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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Suspensão do WhatsApp mostra fragilidade da internet brasileira, diz idealizador do Marco Civil

Segundo Ronaldo Lemos, decisão de juíza de SP afronta o estabelecido na lei: "O que ocorreu foi uma gambiarra, uma coerção indevida não prevista em lei com efeito colateral gigantesco"


Ronaldo Lemos(Divulgação/VEJA)


A juíza Sandra Regina Nostre Marques conseguiu chamar a atenção de Mark Zuckerberg. Diante dasuspensão do WhatsApp determinada - e já revogada - pela juíza em todo o Brasil, o CEO do Facebook, dono do WhatsApp, publicou um texto criticando a decisão. 

Com o despacho, a juíza chamou também atenção para a fragilidade legal da internet brasileira, avalia o advogado Ronaldo Lemos, idealizador do Marco Civil, lei sancionada neste ano que estabelece os direitos e os deveres dos personagens da rede no país. Segundo Lemos, a decisão da juíza foi "equivocada", frontalmente em desacordo com o Marco e também com a Constituição, impondo censura a quase 100 milhões de usuários do serviço. "O episódio revela nossa fragilidade: com aval da Justiça, quatro empresas, as operadoras de serviços de telecomunicações, têm condições de derrubar qualquer serviço de internet. É uma situação muito perigosa". Quatro empresas e uma juíza, diga-se. Leia a seguir a entrevista que Lemos concedeu a VEJA.com.

O que significa a decisão de bloquear o WhatsApp aos olhos do Marco Civil? É uma interpretação equivocada. A ideia de suspender sites e aplicativos não está prevista em nenhum lugar do Marco Civil. Ao contrário, a lei prevê a proteção da liberdade de expressão. Além de ferir o Marco, a decisão é inconstitucional e fere a Convenção Americana de Direitos Humanos, que estabelece que qualquer situação de censura é inadmissível. O que ocorreu é uma gambiarra, uma coerção não prevista em lei com efeito colateral gigantesco.

Que prerrogativas, afinal, tem a Justiça em relação aos serviços de internet, segundo o Marco Civil? O artigo 12 do Marco Civil estabelece sanções aos serviços que desrespeitem normas estabelecidas na própria lei. O artigo 11, contudo, deixa claro que as sanções não incluem a retirada do ar dos serviços, mas apenas a suspensão das atividades de coleta, armazenamento e tratamento de dados pessoais ou de comunicação por provedores de conexão e de aplicações de internet. Ou seja, o que o Marco autoriza é uma sanção econômica, o que é grave por si só. Não sei de onde a juíza retirou a ideia de que é permitido tirar do ar o serviço.

Consta que a juíza tomou a decisão após requerer do WhatsApp, sem ser atendida, dados de um criminoso que usava o serviço. O que a Justiça poderia ter feito em lugar de derrubar o aplicativo?Há várias formas de lidar com situações como essa, quando a empresa está estabelecida em outro país, caso do WhatsApp. O caminho correto é recorrer aos acordos de cooperação judicial que o Brasil tem assinado com diversos países, como o firmado com a Suíça, que permitiu recentemente trazer para o país os dados relativos às contas bancárias do Eduardo Cunha. Já temos acordos com os Estados Unidos também. Para ter ideia do absurdo dessa decisão judicial, imaginemos se um banco brasileiro com serviços nos Estados Unidos fosse acionado pela Justiça americana: um juiz daquele país jamais determinaria a suspensão dos serviços. Impressiona-me o fato de a decisão ignorar essas questões institucionais.

Qual a lição do episódio? O episódio revela nossa fragilidade: quatro empresas, as operadoras de serviços de telecomunicações, têm condições de derrubar qualquer serviço de internet. É uma situação muito perigosa. Mais: uma juíza estadual de primeira instância consegue derrubar o serviço de 90 milhões de usuários do país todo. Então, o que nos salva é o Marco Civil, aparato legal que impede que a rede seja usada com intenção de censura. O Marco proíbe, por exemplo, o Poder Executivo de exercer influência na internet, como ocorre na Turquia e Rússia, onde os governos podem simplesmente desligar a rede, sem sequer ouvir a Justiça. No Brasil, o Executivo está proibido de fazer isso. Apenas o Judiciário pode determinar a remoção de conteúdo - apenas isso -, mas não a remoção de aplicações, como aplicativos e sites. O que espero é que tribunais superiores usem o Marco Civil da forma certa e nos defendam. Isso já aconteceu antes e os tribunais entenderam.

Como evitar que os casos como esse se repitam? O que me surpreendeu neste caso foi a posição das teles. Aparentemente, apenas a Oi recorreu da decisão. Então, parece ter havido mudança de posicionamento das empresas, que aparentemente lavaram as mãos. Existe responsabilidade das operadas. Quando se tentou tirar o Secret das lojas da Apple, a empresa recorreu. As teles já haviam resistido em outras situações. Houve mudança de posicionamento.

