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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Os dez elementos fundamentais que fazem parte da vida do homem do interior

Uma mulher, uma rede, uma lamparina, uma espingarda, uma canoa, um machado, uma flecha, um mosquiteiro, um terçado e um cachorro.

Casa tipica do caboclo ribeirinho da nossa região (Fotos: Edy Lima)

A canoa para procurar alimentos nos rios e nos lagos, e para lhe transportar de uma comunidade


1 – A mulher como companheira e amiga, para compartilhar de suas lutas cotidianas nas alegrias ou nas tristezas;

2 – A rede para seu descanso nas horas de fadigas;

3 – A lamparina para iluminar seu barraco;

4 – A espingarda para sua defesa e abater caças para a sua sobrevivência e da sua prole;

5 – A canoa para procurar alimentos nos rios e nos lagos, e para lhe transportar de uma comunidade a outras em visitas e para participar de festejos religiosos e tradicionais do interior;

6 – Uma machado para abater grandes árvores e fazer seus roçados;

7 – A flecha para flechar peixes para sua alimentação;

8 – Um mosquiteiro para livrar-se das picadas dos insetos;

9 – O terçado para abrir seus roçados e fazer caminhos nas matas em busca de produtos naturais;

10 – O cachorro para vigiar sua barraca, ajudá-lo nas caçadas, fazer companhia e avisar qualquer aproximação de animais ou visitantes.

Fonte: Histórias do Nosso Chão


Edy Lima DRT-AM 1823   

terça-feira, 29 de abril de 2014

Governo de Manicoré entrega cestas básicas e dinheiro para ribeirinhos afetados pela cheia

Com a vinda do governador José Melo à Manicoré

Gerente do Banco Bradesco realizando a entrega de R$ 300 reais à família ribeirinha afetado pela cheia (Foto: Edy Lima)

Cheia e liberou  R$ 396 mil em cheque solidário (Foto: Edy Lima)



Prefeitura Municipal de Manicoré através do Governo do Estado Amazonas vem desde o começo da semana distribuindo cestas básicas para as famílias ribeirinhas que tiveram suas plantações perdidas pela enchente histórica do Rio Madeira. A entrega esta sendo realizada no Centro de Referencia de Assistência Social (CRAS), onde somente na segunda-feira (29), foram entregue 267 cestas e nesta terça-feira (29), mais 137 foram entregue, no total de 400 cestas.

Com a vinda do governador José Melo à Manicoré o qual assinou um convênio de R$ 200 mil com a prefeitura para ajudar no socorro às vitimas da cheia e liberou  R$ 396 mil em cheque solidário,que consiste em uma ajuda financeira de R$ 300 para cada uma das 1.400 famílias afetas pela enchente em Manicoré. Também começou ontem a entrega dos cheques para cada família, ou seja, a pessoa pega o cheque em seguida dentro do próprio CRAS faz a troca do cheque por dinheiro vivo que é pago pelo gerente do Bradesco Sr. Ricardo.

Todo o trabalho que esta sendo realizado é acompanhado pelo prefeito de Manicoré Lúcio Flávio do Rosário, Defesa Civil do Município de Manicoré, Defesa Civil do Estado do Amazonas e por demais órgãos municipais envolvidos com essa ação solidária.



Edy Lima DRT/AM 1823

domingo, 16 de março de 2014

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais, a última grande enchente que enfrentaram foi em 1997

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira
Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira (Márcio Silva)
A rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré (distante 333 quilômetros de Manaus) mudou completamente com a cheia do rio Madeira. As comunidades rurais localizadas em área de várzea são as mais afetadas. A população do município soma pouco mais de 51.300 habitantes, sendo que mais de 50% estão na zona rural, segundo dados da prefeitura.

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais. A última grande enchente que enfrentaram foi em 1997. Mais de 15 anos depois, o município se mantém em estado de emergência. A situação foi decretada pela prefeitura no dia 10 de março, considerando o registro de elevação de 12 cm ao dia do nível do rio.

De acordo com o prefeito Lúcio Flávio do Rosário (PSD), Manicoré tem quase 200 comunidades rurais, incluindo as que estão em área de terra firme. Porém, 72 comunidades na área de várzea estão inundadas.

