pesquisadores. “Mas e se eles se perderem? Se eles não quiserem ser soltos? E se ele não se acostumarem com a nova vida? Se eles forem mortos”? Fiz essas perguntas meios tola até para a Míriam Marmontel, projeto de Conservação de Vertebrados Aquáticos (Aquavert) do Instituto Mamirauá.

Eu não tive muitas respostas para essas perguntas emocionadas e um tanto piegas. Na verdade, eu sabia que ninguém me responderia mesmo. Nem os cientistas. Todos estavam muito concentrados, preocupados para que tudo desse certo. 

Claro que todos sabiam que, ao longo de quatro anos, os trabalhos para ajudar os animais na reabilitação foram extremamente sérios e realizados com modelos científicos avançados. Os esforços para elaborar uma tecnologia de monitoramento foram brilhantemente executados.
Mas volto a afirmar. Me deu dó. Quando entrevistei uma das moradores da comunidade fiquei novamente com os olhos lacrimejantes. Ela estava feliz, mas com o coração apertado (foi a expressão que usou), pelo medo de ter feito “um trabalho em vão”. “Sabe, eu preferia que eles continuassem aqui com a gente”, comentou ela, pedindo para que essa declaração não fosse publicada na matéria que fiz para o Jornal A Crítica na época.

No momento da soltura, num sol à pino de agosto, uma hora da tarde, aquela expectativa. Quase uma hora no cercado de contenção para uma última adaptação. 

Lembro que comentei com a Tatiane, assessora de imprensa da Petrobrás Ambiental (que patrocina o projeto do Instituto Mamirauá): “E se eles não quiserem sair?”. Por isso não foi muita surpresa para mim quando, realmente, a gente esperou, esperou, aguardou e nada.
Os animais continuaram circulando no cercadinho. Horas, muitas horas depois eles começaram a fazer o reconhecimento. Descobriram que poderiam navegar mais longe, explorar outras áreas.

Finalmente, no início da noite, o último dos cinco peixes-bois se atreveu a sair do cercado, para a felicidade (e, acredito eu, para a tristeza também) de quem durante todos esses anos trabalharam para que estes animais soubessem o que é viver em liberdade


Notícias
 
De vez em quando eu pergunto do Augusto Rodrigues, assessor de imprensa do Aquavert, cuja sede é em Tefé, as últimas notícias dos peixes-bois.

No final de agosto, logo após a soltura, o Augusto me enviou o seguinte email:
“A última informação que tive sobre a telemetria dos peixes-boi é que eles ainda estão no igarapé do Juá Grande, mas não estão nadando juntos. O Alagoilton é mais difícil de saber, já que não dá pra vê-lo debaixo d'água”. 

No final de setembro, recebi este outro email, mais detalhado:

“Eles continuam sendo monitorados por duas equipes, nos turnos da manhã e da tarde. As equipes estão conseguindo localizar os bichos. Em alguns dias, os animais estão todos juntos, noutros ficam dispersos. Benguela, a única fêmea, costuma nadar ao lado de Negão (eles já foram localizados no lago Amanã, bem perto do Centrinho). Os animais estão se movimentando bastante, mas ainda não percorreram uma grande área. A expectativa é que eles passem o período da seca na área do lago Amanã e que, na cheia, acompanhem a migração natural dos peixes-boi para a região de Mamirauá”.

Nesta semana, o Augusto me falou que o Instituto Mamirauá fará um sobrevoo para tentar localizar o Jovenal. São essas as notícias. Vamos torcer para que o futuro de Piti, Negão, Alagoilton, Jovenal e Benguela  seja de liberdade nas águas amazônicas.

* As fotos aqui publicadas são da veterinária Carolina Oliveira. Na primeira foto, o charme de Benguela. A segunda mostra o Centro de Reabilitação de Peixes-Bois Amazônicos, o Centrinho, localizado no meio do Lago Amanã, afluente do rio Solimões. 

Blog Elaize Farias

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Falta de abrigos força Amazonas a ‘exportar’ animais

Sem conseguir dar abrigo aos silvestres resgatados aqui, órgãos ambientais precisam encontrar locais fora do Estado

A onça pintada, espécie ameaçada de extinção, é uma das que mais sofrem com falta de espaço, por pesar até 130 kg. Um exemplar está sendo levado para o Mato Grosso
A onça pintada, espécie ameaçada de extinção, é uma das que mais sofrem com falta de espaço, por pesar até 130 kg. Um exemplar está sendo levado para o Mato Grosso (Antonio Menezes)
 
O Amazonas, apesar de estar localizado no meio da maior biodiversidade do mundo, não possui abrigos suficientes para os mais de 800 animais silvestres que, anualmente, passam pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), provenientes de apreensões, entregas voluntárias e, em número menor, resgates. O jeito é tentar mandá-los para outros Estados brasileiros, uma tarefa nada fácil que se repete mensalmente.

