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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Bancada do Amazonas já conta com 64 assinaturas para derrubar portaria que suspende defeso

O Senado Federal pode impor nova derrota ao Governo Federal 

(Foto: new.24) Os pescadores tentam evitar as graves consequências sociais e ambientais da Portaria interministerial 


O Senado Federal pode impor nova derrota ao Governo Federal e derrubar a Portaria n°192/2015 do governo que suspendeu, por 120 dias, o período do defeso – em que a pesca é proibida por conta da reprodução dos peixes. Nesta quinta-feira (12), o deputado Dermilson Chagas (PDT) afirmou na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) que o senador Omar Aziz (PSD) e demais parlamentares da bancada do Amazonas já articularam a assinatura de 64 dos 81 senadores.

A bancada do Amazonas espera, agora, o apoio do PMDB na Casa por meio da senadora pelo Amazonas Sandra Braga. Há duas semanas, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 238/15, de autoria do deputado federal Silas Câmara (PSD), que susta os efeitos da portaria.

O projeto seguiu para o  Senado e aguarda a votação. “Ontem, o senador Omar conseguiu articular 64 assinaturas para a derrubada da Portaria 192 do Governo Federal, que suspende o defeso e por consequência o Seguro-Defeso. Graças a Deus os senadores estão comungando da dor e do sofrimento do nosso povo ribeirinho e estão vendo como foi feito esse processo. Aguardamos agora para ir à votação no plenário”, disse.

O caso
Os pescadores tentam evitar as graves consequências sociais e ambientais da Portaria interministerial nº 192 do Governo Federal, assinada pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Meio Ambiente (MMA), no dia 5 de outubro. Na portaria, os ministérios suspendem o defeso e o pagamento do benefício referente à pesca da pirapitinga, mapará, sardinha, pacu, aruanã e matrinxã, antes proibida para garantir a reprodução das espécies. A medida, que afeta 110 mil famílias de pescadores no Amazonas, foi tomada sob a justificativa de recadastrar os beneficiários do sistema e revisar as áreas de abrangência para evitar as fraudes.

O benefício envolve um recurso de R$ 280 milhões para o Amazonas e R$ 2,3 bilhões em todo País. “Reitero que sou a favor de que as irregularidades sejam combatidas, mas não podem prejudicar toda uma classe por conta de alguns. Não concordo como o processo foi feito”, finaliza Chagas.
A possibilidade de não recebimento do benefício mobiliza todo o setor pesqueiro do Amazonas que promete ir à Brasília para acompanhar a votação no Senado. Em outubro, aproximadamente e 1,5 mil pescadores artesanais do Amazonas foram às ruas nos municípios de Novo Airão, Lábrea, Urucará e Manacapuru em uma grande mobilização contra a medida do Governo Federal.   

Temor
Sem o defeso os pescadores artesanais e moradores de reservas de desenvolvimento sustentável do Amazonas temem a invasão dos lagos de manejo e igarapés do Amazonas após a suspensão do defeso de espécies de pescado caso o Senado não derrube a Portaria N° 192.
No Amazonas, a medida punia os infratores com a perda total do lote, independente da espécie, além de proibir a pesca em um raio de 1.500 metros nas confluências dos sistemas dos rios e corpos d’água mencionados.  A portaria também mencionava a proibição da pesca das espécies nos rios Negro, Japurá, Madeira, Amazonas, Juruá, Purus e Solimões.

Com Informação da Assessorira


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ônibus que viajava de Humaitá para Manaus tomba de ponte de madeira na BR-319

Motorista pediu que passageiros saíssem do coletivo para ele passar sobre estrutura de madeira, que não aguentou e o ônibus despencou em barranco

 

Acidente ocorreu quando motorista passava em ponte de madeira (Divulgação)




Um ônibus da empresa Aruanã Transportes, de placas NPB-2881, que faziaviagem de Humaitá para Manaus, se envolveu em um acidente e tombou em um barranco quando fazia travessia sobre uma ponte de madeira na rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), na madrugada de quinta-feira (6).