É pelo barco “Pai Rubem”, alugado pela prefeitura, que tem chegado a primeira assistência aos ribeirinhos que foram atingidos pela cheia. A prefeitura fez, no mês passado, o levantamento e cadastramento das famílias que estavam com as casas alagadas, e também das famílias que ainda seriam atingidas pela grande cheia.

O levantamento resultou numa operação de assistência aos ribeirinhos que iniciou na última quarta-feira com a meta de distribuir 600 cestas básicas, além de tábuas, peças de perna manca, redes, remédios e outros itens, até este domingo.

A embarcação saiu rumo às comunidades rurais com uma equipe da Defesa Civil do Município e de servidores da prefeitura. O objetivo da operação é abastecer emergencialmente as famílias mais carentes, que perderam suas produções rurais, e que não conseguiram se mudar para as comunidades de terra firme. Mais de mil famílias, somando mais de seis mil pessoas foram afetadas pela cheia.

No primeiro dia da operação, o barco esteve em três comunidades. Na comunidade Liberdade, localizada na chamada Região das Onças, o agricultor Paulo da Silva Ferreira, 39, disse que em oito dias, o nível do rio subiu um metro naquela área. “Os moradores estão assustados com a situação”, falou.

Liberdade está numa das partes mais altas da área de várzea. O que surpreendeu os moradores é que em outras cheias a água ficava bem abaixo do assoalho das casas. Este ano, faltam cerca de 50 cm para a água inundá-las.

Na comunidade Santo Antônio, muitas casas estão desocupadas. Alguns moradores se mudaram para comunidades na terra firme, outras estão morando em balsas de garimpo. Até a imagem de Santo Antônio foi retirada da igreja da comunidade que está alagada.

Elevação do rio Madeira

A elevação do nível do rio Madeira também ameaça a sobrevivência de animais na zona rural de Manicoré. Antes de chegarem até a área de terra firme, muitos animais acabam morrendo.

A enchente coloca em risco até animais ameaçados de extinção. Na comunidade Liberdade, um tamanduá-bandeira acabou sendo morto por um ribeirinho após ser encontrado debilitado devido a tentativa mal sucedida de procurar a terra firme. O morador alegou que não havia condições para tentar salvar o animal.

Os cães também tentam se salvar como podem. Ficam dentro de canoas, em cima de marombas ou dentro das casas de seus proprietários.

A agricultora Maria Duarte de Freitas, 48, disse que nunca quis criar um cachorro para evitar ver o animal sofrendo com a enchente. “A gente já sofre um sufoco durante a cheia, os animais também acabam sofrendo e às vezes até mais”, contou.

De acordo com a prefeitura, 100 patos, 300 galinhas e 250 porcos não conseguiram sobreviver a grande enchente. “Tenho 54 anos e ainda não tinha passado tanto sufoco”, disse a agricultora Eunice Freitas dos Santos.

por: CAROLINA SILVA
Jornal A CRÍTICA

quarta-feira, 12 de março de 2014

Ação emergencial para ajudar vitimas da cheia do madeira

Até o momento a prefeitura de Manicoré não recebeu


Serão distribuídos 1000 (Mil) cestas básicas(Foto: Edy Lima)



Na última terça-feira (11), saiu um barco com a Defesa Civil da Prefeitura de Manicoré para parte de cima do Rio Madeira levando ajuda assistencial aos ribeirinhos afetados pela a enchente que já dizimou boa parte da produção. 

Além da Defesa Civil de Manicoré, outros profissionais como da área da saúde, Promoção Social, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria de Produção, IDAM local, foram todos em só objetivo prestar solidariedade ao povo ribeirinho que no momento estão passando grande dificuldade.

Serão distribuídos 1000 (Mil) cestas básicas, mosquiteiros, redes de dormir, dezesseis metros cúbicos de madeira já beneficiada e outros benéficos serão feitos, para amenizar o sofrimento do agricultor que mora ao longo da calha do madeira que está completamente submersa. 

Até o momento a prefeitura de Manicoré não recebeu nem uma ajuda por parte do Governo do Estado do Amazonas e nem do Governo Federal, ou seja, que está sendo feito é com recursos próprios do município.

