Enquanto
a enchente dos rios da Amazônia castiga mais de 24 municípios do Estado
e desabrigou aproximadamente 30 mil pessoas gerando prejuízos para a
população ribeirinha, para a navegação a subida das águas é sinônimo de
facilidade. Comandantes de embarcações contam que durante a cheia o
tempo de viagem de Manaus para a maioria dos municípios do interior do
Estado é reduzido em até cinco horas.
A
rapidez na viagem se reflete também na economia de combustível e de
dinheiro o que, segundo os donos de embarcações, faz com que o
passageiro prefira viajar no período da cheia. A redução do tempo de
viagem corresponde a uma economia de 400 litros de combustível que
totaliza um gasto de menos
R$ 800 aos proprietários de embarcação.
Outro
ponto considerado positivo pela navegação é o surgimento dos furos
(atalhos) que só podem ser usados na época da cheia. Os canais que ficam
secos na metade do ano, durante a cheia são inundados e possibilitam a
entrada de embarcações reduzindo a distância da viagem entre os
municípios. Um dos mais conhecidos é o Furo do Paracuúba que interliga o
rio Negro ao Solimões na cheia. Na seca, as embarcações precisam
contornar o Encontro das Águas ou encarar um furo mais longo, o do
Xiborena. Segundo o conferente de embarcação, Junior Guimarães, 17, o
Paracuúba reduz em 40 minutos o trajeto entre os rios.
Já
entre os Municípios de Itapiranga e São Sebastião o canal conhecido
como Furo do Unicórnio reduz em duas horas a duração da viagem para a
Manaus. “Hoje até navio entra no Paracuuba e no Furo do Unicórnio”,
disse Junior Guimarães.
O
barco onde Junior trabalhar faz uma viagem por semana para os
Municípios de Benjamin Constant, Urucará, São Sebastião, Itapiranga,
Humaitá e Itacoatiara transportando 50 passageiros e 130 toneladas de
carga. Na seca o peso transportado é menor para reduzir risco de
acidentes. “A diferença de transportar na cheia é grande porque tem os
atalhos e é menos perigo. Quando o rio está seco aparecem muitos
obstáculos, pedras, praias e bancos de areia. Já na cheia qualquer
pessoas leva o barco porque é quase garantia que não haverá nenhum
obstáculo.
Para
o comandante da embarcação PP 2001, Clodoaldo Monteiro, a época é a
melhor para navegar. Há 13 anos ele faz transporte para o Município de
Autazes (a 113 quilômetros de Manaus) e afirma que a
cheia
gera uma economia de 30% para a navegação. “Sem dúvida fica mais fácil
para todos. Diminui a despesa e viagem fica mais rápida. Quando o rio
está seco a viagem para Autazes saindo da Manaus Moderna dura 12 horas.
Quando o rio está cheio o tempo cai para sete horas", disse.
Aposentado destaca o contraste da situação
Para
o aposentado João Figueira Batista, 74, a cheia corresponde a um
contraste entre os transtornos que ela causa a população, principalmente
ribeirinha, e a rapidez que ela proporciona à navegação. Ele tem casas
nos Municípios de Urucará, onde passa mais tempo e em Parintins e vem à
capital para visitar familiares e tratar de assuntos particulares.
O
aposentado conta que vive viajando apenas por meio de transporte
fluvial e que a época da cheia é a que ele mais gosta de viajar. “Claro
que a cheia é ruim para o ribeirinho que fica debaixo da água, mas é a
melhor época para viajar. Mesmo quem está acostumado a viajar de barco
acho desconfortável viajar na seca porque demora mais e é diferente.
Agora na cheia tudo é facilitado e o percurso fica até mais tranquilo”,
disse.
O único problema para navegação é que aumenta o número de troncos que descem o rio.
Água invadiu comércio no Centro
Alternativa
dos lojistas é levantar marombas para acondicionar mercadorias e fazer
pontes para o uso dos clientes Comerciantes do Mercado Municipal
Adolpho Lisboa e Feira da Banana instalavam, ontem, suportes de
madeiras e marombas no interior das lojas. A água do rio Negro já
invadiu depósitos dos estabelecimentos e parte da rua dos Barés e da
Barão de São Domingos, Centro. De domingo para ontem, o rio subiu
quatro centímetros, alcançando a cota de 29,20. No mesmo dia, em 2009,
era de 28,68.
Em
muitas lojas de material de pesca e de varejo, funcionários penduram
mercadorias e usam botas de borracha. “A água entrou na loja, o
movimento caiu, mas nós precisamos continuar trabalhando porque não
temos outro ponto comercial e com ou sem água temos de pagar o
aluguel”, disse a gerente Dôra Gomes, 37.
Ainda
segundo a comerciante, os banheiros foram interditados . “Falaram que a
Defesa Civil ia instalar banheiros químicos na rua. Estamos esperando
porque os das lojas você não pode usar mais”.
Na
rua dos Barés, entre as ruas Joaquim Nabuco e Pedro Botelho, perto da
Feira da Banana, o nível da água nas calçadas alcançou os 30
centímetros e sete comércios foram afetados. “Alguns estabelecimentos
fecharam e outros mudaram de local devido à cheia que se aproxima. O
meu depósito já está alagado e semana que vem, vou me mudar”, contou o
microempresário Jônatas Silva, 52.
Conforme os comerciantes, a rua começou a ficar alagada desde a semana passada. Colaborou: Milton de Oliveira
FLORÊNCIO MESQUITA