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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Projeto aplicado no Sul do Amazonas incentiva produtores a lucrar com a preservação

O projeto que vai atender aos Municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã, incentiva produtores a produzir de forma sustentável 

Segundo a secretária da SDS, Nádia Ferreira, a região do Sul do Amazonas é a que mais preocupa quanto ao desmatamento
Segundo a secretária da SDS, Nádia Ferreira, a região do Sul do Amazonas é a que mais preocupa quanto ao desmatamento (Euzivaldo Queiroz)
Um projeto pioneiro de reflorestamento das áreas de desmatamento no Sul do Estado do Amazonas com espécies de valor comercial para geração de renda começa a mostrar os resultados dos primeiros passos. Após a identificação de mil propriedades a serem contempladas com ações de reflorestamento de 1450 hectares por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), anuncia a realização de cursos de capacitação para os produtores rurais, a partir da segunda quinzena de fevereiro.

Com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), usando recursos do Fundo Amazônia, no total de R$ 20 milhões, o projeto vai atender aos Municípios de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus), Lábrea (a 703 quilômetros), Apuí (a 476 quilômetros) e Novo Aripuanã (a 228 quilômetros), famosos pelos altos índices de desmatamento. Estão também no projeto o Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Segundo a titular da SDS, Nádia Ferreira, projeto foi assinado no final de 2010 e, dada a complexidade, está ainda na fase de identificação das áreas. Mas em 238 propriedades devidamente identificadas já foi iniciado o processo de mecanização agrícola com a impeza e preparação das áreas de plantio, ação que deve ser concluída até julho deste ano para, no mês de agosto, iniciar-se a adubação e abertura de covas para o plantio. “Cada propriedade foi visitada e avaliada, tendo o produtor aderido ao projeto”, explicou a secretária.

ESPÉCIES

As espécies escolhidas pelos produtores são a castanha, andiroba, cedro rosa, paricá, ipê, cumaru, guaraná, cupuaçu, açaí, banana, café, cacau, jatobá, piquiá, jenipapo, cedrinho e angelim. “Serão reflorestadas 1000 propriedades rurais, das quais 350 estarão no Município de Apuí, 250 no Município de Boca do Acre, 250 no Município de Lábrea e 150 no Município de Novo Aripuanã”, revelou Nádia.

O processo de produção das mudas foi iniciado em janeiro deste ano pela empresa Campos da Amazônia Biotecnologia Consultoria e Comércio Ltda, contratada por R$ 6,7 milhões para a produção de aproximadamente 1,4 mil mudas em quatro viveiros construídos na sede dos municípios. De acordo com o calendário agrícola, as mudas serão distribuídas nas propriedades rurais a partir de setembro para que os produtores iniciem o plantio com orientação técnica do Idam, explicou a secretária.

Objetivo é mudar processos

De acordo com a coordenação do projeto, como incentivo à mudança do processo produtivo atual para uma produção de característica mais sustentável, estão sendo implantados nos municípios de abrangência do projeto 12 modelos de produção para ampla escolha dos contemplados.

Entre os cursos estão os de educação ambiental voltada à agricultura familiar, agroecologia, cadastro ambiental rural, coleta de sementes florestais, sistemas agroflorestais, integração lavoura, pecuária e floresta, e pastejo rotacionado. Para agregar renda às famílias, o Idam distribui sementes de espécies de ciclo curto, tais como  milho, arroz e feijão para serem plantadas nas áreas onde já foi realizada a mecanização agrícola.
O investimento do projeto em cada produtor ao final será em torno de R$ 16 mil. Com a produção de médios e longos ciclos, a expectativa é que eles percebam que estão fazendo uma espécie de “poupança verde”, que se bem cuidada, terá frutos a curto, médio e longo prazo, finaliza Nádia Ferreira.

ANA CELIA OSSAME

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Peixe-boi nasce em cativeiro no interior do Amazonas

Centro de Preservação no interior do Amazonas registra o nascimento de sétimo peixe-boi

De acordo com a veterinária do CPPMA, Stella Lazzarini, o futuro do filhote será cercado de cuidados para que possa partir ao seu habitat natural

A fêmea de peixe-boi Amã é o sétimo animal a nascer no Centro de Preservação
A fêmea de peixe-boi Amã é o sétimo animal a nascer no Centro de Preservação (Divulgação)