O que fazer agora? Reforçar institucionalmente a questão da libertdade. Os tribunais precisam cassar essa decião o mais rápido possível. E precisamos nos defender contra projetos de lei, como o PL 215, que querem aumentar controle sobre a internet.


Veja.com


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Justiça manda bloquear app WhatsApp por 48 horas a partir da meia noite de hoje

Decisão foi dada pela 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo (SP) às operadoras de telefonia móvel. SindiTelebrasil confirmou intimação judicial


Bloqueio foi imposto porque o WhatsApp não atendeu a uma determinação judicial (Reprodução/ Internet)



A 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo (SP) determinou às operadoras de telefonia móvel o bloqueio do aplicativo WhatsApp, pelo período de 48 horas, em todo o país. O prazo passa a contar a partir da meia noite desta quinta-feira (17).
O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) confirmou que as empresas associadas à entidade receberam a intimação judicial na tarde de hoje (16)  e que irá comprir a determinação judicial. O SindiTelebrasil afirma, no entanto, que não foi o autor do requerimento para o bloqueio do aplicativo. A decisão foi proferida em um procedimento criminal, que corre em segredo de justiça.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o bloqueio foi imposto porque o WhatsApp não atendeu a uma determinação judicial de 23 de julho deste ano. No dia 7 de agosto, a empresa foi novamente notificada e foi fixada multa em caso de não cumprimento. Como, ainda assim, a empresa não atendeu à determinação judicial, o Ministério Público requereu o bloqueio dos serviços pelo prazo de 48 horas, com base na lei do Marco Civil da internet, o que foi deferido pela juíza Sandra Regina Nostre Marques.
Em fevereiro deste ano, o juiz Luiz Moura, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, determinou a suspensão do aplicativo Whatsapp em todo o território nacional, mas a decisão foi revogada por um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí.

SABRINA CRAIDE (AGÊNCIA BRASIL)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAZONAS: NOTA DE DIVULGAÇÃO.

O evento está marcado para as 10h, no auditório Carlos Bandeira de Araújo


(MPAM) A nova Procuradora ingressou no MP-AM em maio de 1988 na Promotoria de Justiça de Barreirinha


A Procuradora de Justiça Liani Mônica Guedes de Freitas Rodrigues entrará no exercício do cargo de Procuradora de Justiça, amanhã, dia 10 de dezembro de 2015, em solenidade promovida pelo Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas. O evento está marcado para as 10h, no auditório Carlos Bandeira de Araújo, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, na Avenida Coronel Teixeira, 7995, Nova Esperança.

Com 27 anos de carreira, Liani Rodrigues chega ao cargo de Procurador com absoluta consciência da obrigação de servir o cidadão, a sociedade, as pessoas por trás dos procedimentos preparatórios e ações civis públicas. Sem se deixar dominar pela vaidade, a nova Procuradora diz se considerar "um soldado", um Membro do MP "de rua, não de gabinete".

A nova Procuradora ingressou no MP-AM em maio de 1988 na Promotoria de Justiça de Barreirinha, tendo atuado, ainda, em Parintins. Em Manaus, Liani Rodrigues atuou na 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos do Cidadão (58ª PRODEDIC), hoje 58ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (58ª PRODHSP), onde permaneceu como titular até a promoção.

Diante do novo cargo, o desafio, segundo ela, é continuar aprendendo sempre. "Eu penso que o caminhar não vai ser diferente, eu preciso aprender e reaprender porque o caminho da vida é sempre o do aprendizado. Por isso peço a Deus que me permita continuar servindo às pessoas por meio de um Ministério Público atuante, fiscal, que atende à população carente, desse Ministério Público sem rosto, mas cujo rosto é o próprio povo", reume.

Assessoria de Comunicação / MP-AM


sábado, 5 de dezembro de 2015

Radialista Edy Lima de Manicoré entrevistará o Deputado Francisco Souza

Francisco Souza verificou o andamento da obra e conversou 

(Foto: Aleam) O deputado Francisco Souza (PSC) percorreu parte da BR-319, que liga a cidade de Manaus



O Deputado Estadual Francisco Souza (PSC), participará através via telefone de Manaus, nesta segunda-feira (07) de uma entrevista ao programa de rádio “Gerando Oportunidade” apresentada pelo radialista Edy Lima (O maracanã da Amazônia), de Manicoré.  Souza em sua entrevista ao programa, falará do objetivo da viagem dele pela BR-319 e de demais parlamentares que percorreram parte da rodovia que liga Manaus a Porto Velho.  