Em 2012 foram 888, pertencentes a mais de 80 espécies diferentes. Os principais grupos estão entre as aves, primatas (macacos), felinos e quelônios. Alguns, são devolvidos ao seu habitat, dependendo de aspectos como o estado de saúde e o tempo em cativeiro.
Mas a maioria precisa ser transferida a criadouros controlados, como zoológicos, instituições de pesquisa, mantenedores de fauna silvestre e até voluntários, mas tudo de outros Estados. Os disponíveis em Manaus estão lotados.

(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa).


NELSON BRILHANTE

domingo, 8 de julho de 2012

Pesquisa desenvolve produtos fitocosméticos amazônicos a partir de produtos da castanheira

Schubert Pinto é um empresário do ramo farmacêutico que desenvolve pesquisas sobre castanheira

Estudo aproveita ouriço e castanha para fabricação de produtos como creme, gel, sabonetes e esfoliante
Estudo faz o aproveitamento do ouriço e da castanha na fabricação de creme, gel, sabonetes e esfoliante (Divulgação)


Uma empresa farmacêutica do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), vem desenvolvendo uma pesquisa sobre reaproveitamento dos produtos da castanheira. O autor do projeto, que está na fase final, é o empresário e pesquisador Schubert Pinto.
A pesquisa “Fitocosméticos a partir de subprodutos da castanha da Amazônia” surgiu por meio da observação sobre o desperdício desses insumos na natureza.
A intenção era substituir os produtos industriais que causam impacto ambiental no ecossistema do planeta.

Conforme o Schubert Pinto, sua empresa Pharmakos D’Amazônia faz o aproveitamento do ouriço e da castanha-da-amazônia na fabricação de creme, gel, sabonetes em barra, líquido e esfoliante a partir da casca da castanha manufaturada artesanalmente, acondicionada em embalagem orgânica biodegradável.

Segundo o empresário, alguns produtos já estão com registro de desenho industrial em andamento no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
É o caso do sabonete hidratante e esfoliante com óleo de castanha (Kastanha Soap).
Para Schubert, o diferencial da empresa está justamente na consciência ecologicamente correta e economicamente acessível. A empresa prioriza a utilização de insumos de origem amazônica e, atualmente, possui 71 diferentes tipos de produtos.

Apoio

O projeto contou com o apoio do Programa Amazonas de Apoio a Pesquisa em Micro e Pequenas Empresas (Pappe Subvenção/Finep Amazonas) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas(FAPEAM) no valor de R$ 131,7 mil.
O pesquisador destacou a importância do suporte financeiro para que a pequena empresa possa investir em pesquisa e tecnologia na criação e comercialização de produtos inovadores.

Empresas

Esse programa consiste em apoiar, com recursos financeiros, micro e pequenas empresas interessadas no desenvolvimento de produtos e processos inovadores.
É desenvolvido em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep-MCT), Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas (Sect), Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Seplan), Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e o Sebrae-AM. 

domingo, 20 de maio de 2012

Museu Goeldi, no Pará, lança Censo da Biodiversidade da Amazônia

O Censo da Biodiversidade, lançado em Belém pelo Museu Goeldi, já relaciona todas as 3,8 mil espécies pesquisadas pela instituição

Esqueleto de boto em exposição no Museu Emlio Goeldi, no Pará
Esqueleto de boto em exposição no Museu Emlio Goeldi, no Pará (Divulgação)

Informações sobre as milhares de espécies de animais e plantas da Amazônia começaram a ser organizadas em um levantamento que pode ajudar pesquisadores e gestores ambientais a acompanhar os avanços da biodiversidade e definir estratégias de conservação para a região.
O Censo da Biodiversidade, lançado em Belém pelo Museu Goeldi, já relaciona todas as 3,8 mil espécies pesquisadas pela instituição.
A lista inclui dados como nome científico, família e, em alguns casos, a categoria de ameaça de extinção de cada espécie.
 “Queremos atualizar o conhecimento para poder, por meio dos dados, planejar a conservação biológica e o uso da biodiversidade. A intenção é seguir no mesmo sentido do censo [demográfico] do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], que levanta informações sobre a sociedade, usadas pelos governos para planejar políticas públicas de saúde, educação e transporte, por exemplo”, explicou Ulisses Galatti, pesquisador e coordenador de Pesquisa e Pós- Graduação do Museu Goeldi.
Segundo Gallati, a expectativa é que, até o fim do ano, o levantamento inclua levantamentos de outras instituições que pesquisam a biodiversidade amazônica.
“Estamos conversando com outros grupos, como universidades e institutos de pesquisa, que atuam na região da Amazônia, para que também forneçam dados oficiais que serão atualizados constantemente”.


CAROLINA GONÇALVES (AGÊNCIA BRASIL)