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segunda-feira, 16 de março de 2015

População começa a deixar aos poucos o município de Boca do Acre por conta da cheia

Prefeitura estima que mais de 200 famílias já deixaram a cidade rumo a Rio Branco, capital do Estado do Acre. Quem não tem para onde ir permanece na cidade em abrigos ou em casas alagadas


Cidade corre risco de ficar desabastecida (Evandro Seixas)

A Prefeitura de Boca do Acre, município distante 1.028 quilômetros de Manaus, estima que mais de 200 famílias deixaram a cidade nas últimas duas semanas. Oito dos nove bairros da cidade estão inundados. A falta de água potável, a impossibilidade de locomoção e o medo dos estragos causados pela força da água dos rios Acre e Purus têm levado os moradores a procurar abrigo na capital Rio Branco (AC). No dia 10 de março a cidade entrou em estado de calamidade pública por conta da enchente e, até agora, é a única do Amazonas em situação extrema.
Com a cidade inundada, os taxistas se aglomeram na avenida do Desvio, única que ainda não foi para o fundo. Lá, eles esperam pela única corrida do dia: a viagem para Rio Branco. Adailton Farias Noronha, 42, conta que tem feito duas viagens dessas por semana, sempre com o carro cheio. “Muita gente decide ir porque está sem condições de ficar em casa. Alguns têm casas de parentes para ficar”, conta ele.
A viagem custa R$ 80 por pessoa e tem sido a única forma de ganhar dinheiro para quem trabalha com transporte na cidade. “É a única forma de ganhar um dinheiro, já que não se anda mais de táxi aqui na cidade”, contou o taxista Amauri Felício, 34.
Mudança
Mãe de duas crianças, a dona de casa Mary de Lima Souza, 20, decidiu deixar a casa para trás e ir com a irmã e os filhos para a casa da mãe. “Meu marido vai ficar por causa do trabalho e da casa”, contou. O problema é que a situação na capital acriana também é de calamidade pública, decretada em 4 de março.
Para sair do bairro em que mora e tentar pegar um transporte para deixar a cidade foi preciso um barco, segundo a professora Ivanilda Souza, 45. “Eu vou passar esse tempo na casa de parentes. Depois eu vejo como ajeito minha vida”, desabafa.
Abrigos Quem não tem condições de procurar outra cidade se abriga como pode. Mais de 375 pessoas estão morando em barracas instaladas pela Defesa Civil do Amazonas em áreas que não foram atingidas pela água. Algumas salvaram apenas roupas, colchões e alguns eletroeletrônicos.
Segundo o secretário da Defesa Civil, Roberto Rocha, muitas pessoas, apesar do risco, permanecem em suas casas por questões afetivas. “Isso dificulta nosso trabalho e faz com que tantas pessoas permaneçam em áreas perigosas”.
É o caso da desempregada Francisca Eliane Franco, 48, e do marido dela, Francisco Neto da Silva, 40, que há duas semanas estão com os sete filhos em uma das barracas. “Nós não queríamos sair da casa, mas ficamos com muito medo e saímos”, disse.
Ailton Henrique Pereira de Souza, 42, está se revezando entre o abrigo e a vigilância da casa. Ele demorou a reconhecer a necessidade de sair, mas tomou a decisão porque tem um filho que ainda é de colo. “Demorei pra perceber a necessidade, saí mesmo porque não tinha mais jeito”, lembra.
Prejuízos
Boca do Acre tem uma população de pouco mais de 31 mil habitantes. Desses, segundo o prefeito, Iran Lima, mais de 20 mil já foram atingidos. Pelo menos 90 escolas (estaduais e municipais), central de abastecimento de água e postos de saúde, estão paralisados por conta da enchente. As 68 comunidades rurais também estão inudadas. Uma criança de 4 anos morreu afogada no último sábado, segundo o Corpo de Bombeiros.
De acordo com Iran, é impossível calcular quanto tempo a cidade levará para reestabelecer os serviços de educação, saúde e abastecimento de água das casas. “Nosso sistema de abastecimento de água está todo danificado, consultamos um técnico que disse não ser possível recuperar. Teremos que fazer um novo, que não custa menos de R$ 6 milhões”, destacou.
Além disso, Iran destacou que todas as escolas e ruas precisarão de reforma e que somente uma ajuda do Governo Federal poderá garantir isso. A cidade enfrenta também o risco de desabastecimento do comércio, segundo Roberto Rocha.
Ajuda humanitária só de avião
Foram distribuídas pela Defesa Civil do Estado do Amazonas mais de 36 toneladas de ajuda humanitária entre alimentos não perecíveis, kit’s medicamentos, kit’s dormitórios (redes, colchões, mosquiteiros), kit’s higiene pessoal, água potável, hipoclorito de sódio e filtros de água.
Também foi disponibilizada uma equipe do Corpo de Bombeiros do Amazonas, mergulhadores e agentes de apoio para intensificar a assistência as famílias.
De acordo com o coronel Roberto Rocha, a maior dificuldade pra levar ajuda aos tingidos é a logística. “Tudo precisa ser feito de avião. São voos longos, mas nós sabemos que é a única forma de chegar a tempo. Se enviássemos ajuda de Manaus por barco demoraria 11 dias, nas condições em que o rio se encontra”.
A previsão é que os rios Acre e Purus atinjam os 22 metros e a água comece a descer em no máximo três semanas. “Em 1997 a água chegou aos 23 metros. Dificilmente chegaremos a isso, mas ainda vai demorar um pouco para a água começar a baixar”, ressaltou.
LÍVIA ANSELMO

domingo, 16 de março de 2014

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais, a última grande enchente que enfrentaram foi em 1997

Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira
Rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré muda com a cheia do rio Madeira (Márcio Silva)
A rotina de ribeirinhos no Município de Manicoré (distante 333 quilômetros de Manaus) mudou completamente com a cheia do rio Madeira. As comunidades rurais localizadas em área de várzea são as mais afetadas. A população do município soma pouco mais de 51.300 habitantes, sendo que mais de 50% estão na zona rural, segundo dados da prefeitura.