O deputado Francisco Souza (PSC) percorreu parte da BR-319, que liga a cidade de Manaus a Porto Velho (RO). O objetivo da viajem foi verificar o andamento das obras de recuperação da rodovia, que foram desembargadas, oficialmente, na semana passada, após decisão do Tribunal Regional Federal (TRF).

Quem autorizou o fim do embargo foi o presidente do TRF da 1ª Região, desembargador federal Cândido Ribeiro.

Ele suspendeu a liminar proferida pela juíza da 7ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, Aline Soares Carnaúba, que paralisou a obra.

O trecho que estava embargado pelo Ibama corresponde ao “meião”, que fica entre os quilômetros 250 e 650.
Francisco Souza verificou o andamento da obra e conversou com operários que faziam o asfaltamento da rodovia.

Souza fez questão de saber qual a qualidade do asfalto usado na estrada e qual o prazo para execução dos serviços.

Segundo Francisco Souza a liberação para a recuperação da BR-319 é uma vitória para o Amazonas. “O primeiro passo já foi dado, agora é correr o atrás da manutenção da rodovia. Sei que nossa emancipação econômica, política e social está próxima, por isso vim pessoalmente inspecionar as obras”, disse Souza.


Com Informação da Assessoria e Edy Lima.



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Juíza Nélia Caminha é escolhida como a nova desembargadora do Tribunal de Justiça do AM

Por unanimidade, Nélia foi escolhida para ocupar a vaga deixada por Rafael de Araújo Romano, que se aposentou após completar 70 anos de idade



Na foto a juíza Nélia Caminha é a terceira da esquerda para a direita (Natália Caplan)



A juíza Nélia Caminha Jorge é a nova desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Ela foi escolhida por unanimidade para ocupar o cargo na manhã desta terça (1º), na vaga deixada por Rafael de Araújo Romano, que se aposentou após completar 70 anos de idade.
A escolha do novo desembargador se deu durante votação no TJ-AM, e cada um dos 16 magistrados autorizados a participar do pleito deveria dar notas aos candidatos e votar três vezes. Nélia recebeu aprovação de todos. Ao todo, fora oito candidatos concorrendo à vaga. O segundo e o terceiro lugares ficaram com Elci Simões de Oliveira e Airton Luís Correa Gentil, respectivamente.
Nélia é titular da 6ª Vara Cível, mas atualmente trabalha como juíza corregedora auxiliar do desembargador Flávio Humberto Pascarelli. O dia da posse dela ainda não está marcado. 
Votação
A votação foi realizada por meio do painel eletrônico, que sofreu uma falha no sistema e causou atraso, mas sem interferência no resultado. A pauta do dia, inclusive, foi invertida pela presidente do TJ, desembargadora Graça Figueiredo, para agilizar a escolha. Apenas dois processos foram discutidos antes da eleição.
Os nomes, selecionados por critério de merecimento para disputar a vaga no TJ-AM foram: Nélia Caminha Jorge, titular da 6ª Vara Cível; Airton Luís Correa Gentil, da 1ª Vara Especializada da Dívida Ativa Estadual; Elci Simões de Oliveira, da 12ª Vara Cível; Onilza Abreu Gerth, da 8ª Vara Cível; Mirza Telma de Oliveira Cunha; do 1º Tribunal do Júri; Cézar Luiz Bandiera, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal; Joana dos Santos Meirelles, da 1ª Vara Cível; Henrique Veiga Lima, da 9ª Vara Criminal; e Lia Maria Guedes de Freitas, titular da 11ª Vara Cível.

NATÁLIA CAPLAN


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Justiça suspende liminar e libera as obras na rodovia BR-319

Informação foi confirmada pelo procurador-geral do Dnit ao deputado federal Alfredo Nascimento (PR)



A Justiça Federal havia suspendido as obras à pedido do MPF, mas retirou o embargo(Euzivaldo Queiroz)