O acidente ocorreu entre os quilômetros 290 e 305 da rodovia, trecho não asfaltado. Segundo a empresa, aquela parte da BR-319 estava com a pista prejudicada e o motorista decidiu desviar pela ponte. Sabendo dos riscos, ele pediu para que os passageiros saíssem do coletivo para ele passar na estrutura de madeira, porém a ponte não aguentou o peso, começou a estalar e quebrou. O ônibus deslizou e caiu num barranco ao lado.
O trecho exato do acidente e a quantidade de passageiros não foi confirmado pela Aruanã. Entretanto, segundo o diretor da empresa, Flávio Willer, os passageiros seguiram viagem e já chegaram a Manaus na noite de ontem. A forma da nova viagem até Manaus não foi informada, mas os passageiros teriam sido resgatados por outro ônibus no local.
O ônibus, conforme a Aruanã, também já teria sido retirado do barranco e estaria no trajeto de viagem para a capital, com a parte dele comprometida. Uma construtora que fazia obras no local teria ajudado a retirar o coletivo de dentro do barranco usando outro veículo. O motorista teve apenas escoriações e passa bem.
Retorno após 21 anos
Desde o início de outubro a empresa Aruanã Transportes voltou a desbravar a rodovia federal BR-319 e oferecer transporte intermunicipal entre os municípios Manaus, Humaitá e Lábrea. A última vez que a empresa havia operado essa linha para cidades no sul do estado foi há exatamente 21 anos


Vinicius Leão


domingo, 16 de março de 2014

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais, a última grande enchente que enfrentaram foi em 1997

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira
Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira (Márcio Silva)
A rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré (distante 333 quilômetros de Manaus) mudou completamente com a cheia do rio Madeira. As comunidades rurais localizadas em área de várzea são as mais afetadas. A população do município soma pouco mais de 51.300 habitantes, sendo que mais de 50% estão na zona rural, segundo dados da prefeitura.

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais. A última grande enchente que enfrentaram foi em 1997. Mais de 15 anos depois, o município se mantém em estado de emergência. A situação foi decretada pela prefeitura no dia 10 de março, considerando o registro de elevação de 12 cm ao dia do nível do rio.

De acordo com o prefeito Lúcio Flávio do Rosário (PSD), Manicoré tem quase 200 comunidades rurais, incluindo as que estão em área de terra firme. Porém, 72 comunidades na área de várzea estão inundadas.

É pelo barco “Pai Rubem”, alugado pela prefeitura, que tem chegado a primeira assistência aos ribeirinhos que foram atingidos pela cheia. A prefeitura fez, no mês passado, o levantamento e cadastramento das famílias que estavam com as casas alagadas, e também das famílias que ainda seriam atingidas pela grande cheia.

O levantamento resultou numa operação de assistência aos ribeirinhos que iniciou na última quarta-feira com a meta de distribuir 600 cestas básicas, além de tábuas, peças de perna manca, redes, remédios e outros itens, até este domingo.

A embarcação saiu rumo às comunidades rurais com uma equipe da Defesa Civil do Município e de servidores da prefeitura. O objetivo da operação é abastecer emergencialmente as famílias mais carentes, que perderam suas produções rurais, e que não conseguiram se mudar para as comunidades de terra firme. Mais de mil famílias, somando mais de seis mil pessoas foram afetadas pela cheia.

No primeiro dia da operação, o barco esteve em três comunidades. Na comunidade Liberdade, localizada na chamada Região das Onças, o agricultor Paulo da Silva Ferreira, 39, disse que em oito dias, o nível do rio subiu um metro naquela área. “Os moradores estão assustados com a situação”, falou.

Liberdade está numa das partes mais altas da área de várzea. O que surpreendeu os moradores é que em outras cheias a água ficava bem abaixo do assoalho das casas. Este ano, faltam cerca de 50 cm para a água inundá-las.

Na comunidade Santo Antônio, muitas casas estão desocupadas. Alguns moradores se mudaram para comunidades na terra firme, outras estão morando em balsas de garimpo. Até a imagem de Santo Antônio foi retirada da igreja da comunidade que está alagada.

Elevação do rio Madeira

A elevação do nível do rio Madeira também ameaça a sobrevivência de animais na zona rural de Manicoré. Antes de chegarem até a área de terra firme, muitos animais acabam morrendo.

A enchente coloca em risco até animais ameaçados de extinção. Na comunidade Liberdade, um tamanduá-bandeira acabou sendo morto por um ribeirinho após ser encontrado debilitado devido a tentativa mal sucedida de procurar a terra firme. O morador alegou que não havia condições para tentar salvar o animal.

Os cães também tentam se salvar como podem. Ficam dentro de canoas, em cima de marombas ou dentro das casas de seus proprietários.

A agricultora Maria Duarte de Freitas, 48, disse que nunca quis criar um cachorro para evitar ver o animal sofrendo com a enchente. “A gente já sofre um sufoco durante a cheia, os animais também acabam sofrendo e às vezes até mais”, contou.

De acordo com a prefeitura, 100 patos, 300 galinhas e 250 porcos não conseguiram sobreviver a grande enchente. “Tenho 54 anos e ainda não tinha passado tanto sufoco”, disse a agricultora Eunice Freitas dos Santos.

por: CAROLINA SILVA
Jornal A CRÍTICA