A subida das águas num ritmo acelerado e anormal surpreendeu os moradores das comunidades rurais. A última grande enchente que enfrentaram foi em 1997. Mais de 15 anos depois, o município se mantém em estado de emergência. A situação foi decretada pela prefeitura no dia 10 de março, considerando o registro de elevação de 12 cm ao dia do nível do rio.

De acordo com o prefeito Lúcio Flávio do Rosário (PSD), Manicoré tem quase 200 comunidades rurais, incluindo as que estão em área de terra firme. Porém, 72 comunidades na área de várzea estão inundadas.

É pelo barco “Pai Rubem”, alugado pela prefeitura, que tem chegado a primeira assistência aos ribeirinhos que foram atingidos pela cheia. A prefeitura fez, no mês passado, o levantamento e cadastramento das famílias que estavam com as casas alagadas, e também das famílias que ainda seriam atingidas pela grande cheia.

O levantamento resultou numa operação de assistência aos ribeirinhos que iniciou na última quarta-feira com a meta de distribuir 600 cestas básicas, além de tábuas, peças de perna manca, redes, remédios e outros itens, até este domingo.

A embarcação saiu rumo às comunidades rurais com uma equipe da Defesa Civil do Município e de servidores da prefeitura. O objetivo da operação é abastecer emergencialmente as famílias mais carentes, que perderam suas produções rurais, e que não conseguiram se mudar para as comunidades de terra firme. Mais de mil famílias, somando mais de seis mil pessoas foram afetadas pela cheia.

No primeiro dia da operação, o barco esteve em três comunidades. Na comunidade Liberdade, localizada na chamada Região das Onças, o agricultor Paulo da Silva Ferreira, 39, disse que em oito dias, o nível do rio subiu um metro naquela área. “Os moradores estão assustados com a situação”, falou.

Liberdade está numa das partes mais altas da área de várzea. O que surpreendeu os moradores é que em outras cheias a água ficava bem abaixo do assoalho das casas. Este ano, faltam cerca de 50 cm para a água inundá-las.

Na comunidade Santo Antônio, muitas casas estão desocupadas. Alguns moradores se mudaram para comunidades na terra firme, outras estão morando em balsas de garimpo. Até a imagem de Santo Antônio foi retirada da igreja da comunidade que está alagada.

Elevação do rio Madeira

A elevação do nível do rio Madeira também ameaça a sobrevivência de animais na zona rural de Manicoré. Antes de chegarem até a área de terra firme, muitos animais acabam morrendo.

A enchente coloca em risco até animais ameaçados de extinção. Na comunidade Liberdade, um tamanduá-bandeira acabou sendo morto por um ribeirinho após ser encontrado debilitado devido a tentativa mal sucedida de procurar a terra firme. O morador alegou que não havia condições para tentar salvar o animal.

Os cães também tentam se salvar como podem. Ficam dentro de canoas, em cima de marombas ou dentro das casas de seus proprietários.

A agricultora Maria Duarte de Freitas, 48, disse que nunca quis criar um cachorro para evitar ver o animal sofrendo com a enchente. “A gente já sofre um sufoco durante a cheia, os animais também acabam sofrendo e às vezes até mais”, contou.

De acordo com a prefeitura, 100 patos, 300 galinhas e 250 porcos não conseguiram sobreviver a grande enchente. “Tenho 54 anos e ainda não tinha passado tanto sufoco”, disse a agricultora Eunice Freitas dos Santos.

por: CAROLINA SILVA
Jornal A CRÍTICA

terça-feira, 11 de março de 2014

Silas Câmara anuncia entrega do ‘Cartão SOS Enchente’, afetados pela cheia

Breve estarei acompanhando o Governador Omar Aziz 



Casa de família  ribeirinha que precisou abandonala por causa da cheia do madeira (Foto: Edy Lima)




Deputado Federal Silas Câmara (PSD), falou através de telefone de Manaus para o Programa de Rádio ‘Gerando Oportunidade’, na manhã da última segunda-feira (10), sobre a enchente do Rio Madeira que afeta moradores e principalmente as plantações do povo ribeiro no município de Manicoré.

O deputado Silas disse que “Estamos unidos para juntos vencermos as dificuldades do município de Manicoré”. “Como todos sabem que o Rio Madeira passar pelo um momento delicado, as águas estão praticamente a vinte e seis (26) metros acima do que estava quando começou essa avalanche de águas, no futuro temos que fazer um debate pra saber se realmente essa cheia é da natureza ou é provocada pela construção das hidrelétricas de Santo Antônio ou Jirau, ambas no Rio Madeira em Porto Velho, porem essa será outra conversa”. Disse Silas.

“Em nome do Governador do Estado do Amazonas Omar Aziz e Vice-Governador José Melo que me autorizaram a ir à região do Rio Madeira,inclusive eu estive no domingo (09), em Humaitá, mas infelizmente não pude ir ai em Manicoré, mais vocês sabem que vocês estão no processo de reconhecimento do decreto municipal, não sei se são de emergência ou de calamidade pública, tanto pelo estado ou pelo Governo Federal”.

Através de uma reivindicação do deputado Silas Câmara (PSD), junto ao Governo do Estado do Amazonas, tanto o Rio Madeira, quanto o Rio Purus, ou seja, todas as famílias afetadas pela cheia receberam nos próximos dias o ‘Cartão SOS Enchente’, “Esse cartão abençoado que vai ajudar bastante nossos irmãos que passam por esse momento tão delicado por causa da enchente, e breve estarei acompanhando o Governador Omar Aziz e Vice-governador José Melo até o município de Manicoré para realizarmos juntos a entrega desses cartões, que será de R$ 300,00 Reais por família”.


Edy Lima DRT/AM 1823


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cheia dos rios Purus e Juruá causam estragos em municípios do Amazonas

Quatro prefeituras decretaram estado de emergência em função de problemas com a subida das águas



Cheia dos rios Purus e Juruá causam estragos em municípios do Amazonas(Evandro Seixas)



Os municípios de Envira, Guajará, Ipixuna e Boca do Acre, nas  calhas dos rios Purus e Juruá,  estão em estado de emergência, em decorrência da enchente deste ano, segundo informou ontem o secretário da Defesa Civil Estadual, Roberto Rocha. De acordo com ele, no máximo até a próxima semana as águas começam a massacrar mais municípios da calha do rio Madeira.