As obras na rodovia federal BR-319 estão liberadas, conforme decisão tomada nesta sexta-feira (20) pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Cândido Artur Medeiros Ribeiro Filho.
A informação foi confirmada pelo procurador-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ao deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM).
A Justiça Federal havia suspendido as obras de manutenção na BR-319 à pedido do Ministério Público Federal (MPF). Entretanto, o Dnit entrou com recurso no TRF-1 e, agora, a Justiça Federal liberou as obras.
Na quinta-feira (19), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e os senadores rondonienses Acir Gurgacz (PDT-RO) e Valdir Raupp (PMDB-RO) visitaram o presidente do TRF-1 para pedir aceleração no processo e a liberação das obras.
Os parlamentares fizeram um relato da diligência da Comissão de Infraestrutura do Senado feita no mês passado. Na ocasião, os três senadores saíram de ônibus de Porto Velho para Manaus.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia liberado as obras na BR-319, retirando o embargo anterior feito no trecho do meio, entre os km 250 e km 655,5.
MPF
Mesmo o Ibama tendo liberado as obras, o MPF afirmou que precisava mais e as obras deveriam continuar embargadas. O procurador Rafael da Silva Rocha foi o autor da ação civil pública que pediu a suspensão das obras.
A juíza federal Aline Soares Lucena Carnaúba concedeu uma liminar no dia 27 de outubro suspendendo as obras conforme pedido do MPF, afirmando que a nova posição do Ibama não era suficiente.
Amazonas
O Governo do Amazonas informou que está trabalhando em um projeto técnico para solucionar o impasse ambiental que impede a conclusão da pavimentação da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho).
A informação foi dada pelo governador José Melo durante o Seminário de Apoio a Investimentos no Estado, na VIII Feira Internacional da Amazônia.
Segundo o governador, a ideia é proteger uma área de preservação que envolve 400 quilômetros de um trecho da estrada. O projeto está sendo finalizado para ser encaminhado e discutido com o Ibama e posteriormente enviado ao Governo Federal.

A Critica.Com


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Justiça manda soltar índios Tenharim acusados de matar três homens em reserva do AM

Vítimas foram mortas em dezembro de 2013 dentro de terra indígena cortada pela BR-230 Transamazônica, em Humaitá. Os índios acusados do crime responderão em liberdade


Imagem ilustrativa (Euzivaldo Queiroz/ Arquivo A CRÍTICA)



A Justiça do Amazonas mandou soltar os cinco índios Tenharim acusados de matar, em dezembro de 2013, três homens dentro da Terra Indígena Tenharim, às margens da rodovia BR-230, a Transamazônica, em Humaitá, no interior do Amazonas, a 590 quilômetros da capital.
A desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado, relatora do processo, aceitou o habeas corpus impetrado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) contra o juiz da 2ª Vara Criminal de Humaitá e concedeu alvarás de soltura para os cinco réus presos: Simeão Tenharim, Gilson Tenharim, Gilvan Tenharim, Valdinar Tenharim e Domiceno Tenharim. A decisão foi tomada no último dia 6 de novembro.
Para defender a soltura dos réus, a Funai alegou que houve constrangimento ilegal por excesso de prazo porque os índios estavam presos desde 30 de janeiro de 2014, há 1 de um ano e 9 meses, “há mais tempo do que a lei determina”. O excesso de prazo foi cometido pelo juiz da 2ª Vara de Humaitá. A alegação da Funai foi aceita pela desembargadora Encarnação Salgado.
Os cinco indígenas vinham cumprindo pena na Cadeia Pública de Lábrea, município vizinho a Humaitá. Antes, eles estavam presos no Presídio de Segurança Máxima de Porto Velho, em Rondônia. A transferência deles de Porto Velho para Lábrea ocorreu devido ao declínio de competência do caso passar da Justiça Federal para Justiça Estadual.
Na decisão de soltura, a desembargadora exigiu que os cinco réus indígenas devem permanecer dentro da Terra Indígena Tenharim Marmelos, sob supervisão da Funai de Humaitá, mesmo local onde viviam e onde as vítimas foram assassinadas. Os índios são acusados de infringir os artigos 121, § 2º, inc. I e IV e 211 do Código Penal (homicídio).
As três vítimas
As três vítimas assassinadas a tiros dentro da reserva indígena Tenharim são o professor Stef Pinheiro de Sousa, 43, o comerciante Luciano Ferreira Freire, 30, e o funcionário da Eletrobras Amazonas Energia Aldeney Ribeiro Salvador, 40.
Eles foram sequestrados e desapareceram no dia 16 de dezembro de 2013 quando faziam viagem de carro pelo trecho da rodovia BR-230 que corta a reserva Tenharim e onde os indígenas cobram pedágio. As vítimas tinham como destino a cidade de Apuí.
As famílias denunciaram o desaparecimento e uma mega operação foi montada pela Polícia Federal para encontrar as vítimas, com apoio da Força Nacional, Exército, Polícia Militar e Polícia Civil do Amazonas e Rondônia.
Os cinco índios réus no processo foram presos antes dos corpos serem encontrados, no dia 30 de janeiro de 2014. O veículo das vítimas foi incendiado e os corpos achados quase dois meses depois do crime, no dia 3 de fevereiro de 2014, todos dentro de uma vala.
Vingança
Os assassinatos dos três homens teriam sido motivados por vingança dos indígenas devido a morte do cacique Ivan Tenharim, pai de dois dos réus no processo criminal. O corpo do cacique Ivan foi encontrado em um trecho da rodovia BR-230 no dia 2 de dezembro de 2013, dias antes dos homicídios.
Conflitos 
As mortes dos três homens gerou conflitos séros naquela região do sul do Amazonas. A reserva indígena Tenharim foi parcialmente invadida por um grupo de pessoas e os casebres de madeira onde os índios cobravam pedágios foram incendiados. Veículos e prédios da Funai foram saqueados e incendiados.

