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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Audiência Pública na Aleam discute reais impactos ambientais no Amazonas das hidrelétricas do rio Madeira

Participarão da audiência representantes do Ipaam

(Foto: O maracana) Municípios são afetados pelos efeitos negativos das hidrelétricas, ou seja, não é uma situação


Representantes de instituições ambientais, cientistas e populações que vivem ao longo do rio Madeira deverão participar, nesta sexta-feira (6), no miniplenário Cônego Azevedo da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam, da Audiência Pública “Impactos ambientais da instalação das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau na calha do Madeira”. A audiência foi proposta pelo deputado Dermilson Chagas (PDT) e tem a finalidade de expor os graves impactos na região, além de discutir medidas compensatórias para a população.

O parlamentar, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR), afirmou que a ideia é retomar o debate sobre os impactos  sociais e ambientais após a construção das usinas de Santo Antônio e Jirau (RO)  e como elas afetam negativamente as comunidades que vivem e dependem do rio Madeira para sobreviver.  “Nós já levantamos o assunto e a vamos retomar essa discussão. 

Municípios são afetados pelos efeitos negativos das hidrelétricas, ou seja, não é uma situação subjetiva e sim real. Nossa proposta é fazer com  que o Ministério Público Federal peça a inclusão dos impactos ambientais no Amazonas nos termos dos convênios compensatórios que a empresas responsáveis pelas hidrelétricas precisam fazer”, disse.

Uma reunião técnica já foi feita no dia 19 de junho deste ano onde representantes da comunidade científica informaram que, após a construção das usinas, há problemas de assoreamento e mudança na migração de peixes. Paralelo a esse registro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou que as barragens de Santo Antônio e Jirau  provocaram alteração na velocidade e curso do Madeira, o que aumentou o assoreamento do rio. Segundo o órgão, a dragagem (retirada de sedimentos do fundo do rio para aumentar profundidade e facilitar a navegabilidade) era necessária a cada cinco anos. 

O Dnit informou que, após a obra, a manutenção da dragagem precisa ser feita uma vez ao ano e o Governo Federal não tem recursos financeiros para realizar o serviço. “Não há mais várzea no rio Madeira. Há perdas na produção agrícola e pessoas terão que procurar outro lugar para morar. Precisamos ver uma forma para que essas famílias sejam compensadas”, declarou Chagas que julho propôs Seguro-Defeso dobrado para os pescadores da região.

Participarão da audiência representantes do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Federação das Empresas de Transportes de Cargas da Amazônia (Fetramaz), Ministério das Minas e Energia, presidentes das Câmaras Municipais de Novo Aripuanã e Manicoré, além do presidente da Comissão de Meio Ambiente Regional e Sustentável (CAAMA); deputado Luiz Castro (REDE).

O pesquisador Doutor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Dr. Philip M. Fearnside, fará uma palestra e trará dados científicos da região.

SERVIÇO

Assunto: Audiência Pública “Impactos ambientais da instalação das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau na calha do Madeira”
Data: dia 06/11
Hora: 9 horas
Local: Miniplenário Cônego Azevedo, Assembleia Legislativa do Amazonas.

Com Informação da Assessoria



sábado, 24 de março de 2012

Bianca Jagger faz apelo contra hidrelétricas na Amazônia

Ativista Ambiental está em Manaus e falou em português, diretamente à presidente Dilma: "Desista das barragens!"

Bianca Jagger  FOTO: Bruno Kelly

A ativista socioambiental Bianca Jagger fez um apelo, em Manaus, para que a presidente Dilma Rousseff reconsidere a construção das usinas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
Bianca, que participou do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, fez uma viagem de 10 dias pelos estados do Pará e Rondônia e acompanhou de perto o que ela chamou de "impactos irreversíveis" que os projetos vão causar.
"Vi com meus próprios olhos e posso dizer: as hidrelétricas não são economia verde! Os danos são irreversíveis. Caso leve os projetos adiante, o Brasil entrará para a história como um país que compromete o futuro da humanidade, destruindo seu patrimônio ambiental", ressaltou Jagger.
A Norte Energia, que está construindo Belo Monte, mente para as pessoas, segundo Bianca Jagger, pois "vende" uma imagem de empresa sustentável. Durante coletiva, foram apresentados dados que questionam esse modelo de geração de energia.
Segundo os cientistas Philip Fearnside e Brent Millikan, presentes no evento, o conceito é equivocado e não produz energia limpa. As hidrelétricas emitem gases do efeito estufa - principalmente o mais danoso deles, o metano.
"O Xingu é um tesouro do Brasil. É um dos últimos vestígios de um mundo perfeito. Belo Monte ameaça esse patrimônio, que é de todos os brasileiros", afirmou Bianca Jagger, completando que não tem a intenção de criticar as ações brasileiras, e sim participar do debate sobre que tipo de mundo, de desenvolvimento queremos. Para ela, não é mais possível se falar em desenvolvimento sem  levar em conta os direitos humanos e o meio ambiente.
Bianca disse também que a experiência de conviver com os índios da Amazônia é inesquecível, e criticou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que muda critérios de demarcação de terras indígenas.
A ativista nicaraguense, que foi casada com o roqueiro Mick Jagger, atua há décadas em defesa dos direitos humanos. Ela criou uma fundação, que leva seu nome, e integra o quadro consultivo da Anistia Internacional.


ARUANA BRIANEZI