 Ele lembra que até Humaitá, que é o município mais alto da calha do Madeira, já foi atingido pela subida das águas. “Em décadas passadas os desastres naturais eram mais raros que agora. Por exemplo, tivemos uma grande cheia em 2012 e  temos previsão de outra, de grandes dimensões, este ano”, afirmou o secretário.
Apesar da ameaça de outro desastre natural no Amazonas, Roberto Rocha garante que a força tarefa comandada pela Defesa Civil está preparada para enfrentar qualquer adversidade. “Como membro também do Conselho Nacional de Gestores  solicitei uma aeronave para atender os municípios mais distantes. Somos um Estado continental, então não é fácil enfrentar os fenômenos naturais, cada um com dimensões diferentes”, reconhece.
Defesa Civil criticada

Membro da diretoria da Central Única das Comunidades, Alexandre Simões, criticou a Defesa Civil Estadual que, segundo ele, não teria convidado as comissões municipais para participar da Conferência marcada para os dias 21 e 22 deste mês para tratar das cheias dos rios da Amazônia.
Indagado sobre o assunto, Roberto Rocha disse que a informação é infundada e, ao contrário do que afirma o líder, foram convidados representantes de vários municípios.
“A participação é aberta a todo mundo. Mas tem que saber se eles se preocuparam em fazer as conferências municipais para depois participar da nacional. Numa resposta por escrito que estou mandando a esse rapaz eu lembro que, de janeiro a abril quase todos os municípios estão alagados e que o pessoal da defesa civil tem muito mais o que fazer em seus municípios”, afirma Rocha.
Ritmo é normal, diz engenheiro do porto

O engenheiro Valderino Pereira, responsável pelo controle do nível de água do rio Negro no Porto Privatizado de Manaus, informou que a cota de ontem era de 23m91 e que no dia anterior o nível havia subido quatro centímetros.
Em relação à mesma data do ano passado o rio Negro encheu oito centímetros a mais.
A diferença total até ontem era 69 centímetros, um dado que segundo Valderino, pode ser considerado dentro da média. No início do período da enchente a diferença chegou a 3m39, mas depois diminuiu o ritmo.
O pico máximo registrado em 2013 foi de 29m33, isto é, 5m42 a mais que a marca registrada ontem. “As águas do rio Negro vão continuar subindo até meados de junho e inicio de julho, mas ainda é cedo para fazer previsões. Estamos torcendo para que a média continue descendo”, disse Valderino.

Jornal a Crítica


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Chove forte em Manicoré


Segundo moradores mais antigos da cidade, nessas onze (11) horas de chuva, choveu o esperado para dois (3) dias de chuva



Travessa 24 de outubro, também ficou alagada(Edy Lima 1823 DRT-AM)


Nesta quinta-feira (25), os bacurauenses levantaram mais tarde, que não é o costume desse povo trabalhador, o motivo foi, muita chuva, que começou à noite passada por volta de 23 horas, choveu a noite inteira, vindo parar somente na manhã desta quinta-feira por volta das 09 horas.


Segundo moradores mais antigos da cidade, nessas onze (11) horas de chuva, choveu o esperado para dois (3) dias de chuva, ”muita água caiu no município de Manicoré”, disse um morador.

Com o pé d’água que desabou sobre a cidade, a Avenida Quintino Bocaiúva em frente à (Sisagua), ficou alagada, dois trechos da Travessa 24 de outubro, também ficou alagada, sendo que um trecho da rua que passa em frente do Hospital Regional Amilton Cidade, e o segundo trecho alagado passa entre o muro da Escola Estadual Educandário e muro da Escola Municipal Maria José Beleza Amorim.

Uma parte da Avenida Getúlio Vargas no centro, sentindo o Bairro São Domingo Sávio também sofreu alagamento.

O motivo segundo os moradores é que os bueiros são finos e quando chove acima do esperado, o sistema de drenagem não suporta tanta água, acontecendo isso, ruas totalmente alagadas, em alguns bairros da periferia casas também foram atingidas pela chuva. 

“Esperamos que o Prefeito da cidade e o Secretário de Infraestrutura do Município de Manicoré tomem uma providência o mais rápido possível”, disseram os moradores. 
  
Até o fechamento dessa matéria, não tívemos notícias de acidente provocado pela forte chuva da noite passada.



Edy Lima 1823 (DRT-AM)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cheia e greve causam perda de R$ 1 bi na arrecadação da Receita, no Amazonas

De acordo com o delegado, “a situação é precária e a sociedade está sendo prejudicada pelo modo com que a Receita vem atuando em Manaus”. A expectativa da instituição era de arrecadar este ano R$ 11 bilhões

Rio Negro atinge cota que supera a da cheia recorde de 2009
Justiça Federal mandou embargar atividades no prédio da Receita (à esquerda) por contaminação após a cheia (Euzivaldo Queiroz)

A delegacia da Receita Federal em Manaus deve ter prejuízo de pelo menos R$ 1 bilhão na arrecadação deste ano devido à interdição do prédio da instituição no Centro de Manaus, em decorrência da cheia e, por consequência, da greve dos auditores fiscais. O delegado da Receita, Leonardo Barbosa Frota, informou ainda que desde maio, por falta de espaço, a instituição está operando com o porcentual mínimo de apenas 30%.

De acordo com o delegado, “a situação é precária e a sociedade está sendo prejudicada pelo modo com que a Receita vem atuando em Manaus”. A expectativa da instituição era de arrecadar este ano R$ 11 bilhões. No entanto, por conta dos problemas relatados a perda pode chegar a R$ 1 bilhão até o fim do ano. “Isso nos preocupa e vamos tentar reaver o prédio da instituição”, afirmou.

Leonardo disse também que a Receita tem os laudos técnicos de engenharia civil e elétrica alegando que o prédio tem condições de funcionamento e, neste momento, a instituição está viabilizando que agentes da Vigilância Sanitária visitem o local e também emitam um laudo. “Com os laudos em mãos pediremos que a decisão seja revista pela Justiça Federal”, disse.

O mandado de interdição do prédio do Ministério da Fazenda, onde os servidores da Receita trabalhavam, foi emitido dia 22 de maio pela Justiça Federal no Amazonas. Laudos constatarem a contaminação da água do prédio por coliformes e pela bactéria escherichia Coli.