Vinicius Leal

sábado, 24 de outubro de 2015

MPT quer articular as discussões para manter a Fundação Nokia em funcionamento

Entre as providências a serem tomadas, está convocação de uma reunião com a direção da fundação e com a atual mantenedora, a Microsoft, para aferir a atual realidade administrativa e financeira para encontrar alternativas 


Com trajetória de 30 anos, Fundação Nokia sempre investiu na formação dos alunos em tempo integral (Divulgação)




Em 28 de setembro deste ano, a Fundação Nokia anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do processo seletivo para o ensino médio técnico 2016 e, também, a suspensão da abertura de matrículas para turmas e novos alunos do primeiro ano do Ensino Médio particular.
Aos veículos de comunicação, a instituição de ensino informou que a crise econômica e a reestruturação interna pela qual a Fundação vem passando foram os motivos para a suspensão temporária do processo.
Com uma trajetória de 30 anos, a Fundação Nokia vem investindo na formação integral dos alunos e oferece ensino médio, ensino médio técnico, cursos técnicos, cursos profissionalizantes e cursos online, por meio do corpo docente formado por professores altamente qualificados.
Ante as atuais circunstâncias, o Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT 11ª Região) vai instaurar um procedimento promocional, em que o órgão ministerial irá atuar como articulador, mediador, sensibilizador e propositor de medidas que permitam a continuidade das atividades da Fundação Nokia, principalmente, por promover a profissionalização de adolescentes, inclusive os de baixa renda que, uma vez aprovados no processo seletivo, estão isentos do pagamento de mensalidade.
Em razão da temática relacionada à profissionalização dos adolescentes, a procuradora do Trabalho Alzira Melo Costa, coordenadora no Amazonas da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) será a titular do procedimento instaurado.
Entre as primeiras providências a serem tomadas pelo MPT, está a de convocar uma reunião com a direção da Fundação Nokia e com a atual empresa mantenedora, a Microsoft, para aferir a atual realidade administrativa e financeira a fim de encontrar alternativas para o enfrentamento da situação.
O procurador do Trabalho Jeibson dos Santos Justiniano destacou a relevante função social da instituição de ensino para a população. “Os moldes de excelência no ensino, bem como o modelo e a infraestrutura que a Fundação Nokia dispõe não podem ser perdidos pela sociedade amazonense e manauara”, ponderou.

*Com informações da assessoria de imprensa

segunda-feira, 9 de março de 2015

Justiça expede 2,8 mil mandados de prisão de maridos violentos, mas apenas 347 foram cumpridos

Cabe às polícias efetuarem as prisões dos agressores, porém muitos deles não têm endereço fixo. Prisão preventiva é decretada quando há risco à 

Em agosto de 2014, Rita de Cássia teve casa e roupas incendiadas pelo ex-marido(Márcio Silva)