Na manhã de quarta-feira (12), Prefeito Lúcio Flávio e o Vice-prefeito Paulo Sérgio do município de Manicoré acompanhados de sua comitiva saíram para parte de cima do Rio Madeira ao encontro do barco que leva suprimentos, remédios e agasalhos para os desabrigados do médio madeira. 



Edy Lima DRT/AM 1823


terça-feira, 11 de março de 2014

Silas Câmara anuncia entrega do ‘Cartão SOS Enchente’, afetados pela cheia

Breve estarei acompanhando o Governador Omar Aziz 



Casa de família  ribeirinha que precisou abandonala por causa da cheia do madeira (Foto: Edy Lima)




Deputado Federal Silas Câmara (PSD), falou através de telefone de Manaus para o Programa de Rádio ‘Gerando Oportunidade’, na manhã da última segunda-feira (10), sobre a enchente do Rio Madeira que afeta moradores e principalmente as plantações do povo ribeiro no município de Manicoré.

O deputado Silas disse que “Estamos unidos para juntos vencermos as dificuldades do município de Manicoré”. “Como todos sabem que o Rio Madeira passar pelo um momento delicado, as águas estão praticamente a vinte e seis (26) metros acima do que estava quando começou essa avalanche de águas, no futuro temos que fazer um debate pra saber se realmente essa cheia é da natureza ou é provocada pela construção das hidrelétricas de Santo Antônio ou Jirau, ambas no Rio Madeira em Porto Velho, porem essa será outra conversa”. Disse Silas.

“Em nome do Governador do Estado do Amazonas Omar Aziz e Vice-Governador José Melo que me autorizaram a ir à região do Rio Madeira,inclusive eu estive no domingo (09), em Humaitá, mas infelizmente não pude ir ai em Manicoré, mais vocês sabem que vocês estão no processo de reconhecimento do decreto municipal, não sei se são de emergência ou de calamidade pública, tanto pelo estado ou pelo Governo Federal”.

Através de uma reivindicação do deputado Silas Câmara (PSD), junto ao Governo do Estado do Amazonas, tanto o Rio Madeira, quanto o Rio Purus, ou seja, todas as famílias afetadas pela cheia receberam nos próximos dias o ‘Cartão SOS Enchente’, “Esse cartão abençoado que vai ajudar bastante nossos irmãos que passam por esse momento tão delicado por causa da enchente, e breve estarei acompanhando o Governador Omar Aziz e Vice-governador José Melo até o município de Manicoré para realizarmos juntos a entrega desses cartões, que será de R$ 300,00 Reais por família”.


Edy Lima DRT/AM 1823


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Governo anuncia medidas para beneficiar povos extrativistas da Amazônia

Estão previstos investimentos no fortalecimento social e econômico de organizações extrativistas, em 2014, totalizando R$ 123 milhões

 O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente
O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente (Reprodução/Sócio Ambiental)
O governo federal anunciou na sexta-feira (29) medidas para beneficiar os povos e comunidades extrativistas da região amazônica. Dentre os benefícios estão a destinação de R$ 223,2 milhões para a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e R$ 11,7 milhões para formação de extrativistas nos próximos dois anos. O anúncio foi feito no Assentamento Extrativista Vila do Tonhão (PA) pelas ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

Em 2014, a Ater deverá ser ampliada nos territórios beneficiados pelo Programa Bolsa Verde, com chamada pública no valor de R$ 48 milhões. Outra medida anunciada é a destinação, até 2016, de R$ 120 milhões para garantir preços mínimos aos produtos extrativistas com base na ampliação da Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) para as famílias extrativistas.

Também estão previstos investimentos no fortalecimento social e econômico de organizações extrativistas, em 2014, totalizando R$ 123 milhões. Para estimular a cidadania na floresta, foi determinado ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ministério das Cidades que adotem os instrumentos necessários para viabilizar o uso da madeira para a construção de moradias no Programa Minha Casa, Minha Vida, além do acesso efetivo das populações extrativistas ao programa, garantindo o direito à moradia digna. Também serão destinados R$ 14 milhões para  aquisição de transporte escolar adequado para beneficiar e estimular a educação entre os povos da floresta e das águas.