“É claro que hoje o prédio está em boa condição de funcionamento. Nos últimos anos foram investidos R$ 5 milhões em obras de reforma e manutenção. Precisamos voltar a trabalhar normalmente, onde estamos não há espaço físico para que todos os servidores trabalhem”, informou Leonardo. Os funcionários da Receita estão trabalhando na unidade do São Jorge, na Zona Oeste.

O delegado acrescentou ainda que todos os esforços da administração estão voltados para iniciar a construção da nova sede da Receita. A obra deve ser licitada ainda este ano.

Greve

Além da interdição do prédio da Receita, a greve dos auditores fiscais é outro agravante que refletirá na arrecadação anual da instituição. E para complicar ainda mais a situação, ontem, os auditores deliberaram que se o Governo Federal não apresentar uma proposta até o final deste mês, irão suspender todo o serviço de “Operação Padrão” e “crédito zero” a partir de 1º de agosto.

“A decisão é nacional e o objetivo é pressionar o Governo”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal no Amazonas (Sindifisco-AM), Eduardo Toledo. Com a suspensão das atividades, mercadorias que “caem” nos canais amarelo e vermelho não serão desembaraçados e a maioria, que é liberada automaticamente no canal verde, poderá ser barrada.

Além dessa medida, eles farão o fundo de corte de ponto. Os servidores que tiverem o ponto cortado receberão seus salários via Sindifisco .

Impacto

Cinco fábricas do setor de eletroeletrônico do Polo Industriald de Manaus (PIM) suspenderam as atividades devido à falta de insumos que estão parados nos portos e aeroporto após a greve. O Sindifisco avalia que 450 desembaraços estão parados nas alfândegas.

Fisco

A Receita Federal, por meio do projeto “Sinal Alerta” identificou, através de cruzamento de informações, 4.400 empresas com irregularidades. Desse total, 250 estão da Região Norte, exceto no Tocantins.

Entre as irregularidades estão omissão de declaração,  insuficiência de recolhimento do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e aplicação incorreta do percentual do lucro presumido (omissão de fato gerador, utilização de alíquota inferior a devida).

A Receita Federal encaminhou comunicado as empresas identificadas e com a correspondência em mãos, o contribuinte terá a oportunidade de efetuar o pagamento do tributo recolhido. Ele poderá retificar a declaração antes de qualquer ação de fiscalização da instituição. Do contrário, estão sob pena de cobrança administrativa e judicial do tributo.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vazante do rio Negro deve se prolongar até outubro

Em menos de uma semana o rio já baixou cinco centímetros, após ter registrado a marca de 29,97m, por aproximadamenbte uma semana

A cota máxima do rio Negro, 29,97m, foi registrada no dia 29 de maio
A cota máxima do rio Negro, 29,97m, foi registrada no dia 29 de maio (Jornal a crítica)
Com a marca de 29,89m, nesta quarta-feira (6), o nível do rio Negro começou a baixar, após chegar a marcar 29,97m e permanecer por aproximadamente uma semana, com a referida cota. Em menos de uma semana o rio já baixou cinco centímetros.
“A partir de agora o nível do rio deve começar a descer até outubro, quando ele atinge o ponto máximo da vazante”, salienta o engenheiro encarregado do serviço hidrográfico da Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH), Valderino Pereira.
Nos últimos cinco dias, destaca ele, o nível do rio está descendo dentro do período considerado de vazante (junho), apesar de 2009, observa Valdelino o ponto máximo da cheia ter ocorrido em 1º de julho, ocasião em que o Negro atingiu a marca de 29,77m, iniciando a vazante, a partir do dia 3 do mesmo mês.
“Não vejo nada que possa contribuir para uma alteração no nível do rio neste momento. A não ser que ocorra um dilúvio, para que ele volte a subir”, explica o engenheiro, que há mais de 40 anos realiza a mensuração do nível do rio.

SÍNTIA MACIEL 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cheia faz comunidade se mudar para balsa-abrigo no AM

Famílias da comunidade do Marimba vivem em cima de balsa, onde tudo é dividido

Para amenizar o calor, famílias tentam refrescar chão da balsa onde estão erguidas dezenas de barracas que servem de moradia a desabrigados
Para amenizar o calor, famílias tentam refrescar chão da balsa onde estão erguidas dezenas de barracas que servem de moradia a desabrigados (A Crítica)

Os desafios da população do Amazonas que mora às margens dos rios e enfrenta uma cheia histórica ultrapassaram os improvisos dentro de casa. As marombas não foram mais suficientes para que os ribeirinhos do Município de Careiro da Várzea (a 25 quilômetros de Manaus) conseguissem conviver com a enchente. Dezenas de famílias da  comunidade do Marimba esperam as águas do rio Solimões baixar seguindo com o cotidiano em cima de uma balsa, dentro de barracas e sob o sol forte da Amazônia.
Na balsa-abrigo da comunidade do Marimba estão abrigadas 20 famílias vencidas pela subida das águas e que, pela primeira vez, tiveram que abandonar as casas alagadas. “Não esperávamos que subiria tanto. Em 2009 foi uma grande cheia, mas conseguimos permanecer em casa, sobre as marombas. Neste ano, as águas estão acima do nível da janela da minha casa”, relata a moradora Ocirene de Oliveira, 36.
Algumas mudanças, acompanhadas por A CRÍTICA, foram necessárias para que as vítimas desta enchente pudessem se adaptar ao modo de vida provisório: elas dividem o pouco espaço da cozinha improvisada na hora das refeições, os dois banheiros químicos e a água apanhada do rio e armazenada numa caixa d’água para tomar banho e cozinhar. Mas um dos desafios mais difíceis é suportar o calor de mais de 35º durante o dia. “É estressante ficar nesse calor extremo, mas não temos outra opção. Precisamos que suportar por necessidade. Nossas casas estão alagadas”, conta Daniel Nascimento, 14.
Pela parte da manhã  é preciso resfriar o chão da balsa com a água do rio, pois o forte sol na estrutura de ferro provoca uma sensação térmica no corpo humano de 40º. Na cozinha, quatro fogões são usados de maneira coletiva. Também são quatro geladeiras compartilhadas entre as famílias para conservar alimentos, como peixes, e armazenar a água tratada com hipoclorito de sódio, usada para beber e cozinhar. Compartilham, ainda, a mesa para as refeições e, quando não, é necessário comer sentados no chão das barracas.