Mesmo com a prisão preventiva do ex-companheiro tendo sido decretada há seis meses, a atendente Rita de Cássia de Jesus, 38, ainda tem medo de sair de casa e frequentar espaços públicos com a filha. O motivo? Até hoje, o ex-marido, Railton Teixeira dos Santos, 27, não foi preso e, segundo ela, motivos não faltam para se sentir em apuros.  “Ele me liga e me ameaça. Diz que o serviço ainda não está concluído”, declarou Rita.
No ano passado, a mulher denunciou o companheiro após ter sofrido várias agressões físicas, inclusive, atentados de morte, quando ele incendiou a casa em que ela morava com a filha. Segundo a atendente, tudo isso foi motivado por ele não aceitar o fim da relação.  O caso, enquadrado na Lei 11.340/2006, mas conhecida como Lei Maria da Penha, segue em segredo de Justiça.
Muitos mandados
Assim como Rita de Cássia, pelo menos outras 2.475 mulheres podem estar na mesma situação, segundo os dados informados pelo 2º Juizado Especializado no Combate a Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Só no ano passado, segundo a juíza titular, Luciana Eira Nasser, o juizado expediu mais de 2,8 mil mandados de prisões preventivas, mas apenas 347 foram cumpridos. Nos dois primeiros meses deste ano, outros 32 mandados foram decretados.
De acordo com Luciana Nasser, cabe as polícias efetuarem as prisões dos agressores, mas ela também explicou que muitas das vezes isso não acontece pela dificuldade de localização dos endereços dos agressores.  “As vezes esses homens não são presos porque a polícia tem dificuldade de encontrar o endereço deles, porque nem sempre eles possuem residência  fixa ou fugiram para outra cidade”, justificou.
Ainda segundo a magistrada, a prisão preventiva do agressor é decretada quando ele representa algum risco à vítima e, geralmente, o pedido é formalizado pela delegacia onde o caso foi registrado. “É comum haver ameaças e, como nunca se sabe o que pode acontecer lá na frente, é importante a vítima procurar ajuda imediatamente”, orientou Luciana Nasser.
Delegacia explica
A titular da Delegacia Especializada em Combate a Crimes contra as Mulheres (DECCM), no Parque 10, na Zona Centro-Sul, Andreia Pereira, também explicou que a prisão pode ser feita porque qualquer delegacia, dependendo de onde o inquérito policial foi instaurado. “Se o homem não foi preso e as ameaças continuam acontecendo, ela (a vítima) precisa ir à delegacia de origem e conversar com o delegado para que ele tome as providências necessárias”, explicou. 
A delegada informou ainda que só no mês de fevereiro a DECCM representou por seis mandados de prisões, onde cinco deles foram deferidos e cumpridos. O sexto foi negado, mas a Justiça converteu o pedido em monitoramento eletrônico. Mandados de prisões preventivas podem ser cumpridos em qualquer delegacia. Se o suspeito for considerado foragido, cabe também a Delegacia Especializada em Capturas e Polinter (DECP) cumprir o mandado.
Em 2015
Tanto para a Justiça quanto para a Polícia Civil, o monitoramento eletrônico veio para reforçar o acompanhamento de mulheres que sofreram algum tipo violência doméstica. Sistema recentemente implantado em Manaus, atualmente 49 pessoas são monitoradas eletronicamente.
No entanto, apenas em nove desses casos, tanto a vítima quanto o agressor fazem o uso do “botão do pânico” e da tornozeleira. “Se o agressor se aproximar, o sistema emite um sinal alertando a vítima de que ele está próximo. Automaticamente, o Centro de Operação e Controle entra em contato com a pessoa e se for necessário, a polícia é acionada e ele pode ser preso por descumprimento à medida protetiva”, complementou a juíza  Luciana Eira Nasser.
Necessidade de proteção
“Fico assustada porque sempre que peço a preventiva de alguém, eu cumpro. Até porque se pedimos é porque existe uma necessidade  de proteger a vítima”. Essa é a afirmação da delegada titular da Delegacia  Especializada em Combate a Crimes contra a Mulher (DECCM - Anexo), localizada no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, Débora Mafra.
Ela estranhou os números de prisões preventivas aplicadas pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340) que ainda não cumpridas em Manaus, já que as prisões visam proteger as vítimas de futuras agressões, quando é o caso. Ela também afirmou que, geralmente, quanto representa pela preventiva é porque já possui  as informações necessárias para localizá-lo.
 “Quando eu peço, eu cumpro”, afirmou. No início do mês de fevereiro, Débora Mafra prendeu o mecânico Wanderson Carlos da Silva Pinheiro, o “Wan Wan”, 33, por tentativa de homicídio. Segundo ela, o suspeito esfaqueou a ex-companheira dele, de 35 anos, e usou uma chave de fenda para perfurar a barriga dela. O motivo, segundo o homem, seria porque a vítima não queria reatar o relacionamento.
Em números
Segundo a Justiça do Amazonas, existem 7.329 processos relacionados à Lei Maria da Penha tramintando apenas na 2º Juizado Especializado em no Combate a Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Kelly Melo

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

TSE determina imediato retorno de Chico Costa, prefeito cassado de Carauari (AM), ao cargo

Decisão vem no mesmo dia em que o TRE-AM, que cassou o prefeito no final do ano passado, definiu o calendário da realização de nova eleição no município


Chico Costa foi cassado por duas decisão diferentes do TRE-AM (Reprodução/Internet)

 

O ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quarta-feira (25), em caráter liminar, o imediato retorno do prefeito cassado de Carauari Chico Costa (PSD) ao cargo.
No mesmo dia, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), que cassou o prefeito no final do ano passado, definiu o calendário da realização de nova eleição no município.
A defesa de Chico Costa pedirá nesta quinta-feira (26) à presidência do TRE-AM, que informe o juiz eleitoral de Carauari, Bismarque Gonçalves Leite, sobre  a determinação do ministro Luiz Fux para que ela seja cumprida.
Chico Costa perdeu o mandato em duas decisões emitidas pelo TRE-AM. Na primeira, ele foi acusado de abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral de 2112 por ter distribuído gasolina para correligionários participarem de uma carreata em prol de sua candidatura. Esse processo foi movido pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
A outra decisão decorreu de uma ação apresentada pelo segundo lugar na disputa eleitoral, Bruno Litaif, e diz respeito ao asfaltamento das ruas da cidade em data próxima a do pleito. Nos dois casos, a corte amazonense entendeu que houve favorecimento do prefeito.
Como Chico Costa obteve mais de 50% dos votos, o TRE-AM determinou que houvesse outra eleição. Com a decisão de Fux, essa medida fica suspensa, segundo a advogado do prefeito Maria Benigno. Desde seu afastamento, o município vem sido governado pelo presidente de sua Câmara Municipal, João Dantas Neto.
Jornal a Crítica