O anúncio ocorreu dentro da programação do 2º Chamado dos Povos das Florestas, encontro organizado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), entidade que representa, politicamente, o movimento social dos extrativistas do Brasil. O conselho foi criado em 1985, no 1º Encontro Nacional de Seringueiros, feito em Brasília. A entidade é resultado da articulação política do líder seringueiro Chico Mendes. Na ocasião, também foi lançada a publicação Brasil Sustentável - Políticas Públicas para os Povos da Floresta.

SABRINA CRAIDE/AGÊNCIA BRASIL

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lanchas sociais irão atender comunidades ribeirinhas da Amazônia e Pantanal

Programa do Governo Federal destinará embarcações para serem usadas como Centros de Referência de Assistência Social

Lanchas sociais serão construídas na Base Naval de Val-de- Cães, em Belém, e distribuídas em 109 municípios das Regiões Norte e Centro-Oeste
Lanchas sociais serão construídas na Base Naval de Val-de- Cães, em Belém, e distribuídas em 109 municípios das Regiões Norte e Centro-Oeste (Divulgação/MDS)

Um acordo de cooperação técnica entre o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a Marinha do Brasil vai permitir que as populações ribeirinhas da Amazônia e Pantanal (Região Centro-Oeste) sejam assistidas dentro do plano “Brasil sem Miséria” a partir de 2013.

Inicialmente serão construídas cem lanchas sociais para atender 109 cidades da Região Norte e Centro-Oeste. Somente no Estado Amazonas serão beneficiados 31 municípios e outros 33 no Pará. Cada lancha, avaliada, em R$ 230 mil, terá capacidade de transportar até dez profissionais de assistência social, além da tripulação, enquanto os barcos comportam 12 profissionais.

A segunda fase do programa é construir os barcos sociais que serão transformados em Centros de Referência de Assistência Social (Cras). O investimento inicial previsto é R$ 23,1 milhões e a cooperação técnica entre as duas entidades vigora até 2014.
Com as lanchas, as populações ribeirinhas terão acesso a todos os serviços dos Cras. 

Os técnicos das embarcações prestarão serviços socioassistenciais como busca ativa, cadastramento no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, acompanhamento, atendimento às famílias, serviço de convivência com adolescentes, idosos e a população em geral, atividades de grupo, campanhas e esclarecimentos. Os barcos sociais serão os próprios Cras de forma volante.

A Marinha construirá as lanchas sociais na Base Naval de Val-de-Cães, em Belém (PA). A previsão é que todas as cem lanchas estejam prontas em nove meses – a partir de janeiro do ano que vem, devem começar os trabalhos nas duas regiões.

“Para o MDS, essas ações são fundamentais e estratégicas. Nosso grande desafio é garantir que o Estado e os serviços públicos cheguem a todos os cidadãos brasileiros, já que essa população não consegue chegar ao Estado. Não teríamos condições e expertise sem o apoio da Defesa, da Marinha", disse a ministra Tereza Campello.

A Marinha já desenvolve operações como essa nas áreas da educação e da saúde. A ministra do lembra que a meta do MDS é universalizar os serviços de assistência social, mas que as populações ribeirinhas ainda não conseguiam ter acesso a esse serviço devido às dificuldades de deslocamento. A ministra destaca que a Amazônia e o Pantanal são os primeiros passos nesse sentido. A partir dessa experiência, o MDS poderá avaliar a implantação das lanchas e dos barcos em outras localidades.

Deputado quer mais recursos
 
Na busca de atendimento às populações ribeirinhas da Amazônia, que só têm acesso por meio dos rios, o deputado federal Francisco Praciano (PT-AM) apresentou emendas à Medida Provisória 573/2012, que abre crédito extraordinário a vários Ministérios do Governo Federal, no valor de R$ 6,84 bilhões. O parlamentar amazonense solicita que sejam remanejados R$ 28,35 milhões para comprar 450 “ambulanchas” (pequenas unidades de saúde móvel por meio de embarcações) e atender 450 municípios da Região Norte.