Calor Extremo

O calor amazônico também impera dentro dessas moradias, mas sem terem para onde ir, os ribeirinhos buscam driblar o problema às suas maneiras. “De manhã a gente levanta a lona das barracas para que o vento refresque por dentro delas”, explica dona Maria de Lima, 56. Somente à noite, o clima na balsa-abrigo fica mais agradável e suportável.

Saudade das brincadeiras

Na balsa-abrigo do Marimba, os sorrisos das crianças chamam a atenção de quem está ali de passagem. Muitas ainda desconhecem que a vida delas depende do ciclo das águas. Para se divertir, também tiveram que adaptar as brincadeiras em meio a um espaço limitado.
Ao invés do jogo de futebol, o passatempo chama-se “jogo de saco”. O risco de vários sacos de alimentos como macarrão, arroz e bolachas - enrolados e amarrados - caírem no rio com os dribles no jogo é bem menor se comparado ao de uma bola. “Sentimos falta de jogar futebol no campo. E dá para brincar assim mesmo”, lamentou Josiel, 9. “Quero que o rio comece a descer logo pra voltar pra casa e brincar de bola”, contou o pequeno Denilson, 7.
Numa paisagem tomada pelas águas, os sorrisos dos pequenos ribeirinhos também carregam a ansiedade pela visita de pessoas dispostas a ajudá-los. Além de alimentos não perecíveis, roupas e sapatos também são doados e fazem a alegria das crianças que tem somente um desejo: voltar para casa.

Personagem - Allan Kardec Morador do Marimba

Morador há 56 anos do Marimba, seu Allan nunca tinha visto uma cheia como esta na comunidade. Ele lamenta pelos prejuízos e critica a falta de ação do poder público para evitá-los. “Essa é a primeira enchente em que tive que sair de casa. Infelizmente, por muitas vezes as autoridades só lembram das pessoas que moram nessas comunidades quando o desastre já aconteceu. Ou prometem soluções em época de candidatura. Esperamos ações que sejam realizadas durante o mandato e que possam evitar esses transtornos. Estamos agradecidos por essa ajuda do Governo (do Estado), mas ainda é preciso repensar soluções para o período de cheia em nossa região.”
Segundo ele, a cheia na comunidade do Marimba surpreendeu os moradores. “Geralmente o rio sobe acelerado aqui somente durante o mês de maio. Mas este ano a subida das águas se antecipou e foi longa. Esperamos que até meados de julho possamos voltar para as nossas casas e nos prepararmos para a próxima.”

JORNAL A CRÍTICA

Nível do rio Negro baixa mais 2 centímetros, nesta terça (5)

Enquanto o rio baixa aos poucos, as chuvas na região da calha do rio Negro – que refletem diretamente no nível do rio Negro em Manaus -, continuam fortes, de acordo com o Inmet

Rio Negro atinge cota que supera a da cheia recorde de 2009
Rio Negro atinge cota que supera a da cheia recorde de 2009 (Euzivaldo Queiroz)
A confirmação de uma possível vazante do rio Negro deverá ocorrer nesta quarta-feira (6), a partir da cota verificada pela manhã, durante a medição do rio, pela Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH).
Nesta terça-feira (5), de acordo com o engenheiro encarregado do serviço hidrográfico do SNPH, Valderino Pereira da Silva, o Negro desceu mais dois centímetros, marcando a cota de 29, 92 metros.
Na última segunda-feira (4), o nível registrado foi de 29,94 metros.
“Poderíamos considerar que este já seria o início da vazante do rio. Mas como a enchente deste ano foi grande, e ainda pode haver uma pequena alteração no nível do rio, a certeza absoluta de que as águas já estariam descendo ó mesmo amanhã (quarta-feira 6) ”, salienta Valderino.   

Chuvas

Enquanto o rio vai baixando aos poucos, as chuvas na região da calha do rio Negro – que refletem diretamente no nível do rio Negro em Manaus -, continuam fortes, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
“As chuvas para o Norte do Amazonas estão acima da normal climatológica”, informa o meteorologista Veríssimo Farias de Assis, do Inmet/AM.
Até às 16h desta terça-feira no distrito de Iauaretê, no município de São Gabriel da Cachoeira – a 858 quilômetros de Manaus -, já havia chovido 159.3 milímetros. Um pouco mais da metade da normal climatológica do lugar, que é de 368.7 milímetros.
Em Barcelos – a 405 quilômetros da capital -, o total de chuvas registrado no mesmo horário era de 50 milímetros. A normal climatológica de Barcelos é de 256.5 milímetros.
A quantidade pluviométrica mensurada, explica Veríssimo, se refere ao período de 1º de junho até às 16h, desta terça-feira.
Ainda segundo ele, apesar das previsões para a região Norte do Estado serem de chuvas, ele não descarta a possibilidade do rio Negro ter iniciado o processo de vazante.
“Pode até chover o suficiente para manter o nível do rio Negro, mas acredito que ele não chegará a registrar uma nova subida”, avalia.

SÍNTIA MACIEL 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Rio Negro registra vazante de 3 centímetros em seu nível

Rio passou uma semana praticamente estabilizado em 29,97m, entretanto, apesar da descida. o nível do Negro ainda deverá apresentar alterações

Foto:Clóvis Miranda
A nova cota do Negro é de 29,94 metros.
“Isso não significa que já começou a vazante. Pode haver uma variação no nível do rio Negro. Ele pode voltar a subir novamente ou continuar descendo. Vamos aguardar os próximos dois dias para ver como ele se comporta”, explica o engenheiro encarregado do serviço hidrográfico do SNPH, Valderino Pereira da Silva.
Segundo ele, as variações no nível do rio, tanto na subida quanto na descida deverão ser de 1 a 2 centímetros por dia.