Amã. Este será o nome da recém-nascida fêmea de peixe-boi do Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos (CPPMA), localizado na Vila de Balbina, no município de Presidente Figueiredo – situado a 107 quilômetros de Manaus. A fêmea é o sétimo animal nascido em cativeiro.
O nome do animal foi sugerido pelo menino Juliano Prado, 9, que vive com a família na comunidade ribeirinha Santa Helena do Abacate, localizada no Rio Abacate, afluente da margem esquerda do Rio Uatumã, após participar de um concurso para selecionar o nome do filhote.
A mãe do filhote, Iara tem sete anos e chegou ainda filhote ao CPPMA, em 2005. De acordo com a médica veterinária do Centro, Stella Lazzarini, o futuro do filhote será cercado de cuidados para que possa partir ao seu habitat natural.
“O trabalho de conscientização das populações ribeirinhas é fundamental para que possamos fazer a reintegração deste e dos outros peixes-bois sem que eles se tornem vítimas da caça ilegal”, afirma Stella.
O concurso para a escolha do nome do animal foi realizado na última semana durante a segunda expedição do projeto “Protegendo a vida na Amazônia”, que teve o objetivo de levar informações sobre a preservação da fauna regional, principalmente dos peixes-bois, para mais de 20 comunidades ribeirinhas, onde vivem mais de oito mil pessoas. A ação é patrocinada pela Tetra Pak, com o apoio da Eletrobras Amazonas Energia.

ACRITICA

quinta-feira, 22 de março de 2012

O exemplo de floresta preservada na região

Amazonas > Estado aparece no ranking de desmatamento nas últimas posições

Florestas virgens próximas a Manaus revelam que a política ambiental do Estado segue de acordo com as campanhas em defesa do verde e da mata em pé, apesar do desmatamento em outras áreas
Florestas virgens próximas a Manaus revelam que a política ambiental do Estado segue de acordo com as campanhas em defesa do verde e da mata em pé, apesar do desmatamento em outras áreas (Arquivo/A CRÍTICA)

Na discussão sobre preservação do meio ambiente, o Estado do Amazonas exerce um papel de liderança no cenário nacional e internacional. Com uma área superior a vários países europeus juntos (1,5 milhão de quilômetros quadrados), o Amazonas tem 98% de sua área de floresta preservada. Para melhorar ainda mais o cenário, as taxas de desmatamento no Estado vem seguindo a tendência nacional e caindo ano após ano. Mas esse quadro de aparente equilíbrio não significa que os desafios tenham sido todos vencidos.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2010 e julho de 2011, a taxa de desmatamento do Brasil foi a menor em 22 anos. No período, o Brasil perdeu 6.238 quilômetros quadrados de floresta.
As reduções também foram sentidas no Amazonas. De acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS), em 2011, houve redução de 11,76% em relação a 2010.
No entanto, os maiores desafios na contenção do desmatamento na Amazônia ainda permanecem os mesmos, com alguns novos agravantes. O principal foco de tensão continua sendo a região conhecida como Arco do Fogo, na divisa do Amazonas com o Mato Grosso e Rondônia. A região sofre com o avanço da agropecuária e com o desmatamento ilegal. Os municípios mais impactados na região são Manicoré, Lábrea e Apuí. Em Manicoré, aliás, as tensões agrárias foram responsáveis pela morte do líder Nardélio Delmiro Gomes, assassinado a tiros em novembro do ano passado na localidade conhecida como Santo Antônio do Matupi.
Além das tradicionais zonas de conflito, novas áreas de tensão estão surgindo, desta vez, mais próximas da capital. Com a inauguração da ponte Rio Negro, ligando Manaus ao município de Iranduba, uma nova frente de expansão urbana foi criada. As autoridades têm enfrentado dificuldade em lidar com o avanço dos loteamentos irregulares, mas a SDS, juntamente com o Batalhão Ambiental da Polícia Militar e do Ipaam, têm feito ações constantes na região para tentar minimizar os impactos.
Trunfo
Em outubro de 2011, durante a inauguração da ponte Rio Negro, a presidente Dilma Rousseff anunciou a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais mais 50 anos.
A notícia foi celebrada por economistas e ambientalitas que defendem o modelo econômico instalado no Amazonas como sendo um dos responsáveis pela manutenção da preservação da floresta no Estado. Estudos realizados no final da década passada indicam que boa parte do atual estágio de preservação da floresta se deve à Zona Franca de Manaus e ao Polo Industrial de Manaus (PIM) em seus respectivos momentos históricos.
Hoje, o maior desafio das autoridades locais é encontrar mecanismos que aliem a preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Com a criação da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em 2007, projetos nesse sentido e também voltados para a venda de serviços ambientais estão tentando preencher esta lacuna.
Taxa
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2010 e julho de 2011, a taxa de desmatamento do Brasil foi a menor em 22 anos. No período, o Brasil perdeu 6.238 quilômetros quadrados de floresta.

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