O preço médio de cada uma dessas unidades fica em torno de R$ 63 mil. Na mesma medida provisória, Praciano também pede remanejamento de recursos no valor de R$ 16,8 milhões para comprar 14 barcos e transformá-los em Unidades Básicas de Saúde Fluvial, equipados com gabinete médico e odontológico. Outra proposta do deputado amazonense, oferecida à MP 573, pede R$ 74,2 milhões para aquisição de 450 barcos-escola para fazer o transporte escolar na região ao preço médio de R$ 165 mil.

Educação
 
O Ministério da Educação já adota as embarcações na Amazônia e no Pantanal no programa de Transporte Escolar desde 2004. Em 2012, há uma previsão de repasse de quase R$ 20 milhões ao transporte escolar no Amazonas.

ANTONIO PAULO

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Moradores de área alagada no AM obrigados a sair de invasão

Três mil famílias de Tefé (AM) são obrigadas a sair de área invadida durante cheia

O proprietário do local recorreu na justiça, e ganhou o direito a reintegração do terreno localizado na Colônia Ventura

Áreas alagadas no Município de Tefé, AM
Áreas alagadas no Município de Tefé, AM

Um grupo de quase 3 mil famílias do município de Tefé (a 520 quilômetros da capital) está prestes a ser expulso de uma área ao qual foram obrigados a ocupar por conta da cheia dos rios. A denuncia foi feita por um grupo de moradores da chamada Colônia Ventura, nesta sexta-feira (25).
O morador Pedro Cardoso de Souza explicou que a ocupação da terra que mede 500 metros de frente e 500 de comprimento, foi a única alternativa encontrada pela população ribeirinha para “fugir’ da cheia. Ele afirmou que a terra é improdutiva, e estava abandonada, servindo apenas para especulações financeiras.
De acordo com Pedro Souza, um homem chamado Paulo de Oliveira se identificou como proprietário do local e ganhou na justiça o direito de reintegração de posse. A decisão teria saído nessa quinta-feira (24), sob a chancela do juiz da cidade Dr Cid da Veiga Soares Júnior.
“Queremos uma reposta do poder público, não temos para onde ir, a situação de calamidade”, reclamou.
Um outro morador que se diz prejudicado com a decisão, ressalta que somente após uma manifestação realizada na manhã desta sexta, o prefeito da cidade Jucimar de Oliveira Veloso se reuniu com os moradores. “Somente depois da decisão estabelecida ele veio conversar conosco, ele nos propôs pela nossa saída a disponibilização de outra área, além de distribuir a 30 famílias telhas para ajudar a construir as casas”, destacou o Pastor Assis.
A reportagem tentou contato com o prefeito Jucimar Veloso, e com o juiz Cid Júnior, mas até a finalização da matéria não teve êxito.

ACRITICA

terça-feira, 1 de maio de 2012

Cheia diminui tempo de viagem entre municípios do AM

Enchente reduz o tempo de viagem entre diversos municípios

Viagens de barco no Amazonas estão mais rápidas devido aos furos, atalhos naturais, que surgem durante enchente
Viagens de barco no Amazonas estão mais rápidas devido aos furos, atalhos naturais, que surgem durante enchente (Bruno Kelly)