SÍNTIA MACIEL

Fenômeno La Niña causa cheia recorde no Amazonas

Pesquisadores avaliam o tipo, o período em que apareceu e como o fenômeno evoluiu, entre outras análises

 Fenômeno climático La Niña contribuiu para a cheia histórica de 2012, que castigou Manaus e outros 53 municípios
Fenômeno climático La Niña contribuiu para a cheia histórica de 2012, que castigou Manaus e outros 53 municípios (Clóvis Miranda)

Informações divulgadas, no dia 12 de março de 2012, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e pelo Instituto Max Planck de Química (MPIC) indicavam que o Amazonas iria passar por uma cheia recorde este ano.
A estimativa era de que as águas atingissem o nível de 29,67m (margem de erro de 29,29-30,05 m), apenas 10 cm abaixo que a maior cheia já registrada em 2009 (29,77m). A previsão foi fortalecida pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no dia 31 março, o qual previu uma cheia de 30,13 m (margem de erro de 40 cm).
Com base nas informações, os pesquisadores do Inpa e do CPRM sabiam desde o segundo semestre de 2011 que choveria acima da média.
Contudo, conforme o pesquisador do Inpa, Antônio Manzi, isso não significa recorde ou extrema, pois são previsões com base na cota do Rio Negro no Porto de Manaus, o qual não é influenciado pelo o que acontece em toda a bacia do Rio Solimões. Além disso, sempre há erros médios, em torno de 40 cm, dependendo do modelo usado.
Conforme Manzi, uma das prováveis causas para a cheia recorde de 2012 foi o fenômeno climático La niña. Por isso, os pesquisadores que participam do grupo estão avaliando o tipo, o período em que apareceu e como o fenômeno evoluiu.
Também estão fazendo análises de distribuição de temperatura dos oceanos Atlântico e Pacífico, a influência da massa de água sobre as sub-bacias do Rio Negro e Solimões e os valores mensais de chuva, a partir de 1996.
Doutor em Física da Atmosfera pela Universidade Paul Sabatier (Toulouse III), França, Manzi explicou que quando se estuda o clima existem muitas variáveis. Isso se deve ao fato, por exemplo, de que já ocorreram outras La niñas que não chegaram a provocar cheias tão intensas no Amazonas.
"Estamos estudando várias questões. Uma delas é a vazante de 2010 – período em que foi registrada a cota mais baixa nos últimos 110 anos no Porto de Manaus. Em 2010 e 2011 houve a maior variação do rio entre os valores mínimo e o máximo registrados, o qual foi de 15 metros. Isso é quase 50% da média histórica, que é de 10,10 metros. São quase 5 metros acima. Esse ano, o rio já encheu 12,60 metros. Significa que a cheia desse ano envolve não somente configurações específicas de temperatura dos oceanos, mas está associado ao regime hidrológico de chuva. Ainda não temos uma resposta final”, salientou.
Os pesquisadores também estão avaliando o histórico dos últimos anos de estoque de água nas bacias e sub-bacias do Rio Amazonas, especialmente, as sub-bacias dos Rios Solimões e Negro.

Efeito La Niña

As La niñas aconteceram durante todo o segundo semestre do ano passado, afetando o período chuvoso. Nos meses de outubro, novembro e dezembro, enfraqueceram. Todavia, ainda havia La niñas 3 e 4 atuando até o mês de abril de 2012, embora fraca.
“Além desses fenômenos existem outros, mas ainda estamos avaliando. Não é possível divulgar agora”, lamentou e acrescentou que tiveram La niñas praticamente em quase todos os setores, principalmente no segundo semestre do ano passado.  

Cheia e secas intensas

Conforme o pesquisador, não se pode dizer com certeza se as cheias e as secas são uma conseqüência da variabilidade natural do clima ou se estão sendo afetadas pelas mudanças climáticas globais.
Mas, segundo o pesquisador, espera-se que haja a intensificação da variabilidade natural do clima. Significa que os anos mais frios e mais quentes podem se tornar mais frequentes. Da mesma forma, os períodos secos e chuvosos, com tempestades mais severas.
"O que está acontecendo, em principio, poderia ser justificado pelas mudanças climáticas globais, mas não conhecemos muito bem a variabilidade natural do clima. Isso se deve ao fato de que há escalas de variação interanuais, decadais e seculares. Mas é provável que as mudanças climáticas estejam atuando”, explicou Manzi.
Segundo ele, se haverá nos próximos anos eventos extremos, não dá para dizer no momento. O certo é que os pesquisadores têm observado nos últimos 25 anos tendências de aumento de cheias e vazantes. Manzi disse que a série de acompanhamento que têm hoje é importante. Contudo, se tivessem medidas de outros séculos, teria mais confiança nas análises, pois a série é curta do ponto de vista climático, mas foram registrados anos extremamente secos, como em 1923 e 1963. 
Conforme Manzi, a maioria dos fenômenos La niñas está associada ao aumento das chuvas em boa parte da Amazônia, sendo um sinal estatístico forte.
Ele pontuou que nem todas têm a mesma configuração. Isto é, elas podem ser divididas em quatro tipos, do ponto de vista climatológico. Os tipos 1 e 2 ocorrem próximas da Costa da América do Sul (Oeste), enquanto a 3 e 4 na parte central do Oceano Pacífico (Leste).
Entretanto, dependendo da época do ano elas podem ser mais ou menos fortes.
“Tivemos La niñas muito fortes no início e durante a primeira metade da estação chuvosa. O efeito é a produção de quantidades de chuvas mais fortes”, salientou.