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Decisão Judicial a favor do povo de Manicoré

Na posse da Aeronáutica teve policiamento ostensivo


Na reunião, Lúcio Flávio disse aos moradores que o impossível aconteceu no município (Fotos:Edy Lima)

A justiça Federal sediada em Brasília (DF), com o senso da lógica humana decretou o fim da liminar



Prefeito Municipal de Manicoré, Lúcio Flávio do Rosário, realizou no último sábado (21) uma reunião com lideres e moradores dos bairros de Manicorezinho, Mazzarello I e II, Auxiliadora, Conjunto Ipasea, Presidente lula (Santo Expedito), Comunidade Portelinha e adjacentes.

Na reunião, Lúcio Flávio disse aos moradores que o impossível aconteceu no município de Manicoré, “a pedido da Aeronáutica, a justiça Federal no ano passado, através de liminar, conseguiu um feito que seria cômico se não fosse trágico. Tomou posse de uma área equivalente a metade da cidade onde vivem aproximadamente 4 mil pessoas, com moradia de até 20 anos, devidamente documentada em ‘Cartório’, pagamento de impostos e benefícios patrimoniais realizados por gerações”.

Na posse da Aeronáutica teve policiamento ostensivo, veículos pesados, armas expostas e até com tratores derrubando algumas casas, o novo “dono” da cidade fez proibições absurdas, chegando ao cúmulo de impedir até o concerto de uma porta ou a troca de uma telha quebrada pelo vento e pelas chuvas, engessando os moradores e transformando a área num depósito de gente, sem direitos e sem liberdade.

A Aeronáutica fez mais ainda, pela força ostensiva impediu a realização de obras de saneamento programadas pela prefeitura, drenagem, meio fio e canalização das águas, atingindo 6 bairros uma comunidade e fazendo a mutação da felicidade de uma pacata cidade, num verdadeiro inferno na terra.

“O cerceamento da propriedade, a escravidão branca gerada pela proibição de usar com qualidade a própria casa, as barreiras de contenção do trabalho público durou meses, de agosto de 2014, até fevereiro de 2015 quando a justiça Federal sediada em Brasília (DF), com o senso da lógica humana decretou o fim da liminar, e nesse tempo nenhum momento o povo de Manicoré esmoreceu na luta”. Disse emocionado Lúcio Flávio aos moradores dos bairros ocupados. 

A reunião aconteceu às 10h da manhã no Centro Juvenil Salesiano (CJS), e além de contar com a população de Manicoré, também teve a presença registrada dos vereadores de situação ao governo; Markson Machado, Aldemiro Gomes (Miro), Zulândio Galdino (Uca) e Nara. Secretários de governo do município de Manicoré estiveram na reunião.   

Com Informação da Assessoria.


Edy Lima DRT-AM 1823      

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

TJ anuncia concurso com 130 vagas para 19 cidades no Estado, com salários de até R$ 3,6 mil

As vagas serão para Anamã, Autazes, Anori, Beruri, Caapiranga, Careiro, Coari, Codajás, Manaquiri, Novo Airão, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Careiro da Várzea, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo, Silves e Uricurituba

Ainda não há informações sobre número de vagas ou salários (Márcio Silva - 30/agosto/2011 )



Sete concursos com 130 vagas devem ser realizados pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) ainda este ano, com cargos em Manaus e em municípios do interior do Estado. O anúncio foi feito na manhã desta terça (10), pela presidente do TJ-AM, desembargadora Graça Figueiredo, durante a Abertura do Ano Judiciário.