Enquanto a enchente dos rios da Amazônia castiga mais de 24 municípios do Estado e desabrigou aproximadamente 30 mil pessoas gerando prejuízos para a população ribeirinha, para a navegação a subida das águas é sinônimo de facilidade. Comandantes de embarcações contam que durante a cheia o tempo de viagem de Manaus para a maioria dos municípios do interior do Estado é reduzido em até cinco horas.
A rapidez na viagem se reflete também na economia de combustível e de dinheiro o que, segundo os donos de embarcações, faz com que o passageiro prefira viajar no período da cheia. A redução do tempo de viagem corresponde a uma economia de 400 litros de combustível que totaliza um gasto de menos
R$ 800 aos proprietários de embarcação.
Outro ponto considerado positivo pela navegação é o surgimento dos furos (atalhos) que só podem ser usados na época da cheia. Os canais que ficam secos na metade do ano, durante a cheia são inundados e possibilitam a entrada de embarcações reduzindo a distância da viagem entre os municípios. Um dos mais conhecidos é o Furo do Paracuúba que interliga o rio Negro ao Solimões na cheia. Na seca, as embarcações precisam contornar o Encontro das Águas ou encarar um furo mais longo, o do Xiborena. Segundo o conferente de embarcação, Junior Guimarães, 17, o Paracuúba reduz em 40 minutos o trajeto entre os rios.
Já entre os Municípios de Itapiranga e São Sebastião o canal conhecido como Furo do Unicórnio reduz em duas horas a duração da viagem para a Manaus. “Hoje até navio entra no Paracuuba e no Furo do Unicórnio”, disse Junior Guimarães.
O barco onde Junior trabalhar faz uma viagem por semana para os Municípios de Benjamin Constant, Urucará, São Sebastião, Itapiranga, Humaitá e Itacoatiara transportando 50 passageiros e 130 toneladas de carga. Na seca o peso transportado é menor para reduzir risco de acidentes. “A diferença de transportar na cheia é grande porque tem os atalhos e é menos perigo. Quando o rio está seco aparecem muitos obstáculos, pedras, praias e bancos de areia. Já na cheia qualquer pessoas leva o barco porque é quase garantia que não haverá nenhum obstáculo.
Para o comandante da embarcação PP 2001, Clodoaldo Monteiro, a época é a melhor para navegar. Há 13 anos ele faz transporte para o Município de Autazes (a 113 quilômetros de Manaus) e afirma que a cheia gera uma economia de 30% para a navegação. “Sem dúvida fica mais fácil para todos. Diminui a despesa e viagem fica mais rápida. Quando o rio está seco a viagem para Autazes saindo da Manaus Moderna dura 12 horas. Quando o rio está cheio o tempo cai para sete horas", disse.
Aposentado destaca o contraste da situação
Para o aposentado João Figueira Batista, 74, a cheia corresponde a um contraste entre os transtornos que ela causa a população, principalmente ribeirinha, e a rapidez que ela proporciona à navegação. Ele tem casas nos Municípios de Urucará, onde passa mais tempo e em Parintins e vem à capital para visitar familiares e tratar de assuntos particulares.
O aposentado conta que vive viajando apenas por meio de transporte fluvial e que a época da cheia é a que ele mais gosta de viajar. “Claro que a cheia é ruim para o ribeirinho que fica debaixo da água, mas é a melhor época para viajar. Mesmo quem está acostumado a viajar de barco acho desconfortável viajar na seca porque demora mais e é diferente. Agora na cheia tudo é facilitado e o percurso fica até mais tranquilo”, disse.
O único problema para navegação é que aumenta o número de troncos que descem o rio.
Água invadiu comércio no Centro
Alternativa dos lojistas é levantar marombas para acondicionar mercadorias e fazer pontes para o uso dos clientes Comerciantes do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e Feira da Banana instalavam, ontem, suportes de madeiras e marombas no interior das lojas. A água do rio Negro já invadiu depósitos dos estabelecimentos e parte da rua dos Barés e da Barão de São Domingos, Centro. De domingo para ontem, o rio subiu quatro centímetros, alcançando a cota de 29,20. No mesmo dia, em 2009, era de 28,68.
Em muitas lojas de material de pesca e de varejo, funcionários penduram mercadorias e usam botas de borracha. “A água entrou na loja, o movimento caiu, mas nós precisamos continuar trabalhando porque não temos outro ponto comercial e com ou sem água temos de pagar o aluguel”, disse a gerente Dôra Gomes, 37.
Ainda segundo a comerciante, os banheiros foram interditados . “Falaram que a Defesa Civil ia instalar banheiros químicos na rua. Estamos esperando porque os das lojas você não pode usar mais”.
Na rua dos Barés, entre as ruas Joaquim Nabuco e Pedro Botelho, perto da Feira da Banana, o nível da água nas calçadas alcançou os 30 centímetros e sete comércios foram afetados. “Alguns estabelecimentos fecharam e outros mudaram de local devido à cheia que se aproxima. O meu depósito já está alagado e semana que vem, vou me mudar”, contou o microempresário Jônatas Silva, 52.
Conforme os comerciantes, a rua começou a ficar alagada desde a semana passada. Colaborou: Milton de Oliveira

FLORÊNCIO MESQUITA