ACRITICA

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cheia do rio Negro pode chegar a 30,27 metros, aponta CPRM

Informação foi divulgada durante o último alerta para cheias, nesta quinta (29), pelo CPRM

Desde 23 de maio que o Negro sobe, em média, um centímetro por dia e assim deve ultrapassar a marca de 30 metros
Desde 23 de maio que o Negro sobe, em média, um centímetro por dia e assim deve ultrapassar a marca de 30 metros (Odair Leal)

Apesar do rio Negro se encontrar há três dias com a cota estabilizada em 29, 97 metros, o nível das águas poderá subir, dependendo da quantidade de chuvas, registradas nos municípios de Barcelos, São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, municípios situados na calha do rio Negro.
“A calha do rio Negro ainda está enchendo e as chuvas que ocorrem lá, influenciam diretamente o nível das águas, aqui em Manaus”, explicou o superintendente regional da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, durante o  terceiro e último alerta das cheias divulgado na sede do órgão, localizado no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, na manhã desta quinta-feira (31).
Segundo Marco Antônio, ainda há 30 dias de águas altas, podendo o nível do rio chegar a 30,27 metros.
“Dependendo da quantidade de chuvas, o rio poderá subir de 3 a 4 centímetros”, observou.
Marco Antônio lembrou o fenômeno ocorrido em 2009, ocasião em que o rio Negro permaneceu por 12 dias com as águas estáveis. no mês de maio.
Entretanto, as chuvas intensas durante um período de 15 dias contribuíram para que a cota do Negro elevasse, fazendo com que o rio registrasse a marca histórica de  29,77 metros, no dia 1º de junlo.
Ele também chamou a atenção para o fato de que, apesar da estabilização do nível do rio, e o índice pluviométrico que pode inferir no mesmo, é necessário que as famílias ribeirinhas atingidas pela cheia, em mais de 80% do Amazonas, sejam retiradas das áreas alagadas.
Outras Calhas
Enquanto a calha do rio Negro continua a encher, no município de Tabatinga, localizado na calha do rio Solimões, já está sendo verificada a vazante do rio.
O mesmo se dá no Sul do Amazonas, onde segundo Marco Antônio, o pico da cheia também já teria atingido o seu ápice.   

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Moradores de área alagada no AM obrigados a sair de invasão

Três mil famílias de Tefé (AM) são obrigadas a sair de área invadida durante cheia

O proprietário do local recorreu na justiça, e ganhou o direito a reintegração do terreno localizado na Colônia Ventura

Áreas alagadas no Município de Tefé, AM
Áreas alagadas no Município de Tefé, AM

Um grupo de quase 3 mil famílias do município de Tefé (a 520 quilômetros da capital) está prestes a ser expulso de uma área ao qual foram obrigados a ocupar por conta da cheia dos rios. A denuncia foi feita por um grupo de moradores da chamada Colônia Ventura, nesta sexta-feira (25).
O morador Pedro Cardoso de Souza explicou que a ocupação da terra que mede 500 metros de frente e 500 de comprimento, foi a única alternativa encontrada pela população ribeirinha para “fugir’ da cheia. Ele afirmou que a terra é improdutiva, e estava abandonada, servindo apenas para especulações financeiras.
De acordo com Pedro Souza, um homem chamado Paulo de Oliveira se identificou como proprietário do local e ganhou na justiça o direito de reintegração de posse. A decisão teria saído nessa quinta-feira (24), sob a chancela do juiz da cidade Dr Cid da Veiga Soares Júnior.
“Queremos uma reposta do poder público, não temos para onde ir, a situação de calamidade”, reclamou.
Um outro morador que se diz prejudicado com a decisão, ressalta que somente após uma manifestação realizada na manhã desta sexta, o prefeito da cidade Jucimar de Oliveira Veloso se reuniu com os moradores. “Somente depois da decisão estabelecida ele veio conversar conosco, ele nos propôs pela nossa saída a disponibilização de outra área, além de distribuir a 30 famílias telhas para ajudar a construir as casas”, destacou o Pastor Assis.
A reportagem tentou contato com o prefeito Jucimar Veloso, e com o juiz Cid Júnior, mas até a finalização da matéria não teve êxito.

ACRITICA

quinta-feira, 24 de maio de 2012

SOS Enchente faz limpeza nas áreas alagadas

SOS Enchente faz limpeza nas áreas do Bariri e do Milennium, em Manaus

A Semulsp contabilizou nesta quinta-feira (24) um total de 1,4 mil tonelada de resíduos retirados dos igarapés de Manaus, desde o início da operação SOS Enchente, no dia 8 de maio

As águas das chuvas arrastam o lixo jogado pelos moradores de dezenas de bairros cortados por esses canais.
As águas das chuvas arrastam o lixo jogado pelos moradores de dezenas de bairros cortados por esses canais. (Clóvis Miranda)

As equipes de limpeza dos igarapés da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), que estão atuando no programa S.O.S Enchente da Prefeitura de Manaus, passaram a atender dois novos trechos de igarapés nesta quinta-feira, 24.
O primeiro do Mindu, sob a Ponte dos Bilhares e o segundo, no igarapé do São Raimundo, no trecho que banha o bairro Presidente Vargas, na comunidade do Bariri. Nesta sexta, a equipe chega ao local onde aconteceu um incêndio no mesmo bairro.
A Semulsp contabilizou nesta quinta-feira (24) um total de 1,4 mil tonelada de resíduos retirados dos igarapés de Manaus, desde o início da operação SOS Enchente, no dia 8 de maio.
Apesar da grande quantidade, ainda há muito lixo descendo pelos igarapés até a foz do São Raimundo, em função das chuvas fortes cujas águas arrastam o lixo jogado pelos moradores de dezenas de bairros cortados por esses canais.

ACRITICA

Cheia prejudica estaleiros em Manaus, diz o Sindnaval

Com a cheia, cerca de 40 estaleiros perderam carreira – trilho para construção e reparo naval, e área, comprometendo seriamente a construção de novas embarcações, reparos, e os empregos e pagamento de financiamentos

Cheia dos rios prejudica atividades de estaleiro em Manaus, segundo sindicato
Cheia dos rios prejudica atividades de estaleiros em Manaus, segundo sindicato (WALTER MENDES/ARQUIVO ACRÍTICA)

Os estaleiros de reparo e com poucas áreas são os que mais estão sofrendo com a cheia, segundo o presidente do Sindnaval, Matheus Araújo. “A situação está tão crítica quanto dos ribeirinhos”, disse o dirigente.
Com a cheia, cerca de 40 estaleiros perderam carreira – trilho para construção e reparo naval, e área, comprometendo seriamente a construção de novas embarcações, reparos, e os empregos e pagamento de financiamentos. “Os estaleiros de reparo estão quase todos parados, com exceção dos que têm dique seco (balsa flutuante para fazer embarcação)”, disse Matheus.
A maioria dos estaleiros com problema está nas margens dos igarapés do São Raimundo, Educandos, Quarenta e rio Negro, como no bairro Colônia Antônio Aleixo. Entre os mais afetados estão o Bibi, Bering, Estaman, F. Barbosa, Ponta Branca, Santo Antônio, Bons Amigos e Enchova.
Para o Sindnaval, a grande cheia deste ano mostrou que ela será uma constante e que o setor precisa o quanto antes da implantação do projeto do polo naval, no Puraquequara. Antes o tempo entre um a grande cheia e outra era de dez anos e agora reduziu para três.
“Estamos aguardando retornar com o governador Omar Aziz e depois ele deve se encontrar com a presidente Dilma Rousseff para que o projeto possa ser incluído no PAC 2. A princípio ele vai demandar R$ 250 milhões”, disse Matheus.