Os certames contemplam vagas para os níveis fundamental e médio para cidades de Anamã, Autazes, Anori, Beruri, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Manaquiri, Novo Airão, da 7a Região; Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo, Silves e Uricurituba.
“Os aprovados irão morar nas cidades para suprir o Judiciário daquele lugar. Tanto que as provas serão aplicadas nos próprios municípios”, informou Figueiredo. “Não realizaríamos concursos se não houvesse orçamento. Antes de fazermos os editais, consultamos o departamento financeiro. Houve alguns cortes de despesas, então, é possível”.
Com previsão de ser publicado até o fim de fevereiro, o edital traz o primeiro certame do ano com 11 vagas para o cargo de assistente judiciário (nível médio), com salário de R$ 3.678,39; e outras 14 vagas para auxiliar judiciário, com salário de R$ 1.295,20. Ambos ainda terão direito aos auxílios de saúde (R$ 297, 57) e alimentação (R$ 1.276,65).
Também serão abertas mais 25 vagas para juízes substitutos e 80 para cargos de juízes leigos que ajudarão no juizado especial – 30 para o interior e 50 para a capital. Segundo a presidente do TJ-AM, tais concursos públicos, entretanto, só serão abertos no segundo semestre de 2015. Todas as informações podem ser encontradas no site do TJ-AM.
Estagiários
A desembargadora Graça Figueiredo também anunciou que já estão abertas as inscrições para uma seleção de estagiários, feita em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), para trabalharem no TJ-AM. São 28 vagas, nas 1ª, 8ª e 9ª Regiões, para receber bolsa-auxílio no valor de R$ 300 e transporte (R$ 100).
Cerimônia
A cerimônia de abertura do Ano Judiciário contou com a presença dos membros da Corte, como desembargadores e juízes do TJ-AM, representantes dos principais órgãos do Judiciário, do prefeito de Manaus, Artur Neto, e do vice-governador, Henrique Oliveira.
A presidente do TJ, Graça Figueiredo, ressaltou a necessidade em prestar contas dos trabalhos à sociedade. “Precisamos mudar a imagem da Justiça em nosso Estado, pois sabemos que, hoje, existe certa descrença da população. A sociedade precisa ser informada do que foi feito [...] e os projetos na programação”, declarou Figueiredo.
NATÁLIA CAPLAN


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

MP-AM anuncia preparação de denúncias contra autoridades do Município de Coari

Relatório de inspeção realizada pelo MP servirá de base para a denúncia de autoridades do município de Coari à Justiça


Procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, citou a ostentação de riqueza de secretários municipais e vereadores (Antonio Menezes)


O relatório produzido pela comissão instituída pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) para investigar irregularidades em Coari (a 363 quilômetros de Manaus) aponta indícios de enriquecimento ilícito de agentes políticos da administração do município. A informação foi dada ontem pelo procurador-geral de Justiça do MP-AM, Carlos Fábio Monteiro, em coletiva à imprensa.
Encaminhado ao Gabinete de Assessoramento Jurídico (GAJ) da Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos e Institucionais do órgão, o documento é composto de cinco volumes contendo depoimentos, arquivos em áudio e vídeo coletados pela comissão em dois dias e meio de trabalho em Coari. O MP cogita a apresentação de um novo pedido de intervenção no município.
Os fatos passarão por análise, desmembramento e definição das medidas a serem tomadas em âmbito penal, administrativo e eleitoral nos próximos dias. “É um contrassenso: um município tão rico como Coari, que não está conseguindo pagar seus fornecedores e funcionários, com uma demonstração de ostentação de evolução patrimonial dos secretários municipais e membros da Câmara”, declarou o Fábio Monteiro.
“Entraremos com ações civis públicas e, se confirmado pelo Judiciário, culminarão com a suspensão de direitos políticos”, completou. “Achamos prudente que aprofundássemos a investigação em todos os seguimentos para, aí sim, quando apresentarmos ao Poder Judiciário, façamos isso de uma vez só. Mas em pouquíssimo lapso de tempo tomaremos algumas medidas imediatas pelos diversos dados que nos chegaram pela comissão”, disse Monteiro.
A comissão do MP-AM esteve em Coari há menos de uma semana após “um dia de fúria” da população, no dia 14 de janeiro, que resultou em depredação de patrimônios público e privado. A equipe é coordenada pelo procurador de Justiça Públio Caio Bessa Cyrino, que conta com o suporte dos promotores Alberto Nascimento (promotorias criminais) e Igor Peixoto (juizado especial criminal), além do major da Polícia Militar Algenor Teixeira e dois oficiais da equipe de inteligência da PM.
Fábio Monteiro também colocou sob suspeita a relação entre os dirigente da prefeitura e da Câmara de Vereadores de Coari. “O que mais preocupa é a relação temerária entre o Executivo e o Legislativo: um presidente da Câmara Municipal (Ilizeu Monteiro) que é irmão do prefeito atual (Igson Monteiro). Mais grave ainda é que, na ausência do prefeito, quem chefia é o executivo. Ou seja, o próprio irmão”, afirmou.
O procurador também citou indícios de irregularidades eleitorais. “Há dados de eventuais irregularidades com doações que não teriam sido feitas, mas que aparecem na prestação de contas”, disse.
NATÁLIA CAPLAN