ACRITICA

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Jipeiro faz "rally" em áreas alagadas, em Manaus

Áreas alagadas viram trilhas para jipeiro no Amazonas

O fotógrafo Gilberto Graciliano fez manobras com seu jipe em ponte atingida pela enchente, na Zona Oeste de Manaus (AM)

Gilberto Graciliano mergulhou com seu jipe em ponte atingida pela enchente, na Zona Oeste
Gilberto Graciliano mergulhou com seu jipe em ponte atingida pela enchente, na Zona Oeste (Alexandre Fonseca)

Um grupo de amigos em busca de aventura. É assim que os jipeiros dos “Lameiros de Manaus” se definem. A vontade de sentir a adrenalina na pele é tão grande que nem mesmo a cheia recorde do Amazonas foi capaz de intimidar um desses motoristas audaciosos, que nesta quarta-feira (23), resolveu desafiar a natureza e passou com seu jipe por uma ponte totalmente tomada pela enchente, no Tarumã, Zona Oeste de Manaus.
“Este era o caminho para as nossas trilhas, mas com a cheia se transformou em um ótimo lugar para realizarmos manobras e testarmos os nossos carros, por isso hoje eu decidi encarar mais esta aventura”, disse Gilberto Graciliano.
Antes de mergulhar com o seu jipe, uma Toyota azul totalmente adaptada, o jipeiro fez o reconhecimento do local para evitar qualquer tipo de problema durante a sua passagem. Em seguida, subiu no carro e sem nenhuma dificuldade completou tranquilamente o “percurso”.
Depois de  mais esta aventura, Gilberto Graciliano que também é fotógrafo, saiu das águas sob aplausos dos companheiros e disse que apesar de já estar acostumado com este tipo de manobra não deixou de sentir um friozinho na barriga.
“Eu sabia que não teria dificuldades, mesmo assim confesso que a adrenalina foi a mil, afinal sentimos uma sensação diferente a cada nova “brincadeira”, afirmou Graciliano. Ele disse ainda que este tipo de aventura só deve ser praticado por profissionais.
"É importante ressaltar que o meu carro foi preparado e que mesmo com toda a minha experiência em trilhas radicais ainda contei com o auxilio de uma pessoa que ficou me dando instruções durante o mergulho, isto é uma brincadeira, mas só deve ser praticada por quem realmente sabe o que está fazendo”, concluiu.
O Grupo “Lameiros de Manaus”, que existe há dois anos, desenvolve um trabalho social com as crianças das comunidades vizinhas da capital do Amazonas. A turma também se coloca à disposição da Defesa Civil para levar roupas e mantimentos até as áreas mais afetadas pela enchente do rio Negro, em Manaus. 


LORENNA SERRÃO

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alagação no Centro de Manaus vira atração turística

Amazonenses que foram ao Centro fizeram questão de fotografar alagação

Amazonenses que foram ao Centro fizeram questão de fotografar alagação
Amazonenses que foram ao Centro fizeram questão de fotografar alagação (Carlos Mirrya)

A cheia do rio Negro que já afeta algumas das principais ruas do Centro de Manaus virou motivo de atração turística, até mesmo para os próprios manauaras. Desde a última quarta-feira, o rio superou a cota de 29,77m, atingida em 2009, chegando a 29,78m, a maior em um período de 110 anos. A última medição, divulgada na sexta-feira (18), era de 29,81m.
Na manhã deste domingo (20), várias famílias e grupos de amigos pararam para registrar fotos e fazer poses nas ruas alagadas no Centro da cidade. No domingo, A CRÍTICA publicou matéria sobre a diversão encontrada por amazonenses com a cheia.
O Terminal da Matriz, na Igreja N. Sra. da Conceição, está com a interdição em estudo pelo Instituto Municipal de Fiscalização e Engenharia de Trânsito (Manaustrans).
O fluxo do trânsito no local tornou-se lento devido a alagação. A locomoção dos pedestres é comprometida, mesmo com a instalação de passarelas.

JORNAL A CRÍTICA

Repasse de verba para as vítimas da cheia é discutido em Manaus

Um dos critérios iniciais, para a distribuição dos R$ 10 milhões repassados pelo Ministério da Integração foi o número de famílias afetadas

Anamã, município mais afetado pela cheia no Estado em 2009 e em 2012, enfrenta dificuldades pela segunda vez em três anos; sede está totalmente embaixo d’água
Anamã, município mais afetado pela cheia no Estado em 2009 e em 2012, enfrenta dificuldades pela segunda vez em três anos; sede está totalmente embaixo d’água (Bruno Kelly - 5/ mai /2012)

Os critérios de distribuição dos R$ 10 milhões disponibilizados pelo Ministério da Integração, para atender as vítimas da cheia no Amazonas, é a principal pauta a ser discutida na manhã desta segunda-feira (21), em Manaus, pelos prefeitos dos municípios afetados.     
As discussões serão coordenadas pelo presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM) e prefeito de Manaquiri, Jair Souto (PMDB).
Um dos critérios iniciais, propostos para a distribuição da verba federal – que já se encontra disponível – seria pelo número de famílias atingidas pela cheia. Entretanto, em virtude de discordâncias entre prefeitos, tal opção ficou em segundo plano.
Os municípios de Anamã, Careiro da Várzea e São Paulo de Olivença, são as três cidades que se encontram mais afetadas pela cheia histórica de 2012.
A partir das propostas analisadas e aprovadas na reunião desta segunda, o dinheiro deverá ser repassado.
A reunião ocorre na sede da AAM, no bairro Nossa Senhora das Graças, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde ao menos 15 prefeitos participam do encontro.

SÍNTIA MACIEL